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Esgoto doméstico produzindo em Cuiabá vira adubo e será destinado de forma gratuita à agricultura familiar
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A água utilizada no dia a dia vira esgoto e o lodo, produzido a partir dele, pode se transformar em adubo sustentável. O projeto “Biolodo – transformando lodo em adubo”, realizado pela Prefeitura de Cuiabá, Águas Cuiabá e a Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer-MT), foi lançado nesta terça-feira (04), no Assentamento 21 de Abril, zona rural da Capital.
A iniciativa é inédita em Mato Grosso e destina, gratuitamente, o produto para a agricultura familiar, contribuindo para a redução de custos com a compra de adubo químico e aumento da produtividade. Com isso, as estações de tratamento de esgoto de Cuiabá farão todo o processo que transforma o lodo em biossólido, chamado também de adubo sustentável. Atualmente, a Águas Cuiabá tem 50 toneladas prontas para ser entregue.
Para o prefeito em exercício José Stopa, a iniciativa traduz o compromisso da gestão Emanuel Pinheiro com os pilares sociais da sustentabilidade e da inovação. “O que se inicia com o consumo da água tratada na torneira, pelos usuários da rede pública de abastecimento, agora se transforma, ao final do ciclo, num produto que pode auxiliar a diversas famílias que vivem da terra. Isso é inclusão, isso é cidadania”.
O projeto piloto receberá o total de cinco toneladas de biossólido e a previsão é produzir 27 toneladas por dia, que serão entregues às famílias. O chamado biossólido, o lodo resultante do processo de tratamento do esgoto sanitário doméstico, devidamente tratado, é rico em nutrientes e traz benefícios à produção rural, sendo apto a substituir, em parte, o uso de adubos químicos. O projeto é cientificamente embasado e aprovado pelos órgãos ambientais.
A Prefeitura acompanhará o cadastramento dos produtores rurais, que precisarão apresentar projeto agronômico e prestar contas do uso do insumo. Entre os critérios de seleção estão a adoção de práticas de conservação de solos, aplicação do biossólido a uma distância mínima de 100 metros de poços, minas, áreas residenciais e de frequentação pública, assim como o respeito aos limites de matas ciliares.
De acordo com o diretor-geral da Águas Cuiabá, William Figueiredo, a iniciativa une sustentabilidade e produtividade. “Estamos falando de uma destinação segura de resíduos sólidos, exaltando a sustentabilidade na prática. Foram quatro anos de preparação, levantando as melhores práticas ambientais e toda uma equipe multiprofissional envolvida. Estamos muito satisfeitos em fazer mais uma entrega importante à sustentabilidade na região”, destaca Figueiredo.
PROCESSOS DE TRATAMENTO
Todo o esgoto coletado das residências conectadas à rede pública de saneamento é canalizado até estações de tratamento de esgoto (ETE’s), onde é submetido a processos físicos, químicos e biológicos. O lodo de esgoto gerado em todo esse processo de tratamento é repleto de microrganismos, que se multiplicam rapidamente. O material é processado para que o odor seja reduzido e microrganismos patogênicos (que provocam doenças) sejam eliminados.
“Com toda essa técnica em tratamento envolvida, chegamos assim a um produto com uso benéfico na agricultura, seguro para as pessoas e para o meio ambiente. O biossólido é rico em matéria orgânica e possui uma quantidade significativa de nutrientes, como molibdênio, magnésio, nitrogênio, fósforo, ativos importantes à fertilidade dos solos”, pontua Julie Campbell, diretora de operações da concessionária.
O aproveitamento do biossólido em áreas agrícolas segue requisitos ambientais e agronômicos normatizados pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e pela Secretaria de Meio Ambiente do Estado (Sema). Essas normas proíbem o uso direto para cultivo em hortas, tubérculos, raízes, culturas inundadas e culturas cuja parte comestível entre em contato com o solo. O uso é apto em culturas como a fruticultura, feijão, milho e para a adubação de pastagens.
**Com informações da assessoria de comunicação da Águas Cuiabá
Fonte: Prefeitura de Cuiabá MT
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Professores da rede municipal vivenciam desafios da deficiência visual em formação inédita
A Secretaria Municipal de Educação de Cuiabá promoveu, nesta sexta-feira (11), o terceiro encontro de um ciclo de formação voltado aos professores do Atendimento Educacional Especializado (AEE) que atuam nas Salas de Recursos Multifuncionais (SRM) e atendem estudantes com deficiência visual na rede municipal de ensino. A iniciativa reúniu profissionais de 48 unidades educacionais, responsáveis pelo atendimento de 55 alunos com baixa visão ou cegueira e nove estudantes com visão monocular. A formação foi realizada em parceria com o Instituto dos Cegos, em Cuiabá.
Pela primeira vez, a formação aconteceu diretamente dentro de uma instituição especializada. A proposta é proporcionar aos professores uma experiência prática sobre os desafios, as possibilidades e os recursos necessários para garantir a aprendizagem e a autonomia dos estudantes com deficiência visual.
Promovida pela Diretoria de Ensino, por meio da Coordenadoria de Educação Especial, a formação conta com cinco encontros. Dois aconteceram em agosto, dois acontecem em setembro e o último será realizado em outubro, no Instituto dos Cegos. O objetivo é fortalecer a atuação dos profissionais das Salas de Recursos Multifuncionais e ampliar as estratégias pedagógicas utilizadas no atendimento aos estudantes.
“É a primeira vez que a SME realiza uma formação com essa magnitude e com uma imersão prática. É um cuidado desta gestão. Em outras gestões, foram promovidas palestras sobre deficiência visual no âmbito geral”, destacou a coordenadora de Educação Especial da SME, professora Neuraides Ribeiro.
As atividades são realizadas nos períodos matutino, das 7h30 às 11h, e vespertino, das 13h30 às 17h, respeitando o horário de hora-atividade dos profissionais. O Instituto dos Cegos possui estrutura adaptada e experiência no atendimento de pessoas com deficiência visual, desde a estimulação precoce e a Educação Infantil até as demais etapas da vida escolar e o atendimento de adultos.
Durante a formação, os professores conhecem recursos e situações presentes no cotidiano das pessoas com deficiência visual e aprendem como adaptações no ambiente, nos materiais e nas metodologias podem favorecer a autonomia e a independência.
“A proposta também busca provocar uma mudança de olhar sobre a deficiência visual. O fato de uma criança não enxergar não significa que ela tenha sua capacidade cognitiva comprometida. Quando não há uma deficiência intelectual associada, uma das principais barreiras para a aprendizagem pode estar justamente na forma como o conteúdo é apresentado”, ressaltou Neuraides.
Nesse contexto, os profissionais são orientados sobre o uso de materiais táteis, recursos concretos, relevo, Braille, tecnologias assistivas e outras estratégias pedagógicas. A formação também aborda orientação e mobilidade, incluindo o uso da bengala e sua importância para a autonomia.
“Ao levar os profissionais para dentro de um ambiente especializado, a Secretaria busca aproximá-los das experiências vivenciadas diariamente pelos estudantes. A intenção é que esse conhecimento seja levado posteriormente para as escolas da rede municipal, contribuindo para que os professores possam adaptar as atividades e materiais e até a organização dos espaços disponíveis nas unidades”, explicou o secretário municipal de Educação, Reginaldo Teixeira.
Cinco encontros
Nesta sexta-feira (11), o encontro aborda Alfabetização do Sistema Braille, Noções Gerais. No dia 25, será trabalhada Estimulação Precoce e Educação Infantil. O ciclo será encerrado em 2 de outubro, com oficinas práticas.
Os temas Orientação e Mobilidade, Vivência de Orientação e Mobilidade e Pré-Braille foram tratados nos dois primeiros encontros.
Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT



