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Aquisição de terras rurais por estrangeiros e regulação da cannabis medicinal são estudados no Gemam

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“Aquisição de terras rurais por estrangeiros” e “Judicialização e regulação da cannabis medicinal” foram os dois temas debatidos no período vespertino da 40ª Reunião do Grupo de Estudos da Magistratura de Mato Grosso (Gemam), realizada na sexta-feira (14 de novembro). As juízas Gabriela Carina Knaul de Albuquerque e Silva e Henriqueta Fernanda Chaves Alencar Ferreira Lima apresentaram o estudo “Judicialização e regulação da cannabis medicinal”.

Gabriela Knaul destacou a urgência de desmistificar o debate sobre o uso medicinal da cannabis no Brasil. Segundo ela, o tema deve ser tratado de forma distinta do combate ao tráfico de drogas, com foco em fins terapêuticos e sanitários que assegurem o direito fundamental à saúde. “É completamente diferente do combate à criminalidade, em termos de tráfico de drogas. É outra área que merece atenção com foco correto: fins medicinais, terapêuticos, de política sanitária que preserva o direito fundamental à saúde”, asseverou.

Atualmente, não existe no país um marco regulatório específico para o uso medicinal da cannabis, nem regulamentação da Anvisa sobre o tema. Com isso, tratamentos para condições como dor crônica, distúrbios do sono e Parkinson vêm sendo viabilizados por meio de decisões judiciais, inclusive do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A ausência de regras tem levado à judicialização, criando insegurança para pacientes e empresas interessadas em pesquisa e desenvolvimento.

Segundo a magistrada, para enfrentar essa lacuna, o STJ estabeleceu, por meio do Incidente de Assunção de Competência (IAC) 16, que a União deve regulamentar essa questão em até seis meses. Isso permitirá que empresas possam realizar o cultivo, a pesquisa e o desenvolvimento de medicamentos com base no princípio da cannabis. “Essa decisão do STJ é uma decisão estruturante, no sentido de impulsionar e alavancar uma política nacional que proteja todas as pessoas que necessitem desse medicamento para amenizar a sua dor e o seu sofrimento e garantir o direito à saúde.”

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Já a juíza Henriqueta Lima destacou que a ausência de regulamentação por parte da Anvisa e da União tem provocado um aumento expressivo de demandas judiciais desde 2019, com pacientes buscando autorização para tratamentos específicos. A magistrada explica que, em 2024, o STJ determinou, no IAC nº 16, que a Anvisa e a União editassem norma regulamentando o uso medicinal da cannabis até setembro daquele ano. Contudo, o prazo inicial foi prorrogado após pedido das autoridades e, recentemente, em 7 de novembro, o STJ concedeu novo prazo de 145 dias para a publicação da regulamentação. Conforme Henriqueta, a decisão é considerada um marco, pois permitirá que o Brasil produza e comercialize medicamentos à base de cannabis de forma autorizada, evitando a necessidade de importações e judicializações.

A juíza enfatizou que o tema está diretamente ligado ao artigo 196 da Constituição, que assegura o direito à saúde e à dignidade da pessoa humana. “Então, esse tema é muito caro, porque está extremamente relacionado com o direito à saúde, que está no artigo 196 da Constituição, que por sua vez tem relação direta com a dignidade da pessoa humana: você viver de forma digna e não simplesmente viver. É um tema que precisa ser aprofundado, que precisa ser estudado até que finalmente a gente tenha essa omissão regulamentar sanada.”

Já o juiz Eduardo Calmon de Almeida Cézar apresentou o tema “Aquisição de terras rurais por estrangeiros”, trazendo ao grupo de estudos questões doutrinárias e de ordem prática bastante relevantes, inclusive à atuação no foro extrajudicial.

Centro de Estudos do Meio Ambiente

Aproveitando a participação dos magistrados(as) no Grupo de Estudos, o assessor de Relações Institucionais da Esmagis-MT, Reginaldo Cardozo, e a assessora Pedagógica da Esmagis-MT, Polyana Olini, apresentaram o projeto do professor Márcio Andrade, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), sobre reaproveitamento de cinzas e EPS que seriam descartados no meio ambiente. Esses materiais podem ser utilizados para produção de tijolos que possibilitam maior conforto térmico.

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“Hoje nós tivemos a satisfação de apresentar ao Gemam o projeto do professor Márcio Andrade, do campus Araguaia da UFMT, trabalhando com o reaproveitamento de cinzas e EPS que seriam descartados no meio ambiente para fazer tijolos que contribuem com a proteção térmica”, explicou Polyana.

“O desembargador Márcio Vidal nos deu a oportunidade hoje, perante o 40º Encontro do Gemam, de falar um pouco do projeto apresentado pelo professor Márcio, de Barra do Garças, que conhecemos em reunião na UFMT. Esse projeto visa melhorar o calor das residências e promover a sustentabilidade utilizando os resíduos que seriam descartados”, acrescentou Reginaldo.

Segundo ele, a apresentação faz parte do cronograma de ações em parceria previsto pelo Centro de Estudos em Meio Ambiente (Cesima), do qual a Esmagis-MT foi idealizadora. “Essa iniciativa faz parte das parcerias que o Cesima oferece, resultado das integrações entre várias instituições. O projeto foi apresentado pelo professor Márcio Andrade e cremos que isso irá reverberar para nossa natureza de forma positiva, porque atualmente ela está gritando por socorro.”

Também participaram do encontro os desembargadores Marcos Machado e Jones Gattass.

Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.

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Autor: Lígia Saito

Fotografo:

Departamento: Assessoria de Comunicação da Esmagis – MT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Projeto Menor Ouvidor leva cidadania a alunos em Cuiabá

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O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), por meio da Ouvidoria Geral, realizou nesta terça-feira (19) a primeira ação do projeto Menor Ouvidor, na Escola Municipal de Educação Básica (EMEB) Ulisses Guimarães. A iniciativa busca reforçar a proposta de aproximar a instituição da comunidade escolar e incentivar a cidadania desde a infância.O projeto Menor Ouvidor tem como objetivo principal estimular a participação ativa dos estudantes na identificação de problemas e na busca de soluções dentro do ambiente escolar e da comunidade. A proposta também visa fortalecer a Ouvidoria como canal de escuta da sociedade, promovendo o entendimento sobre direitos, deveres e formas adequadas de encaminhamento de demandas. Coordenado pela ouvidora-geral do MPMT, procuradora de Justiça Eliana Cícero de Sá Maranhão Ayres Campos, o projeto prevê a seleção de alunos para atuarem como “menores ouvidores”. Durante a ação na escola, foi realizado um sorteio para escolher um estudante que passará por uma formação junto à Ouvidoria do Ministério Público.“Viemos aqui para realizar um sorteio e eleger um aluno ou aluna para o projeto já em andamento. Esse estudante passará uma semana conosco aprendendo como atuar como menor ouvidor, e depois trará esse conhecimento para a escola, atuando como mediador. Ao final, ele ainda apresentará um relatório das atividades”, explicou.A procuradora destacou que a finalidade do projeto vai além do aprendizado imediato. “Queremos que esses alunos entendam que podem sonhar alto. Que podem, no futuro, se tornar ouvidores, membros do Ministério Público ou ocupar qualquer espaço que desejarem. Basta acreditar e se dedicar”, afirmou. Segundo a procuradora de Justiça, a iniciativa também cumpre a missão institucional do MP. “O Ministério Público cumpre sua função de estar próximo da população, especialmente dessas crianças que precisam de estímulo e orientação para se tornarem cidadãos conscientes e protagonistas do seu futuro”, completou.Na avaliação da professora Fabiana Ângelo, a ação tem impacto direto na formação dos alunos. “Acho essa iniciativa do Ministério Público de grande valia para nossos alunos”, destacou.Para a assessora jurídica da Secretaria Municipal de Educação, Carla, o projeto contribui para o desenvolvimento educacional e social dos estudantes. “Esse projeto é fundamental para o crescimento das crianças. Ele promove aprendizado sobre o Ministério Público e a Ouvidoria, além de mostrar onde levar demandas e como recorrer de forma correta”, ressaltou.A estudante Maria Giovana também destacou a importância da iniciativa para dar voz aos alunos. “É bom para dar voz para todas as crianças. Se tiver água suja ou não estiver dando lanche, é preciso falar. Tem que dar voz para todos na escola”, afirmou.Já a aluna Sara Mirian Santana, que foi a estudante sorteada como Menor Ouvidora, demonstrou entusiasmo com a experiência. “Eu achei muito legal. Eu gostei bastante e espero aprender bastante coisa para ajudar todo mundo”, disse.Para a coordenadora da escola, Dulcinéia Tomás de Aquino, o projeto traz benefícios permanentes para a comunidade escolar. “Essa iniciativa traz conhecimento sobre onde recorrer e como recorrer. A criança passa a ser mediadora dessas informações, o que agrega muito ao currículo. Quanto mais informações nossos estudantes tiverem desde cedo, mais preparados estarão para a vida”, avaliou.O projeto Menor Ouvidor será desenvolvido ao longo dos próximos meses, com etapas que incluem seleção, capacitação e acompanhamento dos estudantes, além da produção de relatórios com as demandas identificadas. A expectativa é que a ação contribua para o fortalecimento da cidadania, do senso crítico e da participação social dos jovens, além de ampliar o diálogo entre o Ministério Público e a sociedade.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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