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Comissões Regionais de Soluções Fundiárias do TJMT e TRF1 realizam visita técnica em Nova Olímpia

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MATO GROSSO

Em ação inédita em Mato Grosso, a Comissão Regional de Soluções Fundiárias do Poder Judiciário de Mato Grosso e a Comissão de Soluções Fundiárias do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) realizaram uma visita técnica conjunta a Reserva Legal Coletiva do Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Nova Conquista, a cerca de 60 km de Nova Olímpia. Cerca de 160 famílias recepcionaram os membros das Comissões que foram conhecer in loco a realidade e registrar informações que subsidiarão decisões do Judiciário de forma mais justa, pacífica e responsável.

O local é objeto de uma demanda de reintegração de posse de cerca de dois mil hectares de área de preservação ambiental ajuizada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) na Justiça Federal.

A diligência ocorreu nos dias 08 e 09 de setembro e foi conduzida pelo juiz do Poder Judiciário mato-grossense, Eduardo Calmon de Almeida Cézar e pelo juiz federal, Victor Curado, com o apoio de 30 servidores estaduais e federais e de representantes da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), de Meio Ambiente (Sema), de Assistência Social e Cidadania (Setasc), Incra, Polícia Militar e Prefeitura de Nova Olímpia.

Reunião comunitária – No dia 08 de setembro, na véspera da visita, membros das Comissões se reuniram com representantes da Associação Reconquista, no auditório da Prefeitura de Nova Olímpia. Os juízes conversaram com as famílias, explicando o papel da Comissão e reforçando o compromisso do Judiciário com decisões humanizadas, transparentes e respeitosas.

“Estamos aqui para dialogar, para buscar meios adequados e humanos para a situação. Temos aqui diversos atores envolvidos, incluindo o Incra, para que possamos encontrar alternativas, seja a retirada, a realocação ou outra solução”, disse o magistrado Eduardo Calmon.

Visita técnica – No dia 09 de setembro, a visita foi dividida em duas partes, a primeira, pela manhã, teve o cadastradas de 160 famílias ocupantes por meio de formulário próprio da Comissão, alinhado às diretrizes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O documento coleta dados socioeconômicos, condições de moradia e vulnerabilidades das famílias.

E a tarde com a visita a cerca de 20 residências, com registros fotográficos e análise das condições de moradia. A equipe verificou moradias de madeira, alvenaria simples e construções mistas, muitas sem acabamento. Também foi constatada a falta de saneamento básico, ruas sem pavimentação e coleta irregular de lixo.

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“A visita técnica tem um papel muito importante, conseguimos cadastrar todas as famílias, visitar as casas e conhecer de perto a situação de cada um para a partir daí formularmos um relatório que servirá de apoio ao juiz de causa”, pontuou o juiz federal, Victor Curado.

O presidente do Assentamento Nova Conquista, Jairo José da Silva Salvador Filho, agradeceu a presença de todos. “Estamos a bastante tempo esperando uma solução, é muito gratificante receber vocês aqui para conhecer a realidade, não só a minha, como de muitos produtores”, disse. A moradora, Maria Ivani Vieira também celebrou a presença de diversas instituições no assentamento. “Esperamos que agora, com a visita técnica, tudo seja resolvido”, afirmou.

Além dos magistrados participaram da visita técnica a secretária da Comissão Regional, Keila Souza da Cunha, o conciliador do TRF1, Ramon Carvalho, o assessor militar da CGJ-MT, Edilson Benedito de Oliveira Costa, representantes da Sema, Ten. Cel Bruno Saturnino do Nascimento, da Setasc, Tânia Mara Resende, da Sesp, José da Conceição dos Santos Arruda e Antunes André de Oliveira Barbosa, do Incra, Daniel Araújo de Assis e Edilson Ramos Varanda, da Prefeitura de Nova Olímpia, Idamildo Dunga Lira, Elaine Graciely Zanata de Oliveira, Deyvid Alves Maciel Bonfim e Claudia Lúcia Diniz Soares Vasconcelos Ferreira, além dos servidores da Diretoria do Foro de Barra do Bugres, Daniel Xavier Pinheiro e Celma Antônia Sansão Gouveia.

Relatório – Após a visita, a Comissão Regional de Soluções Fundiárias do Poder Judiciário de Mato Grosso produzirá um relatório detalhado, contendo dados sobre a área do conflito, imagens do local, identificação dos ocupantes e das lideranças, a situação social e os elementos históricos da ocupação, bem como o que está sendo produzido no local; como são as moradias, qual é o modo de comercialização da produção obtida e como é feita a distribuição do trabalho e da renda.

O documento será encaminhado a Comissão de Soluções Fundiárias do Tribunal Regional Federal da 1ª Região e servirá de base para: realização de audiências de mediação, elaboração de um plano de desocupação humanizado, se necessário, observando a ADPF 828 e para orientar políticas públicas de assistência às famílias.

Histórico processo – Segundo os autos, as famílias não beneficiárias do programa de reforma agrária ocuparam irregularmente a área de preservação ambiental. Embora tenha sido deferida liminar de desocupação, o cumprimento revelou-se inviável, pois apenas 25% das famílias deixaram o local e muitas retornaram logo em seguida. O que configurou uma situação de ocupação coletiva reiterada e de alta vulnerabilidade social, com presença de mais de 160 famílias, incluindo crianças, idosos, mulheres e pessoas com deficiência.

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O juiz Eduardo Calmon está sentado conversando com moradores e colhendo informações para cadastramento.Diante do impasse e em razão da relevância social e ambiental do litígio, o processo foi encaminhado à Comissão Regional de Soluções Fundiárias do Poder Judiciário de Mato Grosso por determinação do Supremo Tribunal Federal, em conformidade com o art. 4º da Resolução CNJ nº 510/2023.

Em preparação a visita técnica, uma reunião foi realizada no dia 28 de julho, para definir a data da visita e da reunião comunitária, assim como para organizar a logística, segurança institucional e infraestrutura para o cadastramento das famílias ocupantes.

De acordo com o juiz Eduardo Calmon esta foi à primeira vez no Estado que dois tribunais, o TJMT e o TRF1 trabalharam em conjunto pela solução de um conflito fundiário.

“Este é um caso emblemático, um processo que é uma ação federal e a nossa Comissão Estadual está dando o apoio. Mostrando a importância da cooperação interinstitucional e do protagonismo do Poder Judiciário na construção de soluções fundiárias pautadas pela dignidade humana e pelo diálogo social”, afirmou.

Para o magistrado federal, Victor Curado, essa soma de esforços é muito produtiva. “É muito interessante essa parceria entre o TJMT e a Justiça Federal. Mato Grosso deu todo o apoio técnico e logístico para que esta visita técnica acontecesse e a gente possa construir de soluções pacíficas para o conflito fundiário coletivo”, destacou.

Comissão Mato-grossense – Desde sua criação em novembro de 2022, a Comissão realiza visitas técnicas nos locais de litígios e tem produzido relatórios que funcionam como apoio operacional aos juízes responsáveis pelos processos nas comarcas.

Compõem a Comissão como membros titulares os magistrados: Myrian Pavan, Adriana Sant’Anna Coningham, Alex Nunes de Figueiredo, Eduardo Calmon de Almeida Cézar e Jorge Lafelice dos Santos. A Comissão ainda é presidida pelo corregedor-geral da Justiça, desembargador José Luiz Leite Lindote e conta com a participação de órgãos públicos e entidades da sociedade civil como agentes convidados.

Autor: Larissa Klein

Fotografo:

Departamento: Assessoria de Comunicação da CGJ-TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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MATO GROSSO

Governo pagou R$ 206 milhões por obras do BRT até o momento; apenas venda do VLT rendeu R$ 915 milhões

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O Governo de Mato Grosso pagou até o momento, R$ 206 milhões referentes às obras de implantação do Sistema BRT em Mato Grosso. No total, já foram contratados R$ 533 milhões para as obras de infraestrutura, construção de estações e terminais.

Este valor é inferior ao que foi arrecadado pelo Governo com a venda de vagões e equipamentos do VLT, que totalizam R$ 915 milhões.

O secretário de Estado de Infraestrutura e Logística, Marcelo de Oliveira, explica que os valores são a soma de quatro contratos feitos até o momento. “Precisamos esclarecer o que eu acredito que não seja má fé, mas talvez um equívoco sobre os valores gastos pelo Governo nas obras do BRT”, explica.

O primeiro contrato assinado, com o Consórcio Construtor BRT, previa a implantação total da infraestrutura do sistema, mas foi rescindido devido a não execução das obras por parte das empresas responsáveis. Este contrato tinha o valor de R$ 468 milhões, mas o Governo pagou R$ 130 milhões, incluindo os valores de reajustes inflacionários.

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Esse recurso foi utilizado na implantação total da infraestrutura nas Avenidas da FEB e João Ponce de Arruda, em Várzea Grande, além de trechos da Avenida do CPA em Cuiabá.

Após a rescisão deste contrato, a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT) dividiu o restante da contratação em diversos lotes, como forma de acelerar o ritmo das obras. As licitações foram todas abertas à participação de empresas interessadas, incluindo disputa de propostas entre os participantes.

A segunda licitação, que está em andamento, foi feita para a implantar o restante da infraestrutura nas Avenidas do CPA e na Prainha, além do trecho entre o Aeroporto de Várzea Grande e o novo Terminal da cidade. Este contrato tem o valor de R$ 155 milhões, dos quais o Governo já pagou R$ 76 milhões.

A terceira licitação foi realizada para construir as estações, em um valor de R$ 120 milhões – ainda sem pagamentos, devido ao fato de a execução estar em seu início.

O secretário Marcelo explica que essa licitação inicialmente teve uma proposta de R$ 68 milhões, que foi rejeitada pelo fato de a empresa não ter apresentado documentos técnicos e financeiros.

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“A partir disso, nós incluímos no projeto a mudança do tipo de piso, a inclusão de portas automáticas, vidros com maior capacidade de reflexão de calor e a climatização das estações. Por isso, elas passaram para esse valor de R$ 120 milhões”, disse.

Por fim, foi realizada uma nova licitação para a contratação de uma empresa para construir os terminais, obras ainda não iniciadas, no valor de R$ 128 milhões.

“Então, foram pagos R$ 206 milhões. E eu quero dizer mais uma coisa. Com a venda dos vagões e mais alguns materiais elétricos, o Estado já arrecadou R$ 915 milhões. Então nós estamos com um superávit de quase R$ 400 milhões. A Sinfra é transparente e republicana”, concluiu o secretário.

Fonte: Governo MT – MT

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