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Pernambuco recebe Projeto Jovens Defensores Populares
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Recife, 03/06/2025 – O Projeto Jovens Defensores Populares vai formar, em Pernambuco (PE), agentes comunitários de justiça capazes de identificar situações de violação de direitos e atuar na defesa e promoção desses direitos fundamentais. A capacitação será feita por meio da parceria entre o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Os alunos têm de 18 a 29 anos e as atividades serão desenvolvidas no Recife e em Olinda.
Eles foram selecionados por meio de busca ativa e articulação com cursinhos populares, organizações da sociedade civil e coletivos de base. São, em sua maioria, jovens negros e negras, de baixa renda e com forte atuação comunitária.
A escolha pelo estado se deve ao histórico alarmante de violações de direitos, como violência policial, racismo, precarização de serviços públicos e ausência de mecanismos de escuta ativa da juventude. De acordo com o Atlas da Violência 2023, mais de 75% das vítimas de homicídio, em Pernambuco, são negras e quase metade tem de 15 a 29 anos. Em 2022, a unidade federativa registrou mais de 4,2 mil denúncias de violações de direitos humanos, segundo dados da Ouvidoria Nacional.
A iniciativa é do MJSP, por meio da Secretaria de Acesso à Justiça (Saju), da Secretaria Nacional de Juventude e da Fiocruz, com apoio do Fundo Nacional de Segurança Pública.
O projeto pretende fortalecer o engajamento cívico e político das juventudes e estimular a criação de soluções locais para desafios sociais, promovendo acesso à Justiça onde ele é mais necessário. “Ele nasce do reconhecimento de que são os próprios jovens das periferias os atores protagonistas para denunciar e enfrentar as violações que vivem diariamente em seus territórios, podendo ser agentes para transformações comunitárias em defesa de seus direitos”, explica a secretária de Acesso à Justiça, Sheila de Carvalho. Segundo ela, o papel do Estado é oferecer ferramentas, formações e redes de apoio para que esses jovens se tornem protagonistas na defesa de seus direitos.
Para o coordenador da Agenda Jovem Fiocruz, André Sobrinho, essa é uma faixa etária que sofre os duros efeitos das iniquidades sociais. “Por meio desse projeto, queremos contribuir para que essa juventude tenha melhores condições de identificar violações e reivindicar seus direitos.”
A jovem defensora popular Luiza Mayara Pereira Silva, de 28 anos, conta que o projeto é uma oportunidade para que ela conheça os seus direitos e deveres e saiba como aplicá-los na comunidade de Santo Amaro, no Recife, onde mora. “A gente vive situações de carência, então é fundamental saber cobrar de quem tem o dever de garantir os nossos direitos. Espero sair desse projeto com uma base maior e mais propriedade para falar, porque muitas vezes os espaços são ocupados por pessoas brancas, cis e com poder aquisitivo alto”, reforça. Luiza Mayara completa: “Quando um projeto volta os olhos para a nossa comunidade e fortalece quem está nela, isso faz toda a diferença.”
Jovens Defensores Populares
O Jovens Defensores Populares tem o objetivo de formar mil jovens para atuar como agentes coletivos de mudança na identificação das violações, defesa e promoção de direitos em seus territórios, fortalecendo a participação da juventude na construção de uma sociedade mais justa e inclusiva.
O projeto foi oficialmente lançado em 11 de abril, no Rio de Janeiro (RJ). A segunda etapa de lançamento ocorreu em 25 de abril, em São Paulo (SP). Ele chegou a Pernambuco em 30 de maio. Pará (PA), Bahia (BA) e Distrito Federal (DF) serão as próximas unidades federativas a receberem a iniciativa. Os municípios participantes são identificados pelo Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci).
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Diagnóstico Equidade 2026 mostra avanço das políticas de educação étnico-racial
Os dados do Diagnóstico Equidade 2026, realizado pelo Ministério da Educação (MEC), por meio da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi), mostram que as estratégias de equidade racial estão cada vez mais presentes nos estados e municípios brasileiros. Entre 2024 e 2026, o percentual de redes municipais que declararam contar com áreas especificas para a gestão dessas ações passou de 15% para 42%; entre as redes estaduais, o indicador chegou a 100% em 2026.
Esse diagnóstico é uma iniciativa criada em 2024 pelo MEC, pondo fim a uma lacuna de dados cuja ausência comprometia a capacidade estatal de promoção da equidade. Em sua segunda edição, o diagnóstico manteve participação próxima à universalidade, com resposta ao questionário de 97% das redes municipais e 100% das redes estaduais. O resultado está ligado ao primeiro biênio de execução da Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (Pneerq), em regime de colaboração interfederativa.
Do ponto de vista institucional, por exemplo, houve um aumento no percentual de redes de ensino com áreas específicas para fazer a gestão de ações de equidade racial. Entre 2024 e 2026, o número saiu de 15% para 42% entre os municípios, e alcançou 100% em 2026 entre as redes estaduais. Além disso, a presença de normativa local relacionada à promoção da educação para as relações étnico-raciais (Erer) passou de 43% para 55% entre municípios e de 74% para 93% entre as redes estaduais.
Os dados também mostram crescimento percentual de redes municipais que realizam campanhas de declaração racial, ação para promover o reconhecimento e a valorização das identidades étnico-raciais, bem como para permitir análises educacionais racializadas cada vez mais precisas. O levantamento revela que este crescimento foi de 66% para 86% em dois anos nas redes municipais, e de 63% para 93% nas redes estaduais.
Houve também uma redução do percentual de estudantes sem declaração racial no Censo Escolar entre 2023 e 2025, representando uma queda de 24% para 10%, sendo que o indicador vinha se mantendo constante em torno de 26%, nos anos anteriores.
Os novos dados apresentam um crescimento da maturidade de organização das redes em diferentes frentes e que a temática da equidade racial entrou no centro da agenda da política pública, demonstrando as ações da Pneerq e de mecanismos indutores, tais como o Selo Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva e a complementação-VAAR Fundeb da União.
O Diagnóstico Equidade 2026 tem o objetivo de identificar diferentes aspectos da implementação de políticas equitativas no país, particularmente aquelas ligadas à promoção da educação para as relações étnico-raciais, em cumprimento à Lei 10.639/03, modificada pela Lei 11.645/08, e ao fortalecimento da educação escolar quilombola.
Equidade racial no planejamento educacional – No indicador de incorporação da equidade racial como objetivo presente no Plano de Ações Articuladas (PAR), as redes municipais passaram de 30% para 67%. Nas redes estaduais, o avanço foi de 56% para 93%. Esse panorama revela a preocupação crescente das redes de ensino em planejar e buscar apoio técnico e financeiro para estratégias de enfrentamento das desigualdades.
Formação em relações étnico-raciais – Outro indicador que apresentou avanço foi o percentual de redes municipais de ensino que ofereceram formações, seminários, oficinas e palestras sobre equidade racial, passou de 48%, no ano de 2024, para 69%, em 2026. Todas as redes estaduais declararam realizar essa oferta. Esse resultado demonstra que o tema da equidade racial também foi inserido no planejamento formativo das secretarias, ação crucial para trabalhar a difusão de práticas pedagógicas antirracistas entre os professores da rede pública.
Monitoramento das Leis de Erer – O diagnóstico permitiu identificar o acompanhamento da implementação das leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008. O indicador passou de 18% para 34% para as redes municipais, e de 30% para 59% para as redes estaduais. O monitoramento permite às redes identificarem escolas onde há maior dificuldade de execução de práticas pedagógicas de educação para as relações étnico-raciais e gargalos operacionais, e assim planejar de forma mais efetiva as estratégias para cumprimento das leis.
Identificação e resposta ao racismo e injúria racial – Cresceu também a adoção de protocolos para casos de racismo ou injúria racial nas redes estaduais, de 59% para 93% (mais de 30 pontos percentuais). Nas redes municipais, o percentual saiu de 36% para 53%. Nesse contexto, o Ministério da Educação publicou, em 2026, uma série de protocolos nacionais, os quais podem servir de referência para o trabalho das escolas públicas.
Práticas de gestão – O conjunto de perguntas com menor avanço no período foi o relacionado à dimensão das práticas de gestão das redes de ensino em relação a suas escolas. Acerca da evolução das respostas sobre protocolos de resposta ao racismo e de campanhas de declaração racial, que fazem parte desta dimensão, o Diagnóstico de Equidade 2026 permitiu identificar que alguns indicadores cruciais ainda não avançaram como o esperado.
Os pontos de atenção para o próximo ciclo estão na implementação de estratégias de incentivos às escolas e aos professores para a implementação da educação para as relações étnico-raciais, bem como a consideração de conhecimentos sobre Erer nos processos seletivos de professores e diretores escolares. No período, passou de 44% para 74% o percentual de redes estaduais que incluíram a avaliação de conhecimentos sobre relações étnico-raciais nos processos de escolha da gestão escolar.
Metodologia – O levantamento contou com 44 perguntas dirigidas às Secretarias de Educação de estados, municípios e do Distrito Federal. Foram realizadas 32 questões sobre Educação para as Relações Étnico-Raciais (Erer) e 12 sobre Educação Escolar Quilombola (EEQ).
Para acompanhar os resultados, as informações foram organizadas em indicadores que avaliaram áreas como gestão, formação de profissionais, materiais didáticos, financiamento, avaliação e monitoramento. Os índices recebem notas de 0 a 100.
As respostas foram declaradas pelos responsáveis pelas secretarias de educação ou, no caso dos municípios, pela prefeitura, o que contribui para a confiabilidade das informações. O questionário e os indicadores foram construídos com a participação de especialistas, pesquisadores e profissionais com experiência em políticas de equidade racial e combate ao racismo.
Resultados do Diagnóstico de Equidade 2026
Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Secadi
Fonte: Ministério da Educação



