MATO GROSSO
Ferramenta no PJe permite identificar decisões fundamentadas no Protocolo de Gênero do CNJ
MATO GROSSO
Magistradas e magistrados do Poder Judiciário de Mato Grosso passaram a contar com uma nova funcionalidade no sistema do Processo Judicial Eletrônico (PJe) que fortalece a implementação da política de equidade de gênero no Judiciário brasileiro. A partir de agora, sempre que utilizarem o Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), na fundamentação de uma decisão, poderão registrar essa informação por meio de um campo específico disponível no sistema.
A novidade representa mais um passo para consolidar uma Justiça comprometida com a igualdade e a não discriminação. O registro permitirá identificar as decisões que aplicam o protocolo, facilitando o monitoramento da política pública e contribuindo para a produção de dados que auxiliem no aperfeiçoamento das práticas judiciais.
Elaborado pelo CNJ em 2021, o Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero oferece fundamentos teóricos e orientações metodológicas para que magistradas e magistrados analisem os casos considerando desigualdades estruturais que podem influenciar o acesso à Justiça e a efetivação de direitos. O documento orienta a atuação jurisdicional em diferentes áreas do Direito e contempla situações que envolvem mulheres, pessoas negras, indígenas, pessoas com deficiência, população LGBTQIA+ e outros grupos em situação de vulnerabilidade.
A política foi fortalecida pela Recomendação CNJ nº 128/2023, que incentivou sua adoção pelos tribunais brasileiros, e consolidada pela Resolução CNJ nº 492/2023, que estabeleceu a incorporação da perspectiva de gênero nos julgamentos e a capacitação permanente de magistradas e magistrados.
Para a desembargadora Vandymara Galvão Ramos Paiva Zanolo, presidente do Comitê Sobre a Equidade de Gênero do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, o protocolo funciona como um instrumento de interpretação jurídica voltado à promoção da igualdade material. “O protocolo visa à aplicação de um julgamento com equidade de gênero, respeitando as desigualdades estruturais relacionadas a gênero, raça e etnia. É um método interpretativo que orienta o magistrado na análise dos fatos, permitindo um olhar atento às situações de vulnerabilidade”, explica.Segundo a magistrada, embora seja frequentemente associado à proteção das mulheres, o protocolo possui alcance muito mais amplo. “Estamos falando de pessoas vulneráveis. O protocolo busca afastar desigualdades estruturais e proteger aqueles que podem sofrer discriminação em razão do gênero, da raça, da etnia, da orientação sexual ou de outras condições de vulnerabilidade. Quem ganha com isso é toda a sociedade, porque construímos uma Justiça mais justa e equânime”.
Mais do que violência contra a mulher
As diretrizes do Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero podem ser aplicadas em diversas áreas do Direito, sempre que fatores sociais e estruturais possam influenciar a situação das partes envolvidas.
A juíza auxiliar da Vice-presidência do TJMT, Alethea Assunção Santos, explica que o documento foi elaborado por um grupo de estudos do CNJ formado por magistrados de todo o país e reúne conceitos fundamentais para uma prestação jurisdicional mais igualitária. “O protocolo apresenta conceitos importantes, como gênero, sexo, orientação sexual e interseccionalidade. Ele demonstra como estereótipos e preconceitos podem influenciar, ainda que de forma inconsciente, a atividade jurisdicional e orienta os magistrados a evitarem que esses vieses interfiram no julgamento”.
A magistrada destaca que o conceito de interseccionalidade é um dos pilares do documento. “Uma mesma pessoa pode acumular diferentes marcadores de desigualdade, como ser mulher, negra, indígena ou pessoa com deficiência. O protocolo chama a atenção justamente para essas múltiplas camadas de discriminação, para que elas sejam consideradas durante a análise do caso concreto.”Segundo ela, o objetivo não é favorecer qualquer das partes, mas garantir que a decisão judicial seja tomada com base em uma compreensão mais completa da realidade social. “Quando julgamos, precisamos estar atentos para não reproduzirmos preconceitos ou vieses discriminatórios presentes na sociedade. O protocolo oferece esse suporte técnico para uma atuação mais consciente e equânime.”
Capacitação fortalece política de equidade
Além da nova funcionalidade no PJe, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso também investe na formação contínua de magistradas, magistrados e servidores para ampliar a aplicação do Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero.
A juíza Alethea Assunção Santos é uma das responsáveis pela capacitação promovida pela Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT). A primeira turma, formada na modalidade de ensino a distância (EAD), reúne 40 participantes entre magistrados(as) e servidores. Uma segunda edição está prevista para o segundo semestre.
Autor: Roberta Penha
Fotografo: Rodrigo Moura
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
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Brasil vai às oitavas e Corregedoria entrega álbum da Copa do Judiciário às unidades
Enquanto a Seleção Brasileira se prepara para enfrentar a Noruega pelas oitavas de final da Copa do Mundo, no domingo (5), às 15h (horário local), o clima de Copa também movimenta o Poder Judiciário de Mato Grosso. Nesta quarta e quinta-feira (1º e 2), representantes da Corregedoria-Geral da Justiça (CGJ-MT) entregaram álbuns físicos da Copa do Judiciário às unidades judiciais.As entregas dos álbuns físicos ocorreram presencialmente nas unidades do Fórum de Cuiabá, do Complexo dos Juizados Especiais, do Juizado da Infância e Juventude (no Complexo Pomeri) e do Fórum de Várzea Grande. Para as comarcas do interior, os exemplares foram encaminhados pelos Correios e devem chegar nos próximos dias.
Na quarta (01), a equipe da Corregedoria formada pelos juízes auxiliares, Jorge Alexandre Martins Ferreira e Anna Paula Gomes de Freitas Sansão, o diretor do Departamento de Aprimoramento da Primeira Instância (Dapi), Guilherme Schultz, a diretora do Departamento de Apoio aos Juizados Especiais (Daje), Shusiene Tassinari Machado, e servidores da CGJ percorreram o Fórum de Cuiabá e o Complexo dos Juizados Especiais para entregar um exemplar do álbum físico para cada gabinete e outro para cada secretária das unidades judiciárias.
“A Copa do Judiciário foi criada para aproximar magistrados e servidores das metas institucionais de uma forma criativa e participativa. Com a entrega dos álbuns físicos, damos mais um passo nessa estratégia, incentivando as equipes a acompanhar seus indicadores, celebrar conquistas e buscar novos resultados”, disse o juiz auxiliar, Jorge Alexandre.
“Eu achei a ideia do álbum maravilhosa”, elogiou a juíza diretora do Fórum de Cuiabá, Hanae Yamamura de Oliveira. “Quando a Corregedoria vai até as unidades, visita às secretarias e os gabinetes, os servidores se sentem prestigiados e mais motivados a participar da iniciativa. No final, todos ganham, porque o objetivo é fortalecer o engajamento das equipes, aumentar a produtividade e contribuir para o alcance das metas estabelecidas pelo Tribunal de Justiça”, pontuou.A juíza dirigente do Complexo dos Juizados Especiais, Valdeci Moraes Siqueira, ressaltou o papel do álbum como ferramenta de gestão. “Além do aspecto lúdico, o álbum oferece um panorama claro do desempenho das unidades. Ele permite acompanhar a evolução das metas e direcionar os esforços para os pontos que ainda precisam ser aprimorados. A visita da Corregedoria também é muito positiva, porque aproxima a instituição dos servidores e demonstra acolhimento às unidades”, afirmou.
A magistrada da 2ª Vara Criminal de Cuiabá, Cristiane Padim da Silva, também ficou empolgada com a iniciativa que aproveita o clima de Copa do Mundo para o acompanhamento das metas. “O formato lúdico ajuda a acompanhar as metas e, à medida que completamos o álbum, avançamos no cumprimento dos objetivos do Poder Judiciário, refletindo diretamente na qualidade dos serviços prestados aos jurisdicionados”, pontuou.
O assessor do 4º gabinete da 3ª Turma Recursal de Mato Grosso, João da Silva Mâncio Júnior, avaliou como o álbum facilitou a compreensão das metas. “Sou uma pessoa muito visual. Senti que ficou mais fácil identificar cada meta, os resultados alcançados e o que ainda precisa ser feito. Já usava a versão digital, muito bem elaborada, achei muito interessante o álbum físico, pois remete aos tradicionais álbuns de figurinhas da Copa do Mundo, algo que desperta identificação e até certa nostalgia”, confessou.
Na quinta (02), foi a vez do Fórum de Várzea Grande receber o juiz auxiliar da CGJ, Jorge Alexandre Martins Ferreira, o diretor do Dapi, Guilherme Schultz e servidores da Corregedoria. Magistrados e servidores se reuniram no plenário do fórum e antes de receberem um exemplar físico assistiram a apresentação sobre o funcionamento do álbum digital.
Para o juiz diretor do Fórum, Ângelo Judai Júnior, a ideia usa uma linguagem simples e divertida que engaja. “É uma forma simples e eficiente de traduzir indicadores e metas para o dia a dia das unidades, mas usando o formato dos álbuns da Copa do Mundo. Isso despertando uma lembrança afetiva que torna a experiência ainda mais interessante”, avaliou.O gestor judiciário do 2º Juizado Cível, Jeonathan Suel Dias, citou que o álbum é um sucesso entre os estagiários. “O mais interessante é que ele apresenta uma forma diferente de acompanhar as metas. Isso ajuda os estagiários e colegas novos a entender o todo do trabalho que desenvolvemos e a perceber como cada atividade contribui para o alcance das metas. Ter essas informações de forma visual e acessível torna o processo mais claro e didático”, argumentou.
A equipe da Corregedoria ainda foi até o Juizado da Infância e Juventude no Complexo Pomeri, na Capital, para entregar os álbuns físicos. “Gostei da iniciativa porque fica mais fácil visualizar o que precisamos alcançar e acompanhar os resultados. Além disso, o formato remete ao clima de Copa do Mundo, algo que desperta interesse e torna a experiência mais leve e envolvente”, afirmou a juíza da 1ª Vara Especializada da Infância e Juventude de Cuiabá, Gleide Bispo Santo.
“A receptividade tem sido muito positiva”, contou o diretor do DAPI e idealizador da inciativa, Guilherme Schultz. “Percebemos um grande engajamento das equipes, seja para tirar dúvida, sugerir alterações e conseguir as figurinhas. Isso demonstra que a iniciativa conseguiu despertar o interesse dos participantes e aproximá-los ainda mais das metas institucionais”, comemorou.
Autor: Larissa Klein
Fotografo: Rodrigo Moura e Lucas Coutinho
Departamento: Assessoria de Comunicação da CGJ-TJMT
Email: [email protected]


