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Audiência Pública discute desafios da enfermagem na rede pública municipal de Cuiabá

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Débora Inácio – Assessoria da vereadora Michelly Alencar

A Câmara Municipal de Cuiabá realizou, nesta sexta-feira (16), por requerimento da vereadora Michelly Alencar (União Brasil), uma audiência pública para debater os desafios enfrentados pelos profissionais de enfermagem na rede pública municipal de saúde. O encontro reuniu representantes da categoria, gestores, entidades sindicais e o prefeito Abílio Brunini, e teve como objetivo principal ouvir as demandas de enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem que atuam na linha de frente do atendimento à população.

“A enfermagem é essencial para o funcionamento do SUS. São esses profissionais que garantem o cuidado direto aos cidadãos nas unidades básicas de saúde, UPAs e hospitais. Mas, hoje, enfrentamos um cenário crítico, com estruturas precárias, sobrecarga de trabalho e adoecimento mental. Esta audiência é um espaço de escuta e construção conjunta de soluções”, afirmou a vereadora Michelly.

Entre os principais temas debatidos estiveram a valorização da categoria, o Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV), as condições estruturais das unidades, a jornada de trabalho e o combate ao assédio moral.

Luta histórica pela valorização

Catarina Celma, secretária adjunta de Atenção Primária da Secretaria Municipal de Saúde e também enfermeira, destacou que os profissionais estão há mais de 20 anos na luta por reconhecimento. “A enfermagem está exausta, com jornadas duplas e sem estrutura. Já estivemos na ponta, cuidando diretamente da população. Precisamos avançar com políticas efetivas de valorização.”

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A presidente da Câmara Setorial Temática da Enfermagem, Marielly Nantes, reforçou a importância da audiência como marco de transformação. “Estamos diante de um momento histórico. O PCCV não pode ser apenas discurso, precisa ser efetivado. Não é admissível que a categoria siga enfrentando escalas abusivas, falta de insumos e estruturas básicas.”

Saúde mental e dignidade salarial

A representante do Sindicato dos Profissionais de Enfermagem de Mato Grosso (Sinpen-MT), Claudete dos Santos, chamou a atenção para a precariedade das condições de trabalho e o impacto na saúde mental dos profissionais. “A maioria está emocional e financeiramente adoecida. Muitos têm mais de 30 anos de serviço e não conseguem se aposentar por conta de salários defasados e inúmeros empréstimos. A aprovação do PCCV é uma questão de dignidade.”

Enfrentamento ao assédio moral

A vereadora Michelly também reforçou que o enfrentamento ao assédio moral precisa ser discutido abertamente, principalmente em audiências direcionadas à categoria. “Precisamos estabelecer um elo de confiança, criar canais de escuta e garantir que os profissionais se sintam seguros para denunciar abusos. Esta audiência não é contra A ou B. É a favor da saúde pública e da valorização humana.”

Coren e apoio institucional

Representando o Conselho Regional de Enfermagem (Coren-MT), o conselheiro Thalisson Magno destacou a importância da atuação do órgão no apoio aos profissionais. “A enfermagem representa 87% da força de trabalho do SUS. O Coren está à disposição para acolher denúncias, inclusive com mecanismos como o desagravo público.”

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Prefeito ouve categoria e dialoga sobre avanços

Atendendo ao convite da vereadora Michelly, o prefeito Abílio Brunini participou da audiência e respondeu às principais demandas apresentadas. Segundo ele, a gestão já iniciou a convocação de profissionais aprovados em concurso e realizou processos seletivos para reforçar o quadro.

“Estamos dialogando com a categoria para avançar no PCCV, melhorar as condições de trabalho e estruturar um novo modelo de avaliação do Prêmio Saúde, que passará a ser eletrônico, eliminando possíveis injustiças nas avaliações feitas por supervisores”, explicou o prefeito.

Compromisso com a categoria

Em sua fala de encerramento, a vereadora Michelly reforçou seu compromisso com a causa. “A enfermagem é resiliente, guerreira e essencial. Mesmo ferida, ela está na ponta, cuidando da população. Como parlamentar e como mulher da saúde, reafirmo que estarei ao lado de vocês, cobrando, dialogando e construindo pontes. O momento é de mudança, e temos um novo ciclo pela frente. Vamos juntos trabalhar para que a valorização da enfermagem seja uma realidade em Cuiabá. Vamos continuar o diálogo e acompanhar todos os avanços e demandas da categoria junto à gestão municipal.”

Fonte: Câmara de Cuiabá – MT

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Doação de órgãos realizada no HMC beneficia pacientes de quatro estados

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Em meio à dor de uma despedida, um gesto de solidariedade pode significar o recomeço para outras famílias. Foi com esse sentimento que o Hospital Municipal de Cuiabá (HMC), administrado pela Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e da Empresa Cuiabana de Saúde Pública (ECSP), realizou, na manhã desta quarta-feira (2), a captação de múltiplos órgãos e tecidos de um paciente de 51 anos, vítima de traumatismo craniano após uma queda de aproximadamente 1,5 metro.

Antes do início do procedimento, profissionais do hospital realizaram o tradicional corredor da honra, também conhecido como corredor de aplausos. O momento foi marcado por respeito e emoção em homenagem ao doador e à família, que, mesmo diante de uma perda irreparável, autorizou a doação dos órgãos.

A captação teve início às 10h50 e mobilizou mais de 50 profissionais, entre equipes do próprio HMC e especialistas que vieram de Campo Grande (MS) para participar do procedimento.

Foram captados fígado, dois rins e córneas. O fígado foi destinado a Mato Grosso do Sul. O rim direito seguirá para o Rio Grande do Sul, enquanto o rim esquerdo será encaminhado para Pernambuco. As córneas foram captadas para implante local.

A ação representa a possibilidade de salvar quatro vidas e ainda beneficiar pacientes que aguardam por transplante de córnea.

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Para a secretária municipal de Saúde, Deisi Bocalon, a doação representa um gesto de extrema generosidade em um momento de profunda dor para a família.

“É uma perda irreversível para a família, mas, ao mesmo tempo, uma oportunidade de ajudar outras vidas. A nossa gratidão a esses familiares é imensa. Neste Setembro Verde, precisamos reforçar a importância de conversar sobre a doação de órgãos dentro de casa, com nossos parentes, para que, se uma tragédia vier a acontecer, essa possibilidade seja analisada com carinho e sensibilidade. Existe uma longa fila de pessoas esperando por um transplante, e hoje essa família está ajudando a mudar a história de outras pessoas.”

A captação realizada no HMC ocorre justamente no mês em que são ampliadas as ações de conscientização sobre a doação de órgãos e tecidos. O Setembro Verde busca estimular o diálogo sobre o tema e mostrar à população que uma única decisão pode representar uma nova oportunidade para várias pessoas.

A diretora-geral de Saúde Pública, Kelluby Oliveira, destacou que a captação é resultado de uma grande mobilização das equipes e reforçou o significado do corredor da honra como uma forma de reconhecer a família e o doador.

“Hoje mais de 50 profissionais se mobilizaram para que essa doação pudesse acontecer. O corredor da honra é um momento de respeito, gratidão e reconhecimento. É a nossa forma de homenagear esse paciente e, principalmente, essa família, que, em meio à dor, possibilitou que outras pessoas tivessem uma nova chance.”

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A captação desta quarta-feira reforça que, mesmo diante de uma despedida marcada pela dor, a solidariedade pode permanecer como legado. Para quatro pessoas que aguardam por um transplante, a decisão de uma família significará uma nova oportunidade de vida.

O médico Eduardo Andraus, responsável técnico do HMC, explicou que a doação só ocorre após protocolos rigorosos que confirmam a morte encefálica.

“A morte encefálica é uma condição irreversível, diagnosticada por protocolos muito rígidos que comprovam que o cérebro deixou de funcionar. Mesmo que o coração continue batendo por um período, a pessoa já faleceu. A confirmação é feita de maneira criteriosa e segura, permitindo que, quando a família autoriza a doação, os órgãos sejam preservados e encaminhados para pacientes que aguardam por um transplante.”

No Brasil, a autorização da família é fundamental para que a doação de órgãos de um potencial doador falecido possa ocorrer. Por isso, além de ter o desejo de ser doador, é importante conversar com os familiares e deixar clara essa vontade.

Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT

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