MATO GROSSO
Mostra de Dança de MT encerra com apresentações de clássico de Natal
MATO GROSSO
Depois do sucesso dos espetáculos de companhias, grupos e escolas de várias regiões de Mato Grosso, chegou o momento de encerramento das atividades, com a apresentação do Ballet “O Quebra-Nozes”, de Piotr Ilitch Tchaikovski.
O público terá três oportunidades para conferir o espetáculo. Nesta sexta-feira (16.12) e sábado (17.12), as apresentações serão no Teatro Zulmira Canavarros, às 19h30. Para dar suporte a famílias em situação de vulnerabilidade neste Natal, a entrada é solidária: 2 kg de alimento não-perecível. A plateia pode se adiantar e fazer a troca por ingresso na sede do grupo, que fica no Goiabeiras Shopping.
E é no Goiabeiras Shopping onde ocorre a última apresentação da Suíte. Será no domingo (18.12), às 20h, na Praça Cultural, que fica no 1º piso do Mall.
Neste caso, os bailarinos serão totalmente integrados à decoração oficial do Shopping para este Natal, inspirada pelo “O Quebra Nozes”. Assinando a coordenação e adaptação coreográfica do espetáculo, Maria Hercilia Panosso comemorou.
“Ganhamos um cenário especial para a apresentação de uma das peças mais importantes de nosso repertório. Importante ressaltar que escolhemos o Goiabeiras como ‘nossa casa’. A diretoria é muito sensível às artes e às diversas manifestações tradicionais de nosso Estado, especialmente, à dança. É uma parceria essencial”.
Compõem o espetáculo, alunas da Escola do Grupo Caroline, Projeto Dança – Uma oportunidade de aprendizado, Escola Cantinho de Mãe e profissionais de Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis, Primavera do Leste, Poxoréu e convidados especiais de São Paulo.
O diretor e produtor do espetáculo, Kelson Panosso, destaca que dada a ocasião singular, a data escolhida para a apresentação também merece destaque.
“A primeira apresentação de O Quebra Nozes ocorreu no dia 18 de dezembro de 1892, portanto, há 130 anos. Desse modo, Cuiabá estará ligada artisticamente a todas as outras incontáveis homenagens que se multiplicam pelo mundo todo neste ano. Foi um jeito especial que encontramos de desejar Feliz Natal”.
O projeto da 15ª edição da Mostra de Dança de Mato Grosso recebe incentivo do Governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT) e tem apoio da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, Teatro do Cerrado Zulmira Canavarros e Goiabeiras Shopping.
O Quebra-Nozes

Criado por Piotr Ilitch Tchaikovski, o balé Quebra-Nozes foi baseado em um fragmento do conto de E. T. A. Hoffmann, conhecido como O Quebra-nozes e o Rei dos Camundongos, interpretado no idioma francês pelo autor Alexandre Dumas.
Levado aos palcos no dia 18 de dezembro de 1892, no Teatro Mariinsky, em São Petersburgo, na Rússia, a história se passa durante o Natal, quando Jans Stahlbaum, prefeito da cidade e também um respeitado médico, oferece aos amigos e familiares uma inesquecível festividade natalina.
Clara e Fritz, seus filhos, estão ansiosos pelos presentes que irão receber. O padrinho da menina, Drosselmeyer, chega um pouco atrasado, aumentando o suspense nas crianças. Ele distribui presentes para todos e reserva à afilhada uma dádiva especial, um quebra-nozes, que deixa a garota encantada. O boneco traja uniforme de soldado e chama a atenção de Fritz. O menino logo arrebata o brinquedo da irmã e, desajeitado, quebra-o, deixando Clara desolada.
Nem a neve, que confere um ar mágico a esta noite, é capaz de consolar a pequena. Mesmo assim, seu padrinho lhe garante que tudo será resolvido. A festa chega ao final e os convidados vão para suas casas. Clara vai dormir, mas subitamente é despertada pelo seu Quebra-Nozes, “encantado”, que adquiriu vida própria, porém eis que surge um rato imenso, “Rei dos Ratos”, amedrontando a menina, que é defendida corajosamente pelo brinquedo animado.
O Quebra-Nozes vira um príncipe, que parte com Clara para um reino encantado, viajando pelos País da Neve, representado por flocos que bailam com muita leveza.
Nesta magia, chegam à “Terra dos Doces”, sendo recepcionados pelo Rei, pela Fada Açucarada e seus discípulos: o Chocolate Quente da Espanha, o Café da Arábia, o Chá Chinês, as Russas, os Polichinelos, todos muito representativos, encerrando com a belíssima “Valsa das Flores”. Clara desperta e então se dá conta de que tudo foi um lindo sonho.
Fonte: GOV MT
MATO GROSSO
Quando um filho chama
Há um instante pequeno, quase invisível, em que a paternidade se revela: um filho chama, e o pai decide se continua o que estava fazendo ou olha para ele e o escuta. É uma cena comum, dessas que os adultos deixam passar. A criança pode guardá-la por muito tempo.
No Dia dos Pais, é natural celebrar afeto, cuidado e dedicação. A data também deixa uma pergunta incômoda: quando nossos filhos pensarem em nós anos depois, do que se lembrarão? Talvez esqueçam o que lhes demos. Dificilmente esquecerão como se sentiram ao nosso lado.
Quem trabalha na Justiça conhece as consequências de vínculos que se romperam ou nunca chegaram a se formar. Processos de reconhecimento de paternidade, pensão alimentícia e convivência familiar trazem histórias marcadas por espera, conflito e ausência. A lei pode reconhecer o vínculo, exigir sustento e proteger direitos. Nenhuma decisão judicial, porém, consegue fazer um pai parar e ouvir o filho com interesse.
Nos processos de família, os autos registram as versões dos adultos, mas a infância continua enquanto o caso é analisado. A rapidez importa. O tempo de uma criança não espera o andamento do processo. Um ano de demora pode atravessar uma etapa inteira de sua formação e transformar distância em costume.
Nenhum pai sabe tudo, embora muitos sintam que deveriam ter respostas para tudo. O filho precisa se aproximar sem achar que está incomodando quando o pai trabalha, usa o telefone ou está cansado. É preciso ouvi-lo antes de responder, perceber quando o silêncio esconde alguma coisa e reconhecer os próprios erros. Uma tarde comum pode ficar na memória por décadas porque o pai interrompeu o que fazia e permaneceu ali.
Muitos homens receberam pouco dos próprios pais e acabam repetindo a única forma de convivência que conheceram: disciplina sem ternura e afastamento. Esse passado ajuda a explicar a dificuldade, mas não precisa determinar o próximo gesto. Um pai pode pedir perdão, aproximar-se sem discurso e aprender, mesmo tarde, a demonstrar afeto.
Nenhum filho convive com um pai perfeito. Convive com um homem que trabalha, se cansa, erra e às vezes chega tarde à conversa necessária. Um pai pode morar longe e continuar presente. Há homens que não geraram uma criança, mas assumiram seu cuidado. Ao reconhecer a falha, o pai pode reconstruir a relação. A indiferença repetida ensina o filho a não esperar.
Toda criança tem direito a sustento, proteção e convivência. Há uma necessidade que nenhum processo consegue medir: saber que sua existência importa para alguém. Quando encontra essa certeza no pai, o filho ganha segurança para enfrentar a vida e tem condições de não repetir com os próprios filhos as ausências com que cresceu.
Muitos filhos esquecerão o presente dado ao pai neste domingo. Anos depois, uma conversa na cozinha ou a tarde em que o pai percebeu que havia algo errado poderá voltar à memória com nitidez inesperada. Ninguém planeja essas lembranças. Elas surgem enquanto a vida comum acontece: o telefone deixado sobre a mesa e uma conversa sem pressa.



