CUIABÁ
Pesquisar
Close this search box.

MATO GROSSO

Audiência inédita garante registro civil a mãe e filhos indígenas

Publicados

MATO GROSSO

Na Aldeia Campinas, localizada na Terra Indígena Parabubure, em Campinápolis, uma audiência inédita realizada durante a 1ª Edição Xavante da Ouvidoria Itinerante transformou a vida de Cleciane Perôna e seus quatro filhos. Pela primeira vez, a família pôde ter acesso ao registro civil, documento essencial para o exercício da cidadania.A jovem mãe, nascida em 2001, nunca havia sido registrada. Seus pais também não possuíam documentação, o que perpetuou a invisibilidade jurídica por gerações. Sem certidão de nascimento, Cleciane e seus filhos estavam excluídos de direitos básicos como educação, saúde e benefícios sociais.Para a procuradora de Justiça e ouvidora-geral do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), Eliana Cícero de Sá Maranhão Ayres Campos, a audiência reforça a importância da Ouvidoria Itinerante em atender comunidades tão distantes dos grandes centros urbanos. “Quando todas as instituições se unem, conseguimos cortar caminhos e resolver em minutos o que levaria meses. Para comunidades afastadas, isso representa dignidade e inclusão.”O promotor de Justiça Fabrício Mereb também participou da audiência e celebrou o resultado. “Eles saíram da inexistência para serem cidadãos. Hoje têm certidão de nascimento, CPF, estão cadastrados no Bolsa Família e podem acessar todos os serviços públicos.”A situação chegou ao conhecimento da equipe da Ouvidoria Itinerante após o atendimento dos alunos do Projeto Juruna, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), que presta assessoria jurídica às comunidades Xavante, durante a ação realizada na própria aldeia.“Ela não tinha nenhum documento, nem os filhos. Dada a dificuldade de locomoção e acesso à cidade, nunca conseguiu regularizar a situação. Protocolamos a ação de registro tardio e, graças à união de esforços, conseguimos realizar a audiência no dia seguinte, algo que normalmente levaria de seis meses a um ano”, explicou a professora Ranielle Karoline de Souza, coordenadora do projeto.A audiência foi conduzida pelo juiz Matheus de Miranda Medeiros, que destacou o impacto da ação. “Conseguimos concretizar em horas o que levaria uma vida. Essa mãe e seus filhos agora têm acesso à educação, saúde e benefícios sociais. É uma reparação histórica.”A conselheira tutelar Marizethe, indígena Xavante, atuou como intérprete durante a audiência, garantindo que Cleciane pudesse se expressar com segurança.Além da mãe, os filhos Sania Wa’utomowa’ã (9 anos), Abel Tserewapu (5 anos), Lidiane Pdzaihuti’õ (3 anos) e Sandra Wa’utonodzadzari’o (6 meses) também tiveram seus registros civis emitidos. Todos já saíram da ação com certidão de nascimento e CPF em mãos.A Ouvidoria Itinerante 1ª Edição Xavante contou com a presença de representantes do Ministério Público, Tribunal de Justiça, UFMT, Receita Federal, Prefeitura e Câmara Municipal de Campinápolis, FUNAI, Conselho Tutelar e outros parceiros. Durante três dias de atendimento nas Aldeias Campinas, Aldeiona e Santa Clara, foram realizados mais de 1.400 atendimentos.

Leia Também:  Comarca de Alto Taquari abre seleção para psicólogo e amplia atendimento à população

Fonte: Ministério Público MT – MT

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

MATO GROSSO

Projeto de jiu-jitsu fortalece protagonismo e identidade cultural de estudantes indígenas em Brasnorte

Publicados

em

A Escola Estadual Indígena Tapurá Irantxe, localizada no município de Brasnorte, tem promovido a integração entre educação, esporte e valorização cultural por meio do Projeto Tamukan. A iniciativa utiliza o jiu-jitsu como ferramenta de formação para estudantes, profissionais da educação e membros da comunidade do povo Manoki.

Desenvolvido no ambiente escolar, o projeto busca incentivar hábitos saudáveis, fortalecer a saúde física e mental, promover a defesa pessoal e contribuir para a prevenção da violência. A iniciativa também reforça a valorização da identidade cultural indígena, ampliando as oportunidades de desenvolvimento para crianças e jovens da comunidade.

Reconhecida como a primeira equipe indígena de jiu-jitsu de Mato Grosso, o Projeto Tamukan tem se consolidado como um espaço de aprendizagem, disciplina e fortalecimento do protagonismo juvenil. As atividades são realizadas sob orientação técnica do professor Felipe Tamuxi e contam com o apoio da gestão escolar.

De acordo com o diretor da unidade, Edivaldo Mampuche, o projeto nasceu da necessidade de oferecer aos jovens uma oportunidade de crescimento na própria comunidade. Ele destaca que, desde o início, a escola busca unir esporte, educação e cultura, fortalecendo valores como disciplina, responsabilidade e respeito, sem perder a conexão com as tradições do povo Manoki.

Leia Também:  Comarca de Alto Taquari abre seleção para psicólogo e amplia atendimento à população

“Nosso objetivo, ao implantar o projeto, foi oferecer aos estudantes uma oportunidade de prática esportiva na comunidade, evitando deslocamentos e garantindo mais segurança para eles. Ao mesmo tempo, buscamos construir uma iniciativa que fortalecesse a disciplina, o compromisso com os estudos e a participação dos jovens nas atividades culturais e comunitárias”, disse.

Ainda segundo ele, “o jiu-jitsu tem se mostrado uma importante ferramenta de formação, contribuindo para o fortalecimento da identidade do povo Manoki e para o desenvolvimento dos estudantes”, completou o diretor.

Os resultados obtidos pelos atletas em competições esportivas refletem o trabalho desenvolvido ao longo do ano. Na etapa Norte do Campeonato Mato-grossense de Jiu-jitsu 2026, realizada na última semana, entre os dias 30 e 31 de maio, em Sorriso, a equipe conquistou sete medalhas: uma de ouro, uma de prata e cinco de bronze.

Fonte: Governo MT – MT

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

CUIABÁ

POLÍCIA

POLÍTICA MT

MATO GROSSO

MAIS LIDAS DA SEMANA