MATO GROSSO
Judiciário de MT realiza terceiro encontro de curso pioneiro em Justiça Restaurativa
MATO GROSSO

A iniciativa é promovida em parceria pelo Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (NugJur-TJMT), pela Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT) e pela Escola dos Servidores do Poder Judiciário. A coordenação é da desembargadora Clarice Claudino da Silva, presidente do NugJur, e do juiz Túlio Duailibi Alves Souza, coordenador do Núcleo.
Sob a condução da pedagoga e especialista em Neurociência e Comportamento, Katiane Boschetti da Silveira, o curso apresenta metodologias práticas e reflexivas sobre os processos restaurativos. Ela explica que a formação é organizada em três etapas principais: pré-círculo, círculo e pós-círculo.
“No pré-círculo, abordamos a participação do ofensor: a admissão, o reconhecimento e a autoria. A partir da postura do autor, surgem novas possibilidades de condução”, detalhou. Nesta semana, o foco foi no círculo, e no próximo encontro será trabalhado o pós-círculo.
Segundo Katiane, “o círculo é uma das metodologias da Justiça Restaurativa, uma oportunidade de as pessoas conversarem de forma estruturada em um espaço seguro. Trata-se de um procedimento restaurativo que nasce de um fato concreto, exigindo adaptação e desenvolvimento de habilidades para promover compreensão e reconexão entre os envolvidos”.
Além da abordagem da facilitadora, os participantes também realizaram atividades em grupo. O Grupo 1 apresentou um resgate histórico da justiça criminal, mostrando sua evolução desde a filosofia grega e a teoria retributiva, que defendia a punição como forma de compensação do dano e de sensação de justiça para a vítima. O estudo destacou que, ao longo dos séculos, a lógica punitiva resultou na criação das prisões e da ideia de privação de liberdade, especialmente a partir do século XIX e XX, trazendo como consequência isolamento, humilhação e pouca ou nenhuma oportunidade de reflexão e mudança para os ofensores.
O grupo ressaltou ainda que esse modelo deixou sequelas sociais, como a manutenção de desigualdades, a estigmatização dos egressos do sistema penal e o afastamento das vítimas do processo de reparação. Autores contemporâneos passaram a criticar esse enfoque exclusivamente punitivo, defendendo práticas que incluam a escuta das vítimas e o reconhecimento das necessidades de todos os envolvidos, pilares que abriram caminho para a Justiça Restaurativa.
Nesse contexto, a Justiça Restaurativa foi destacada como uma alternativa inovadora, baseada na dignidade da pessoa humana, na reconstrução de vínculos e na não violência ativa, entendida não como fraqueza, mas como uma escolha consciente de empatia e coragem para interromper ciclos de violência. Os participantes enfatizaram que essa abordagem deve ser vista como prática cotidiana de convivência social, rompendo padrões históricos de racismo, exclusão e desigualdade.
Foram citadas ainda diretrizes internacionais, como a Resolução 2002/12 do Conselho Econômico e Social da ONU, que orienta a aplicação da Justiça Restaurativa na justiça criminal. O documento reforça princípios como a centralidade da vítima, a responsabilização ativa do ofensor, a flexibilidade cultural e a garantia da segurança de todas as partes. Também foi mencionada a ADPF 347, que propõe, entre outras medidas, a implantação e qualificação de Núcleos de Justiça Restaurativa nos tribunais brasileiros, além de projetos voltados à audiência de custódia e a acordos penais.
O Módulo 1 do curso conta com cinco encontros virtuais, sempre às quartas-feiras, das 8h às 12h, nas datas de 6, 13, 20 e 27 de agosto, e 3 de setembro. Já o Módulo 2 ocorrerá de forma presencial entre os dias 8 e 12 de setembro, em período integral. O Módulo 3 terá quatro encontros on-line, de setembro a dezembro, e o Módulo 4 corresponde ao estágio supervisionado, com a prática de círculos de paz complexos em encontros presenciais.
Com carga horária de 100 horas-aula, a formação utiliza metodologias ativas e vivenciais, incentivando a prática, a compreensão teórica e a aplicação de técnicas restaurativas em diferentes contextos. Entre os temas abordados estão o papel do instrutor, a aplicação de círculos de paz em conflitos complexos, a construção de consensos e a vivência prática dos métodos.
Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones (65) 3617-3844 e (65) 99943-1576.
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Autor: Flávia Borges
Fotografo:
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
MATO GROSSO
Procurador de Justiça participa do 12º Encontro Indígena Intercultural
O procurador de Justiça José Antônio Borges Pereira participou, na manhã desta quinta-feira (23), da abertura do 12º Encontro Indígena Intercultural, realizado no Museu de História Natural de Mato Grosso (MHNMT), em Cuiabá. O titular da Procuradoria de Justiça Especializada na Defesa da Cidadania, Consumidor, Direitos Humanos, Minorias, Segurança Alimentar e Estado Laico representou o procurador-geral de Justiça Rodrigo Fonseca Costa no evento.Com o tema “O futuro é ancestral, o encontro tem como objetivo promover a discussão, sensibilização e valorização dos saberes ancestrais, além de evidenciar a diversidade das culturas indígenas de Mato Grosso. A iniciativa reúne professores, estudantes, lideranças e representantes de diferentes etnias em um espaço de escuta, diálogo intercultural e troca de conhecimentos.Durante a abertura, o procurador de Justiça destacou a importância da atuação na defesa dos direitos dos povos indígenas e do respeito à diversidade. Ressaltou ainda que o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) mantém o compromisso institucional com a proteção dos direitos humanos, a garantia dos territórios tradicionais e o fortalecimento das políticas públicas voltadas às populações originárias.A 12ª edição do Encontro Intercultural Indígena deve reunir mais de 2 mil pessoas e transformar, ao longo de dois dias, o Museu de História Natural de Mato Grosso em um espaço de troca de saberes e experiências. O evento reúne representantes das etnias Iny Karajá, Bóe Bororo, Xavante, Balatiponé-Umutina e Kurã Bakairi em uma programação diversificada, que inclui rodas de conversa, oficinas, apresentações de danças e músicas tradicionais, cantos de acolhida, narrativas de mitos de origem e outras práticas culturais.A iniciativa dialoga com a Lei Federal nº 11.645/2008, que tornou obrigatório o ensino da história e da cultura indígena e afro-brasileira na educação básica, além da Resolução nº 04/2019 do Conselho Estadual de Educação, que orienta a Educação Escolar Indígena em Mato Grosso a partir dos princípios da diferença, especificidade, bilinguismo, multilinguismo e interculturalidade. O evento é promovido pelo Instituto Ecossistemas e Populações Tradicionais (ECOSS), cogestor do MHNMT, em parceria com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) e a Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT). (Com informações da Seduc-MT e da Secel-MT)Foto: Dacio Carvalho | Seduc-MT
Fonte: Ministério Público MT – MT
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