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Mais capacitação: juízes substitutos iniciam curso de formação na Escola da Magistratura

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Começou nesta segunda-feira (31) o Curso Oficial de Formação Inicial (Cofi), promovido pela Escola da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT) para os 25 juízes substitutos e juízas substitutas que tomaram posse na semana passada. A presidente do Tribunal de Justiça (TJMT), desembargadora Clarice Claudino da Silva participou da abertura da capacitação, que terá duração de quatro meses, na Esmagis, em Cuiabá.
 
Aos novos magistrados e novas magistradas, a presidente iniciou sua uma mensagem destacando os sentimentos de gratidão e de pertencimento. “Minha mensagem é de gratidão, que é a energia mais poderosa que tem a agregar e conectar com outras esferas, que possam nos auxiliar e fortalecer. O que vocês vão passar a vivenciar daqui pra frente é uma fase da qual depende todo um patamar que já foi construído na vida de vocês e é preciso que nós reconheçamos e sejamos gratos, inclusive pelas dificuldades, porque foram os desafios que os fizeram fortes, que os fizeram determinados, perseverantes. Cada um de vocês hoje deve celebrar esse merecimento, o pertencimento a uma magistratura unida, uma magistratura que quer crescer, que tem se dedicado. E se despertem também a uma outra vertente da magistratura que vocês não aprenderam nos livros, mas que aqui vão se dedicar por alguns meses”, disse.
 
Clarice Claudino também focou seu discurso na importância de o juiz saber ser gestor, além de julgador. “Os senhores e senhoras daqui pra frente serão gestores da sua unidade. É preciso aprender porque nós não aprendemos isso na faculdade de Direito, não aprendemos num curso preparatório para ingresso via concurso, mas vai ser um fator determinante para canalizar bem o conhecimento que cada um já traz sedimentado em seu cabedal de saberes. O gestor da unidade é o maestro que vai dar o tom, que vai dar o formato e o caminho para sua equipe. Então procurem observar muito bem porque o planejamento de uma unidade judiciária passa necessariamente por conhecer o máximo possível de atos de gestão”, exortou a chefe do Poder Judiciário estadual.
 
A diretora-geral da Esmagis-MT, desembargadora Helena Maria Bezerra Ramos, também deu as boas-vindas aos novos juízes substitutos e novas juízas substitutas enaltecendo o valor dos estudos, convidando os (as) alunos (as) a se dedicarem ao Cofi da mesma maneira que se empenharam para o ingresso na magistratura. “Ser juiz é estar sempre atualizado, ter pensamento contemporâneo, sem se esquecer do passado. E nesses quesitos, a Escola é primordial para auxiliá-los. A capacitação será a oportunidade de conhecer a fundo a estrutura do Poder Judiciário de Mato Grosso, com as vivências práticas, narradas principalmente por aqueles que mais conhecem a realidade das comarcas”, destacou.
 
A magistrada reforçou ainda que o Curso Oficial conta com os melhores conteúdos e melhores formadores (magistrados, promotores, advogados, catedráticos e demais profissionais). “Aproveitem ao máximo o que lhes for entregue de conhecimento. Não vamos ensinar Direito aqui. Leis e jurisprudências os senhores já conhecem, ou não estariam sentados nessas cadeiras. Vamos ensinar a difícil arte de ser juiz”, afirmou.
 
Ainda nas boas-vindas ao curso, os juízes auxiliares da Presidência, Viviane Brito Rebello e Tulio Duailibi Alves Souza deixaram suas mensagens, compartilharam experiências vividas no início da carreira e abordaram a importância da produtividade, mas ao mesmo tempo, de conhecer os próprios limites, ter autocuidado e saber dialogar e se aproximar da comunidade onde o juiz está inserido.
 
Para o juiz substituto Fabrício Savazzi Bertoncini, a expectativa para os quatro meses de preparação para assumir uma unidade judiciária é alta. “Depois de sermos muito bem recebidos pela presidente deste egrégio Tribunal de Justiça aqui na Esmagis, a perspectiva e expectativa é a melhor possível. Estamos sedentos de tantos conhecimentos que receberemos de magistrados, desembargadores, advogados, promotores, da própria imprensa para termos mais conhecimento acerca da realidade do estado, do que enfrentaremos no nosso dia-a-dia”, afirma.
 
Segundo Bertoncini, o que mais se pôde apreender até o momento foi a importância de o juiz saber também ser um gestor. “Já temos uma mínima impressão de que a complexidade vem também do gerenciamento administrativo, de pessoas. E por isso essa importância do curso que a Esmagis nos oferece. Para além de analisarmos as leis, as jurisprudências, o caso concreto, temos também que ter a dimensão macro a respeito de um gerenciamento total, que vai além do processo. Aqui aprenderemos como gerenciar um fórum, como lidar com os funcionários e principalmente o contato com a sociedade onde estaremos instalados. É um marco dessa atual administração nos aproximar o quanto mais da sociedade para que se quebre esse distanciamento que ainda há por parte da sociedade em relação ao Judiciário”, avalia.
 
Evolução – Conforme destacado por magistrados experientes e pela própria presidente do TJMT, o Curso Oficial de Formação Inicial representa um avanço na magistratura, uma vez que, anos atrás, assim que tomava posse, o juiz substituto já era designado para assumir uma unidade judiciária e acumulava o trabalho com a formação.
 
Agora, eles passam quatro meses participando da capacitação oferecida pela Esmagis-MT, que compreende tanto conteúdo da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam), quanto elaborado pela coordenação local, abrangendo quesitos sobre, por exemplo, como conduzir uma audiência, principalmente em casos sensíveis, como violência doméstica. Eles ainda acompanharão as rotinas de trabalho nos fóruns de Cuiabá e de Várzea Grande. Somente ao final do curso é que todos serão designados para varas únicas no interior do estado.
 
“Com base na experiência de turmas passadas, nós resolvemos não colocá-los direto na jurisdição cumulativamente com o curso preparatório porque vimos que havia ali algum assoberbamento e isso tirava um pouco o foco dos magistrados em relação ao curso preparatório, que na verdade é o mais importante neste momento. Então foi feita essa modificação. Eles vão ter contato com essa prática, mas não estarão vinculados a nenhuma unidade judiciária para que eles possam então ter dedicação exclusiva às aulas e ao material que vai ser passado para eles. E cumulativamente, sem jurisdição, eles vão ter também momentos de prática nos despachos, sentenças, vão acompanhar todo o trabalho de um juiz na prática, mas fazendo parte deste curso, sem assoberbá-los com a responsabilidade de já começar a julgar”, explica a presidente Clarice Claudino da Silva.
 
Abertura – Ainda neste primeiro dia do Cofi, integram a programação a vice-presidente do TJMT, desembargadora Maria Erotides Kneip, o corregedor-geral da Justiça, desembargador Juvenal Pereira da Silva, e seus respectivos juízes auxiliares. Os juízes Eduardo Calmon e Antônio Peleja, da Esmagis-MT, também terão seus primeiros contatos com os alunos.
 
#Paratodosverem. Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Foto 1: Presidente do TJMT, desembargadora Clarice Claudino, fala ao microfone no púlpito de acrílico da Esmagis. Ela é uma senhora branca, de cabelos curtos, loiros e lisos, usando vestido na cor marsala, terno braço, brincos de pérolos e colar colar com pedrinhas coloridas. Ao lado dela está um banner com a logomarca da Esmagis-MT, representada pela deusa Themis emoldurada por um brasão e louros dourados. Foto 2: Desembargadora Helena Maria Ramos fala ao microfone no púlpito de acrílico da Esmagis. Ela é uma senhora branca, de cabelos escuros, lisos e na altura dos ombros, usando roupa de couro na cor mostarda, colar dourado e óculos de grau. Ao lado dela, está um banner com a logomarca da Esmagis-MT, representada pela deusa Themis emoldurada por um brasão e louros dourados. Foto 3: Juízes auxiliares da Presidência Viviane Rebello e Tulio Duailibi em pé, segurando microfones, em frente à turma na sala de aula da Esmagis. Ele está falando ao microfone, enquanto ela olha para o colega sorrindo. A juíza está usando saia preta plissada e florida e blusa rosé. O juiz está usando camisa branca gravata na cor marsala e terno azul marinho. Foto 4: Magistrados sentados nas carteiras e olhando fixamente para a frente, prestando atenção na apresentação. Na primeira fila, está a desembargadora Helena Maria Ramos.
 
Celly Silva
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Especialista destaca papel da leitura na ressocialização: “Uma biblioteca precisa ter vida”

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Foto horizontal que mostra um carrinho cheio de livros, em primeiro plano. Em segundo plano, desfocado, aparece a sala de aula com mulheres privadas de liberdade sentadas nas carteiras. A formação de acervos bibliográficos adequados à realidade das pessoas privadas de liberdade e o trabalho desenvolvido pelos profissionais da educação foram apontados como fatores essenciais no fortalecimento dos projetos de remição de pena pela leitura durante a III Capacitação – Práticas de Leitura no Sistema Prisional e Remição de Pena, realizada nesta terça-feira (2) pelo Poder Judiciário Estadual, em formato virtual. O evento prossegue nesta quarta-feira (3).

Promovido pelo Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF) do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), pela Coordenadoria de Educação de Jovens e Adultos (Coeja/Secretaria de Estado de Educação) e pelo Núcleo de Educação no Sistema Penitenciário (NESP/SAAP/Secretaria de Estado de Justiça), o evento reuniu profissionais que atuam nas unidades prisionais de Mato Grosso para debater estratégias de ampliação do acesso à leitura e à educação no cárcere.

Durante a palestra “A Importância da Formação de Coleções de Livros na Unidade Prisional Para a Remição pela Leitura”, a bibliotecária e chefe da Biblioteca Central da Secretaria de Administração Penitenciária do Amazonas, Andrea Oliveira Melo, destacou que uma biblioteca prisional deve ser planejada a partir das necessidades do público atendido e não apenas como um espaço destinado ao armazenamento de livros.

Com experiência na área desde 2012, a especialista ressaltou que a construção de um acervo eficiente exige planejamento, seleção criteriosa e atualização constante das obras disponibilizadas.

“A formação de coleções é fruto de um processo de planejamento. Precisamos decidir o que fará parte daquele acervo e compreender que uma biblioteca não é apenas um local com estantes e livros. Para ser uma biblioteca viva, ela precisa ser utilizada e ter foco nas pessoas que atende. Isso envolve seleção, qualificação, validação e até mesmo a retirada de materiais que já não atendem às necessidades daquele público”, explicou.

A palestrante lembrou que a Lei de Execução Penal determina que todas as unidades prisionais devem possuir biblioteca para atender as pessoas privadas de liberdade e destacou que o acesso ao livro representa uma importante ferramenta de inclusão e reinserção social.

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“O livro serve para aproximar a pessoa novamente da sociedade. Quando lemos, vivenciamos histórias, ampliamos horizontes e construímos novos conhecimentos. Por isso, precisamos compreender as particularidades da população prisional, que muitas vezes teve acesso limitado à educação e aos bens culturais ao longo da vida”, afirmou.

Andrea também chamou a atenção para os desafios enfrentados no Amazonas em razão das grandes distâncias geográficas e das condições de acesso às unidades prisionais. Segundo ela, apesar das dificuldades, o objetivo permanece o mesmo: garantir que a leitura alcance todos os custodiados, independentemente de estarem matriculados em atividades escolares formais.

Ao apresentar os resultados alcançados pelo sistema prisional do Amazonas, Andrea Oliveira Melo destacou que os projetos de remição pela leitura já beneficiaram 3.974 pessoas privadas de liberdade, conforme dados atualizados até maio de 2026.

A especialista também alertou para a importância da seleção adequada dos materiais disponibilizados aos leitores, especialmente no caso de obras técnicas, que exigem acompanhamento criterioso para garantir que atendam aos objetivos educacionais e de ressocialização previstos nos projetos de leitura.

Durante a palestra, Andrea compartilhou experiências exitosas desenvolvidas nas unidades prisionais do Amazonas, entre elas iniciativas de incentivo à leitura, campanhas de arrecadação de livros e parcerias institucionais voltadas ao fortalecimento dos acervos bibliográficos.

Outro exemplo apresentado foi a parceria com a Universidade Federal do Amazonas (Ufam), por meio de um projeto de extensão que teve início no Centro de Detenção Feminino e atualmente também é desenvolvido em unidade masculina.

“Hoje contamos com cerca de 15 estudantes envolvidos. O mais interessante é que, além de trabalharmos a reescrita e a produção textual, todos os livros utilizados nas atividades são posteriormente doados para as bibliotecas prisionais, contribuindo para ampliar os acervos disponíveis”, explicou.

Ao encerrar sua participação, a bibliotecária compartilhou uma reflexão que, segundo ela, traduz o significado da leitura dentro do sistema prisional:

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“Podem aprisionar meu corpo, mas enquanto houver um livro, minha mente será livre.”

Sobre a mesa, um caderno aberto com anotações manuscritas é preenchido com atenção por uma pessoa. Ao lado, livros empilhados, incluindo obra de Clarice Lispector, indicam estudo e reflexão em ambiente de leitura orientada.Papel dos pedagogos

A programação contou ainda com a apresentação da professora Maísa Miranda, servidora da Coordenadoria de Educação de Jovens e Adultos da Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso e responsável pela educação prisional no estado, que detalhou as atribuições dos profissionais da educação envolvidos nos projetos de remição pela leitura.

Segundo ela, os pedagogos exercem papel estratégico na organização das atividades e no acompanhamento dos participantes, especialmente nas unidades em que não há coordenador pedagógico ou integrador curricular.

“Os profissionais atuam na mediação das atividades de remição pela leitura, promovem oficinas, orientam os participantes na elaboração dos relatórios de leitura e auxiliam em diversos processos educacionais dentro das unidades prisionais”, explicou.

Maísa destacou ainda que, diante da inexistência de um sistema informatizado para controle dos acervos, os pedagogos também desempenham funções relacionadas à gestão dos livros e ao acompanhamento dos estudantes privados de liberdade.

Entre as atribuições estão a organização dos empréstimos, o incentivo às práticas de leitura, o apoio aos processos de matrícula e a articulação com as escolas de referência para atualização de informações sobre transferências e alvarás de soltura.

“O sucesso do projeto depende do engajamento dos docentes e também da comissão de validação. É um trabalho construído em parceria, sempre com o objetivo de garantir oportunidades de aprendizagem e contribuir para a reinserção social das pessoas privadas de liberdade”, concluiu.

Coordenada pelo juiz auxiliar do GMF/TJMT, Pierro de Faria Mendes, a capacitação integra as ações desenvolvidas pelo Poder Judiciário e instituições parceiras para fortalecer a política de educação prisional e ampliar o acesso à remição de pena pela leitura em Mato Grosso.

Autor: Patrícia Neves

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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