CUIABÁ
A criação da Câmara Municipal de Cuiabá (I): Os achados auríferos e a necessidade de instalação do poder Real nas minas do Cuiabá
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A coluna Memórias do Legislativo Cuiabano publicará três artigos a respeito da criação da Câmara Municipal de Cuiabá ocorrida há quase 300 anos, sendo eles intitulados: (I) Os achados auríferos e a necessidade de instalação do poder Real na minas do Cuiabá (II) A viagem do Capitão-General Rodrigo César de Menezes e a instalação da Vila Real do Senhor Bom Jesus de Cuiabá (III) Instala-se uma Vila e cria-se uma Câmara. Dessa maneira será mais fácil para o leitor a compreensão do evento principal, neste caso a criação da Câmara, a partir do domínio do contexto histórico que a antecede.
Um capítulo fundamental para a história portuguesa em Cuiabá foi a Guerra dos Emboabas (1708-1709), um conflito travado entre os paulistas que descobriram ouro na região de Minas Gerais e os portugueses que desejavam o controle das minas. Com a vitória dos portugueses, representantes da monarquia, os paulistas dedicaram-se mais à região Centro-Sul do Brasil. Para tanto, utilizaram os rios que adentravam o interior, como o Tietê e o Paraná, como estradas móveis, e enfrentavam as intempéries do tempo e os ataques dos ocupantes originários dos sertões. Foi assim, em virtude dos movimentos intensivos das monções (denominação das expedições particulares que adentravam o interior) que foi descoberto ouro na região de Cuiabá.
Para entender o evento de descoberta do metal em Cuiabá, utilizamos as informações trazidas pelo historiador Lenine Póvoas. Diz o historiador que a monção de Antonio Pires de Campos encontrou a foz do rio Coxipó no rio Cuiabá em 1718. No local aprisionou os índios coxiponés, levados para a escravidão, que era uma alternativa mais barata aos africanos. No caminho de retorno para São Paulo, Pires de Campos teria se encontrado com a comitiva de Pascoal Moreira Cabral e indicou a ele onde haveriam mais índios daquela etnia. Cabral subiu pelo rio Coxipó e os seus ocupantes resistiram à sua investida, fazendo-os retornar para foz. No caminho de retorno, diz Lenine Póvoas, encontraram grande quantidade de pepitas de ouro, e então Cabral tomou providências, enviando um emissário a São Paulo portando amostras do metal e lavrando um termo de fundação de Cuiabá, em 8 de abril de 1719, quando se autoproclamou Capitão-Mor. Novos achados se seguiram, sendo o mais notável o do córrego da Prainha, denominado Lavras do Sutil (1722). No local, do lado esquerdo do córrego, havia um grande morro e à direita um elevado onde instalou-se o núcleo principal do Arraial do Senhor Bom Jesus de Cuiabá, o qual é atualmente o Centro Histórico da cidade.
Superado o recorte histórico acerca do achado do ouro em Cuiabá, iniciemos a segunda parte do título do artigo: a necessidade de instalação do poder Real nas minas do Cuiabá. Embora os bandeirantes fossem súditos do Rei, eles não tinham um compromisso legal com a monarquia portuguesa. As monções eram empreendimentos particulares que partiam para a captura de indígenas para escravidão (algo que contrariava a monarquia portuguesa que aferia lucros com os africanos) e à procura de metais preciosos. O que unia os dois (monçoeiros e a monarquia) era o desejo de encontrar mais metais precisos, a exemplo de Minas Gerais e as exuberantes minas espanholas. Para os portugueses era necessária uma nova fonte de renda pois não era mais a antiga potência ultramarina e por isso não deixariam de colher os frutos da exploração das terras do novo continente, mas para isso, necessitavam de um domínio governamental eficiente.
Para o domínio Real das minas do Cuiabá fez-se como personagem principal Rodrigo César de Menezes, Capitão-General da Capitania de São Paulo (1720-1728). Nos diz o historiador Luís Henrique Fernandes (2011) que Menezes foi o primeiro governador da capitania de São Paulo após o desmembramento de Minas Gerais (1720). De acordo com o historiador, essa reorganização administrativa esteve diretamente vinculada ao descobrimento das minas do Cuiabá no ano anterior, em terras de soberania duvidosa, visto que o Tratado de Tordesilhas (1494) estava em vigor, e aquelas minas pertenceriam legalmente aos espanhóis. Havia a preocupação por parte do Capitão-General em estabelecer tão prontamente o controle sobre a extração do ouro e a arrecadação de tributos. Importante entender que a longa distância entre a capital da capitania de São Paulo e as minas do Cuiabá prejudicava a agilidade das ações dos representantes da monarquia. A travessia da região levava de cinco a seis meses, e sendo assim, entre a informação de fatos ocorridos nas minas do Cuiabá até o retorno da decisão governamental, demorava-se até um ano, e poderia ainda aumentar se precisasse de decisão Real.
Foi inicialmente, com uma política de benefícios, como cargos públicos e terras (sesmarias), e o abastecimento interno com mercadorias, que se consolidava a governabilidade na região das minas e o aumento da fronteira portuguesa. Em cartas trocadas com o Vice-Rei do Brasil, afirma Fernandes (2011), o Capitão-General de São Paulo informava que a distância entre São Paulo e as minas de Cuiabá implicava em cinco meses de viagem, como dissemos, enquanto os espanhóis demorariam três meses desde sua ocupação mais próxima. Havia o receio por parte do Capitão-General de uma invasão espanhola nas minas, e pior, a aliança entre os exploradores paulistas e os espanhóis. Foi diante de todo o contexto de necessidade de controle que Rodrigo César de Menezes tomou a decisão de ir pessoalmente às minas do Cuiabá, episódio este que é tema do nosso próximo artigo.
Fontes da pesquisa:
FAUSTO, Boris. História do Brasil. USP, 2002.
FERNANDES, L. H. M. Rodrigo César de Menezes e o papel da Metrópole na incorporação das minas de Cuiabá à América Portuguesa (1721-1728). Unicamp, 2011.
PÓVOAS, Lenine C. História Geral de Mato Grosso: dos primórdios à queda do Império. V. 1, Cuiabá, 1995.
 
Fonte: Câmara de Cuiabá – MT
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Festa Junina e palestra reforçam fortalecimento de vínculos no CRAS Praeiro
Cerca de 20 idosos e 40 crianças atendidos pelo Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) participaram, neste sábado (20), da Festa Junina promovida pelo CRAS Praeiro, em Cuiabá. O evento reuniu famílias em uma programação marcada por palestra, comidas típicas, karaokê e atividades voltadas ao fortalecimento dos laços familiares e comunitários.
De acordo com o gerente do CRAS Praeiro, Angelo Guedes, a festa integra as atividades desenvolvidas pelo SCFV e tem como objetivo promover a convivência entre as gerações. “É um momento de integração e alegria”, destacou.
A unidade atende atualmente cerca de 160 famílias dos bairros Praeirinho e região, oferecendo serviços de assistência social, acompanhamento técnico e ações de prevenção à vulnerabilidade social.
Durante a programação, o conselheiro tutelar Luiz Henrique ministrou uma palestra sobre a importância do enfrentamento e do combate ao trabalho infantil, orientando as famílias sobre os direitos das crianças e dos adolescentes e o papel da rede de proteção.
Moradora do bairro Praeirinho, Wuilmelys Jimenez participa das atividades oferecidas pela unidade e destacou a importância do atendimento recebido desde que chegou ao Brasil, há três anos. “O CRAS ajuda muito a minha família. Eles me ajudaram com as crianças na escola, com orientações e também com assistência quando precisei. Eu faço diárias, e esse apoio faz toda a diferença para nós”, contou.
A secretária municipal de Assistência Social, Hélida Vilela, afirmou que a festa junina realizada no CRAS Praeiro faz parte do trabalho de Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, promovendo a integração entre crianças, adolescentes, adultos e idosos. Segundo ela, é uma oportunidade de reunir as famílias, fortalecer os laços comunitários e resgatar tradições que aproximam as gerações.
“Quando as famílias participam juntas de atividades como esta, nós fortalecemos o sentimento de pertencimento, ampliamos a convivência e criamos espaços de acolhimento e proteção social. A assistência social também se faz presente nesses momentos de alegria, porque cuidar das pessoas é fortalecer vínculos, promover cidadania e construir comunidades mais unidas”, avalia Hélida.
Além da festa, a Secretaria Municipal de Assistência Social, Direitos Humanos e Inclusão promoveu, neste sábado (20), diversos mutirões em outras unidades da capital. No CRAS Osmar Cabral, foi realizado um mutirão para atualização de cadastros unipessoais. No CRAS CPA, ocorreram atendimentos da equipe técnica, visitas domiciliares unipessoais e atualização do Cadastro Único. No CRAS Jardim União, foram ofertados os mesmos serviços. Já no CRAS Nova Esperança, houve atendimento da equipe técnica e atualização do Cadastro Único.
Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT


