MATO GROSSO
“A ExpoEstudantil nos ensina como conviver melhor na escola e no mercado de trabalho”, diz estudante de Apiacás
MATO GROSSO
A segunda edição da ExpoEstudantil está movimentando a Arena Pantanal, em Cuiabá, e segue até as 17h desta quarta-feira (27.8). Promovido pela Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT) em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o evento traz como tema “O futuro é agora” e já reuniu cerca de 20 mil estudantes desde o primeiro dia, na terça-feira (26).
A programação inclui estandes interativos, distribuição de brindes e painéis com oportunidades ligadas a cursos profissionalizantes. Para os participantes, a feira é uma chance de ampliar horizontes e conhecer novas possibilidades de futuro.
Para Maria Clara Souza, 14 anos, da Escola Estadual Vinícius de Moraes, de Apiacás, a feira fortalece a comunicação e o protagonismo. “Conseguimos aprender a nos comunicar com as pessoas e entender a importância da ExpoEstudantil, que nos alerta sobre como conviver melhor na escola e no mercado de trabalho”, destaca ela, que está entre os mais de 15 mil estudantes que participam do evento nesta quarta-feira.
A estudante Júlia Gonçalves, 17 anos, da Escola Estadual Liceu Cuiabano Maria de Arruda Muller, destaca que a ExpoEstudantil desperta curiosidade e interesse em continuar estudando.
“Muitos estudantes terminam o ensino médio e não querem mais estudar. O evento traz muitas curiosidades, então, o estudante vê aqui a possibilidade de escolher uma profissão futura”.
A professora e interlocutora dos grêmios estudantis da mesma escola, Thais Gomes, reforça que a iniciativa gera reflexos positivos no ambiente escolar.
“A ExpoEstudantil ajuda de diversas formas na vida acadêmica. Quando um evento como esse acontece, os estudantes voltam mais animados para a escola e acabam incentivando os colegas. Acaba virando uma corrente”, avalia.
No segundo dia do evento, o secretário de Estado de Educação, Alan Porto, reforçou o que havia dito na abertura, ressaltando a importância de aproximar a rede de ensino dos jovens.
“Queremos que vocês aproveitem ao máximo essa educação de qualidade para que possam se desenvolver profissionalmente”, disse. Ele também agradeceu às escolas e professores pela dedicação e por conduzirem os estudantes até a Arena Pantanal em segurança.
ExpoEstudantil
A ExpoEstudantil é um evento destinado a estudantes das escolas estaduais de Mato Grosso e tem como objetivo promover inovação, criatividade e futuro. A programação deste ano inclui teste vocacional, área de exposição com estandes e palestras sobre protagonismo juvenil, liderança, motivação, educação e outros temas.
Fonte: Governo MT – MT
MATO GROSSO
Vicaricídio passa a ter punição específica e muda resposta da Justiça à violência contra mulheres
O ordenamento jurídico brasileiro passou a reconhecer o vicaricídio como crime autônomo em abril deste ano. A Lei nº 15.384/2026 incluiu no Código Penal o homicídio praticado contra filhos, familiares ou pessoas com quem a mulher mantém vínculo afetivo ou de cuidado quando o objetivo do agressor é atingi-la psicologicamente. A conduta passou a integrar o rol dos crimes hediondos e fortaleceu os instrumentos de enfrentamento à violência de gênero.
A pena prevista é de 20 a 40 anos de reclusão, podendo ser aumentada de um terço até a metade quando o crime é cometido na presença da mulher que se pretende atingir, contra criança, adolescente, pessoa idosa ou com deficiência, ou ainda em descumprimento de medida protetiva de urgência.
Além de criar um tipo penal, a lei alterou o Artigo 7º da Lei Maria da Penha ao incluir a violência vicária como forma de violência doméstica e familiar. Com isso, a ameaça ou a violência praticada contra filhos, familiares, enteados ou pessoas da rede de apoio da vítima passa a ser considerada na avaliação do risco para concessão de medidas protetivas de urgência.
Caso em MT evidencia a importância da nova legislação
Embora o crime de vicaricídio tenha sido tipificado apenas este ano, situações com essas características acontecem rotineiramente, como no caso do homem de 21 anos que matou o filho de dois anos asfixiado. O crime ocorreu em Sorriso (244 km de Cuiabá), em janeiro deste ano.
Conforme a denúncia do Ministério Público do Estado de Mato Grosso, o crime foi premeditado e motivado pelo inconformismo do investigado com o término da relação e com o fato de a mulher ter iniciado um novo relacionamento. O caso tramita na Justiça e ainda aguarda julgamento.
Embora não possa ser julgado com base na Lei nº 15.384/2026, por ter ocorrido antes de sua vigência, o caso exemplifica uma das formas mais extremas da violência vicária e ilustra o contexto que levou à criação do crime de vicaricídio.
Reconhecimento do crime
Para a juíza Tatyana Lopes de Araújo Borges, da 2ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Cuiabá, a principal inovação é o reconhecimento da finalidade do crime. “Agora temos no ordenamento jurídico o reconhecimento de que matar um descendente, um ascendente, um enteado ou qualquer pessoa do convívio da mulher para atingi-la emocionalmente possui uma finalidade específica. Não é apenas um homicídio comum ou qualificado. Temos uma tipificação própria, com pena de 20 a 40 anos, assim como ocorre com o feminicídio”.
De acordo com a magistrada, a tipificação específica confere maior visibilidade a essa forma extrema de violência, facilita a produção de estatísticas e contribui para o aperfeiçoamento das políticas públicas de prevenção. “Quando um crime é tipificado, conseguimos produzir dados, compreender melhor o comportamento do agressor e desenvolver estratégias preventivas mais eficientes”.
Violência que utiliza pessoas próximas como instrumento
O vicaricídio está inserido no contexto da violência vicária, caracterizada pela utilização de filhos, familiares ou pessoas próximas como instrumento para controlar, intimidar ou provocar sofrimento emocional à mulher.
Para a juíza, o reconhecimento da violência vicária na Lei Maria da Penha facilita a identificação de situações de alto risco pelos profissionais que atuam na rede de proteção. “Quando o agressor passa a ameaçar ou agredir filhos, familiares ou pessoas da rede de apoio para intimidar ou exercer controle sobre a mulher, conseguimos identificar com mais facilidade que ela está em situação de risco”.
Na prática, a alteração amplia a atuação da Polícia Civil, do Ministério Público, do Poder Judiciário e das equipes multidisciplinares, que passam a considerar essas condutas na avaliação do risco.
Antes da mudança legislativa, a concessão de medidas protetivas era mais difícil quando a violência não atingia diretamente a mulher. “Agora, se o agressor atinge um filho ou outra pessoa próxima para causar medo, sofrimento psicológico ou exercer controle sobre a mulher, essa circunstância pode fundamentar a concessão de medidas protetivas.”
Proteção e prevenção
No Poder Judiciário de Mato Grosso, o enfrentamento à violência doméstica envolve atuação integrada entre magistrados, servidores, equipes multidisciplinares e instituições da rede de proteção.
Além da análise dos processos e da concessão de medidas protetivas de urgência, as Varas Especializadas identificam situações de risco, encaminham vítimas aos serviços especializados e adotam providências para interromper a escalada da violência.
Com a criação do crime de vicaricídio e o reconhecimento da violência vicária na Lei Maria da Penha, o sistema de Justiça passa a contar com instrumentos mais precisos para identificar esse padrão de violência e agir preventivamente.
Para a juíza Tatyana Lopes de Araújo Borges, a principal mudança prática é a ampliação da fundamentação jurídica para concessão de medidas protetivas. “A lei amplia nossa possibilidade de atuação porque permite conceder medidas protetivas quando houver risco não apenas para a mulher, mas também para filhos, familiares ou pessoas próximas utilizados pelo agressor como forma de intimidação”.
A magistrada ressalta que a nova tipificação também fortalece a formulação de políticas públicas. “Quando conseguimos identificar um crime específico, podemos mensurar melhor sua incidência, compreender o perfil do agressor e desenvolver estratégias para evitar que essa violência aconteça”.
Autor: Marcia Marafon
Fotografo:
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]


