MATO GROSSO
Desenvolve MT capacita agentes do interior do Estado para apoio a empreendedores
MATO GROSSO
A Agência de Fomento do Estado de Mato Grosso, a Desenvolve MT, capacitou, nesta quinta e sexta-feira (10 e 11.10), 10 agentes de crédito do interior do Estado para atualizações nos procedimentos de cadastro e orientações sobre como ajudar os empreendedores durante a solicitação de crédito.
Participaram agentes dos municípios de Campo Verde, Lucas do Rio Verde, Matupá, Sinop e Rosário Oeste, além de credenciados da Associação Brasileira de Hotéis do Mato Grosso (ABIH/MT) e do Fundo de Sanidade e Desenvolvimento da Suinocultura Mato-grossense (FSDS).
O minicurso teve seis módulos que envolveram as fases de liberação do crédito, desde o cadastro do empreendedor até a aprovação e pagamento.
Com um passo a passo das funções de um agente de crédito, o curso explica de forma mais aprofundada sobre as linhas de crédito da Desenvolve MT, como identificar qual a mais apropriada para o empresário e quais prazos devem ser seguidos. Além disso, orienta sobre como informar e conversar com o cliente, e até como assinar os contratos de forma online, como meio de desburocratizar e agilizar os processos.
“Estamos comprometidos em fortalecer nossa rede de agentes de crédito e garantir que eles estejam prontos para atender às demandas dos nossos empreendedores. Acreditamos que, com esse conhecimento, juntos podemos impulsionar o desenvolvimento dos empreendedores do nosso Estado”, declarou Julianna Castro, assessora técnica especial da Agência, que ministra o curso e é responsável por coordenar os agentes de crédito.
Agente de crédito há três anos, Daiane Duarte, que atua na Sala do Empreendedor do município de Lucas do Rio Verde, destacou a importância de se manter atualizada para garantir um bom atendimento.
“Eu busco me aperfeiçoar, pesquisar no site da agência, mas ainda restavam dúvidas sobre como dar início, como ensinar um fornecedor ou um cliente. A cada dia surge uma dúvida diferente, por isso é importante nós estarmos sempre nos atualizando”, afirmou.
Além do crédito 100% digital, a Desenvolve MT atua em todo o Estado por meio de parcerias com prefeituras e entidades representativas, facilitando o acesso ao crédito. Os convênios incluem treinamentos periódicos com os agentes de crédito credenciados. Em 2024, mais de 86 agentes de 52 municípios já foram capacitados.
O curso visa garantir que os agentes de crédito estejam qualificados para auxiliar os empreendedores do início até o fim do processo de solicitação. Ele serve tanto para atualizar os agentes atuantes sobre as mudanças nos processos de solicitação, quanto para capacitar os novos agentes credenciados, como Valdirley Nunes, do Centro de Atendimento Empresarial (CAE) de Sinop.
“Eu vim até Cuiabá para buscar essa capacitação e atender melhor as pessoas que vão nos procurar. Gostei muito do conteúdo e isso vai nortear nossa atuação no município”, contou Valdirley.
Consulte aqui os municípios parceiros.
*Com supervisão de Vitória Kehl.
Fonte: Governo MT – MT
MATO GROSSO
Promotora do MPPR apresenta estratégias de inteligência para fortalecer execução penal
O combate ao crime organizado passa, cada vez mais, por uma guerra silenciosa de informações. Foi com esse alerta que a promotora de Justiça do Paraná, Janaína Bruel Marques, conduziu o Painel 3 do Encontro Técnico “Inteligência na Execução Penal e a Importância da Ressocialização”, realizado nesta quinta-feira (28), na sede das Promotorias de Justiça de Cuiabá. O evento, promovido em parceria pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) e pelo Poder Judiciário de Mato Grosso (PJMT), reúne representantes do sistema de justiça, segurança pública e especialistas de diversos estados para debater estratégias de inteligência, combate às facções criminosas e ressocialização no sistema prisional.
Durante a palestra “Estratégias de Inteligência na Fiscalização e Atuação na Execução Penal”, Janaína apresentou casos concretos conduzidos pelo núcleo de inteligência do Ministério Público do Paraná (MPPR) e mostrou como o cruzamento de dados, o compartilhamento de informações entre instituições e o monitoramento permanente das organizações criminosas têm auxiliado promotores e forças de segurança em investigações e na fiscalização da execução penal.
“Eu acredito que a existência das facções é um grande dificultador para a ressocialização. O preso acaba refém dessas organizações criminosas”, afirmou a promotora ao defender que o enfrentamento ao crime organizado exige ações em duas frentes: o enfraquecimento financeiro das facções e o fortalecimento do Estado nas áreas mais vulneráveis.
Segundo Janaína Bruel Marques, o trabalho desenvolvido pelo núcleo de inteligência do MPPR não se confunde com investigação criminal. Ela explicou que a inteligência atua de forma permanente, produzindo conhecimento estratégico para subsidiar a tomada de decisões de promotores, magistrados e forças de segurança. “A inteligência pode ser o caminho iluminado da investigação”, resumiu.
A promotora destacou que a atividade de inteligência do Ministério Público ainda é recente no país. A doutrina específica da área, aprovada pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), foi consolidada apenas em 2023.
Integração entre instituições
Na avaliação da promotora, a integração entre Ministério Público, Judiciário e forças policiais é um dos principais instrumentos para ampliar a efetividade das ações contra o crime organizado. “Esse compartilhamento de informações e de troca de experiências é fundamental para o aprimoramento das nossas atividades”, afirmou.
Ao longo da apresentação, Janaína detalhou operações realizadas a partir do compartilhamento de dados entre agências de inteligência de diferentes estados. Um dos exemplos citados foi uma investigação sobre integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), iniciada após o compartilhamento de materiais apreendidos em São Paulo.
Segundo ela, o trabalho conjunto permitiu identificar lideranças da facção em diferentes estados e resultou em operações integradas envolvendo órgãos de segurança pública e o Ministério Público.
A promotora também relatou situações em que o trabalho de inteligência ajudou a identificar fraudes em processos de execução penal, falsificações de documentos para obtenção de benefícios e até homicídios forjados como suicídios dentro de unidades prisionais.
Em um dos casos apresentados, o núcleo de inteligência percebeu um aumento incomum de supostos suicídios em presídios do Paraná. Após análise detalhada das ocorrências, descobriu-se que parte das mortes eram, na verdade, execuções determinadas por facções criminosas e simuladas como enforcamentos. “Só através da inteligência a gente consegue entender e enxergar esse cenário todo e não trabalhando processo por processo”, explicou.
Ressocialização e presença do Estado
Ao encerrar a palestra, Janaína defendeu que o combate às facções criminosas não depende apenas de repressão, mas também do fortalecimento das políticas públicas nas comunidades vulneráveis.
Ela citou que organizações criminosas acabam ocupando espaços deixados pelo poder público, oferecendo ajuda financeira, assistência às famílias de presos e até serviços básicos em determinadas regiões. “O discurso das facções é sempre de acolhimento contra o Estado opressor. Então, precisamos fortalecer o Estado onde ele não está presente”, pontuou.
A promotora também ressaltou que ações de inteligência precisam caminhar junto com o respeito aos direitos fundamentais e à garantia de uma execução penal justa. “Não é para impedir direitos. É para garantir o cumprimento de uma pena justa, nem mais e nem menos do que foi determinado pelo Poder Judiciário”, concluiu.
Autor: Roberta Penha
Fotografo: Alair Ribeiro
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
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