BRASIL
Rede de Observatórios debate os 90 anos do salário mínimo no Brasil em seminário
BRASIL
A Rede de Observatórios do Mercado de Trabalho realizou, nesta quinta-feira (05), seu XXIV Seminário, com transmissão on-line no YouTube, sobre o tema “Salário mínimo no Brasil: 90 anos de debates, lutas e transformações”. A Rede é uma parceria do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE).
Com mais de 30 mil inscritos, o seminário teve como palestrantes a subsecretária de Estudos do Trabalho do MTE, Paula Montagner; Isaías Dalle, jornalista da Empresa Brasil de Comunicação (EBC); e Patrícia Pelatieri, do DIEESE.
A Rede de Observatórios do Trabalho é composta por núcleos locais voltados ao monitoramento e à análise do mercado de trabalho. Esses observatórios produzem estudos sobre dinâmicas regionais e analisam dados do Caged, da RAIS e da PNAD, com o objetivo de subsidiar o Sistema Nacional de Emprego (Sine), as Comissões Estaduais e Municipais de Trabalho, entre outras instâncias responsáveis pelo planejamento e pela gestão de políticas públicas de emprego.
Paula Montagner, que coordenou os debates, fez um apanhado sobre a história do salário mínimo no Brasil desde sua instituição por Getúlio Vargas, em 1936. Segundo Montagner, ainda hoje se debate se o salário garante a cobertura das necessidades mínimas do trabalhador. Ela citou sua importância nas políticas de previdência social e de benefícios.
“Qual é o futuro do salário mínimo?”, questionou, afirmando que é preciso discutir seu passado e as lutas dos movimentos para entender o presente e o futuro do salário mínimo no Brasil. A subsecretária também citou o livro sobre os 90 anos do salário mínimo, que será lançado no dia 10 deste mês pelo MTE e pelo DIEESE.
Isaías Dalle comentou sobre os movimentos, suas lutas e as conquistas para garantir um valor que suprisse as necessidades das famílias brasileiras. “Foram vários movimentos que discutiram e participaram de lutas históricas pela valorização do salário mínimo”, frisou, ressaltando que essa valorização foi uma bandeira permanente em todas as greves de trabalhadores.
Patrícia Pelatieri tratou do papel do salário mínimo como instrumento de inclusão e de seu peso como indutor da economia. Segundo Pelatieri, o DIEESE foi criado para refletir sobre as políticas voltadas aos trabalhadores. “O debate do salário mínimo sempre foi sobre projeto de país, garantir dignidade e reduzir desigualdades. O trabalho como fundamento do desenvolvimento, como instrumento estratégico da política social e econômica”, avaliou.
Os palestrantes ressaltaram, principalmente, a história de lutas dos trabalhadores e a construção da política de salário mínimo ao longo do tempo, destacando seu papel social e sua importância no combate à pobreza no país.
As discussões do seminário estão disponíveis na página do MTE no YouTube: XXIV Seminário da Rede de Observatórios do Mercado de Trabalho.
BRASIL
Brasil é destaque na OMC por avanços no Portal Único de Comércio Exterior
Durante a 2ª revisão do Acordo de Facilitação do Comércio (AFC), realizada entre 10 e 12 de junho, o país compartilhou na Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra, os avanços do Portal Único de Comércio Exterior e outras iniciativas de modernização do comércio exterior brasileiro.
Durante as reuniões, os membros da OMC compartilharam experiências e discutiram formas de simplificar processos, reduzir custos e aumentar a eficiência das operações de exportação e importação.
Nesse contexto, a delegação brasileira apresentou iniciativas concretas que não apenas cumprem os compromissos do AFC, mas avançam além deles, com foco em eficiência regulatória, digitalização e redução de custos operacionais para empresas.
A participação ativa do país reforça seu papel como referência internacional em facilitação do comércio e contribui para dar visibilidade aos avanços implementados no ambiente doméstico, com impactos diretos na competitividade das empresas brasileiras.
Avanços estruturantes
Nos últimos anos, o Brasil tem promovido uma agenda consistente de modernização do comércio exterior, baseada na integração e digitalização de processos e na gestão de riscos. Essas medidas vêm reduzindo prazos, eliminando redundâncias e aumentando a previsibilidade para operadores privados.
Destaques que já fazem diferença para as empresas e foram levados ao foro multilateral como boas práticas:
• Integração dos órgãos intervenientes ao Portal Único de Comércio Exterior, permitindo a realização dos processos em um ambiente digital único, com maior coordenação, transparência e eficiência.
Atualmente há 17 órgãos intervenientes, e todos estão integrados ao Portal Único. Com isso, houve a redução da utilização de diversos sistemas por parte dos operadores. A anuência de produtos sujeitos ao controle da Anvisa, como exemplo, possuía protocolo de processo, pagamento de taxa de exercício de poder de polícia e relatório de inspeção de mercadorias efetuados em sistemas não integrados. Hoje todo o processo ocorre no Portal Único.
• Pagamento Centralizado de Comércio Exterior, simplificando a arrecadação e a quitação de taxas e tributos por meio de uma plataforma unificada. Anvisa e MAPA possuem suas taxas integradas ao módulo PCCE, com redução média de 48 horas de tempo de análise. Exército e Inmetro estão em processo de integração de suas taxas ao PCCE.
• Licenças Flex, proporcionando maior agilidade, previsibilidade e flexibilidade na gestão do tratamento administrativo das operações de comércio exterior. Com o novo tipo de licença já houve redução de 80% na quantidade de licenças emitidas pelos órgãos anuentes, quando comparado o primeiro trimestre de 2026 em relação ao ano anterior.
• Despacho antecipado de mercadorias, permitindo a conclusão dos procedimentos aduaneiros antes da chegada da carga, com significativa redução dos tempos de permanência em portos.
O Despacho sobre Águas constitui importante medida de facilitação do comércio exterior ao permitir o processamento antecipado das formalidades aduaneiras durante o trânsito marítimo da mercadoria. Levantamento realizado pela Receita Federal demonstrou redução média de cerca de 70% no tempo decorrido entre a chegada da carga e sua efetiva entrega ao importador.
• Nova modalidade de tratamento administrativo de monitoramento, com abordagem mais moderna e proporcional de controle estatal, sem intervenção direta do órgão no fluxo do comércio exterior.
Baseado em dados e gestão de riscos, o tratamento administrativo de monitoramento permite que os órgãos acompanhem as operações após seu registro, subsidiando decisões regulatórias futuras. Como resultado, a Agência Nacional de Energia Elétrica passou a atuar exclusivamente por monitoramento, enquanto o Ministério da Defesa reduziu aproximadamente 80% de suas licenças, concentrando suas exigências em um único LPCO.
Essas iniciativas se somam a esforços contínuos de integração entre órgãos governamentais, adoção de gestão de risco e simplificação normativa, criando um ambiente mais favorável ao comércio exterior.
Impactos para as empresas
Os avanços já se traduzem em benefícios concretos para o setor produtivo, incluindo:
• Redução dos custos logísticos e administrativos associados às operações de comércio exterior.
• Ampliação da previsibilidade e da segurança quanto aos prazos de liberação de mercadorias.
• Simplificação de procedimentos, com eliminação de etapas burocráticas e exigências redundantes.
• Fortalecimento da competitividade internacional das empresas brasileiras e melhoria do ambiente de negócios. O Novo Processo de Importação tem contribuído diretamente para o fortalecimento da competitividade internacional das empresas brasileiras e para a melhoria do ambiente de negócios ao reduzir custos, aumentar a previsibilidade das operações e simplificar procedimentos de comércio exterior.
Os resultados já são concretos: em fevereiro de 2026, o Portal Único de Comércio Exterior passou a processar mais da metade das importações brasileiras, proporcionando redução média de 19 horas no tempo de permanência das cargas nos portos.
Com a implementação integral do programa, estima-se uma economia superior a R$ 40 bilhões anuais para o setor privado, decorrente da diminuição de custos logísticos e administrativos, do aumento da eficiência operacional e da maior integração entre os órgãos governamentais, fatores essenciais para ampliar a inserção competitiva do Brasil no comércio internacional.
Nesse contexto, o Brasil se destaca na vanguarda da modernização do comércio exterior, implementando soluções reconhecidas internacionalmente e contribuindo para o aperfeiçoamento dos modelos de facilitação do comércio em âmbito global.
Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços
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