MATO GROSSO
Ação integrada apreende 210 kg de drogas e dá prejuízo de R$ 843 milhões às facções criminosas
MATO GROSSO
Operação integrada das Forças de Segurança, realizada neste domingo (2.11), resultou na apreensão de 210 quilos de maconha e um preso em Campo Novo do Parecis (391 km de Cuiabá). A ação provocou um prejuízo de R$ 843 milhões às facções criminosas.
Após receber a informação que estradas rurais do município estavam sendo usadas como rotas para transporte de droga, equipes da Polícia Militar, Polícia Civil trocaram informações com Grupo Especial de Fronteira (Gefron), que se deslocaram para a região e iniciaram o patrulhamento.
Durante as buscas na região do Distrito de Itanorte, a polícia apreendeu uma caminhonete F-1000 que, segundo as investigações, teria sido usada para dar apoio ao transporte do entorpecente abandonado na estrada. O suspeito, no entanto, ainda não foi identificado.
Em outra abordagem, a uma caminhonete Toyota Hilux, agentes de fronteira encontraram a carroceria carregada com vários tabletes de maconha. O motorista foi preso em flagrante por tráfico de drogas.
O suspeito confessou que estaria levando o entorpecente para o estado do Pará e foi encaminhado para a Delegacia de Fronteira, em Cáceres, juntamente com a droga e os veículos, e ficou à disposição da Justiça.
Fonte: Governo MT – MT
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Quando um filho chama
Há um instante pequeno, quase invisível, em que a paternidade se revela: um filho chama, e o pai decide se continua o que estava fazendo ou olha para ele e o escuta. É uma cena comum, dessas que os adultos deixam passar. A criança pode guardá-la por muito tempo.
No Dia dos Pais, é natural celebrar afeto, cuidado e dedicação. A data também deixa uma pergunta incômoda: quando nossos filhos pensarem em nós anos depois, do que se lembrarão? Talvez esqueçam o que lhes demos. Dificilmente esquecerão como se sentiram ao nosso lado.
Quem trabalha na Justiça conhece as consequências de vínculos que se romperam ou nunca chegaram a se formar. Processos de reconhecimento de paternidade, pensão alimentícia e convivência familiar trazem histórias marcadas por espera, conflito e ausência. A lei pode reconhecer o vínculo, exigir sustento e proteger direitos. Nenhuma decisão judicial, porém, consegue fazer um pai parar e ouvir o filho com interesse.
Nos processos de família, os autos registram as versões dos adultos, mas a infância continua enquanto o caso é analisado. A rapidez importa. O tempo de uma criança não espera o andamento do processo. Um ano de demora pode atravessar uma etapa inteira de sua formação e transformar distância em costume.
Nenhum pai sabe tudo, embora muitos sintam que deveriam ter respostas para tudo. O filho precisa se aproximar sem achar que está incomodando quando o pai trabalha, usa o telefone ou está cansado. É preciso ouvi-lo antes de responder, perceber quando o silêncio esconde alguma coisa e reconhecer os próprios erros. Uma tarde comum pode ficar na memória por décadas porque o pai interrompeu o que fazia e permaneceu ali.
Muitos homens receberam pouco dos próprios pais e acabam repetindo a única forma de convivência que conheceram: disciplina sem ternura e afastamento. Esse passado ajuda a explicar a dificuldade, mas não precisa determinar o próximo gesto. Um pai pode pedir perdão, aproximar-se sem discurso e aprender, mesmo tarde, a demonstrar afeto.
Nenhum filho convive com um pai perfeito. Convive com um homem que trabalha, se cansa, erra e às vezes chega tarde à conversa necessária. Um pai pode morar longe e continuar presente. Há homens que não geraram uma criança, mas assumiram seu cuidado. Ao reconhecer a falha, o pai pode reconstruir a relação. A indiferença repetida ensina o filho a não esperar.
Toda criança tem direito a sustento, proteção e convivência. Há uma necessidade que nenhum processo consegue medir: saber que sua existência importa para alguém. Quando encontra essa certeza no pai, o filho ganha segurança para enfrentar a vida e tem condições de não repetir com os próprios filhos as ausências com que cresceu.
Muitos filhos esquecerão o presente dado ao pai neste domingo. Anos depois, uma conversa na cozinha ou a tarde em que o pai percebeu que havia algo errado poderá voltar à memória com nitidez inesperada. Ninguém planeja essas lembranças. Elas surgem enquanto a vida comum acontece: o telefone deixado sobre a mesa e uma conversa sem pressa.



