MATO GROSSO
Cartório Eleitoral de Rondonópolis faz atendimento domiciliar a eleitor com deficiência
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Resultado de um acidente automobilístico, Cícero da Silva, de 40 anos de idade, vive atualmente sem autonomia para as atividades básicas de vida diária. Depende integralmente de cuidadores para alimentação, higiene, administração de medicamentos, manejo de feridas e acompanhamento de intercorrências clínicas e comportamentais. Nesta terça-feira (05.08), ele foi atendido em domicílio pelo cartório da 10ª Zona Eleitoral, com sede em Rondonópolis (215 km ao Sul de Cuiabá).
O atendimento, o primeiro registrado pelo cartório da 10ª Zona Eleitoral nesses termos, ocorreu seguindo o Provimento n° 03/2025, da Corregedoria-Geral da Justiça Eleitoral. O normativo dispõe sobre a possibilidade de atendimento individual fora das instalações da Justiça Eleitoral diante de circunstâncias específicas que o recomendem, em observância ao que dispõem os Arts. 14, 15 e 46 da Resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nº 23.659, de 26 de outubro de 2021.
A esposa de Cícero da Silva, Lizandra Oliveira Santana, ressaltou a importância do atendimento do Cartório Eleitoral, que esteve na residência para regularização o título do eleitor, que estava cancelado. “Foi uma bênção, porque é muito difícil levar ele para sair para qualquer lugar. Então, esse projeto agora está sendo uma bênção, porque vai ajudar muitas pessoas que não têm condições de levar as pessoas que são acamadas para fazer o título. Só tenho que agradecer, porque esse é um projeto muito bom e vai ajudar muitas pessoas que não têm condições”, avaliou.
O atendimento foi viabilizado mediante apresentação de laudo médico com a descrição do quadro de saúde do paciente. “Ele sofreu amputação de um membro inferior e tem atrofia severa do membro superior, com a mobilidade prejudicada. Também tem uma dificuldade na audição, leitura e escrita. Ele fica, a maior parte do tempo, deitado e, em alguns momentos, na cadeira de rodas. Para nós, do Cartório, foi muito importante fazer esse atendimento e viabilizar o serviço a alguém que tanto precisa. É uma satisfação prestar serviço a uma pessoa que está em uma situação de saúde tão complicada, pois podemos ajudar de alguma forma”, ressaltou o servidor da 10ª Zona Eleitoral, Eduardo Costa.
Ele ressaltou, ainda, que com o serviço domiciliar da Justiça Eleitoral, o gasto com o deslocamento médico foi evitado. “A esposa dele comentou conosco que se a gente não fizesse esse atendimento domiciliar, ela teria que procurar uma ambulância para poder levá-lo até uma das centrais de atendimento, só que ela nos disse que o serviço público não cobre essa despesa com a ambulância. Ou seja, é oneroso esse transporte, porque o serviço público só cobre em caso de necessidade médica. Então, foi muito gratificante, foi bem tranquilo, todos os servidores estavam preparados, a gente ligou antes, fez o agendamento com a esposa dele, conversou, perguntou se havia necessidade de mais alguém. Enfim, fizemos todo o planejamento e o atendimento deixou a gente muito feliz e satisfeito. Agradeço aos servidores Maria Clara e Saulo Baier, que também participaram”, acrescentou.

Sobre o Provimento
O Provimento CGE n° 03/2025 dispõe que a Justiça Eleitoral empreenderá esforços para garantir a acessibilidade nos cartórios eleitorais e postos de atendimento, com o objetivo de viabilizar o atendimento de pessoas com deficiência, em conformidade com a Resolução do TSE nº 23.659/2021, art. 15, § 6º. Assim, os tribunais regionais eleitorais, diante da constatação de dificuldade de acesso a serviços eleitorais, deverão envidar esforços para prover o atendimento presencial em: comunidades isoladas; localidades que, por suas características, dificultem ou onerem demasiadamente o comparecimento da pessoa à unidade de atendimento da Justiça Eleitoral; e locais onde se encontrem pessoas eleitoras justificadamente impedidas de comparecerem ao cartório eleitoral.
O atendimento presencial fora das instalações da Justiça Eleitoral poderá ser autorizado em razão das circunstâncias previstas no artigo precedente e, em caráter excepcional, em situações de pessoas com restrições severas de locomoção, diante de fundamentada justificativa e desde que a unidade tenha condição de deslocamento de pessoal e de equipamento para o serviço. De acordo com o normativo, as justificativas apresentadas para o atendimento presencial individual a que se refere o caput deverão ser examinadas pelo(a) juiz(juíza) eleitoral da zona da inscrição da pessoa requerente.
Jornalista: Nara Assis
#PraTodosVerem: A imagem principal mostra uma equipe realizando atendimento domiciliar a um homem em cadeira de rodas, em uma varanda simples de residência. À esquerda, uma mulher observa a cena enquanto o homem, no centro, é atendido por duas pessoas sentadas à direita com equipamentos como notebook, câmera e ring light, sugerindo coleta de dados biométricos ou emissão de documento oficial. Ao fundo, há uma lousa em tripé, reforçando o caráter formal e institucional da ação. No corpo do texto, tem outra foto enfatizando a coleta biométrica do mesmo eleitor.
Fonte: TRE – MT
MATO GROSSO
Projeto de Barra do Garças que previne violência doméstica é selecionado para o Prêmio Innovare 2026
O projeto Homens que Cuidam, desenvolvido pela Segunda Vara Criminal da Comarca de Barra do Garças em parceria com a Prefeitura Municipal, foi selecionado para concorrer à 23ª edição do Prêmio Innovare. A iniciativa se destaca por colocar os homens no centro das ações de prevenção à violência doméstica, por meio de atividades educativas que estimulam a reflexão sobre masculinidade, saúde emocional, autocuidado e relações familiares.
Lançado no final de 2025 e executado desde março deste ano, o projeto reúne o Poder Judiciário, a Prefeitura de Barra do Garças, forças de segurança, escolas, lideranças religiosas e outros atores sociais para desenvolver ações educativas voltadas ao público masculino. As atividades incluem palestras, encontros educativos e a integração com o Grupo Reflexivo para Homens (GRH), ampliando as estratégias de prevenção. A proposta é atuar antes que a violência aconteça, levando ações de conscientização a diferentes espaços da comunidade e incentivando mudanças de comportamento desde a infância até a vida adulta.
Idealizador da iniciativa, o juiz Marcelo Sousa Melo Bento de Resende, que atua na Segunda Vara Criminal da Comarca, com competência em Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, explica que o projeto nasceu da constatação de que o machismo produz consequências não apenas para as mulheres, mas também para os próprios homens.
“O machismo não afeta só as mulheres. Homens têm expectativa de vida menor, bebem mais, cometem mais homicídios e são maioria na população carcerária. E, para cuidar da família, esse homem precisa, antes, cuidar de si próprio. Ele precisa perceber o risco que esse comportamento traz para a própria vida”, contextualiza.
Segundo o magistrado, campanhas tradicionais costumam estimular a mudança de comportamento em benefício da mulher ou da família. Na avaliação dele, esse modelo nem sempre é suficiente para provocar transformações efetivas. Por isso, o projeto busca mostrar aos homens os benefícios pessoais de abandonar padrões machistas, como a melhoria da saúde física e emocional, dos relacionamentos familiares e da qualidade de vida.
As atividades abordam temas como masculinidade, construção social dos papéis de gênero, influência da chamada “machosfera”, radicalização em ambientes digitais, manejo da raiva, reconhecimento e regulação das emoções, saúde do homem, autocuidado, parentalidade e os impactos do consumo abusivo de álcool.
A iniciativa estreou com uma palestra em uma escola da rede municipal de ensino. Em seguida, foi realizada uma reunião de alinhamento com representantes das instituições parceiras para definir as estratégias de atuação conjunta. A partir dessa articulação, o projeto passou a ser implementado em diferentes espaços da comunidade. Uma das ações ocorreu no destacamento do Cindacta, reunindo militares da Aeronáutica em uma palestra sobre masculinidade e prevenção da violência doméstica. Outra foi realizada na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Campus Araguaia, onde cerca de 100 estudantes, entre homens e mulheres, participaram de um debate sobre igualdade de gênero, relações saudáveis e prevenção da violência. O projeto também deu início a um ciclo de três palestras voltadas aos servidores do sexo masculino da Prefeitura de Barra do Garças.
Outra frente do projeto é a integração com GRHs, conduzidos pela Segunda Vara Criminal. Além dos participantes encaminhados judicialmente, os encontros passaram a admitir a participação voluntária de homens interessados em refletir sobre seus comportamentos e prevenir situações de violência.
“O fato de homens procurarem espontaneamente o Grupo Reflexivo mostra que estamos conseguindo ampliar o alcance da prevenção. Nossa intenção é chegar antes da violência, oferecendo um espaço de reflexão e mudança de comportamento”, avalia o juiz.
Prêmio Innovare – Criado em 2004, o prêmio reconhece e dissemina práticas que contribuem para o aprimoramento do sistema de Justiça brasileiro, independentemente de alterações legislativas. Ao longo de sua trajetória, a premiação já analisou mais de 10 mil práticas desenvolvidas em todos os estados do país, consolidando-se como uma das principais vitrines de iniciativas inovadoras da Justiça brasileira.
Autor: Alcione dos Anjos
Fotografo:
Departamento: Assessoria de Comunicação da CGJ-TJMT
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