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Pé-de-Meia: seminário debate trajetórias escolares e desigualdades

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Nessa última semana, o Ministério da Educação (MEC) promoveu o Seminário Nacional do Pé-de-Meia: trajetórias escolares e combate às desigualdades. O objetivo foi debater e potencializar a gestão pedagógica e o uso estratégico de dados e sistemas para o aprimoramento contínuo do programa. O evento ocorreu de 7 a 9 de abril, em Brasília (DF). 

Esse foi o primeiro evento técnico nacional presencial do programa que reuniu secretários estaduais, atores de implementação local do programa e representantes de outras organizações. O encontro contou com a participação de cerca de 250 pessoas, entre elas representantes de todos os 27 entes da federação, incluindo 10 secretários estaduais de educação, 54 articuladores da Rede Nacional de Implementação do Programa Pé-de-Meia (Renapem) e cinco coordenadores do ensino médio.  

Durante a abertura do evento, a secretária de Educação Básica, Kátia Schweickardt, destacou que 73% dos beneficiários do Pé-de-Meia são pessoas negras e que ela considera essa característica um fator disruptivo do programa. “O Pé-de-Meia só faz sentido se ele vier na direção de fortalecer direitos de aprendizagem. O Pé-de-Meia não são números, são pessoas, são estudantes. O objetivo da gente é transformar os dados em pessoas que precisam ser acolhidas, acompanhadas, porque o Pé-de-Meia precisa incentivar o desempenho ao longo do ano, a aprovação, e incentivar o estudante a entrar na universidade”, pontuou.  

A estudante Ana Lu Soares de Novais, que está no 3º ano do ensino médio da escola Centro de Ensino Médio 2 de Ceilândia (DF), afirmou que o incentivo a ajuda bastante. “Em alguns meses, utilizo o dinheiro para ajudar em casa ou guardo para comprar algumas coisas para mim. Isso tem me ajudado a ter desde cedo uma responsabilidade melhor com dinheiro, ter consciência melhor e mais práticas [na administração financeira] antes de ter despesas”, explicou.

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Estudantes Wanessa Santana e Ana Lu Novais, ex-beneficiária e beneficiária do Pé-de-Meia, respectivamente. Foto: Ales Photos

Wanessa Sousa Santana, de 18 anos, recebeu o Pé-de-Meia quando cursava o 3º ano do ensino médio no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Brasília (IFB). Atualmente, ela cursa Relações Internacionais na Universidade de Brasília (UnB) e conta que destinava o dinheiro para ajudar em casa e fazer compras pessoais. Santana também guardou uma parte do valor, o que tem lhe ajudado atualmente na faculdade. “Eu ter guardado o dinheiro e ter essa mentalidade de ter uma reserva está me ajudando muito. Então, só tenho a agradecer esse projeto. É muito importante ver que os alunos têm sua educação assegurada pelo Governo e que são incentivados a ter acesso ao ensino superior, a fazer mestrado e até mesmo doutorado”. 

O Programa Pé-de-Meia é uma política pública voltada ao incentivo da permanência e da conclusão escolar de estudantes do ensino médio público, com foco em democratizar o acesso e reduzir a desigualdade social entre os jovens, além de garantir mais inclusão social pela educação, estimulando a mobilidade social.  

Neste segundo ano de implementação do programa, foi criada a Renapem, com indicação de articuladores estaduais, responsáveis por implementar e acompanhar as ações do programa em seus territórios. Uma das metas do programa para este ano é aproximar os coordenadores estaduais do ensino médio, alinhando o Pé-de-Meia dentro da Política Nacional do Ensino Médio.    

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Para o secretário de Gestão da Informação, Inovação e Avaliação de Políticas Educacionais do MEC, Evânio de Araújo Júnior, o Programa Pé-de-Meia surgiu como um importante instrumento de articulação entre os diferentes sistemas educacionais, servindo como ponto de partida para uma construção mais integrada e eficiente de políticas públicas voltadas à juventude. Segundo ele, o programa representa um embrião de algo proveitoso que se pode ainda construir, para identificar tendências de comportamento e de trajetória do estudante.  

Evânio Júnior também destacou que, além dos resultados diretos, o Pé-de-Meia promove uma série de externalidades positivas — como o estímulo ao cadastro de CPF, o acesso à transformação digital e a ampliação da autonomia dos estudantes. Ele ainda reforçou que, mesmo em uma área dominada por dados e indicadores, é preciso lembrar que “por trás daqueles números estão os alunos. São pessoas que a gente está resgatando a esperança de que aquilo pode acontecer. Essa é uma realidade para elas. O Pé-de-Meia é sobre isso: é sobre dignidade, é sobre poder escolher, é sobre ter o seu creme de cabelo. E isso é muito, muito inspirador”, concluiu. 

Representando o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), o secretário Estadual de Educação de Mato Grosso do Sul, Hélio Daher, considerou o evento importante para repensar a abordagem pedagógica do ensino médio, que muitas vezes, segundo ele, é formado por jovens em situação de vulnerabilidade e que precisam entender o espaço que lhes pertence na sociedade.  

Daher também explanou sua preocupação com a evasão escolar no ensino médio regular. Segundo ele, o Pé-de-Meia é uma política que refletirá também na educação de jovens e adultos (EJA). “Eu não tenho dúvida nenhuma de que a dimensão desse programa vai surtir efeito, em um futuro muito próximo, na diminuição de novos jovens que entram na EJA. Então, eu vejo hoje o Pé-de-Meia como um programa articulador. Por isso, faço um agradecimento ao MEC pelo trabalho realizado e enalteço o trabalho dos estados também, porque não é fácil para nós entregarmos os relatórios de frequência dos estudantes”, considerou.  

A Caixa Econômica Federal, banco pelo qual os estudantes recebem as parcelas do Pé-de-Meia, foi representada pela gerente Nacional da Gerência Nacional dos Programas de Transferência de Renda e Cadastro Sociais, Vivian Lima da Costa Lopes. Segundo ela, a instituição se define como um banco social com o propósito de transformar vidas e que tem o papel fundamental na execução do Pé-de-Meia. A presença da Caixa em todos os municípios brasileiros tem sido essencial para o sucesso do programa, mesmo com a jornada digital sendo implementada. “Nesse projeto, a gente está atuando como o principal parceiro do MEC na operação dos pagamentos e na viabilização do acesso ao recurso pelos estudantes”. Ela também ressaltou os avanços já alcançados: “Hoje a gente tem orgulho de ter uma efetividade de pagamentos, ou seja, quase 100% dos estudantes estão acessando os recursos conforme o calendário”.  

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No âmbito do MEC, a parte tecnológica do Pé-de-Meia é gerida pela Subsecretaria de Tecnologia da Informação e Comunicação (Stic), que tem o papel de construir uma estrutura tecnológica para garantir a continuidade e a efetividade das ações do programa. “Estamos em parceria com a UFAL [Universidade Federal de Alagoas], com a SEB [Secretaria de Educação Básica] e, agora, com a Dataprev, construindo novos tempos, novas soluções e novos desenhos que possam, de fato, trazer mais tranquilidade e conforto para quem executa a política e mais eficiência para quem está na ponta — para que nossos alunos possam, de fato, se beneficiar disso”, afirmou o subsecretário da Stic, Marco Antônio Fragoso de Souza. 

A diretora de Incentivo a Estudantes da Educação Básica do MEC e diretora do Pé-de-Meia, Marisa Costa, pontuou que o seminário marca uma nova perspectiva para o programa PédeMeia. “Nesses três dias, nós pretendemos discutir uma outra dimensão do programa, fortalecer e potencializar o que fizemos até aqui, mas também potencializarmos uma outra perspectiva que é a perspectiva pedagógica do programa”, explicou 

Segundo ela, a ideia do encontro foi proporcionar uma formação técnica da equipe de articuladores da gestão dos dados e da gestão pedagógica, assim como dos coordenadores estaduais do ensino médio, entendendo que o Pé-de-Meia é essa política que se coloca como uma estratégia importante para garantir a melhoria da trajetória escolar dos jovens dessa etapa de ensino, sobretudo daqueles mais socialmente vulnerabilizados 

Programação – Durante os dois primeiros dias de encontro, os participantes puderam participar de diversos painéis, nos quais debateram temas como a dimensão educacional do Pé-de-Meia e as estratégias para o aprimoramento contínuo do programa. No primeiro dia, após a abertura, ocorreu o painel Diálogos sobre o Pé-de-Meia: uma política construída a partir de evidências científicas”. 

No segundo dia, o foco do encontro foi discutir sobre o tema de evasão, pensando na ampliação e no aprofundamento do repertório das equipes que operacionalizam o programa nos estados, debatendo sobre os dados do Pé-de-Meia e a responsabilidade de sistematizar e coletar essas informações. Também foram discutidas políticas transversais e os próximos passos do programa em 2025. O terceiro dia do evento foi marcado por quatro oficinas pedagógicas, nas quais os participantes puderam compreender e aplicar os fundamentos da estratégia pedagógica do PédeMeia e seus Guias de Práticas de Monitoramento e Incidência Preventiva para, a partir disso, elaborar um plano preliminar de implementação em suas redes de ensino, considerando as especificidades locais e a necessidade de articulação intersetorial. 

O primeiro dia de encontro foi no auditório ParlaMundi Centro de Convenções, da Legião da Boa Vontade (LBV), e a transmissão está disponível no canal do MEC no YouTube. Os outros dois dias de seminário ocorreram no auditório da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Confira as transmissões do segundo dia: manhã e tarde. 

 

Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da SEB 

Fonte: Ministério da Educação

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“A redução da jornada leva à melhoria da qualidade do mercado de trabalho”, diz Luiz Marinho no Senado

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O Senado Federal realizou, nesta quarta-feira (1º), sessão temática para debater os impactos sociais e econômicos da aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC 221/2019), que reduz a jornada de trabalho para 40 horas semanais e acaba com a escala 6×1 no país.

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, participou dos debates a convite da mesa, presidida pelo senador Paulo Paim (PT-RS). Também participaram da sessão o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos; o ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Paulo Henrique Pereira; além de outros representantes do governo, lideranças sindicais, representantes de entidades de empregadores e trabalhadores e da sociedade civil.

Luiz Marinho ressaltou que o debate sobre a redução de jornada surgiu a partir de uma demanda da sociedade, especialmente das mulheres e da juventude. Ele chamou atenção para estudos e experiências de empresas que apontam aumento da produtividade e redução das taxas de absenteísmo após a diminuição da jornada de trabalho.

“Algumas empresas relatam que reduziram a jornada de 6×1 para 5×2 e verificaram melhorias de produtividade, preencheram as vagas que precisavam e zeraram o absenteísmo. A redução da jornada de 44 para 40 horas, com duas folgas na semana, leva à melhoria da qualidade do mercado de trabalho”, explicou.

O ministro citou estudos, como o realizado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) com 19 empresas que reduziram a jornada de trabalho. “Nessas 19 empresas que experimentaram a redução de jornada, o estudo da FGV mostra que 72% delas aumentaram sua receita, sua produtividade e seu resultado econômico efetivo. Em 44% delas, houve melhora no cumprimento de prazos operacionais e no fluxo de trabalho, levando a um processo de melhoria. É isso que os estudos estão mostrando”, disse.

Com base nos dados do eSocial — sistema do MTE que reúne mensalmente informações das empresas —, o ministro explicou que o impacto estimado nos custos é variável, entre 1,6% e 10%. “Não estamos falando de um impacto proibitivo, que não possa ser suportado pelas empresas brasileiras. São dados reais e concretos”, afirmou.

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Luiz Marinho ressaltou ainda que, quando foi discutido o aumento da licença-maternidade, houve argumentos de que a medida poderia gerar impactos negativos no mercado de trabalho feminino. “Ao longo do tempo, vimos que a licença-maternidade não gerou o impacto relatado. O que assistimos foi o contrário: houve impacto positivo. Hoje temos mais mulheres no mercado de trabalho. Falas catastróficas não fazem frente à realidade”, informou.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, ressaltou que “não é verdade que ganhos reais para os trabalhadores, seja no âmbito salarial ou da redução de jornada, impactem em custos para a economia. Esse não é um debate só econômico, é um debate humano. A redução da jornada é uma demanda da sociedade brasileira”.

Em sua fala, o ministro Paulo Henrique Pereira destacou que mais da metade (51%) dos microempreendedores consideram a medida positiva. “Tivemos crescimento de produtividade nos últimos anos e a economia brasileira, com a menor taxa de desemprego e a menor inflação da história, dá sinais de que é capaz de assumir um custo como esse”, afirmou.

A senadora Teresa Leitão (PT-PE), líder do governo no Senado, reforçou que o governo é favorável à proposta e defendeu o diálogo. Segundo ela, “se olharmos a história das relações de trabalho, os avanços sociais nunca significaram colapsos”. A senadora criticou aqueles que são contra a discussão em ano eleitoral.

“O tempo político muitas vezes não combina com o calendário. Vamos fazer o debate com a complexidade que o tema exige, mas também com os dados que nos inspiram, assim como foi na CLT, na Constituição que reduziu a jornada de 48 para 44 horas semanais, na licença-maternidade ou na licença-paternidade”, ressaltou.

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Adaptação

Representantes do setor produtivo defenderam, principalmente, um período maior de transição para adaptação às novas regras.

Segundo o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, “vocês nunca ouviram de nenhum setor produtivo que somos contra a 6×1 ou a redução de jornada, mas sim quanto à forma como ela deve ser feita. Estamos discutindo a forma, não o conceito”.

As centrais sindicais reforçaram o apoio à redução da jornada sem corte de salários. O presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Antônio Neto, ressaltou que o Brasil está há 38 anos sem promover constitucionalmente a redução da jornada.

“E aqui se confunde muito redução de jornada e escala de trabalho. São duas coisas distintas”, frisou.

Para o presidente da CTB, a PEC prevê exatamente isso: a redução da jornada de trabalho, a garantia de dois dias de descanso e a possibilidade de que as negociações coletivas estabeleçam diferentes formatos de escala.

“Desde 1988, a economia e a tecnologia avançaram, a automação reorganizou processos produtivos, a inteligência artificial já redefine setores inteiros, os ganhos se multiplicaram e o lucro encontrou formas mais sofisticadas de expansão. O que não avançou foi a disposição de parte da elite econômica em compartilhar esses ganhos com quem produz a riqueza nacional, o trabalhador brasileiro”, avaliou.

A proposta já foi aprovada na Câmara dos Deputados em maio deste ano e está em análise pelos senadores. Se aprovada pelo Senado, a proposta seguirá para sanção presidencial. O texto prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução de salário, com garantia de ao menos duas folgas semanais e prazo de até 14 meses após a promulgação para entrar em vigor.

 

Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego

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