MATO GROSSO
Governo monitora 44 municípios devido às chuvas em MT nesta quinta-feira (30)
MATO GROSSO
O Governo de Mato Grosso monitora 44 municípios, nesta quinta-feira (30.1), em decorrência das chuvas intensas que atingem o Estado desde o início do mês.
Os municípios monitorados estão classificados com status de atenção pela Defesa Civil do Estado, por terem sido atingidos pelas chuvas e sofrido inundações em vias públicas, imóveis ou terem pontes e estradas danificadas. No entanto, eles não estão mais na situação caracterizada como emergência, como é o caso de alagamentos.
De acordo com o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/Inpe), o acumulado de chuvas em Mato Grosso, do início de janeiro até esta quinta-feira, foi de 254 milímetros.
Nesta quinta-feira, a Defesa Civil emitiu o alerta de perigo para chuvas intensas previstas para 91 municípios do Estado. Conforme o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o alerta é válido para as regiões Nordeste, Norte, Sudeste e Centro-Sul, onde as chuvas podem atingir até 60 milímetros por hora, com ventos intensos de até 100 km/h.
Há ainda o alerta de chuvas de até 30 milímetros por hora, com ventos de até 60 km/h para os municípios das regiões Sudeste, Centro-Sul, Sudoeste e Sul do Estado. Os alertas são válidos até às 10h de sexta-feira (31).
Ajuda
Para atender os municípios em situação de emergência, o Governo já entregou:
– 250 cestas de alimentos, 250 cobertores, 250 kits de higiene e limpeza, 102 colchões, 102 travesseiros e 90 kits dormitório para as famílias de Cuiabá;
– 130 cestas de alimentos, 130 kits de higiene e limpeza, 130 filtros de água, 130 cobertores, 100 colchões, 100 kits dormitório (travesseiro, lençol, fronha), 80 caixas d’água, rolos de lona e 1 tonelada de roupas para Rio Branco;
– 20 cestas de alimentos, 20 kits de limpeza e higiene, 20 filtros de água, 20 cobertores, 20 colchões, 20 kit dormitório, 20 caixas d’água, 2 rolos de lonas e meia tonelada de roupas para Salto do Céu;
– 80 cestas de alimentos, 80 kits de higiene e limpeza e 80 filtros de água para Alto Paraguai.
– 400 cestas de alimentos, 400 kits de higiene e limpeza, 200 filtros de água e 100 cobertores para Confresa;
– 105 cestas de alimentos, kits de higiene e limpeza, filtros de água e cobertores para Novo Santo Antônio;
– 80 cestas de alimentos, kits de higiene e limpeza, filtros de água e cobertores para Luciara;
– 80 cestas de alimentos, kits de higiene e limpeza, filtros de água e cobertores para Porto Alegre do Norte;
Monitoramento
Até o momento, 36 municípios declararam situação de emergência por conta das chuvas, sendo eles: Rio Branco, Salto do Céu, Paranatinga, Cuiabá, Nova Nazaré, Alto Paraguai, Luciara, Chapada dos Guimarães, Água Boa, Arenápolis, Itaúba, Nova Brasilândia, Vila Rica, Confresa, Rondolândia, Cocalinho, Serra Nova Dourada, Novo Santo Antônio, Novo São Joaquim, Porto Alegre do Norte, Canarana, Porto Estrela, Juscimeira, Nossa Senhora do Livramento, Bom Jesus do Araguaia, Lambari D’Oeste, Barão de Melgaço, Várzea Grande, Nobres, Nova Marilândia, Denise, Nova Brasilândia, Mirassol D’Oeste, Novo São Joaquim, Guarantã do Norte e Araguaiana.
O Governo ainda monitora os municípios de Santa Terezinha, Rondonópolis, Barra do Bugres, Campo Novo do Parecis, Nova Olímpia, São José do Rio Claro, Lucas do Rio Verde e Barra do Garças.
A Defesa Civil segue prestando apoio com levantamento de danos, elaboração de decretos e emitindo alertas para essas regiões.
Fonte: Governo MT – MT
MATO GROSSO
Procuradora do MPMT media debate sobre mulheres indígenas
A procuradora de Justiça do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) e coordenadora do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (CAOVD), Elisamara Sigles Vodonós Portela, mediou o painel “Medidas Protetivas de Urgência e Especificidades em Relação a Mulheres Indígenas”, realizado durante o Ciclo de Diálogos da Lei Maria da Penha, promovido pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), na sexta-feira (14).Ao longo das apresentações, a procuradora conduziu o debate articulando os temas abordados pelas palestrantes e destacando os desafios enfrentados pelas mulheres indígenas no acesso à proteção estatal e à justiça.Na abertura do painel, a procuradora de Justiça contextualizou a discussão com dados recentes sobre a realidade dos povos indígenas no Brasil. Citando relatório divulgado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) em 2025 que registrou 258 assassinatos de indígenas no país, sendo 194 homens e 64 mulheres. O levantamento também apontou 25 casos de violência sexual, dos quais 20 foram classificados como estupro de vulnerável, além de 215 suicídios indígenas, sendo 151 homens e 64 mulheres.A procuradora chamou atenção ainda para outro dado considerado alarmante: a morte de 1.024 crianças indígenas com menos de quatro anos de idade, sendo 586 casos por causas evitáveis.”Quem for começar um trabalho com os povos indígenas vai se deparar com outras temáticas além da violência contra a mulher. Tivemos 1.024 mortes de crianças indígenas com menos de quatro anos em 2025. Mato Grosso não teve nenhuma mulher indígena assassinada, mas tivemos dois suicídios”, afirmou.Ao apresentar o tema, a procuradora de Justiça destacou que a violência contra mulheres indígenas está inserida em um contexto mais amplo de vulnerabilidades sociais. “Temos que olhar para as mulheres e para as meninas, mas também para o homem indígena; isso é crucial”, destacou.A primeira palestra foi ministrada por Daniele Moreira Brasileiro, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), que abordou a relação entre proteção territorial e proteção das mulheres indígenas, além dos impactos do racismo institucional no atendimento às vítimas.Após a exposição, a procuradora ressaltou ainda que a Resolução nº 230/2021 do CNMP recomenda que os membros do Ministério Público realizem visitas contínuas aos territórios indígenas para estabelecer diálogo com as lideranças e compreender a realidade local. “Precisamos tirar as mulheres e meninas dessa invisibilidade. Mato Grosso tem 43 etnias e mais de 40 línguas diferentes”, acrescentou.Em seguida, Jaqueline Arandurá, da Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (Anmiga), apresentou dados sobre violência contra mulheres indígenas, dificuldades de acesso às instituições públicas e o conceito de etnofeminicídio. A palestrante relatou, por exemplo, casos em que mulheres precisam percorrer longas distâncias para denunciar agressões e destacou a carência de atendimento em línguas indígenas.Segundo a procuradora, é fundamental que os estados aprimorem seus sistemas de registro para identificar corretamente as vítimas indígenas. Ela defendeu que os boletins de ocorrência contenham informações sobre autodeclaração indígena e idioma falado, além da utilização de tradutores e peritos antropológicos, conforme previsto em resoluções do Conselho Nacional de Justiça.Na terceira exposição do painel, Eliamara Terena e Niaru Patachó, representantes do Ministério dos Povos Indígenas, apresentaram iniciativas voltadas à construção de políticas públicas para mulheres e meninas indígenas, além dos desafios enfrentados pelas comunidades em razão do preconceito e da exclusão social.Ao comentar a apresentação, Elisamara lembrou a necessidade de observância das especificidades culturais dos povos indígenas na atuação do sistema de justiça e das forças de segurança. “Não é demais lembrar a Súmula 140 do STJ, que diz que é competência da Justiça Estadual situações que envolvam vítimas ou agressores indígenas”, ressaltou.A procuradora observou ainda que há resistência de órgãos estatais para atuar em algumas áreas indígenas e destacou a necessidade de respeito às tradições e práticas culturais desses povos. “São barreiras culturais que são estranhas a nós. Como você vai exigir um exame de corpo de delito em uma situação cultural que tem que ser respeitada pela Convenção 169 da OIT?”, questionou.Encerrando o painel, Elisamara Portela destacou perspectivas de avanço na proteção das mulheres indígenas, especialmente diante da tramitação do Projeto de Lei nº 4.381/2023, conhecido como Lei Guerreiras da Ancestralidade, que prevê medidas protetivas específicas para essa população.A procuradora também anunciou que o Ministério Público de Mato Grosso instituiu, em abril deste ano, um procedimento interno para realizar um diagnóstico estadual e construir fluxos de atendimento voltados às mulheres indígenas.
Fonte: Ministério Público MT – MT



