MATO GROSSO
Palestra ‘Coisa de Menino?’ discute construção social da masculinidade
MATO GROSSO
O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), realiza na próxima segunda-feira (03.12), das 09h às 11h (horário de MT), a palestra “Coisa de Menino: Uma conversa sobre masculinidade, misoginia e paternidade” com a psicanalista Maria Homem. O evento propõe reflexões sobre a construção social da identidade masculina e os papéis de gênero, alinhada aos valores democráticos e ao papel social do MP na defesa dos direitos humanos.A iniciativa é promovida pela Procuradoria de Justiça Especializada na Defesa da Cidadania, Consumidor, Direitos Humanos, Minorias, Segurança Alimentar e Estado Laico, em parceria com o Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) – Escola Institucional do MPMT. Nesta palestra, Maria Homem abordará a questão estrutural da misoginia na cultura brasileira, discutindo como a sociedade perpetua a violência e a discriminação contra as mulheres. A palestrante também apresentará uma análise crítica da construção da masculinidade e da feminilidade, e como isso impacta a vida das mulheres no Brasil.Com transmissão virtual pela Plataforma Microsoft Teams e pelo canal oficial do MPMT no YouTube, a palestra terá como debatedora a promotora de Justiça coordenadora do Núcleo das Promotorias de Enfrentamento da Violência Doméstica e Familiar, Claire Vogel Dutra.O evento tem como público-alvo membros(as), servidores(as), estagiários(as), residentes e colaboradores(as) do Ministério Público, além de público externo e estudantes. As vagas são ilimitadas e os participantes que obtiverem 75% de presença receberão certificado com carga horária de 2 horas/aula.“Mato Grosso é o Estado com mais feminicídios no Brasil, e é fundamental discutir e abordar a misoginia como uma questão estrutural. A palestra é uma oportunidade para refletir sobre as práticas e discursos que perpetuam a violência contra as mulheres”, destacou o procurador de Justiça titular da Especializada, José Antônio Borges Pereira.A palestrante – Maria Homem é psicanalista, professora e escritora, pós-graduada em Psicanálise e Estética pela Universidade de Paris VIII / Collège International de Philosophie e pela USP, pesquisadora do Núcleo Diversitas (USP) e professora da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP). É autora de obras de destaque como “Lupa da alma”, “Coisa de menina?” e “No limiar do silêncio e da letra” e atua na esfera pública com reflexões sobre o laço social, a política e questões contemporâneas, como gênero, sexualidade, vida digital e diversidade. Também é coautora do livro “Coisa de Menino: Uma conversa sobre masculinidade, misoginia e paternidade” ao lado de Contardo Calligaris (in memoriam)..
Fonte: Ministério Público MT – MT
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Júri condena filho de ex-deputado por feminicídio e homicídio
O Conselho de Sentença do Tribunal do Júri de Cuiabá condenou, nesta sexta-feira (31), Carlos Alberto Gomes Bezerra a 36 anos de reclusão pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio de Willian César Moreno. O julgamento foi realizado no Fórum da Capital e presidido pela juíza Mônica Catarina Perri Siqueira. Pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), atuou no plenário o promotor de Justiça Vinícius Gahyva.Os crimes ocorreram em janeiro de 2023, no bairro Consil, em Cuiabá. Conforme sustentado pelo Ministério Público, o acusado agiu de forma premeditada e motivado pela inconformidade com o término do relacionamento com Thays Machado.O Conselho de Sentença acolheu integralmente o entendimento do Ministério Público e reconheceu todas as qualificadoras imputadas ao réu. No homicídio de Willian César Moreno, os jurados acolheram as qualificadoras de motivo torpe, emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. Já em relação ao feminicídio de Thays Machado, foram reconhecidas as qualificadoras de motivo torpe, emprego de meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio praticado em contexto de violência doméstica e de gênero.A acusação destacou que o réu monitorava a rotina da vítima, realizava vigilância constante de seus deslocamentos e conhecia detalhadamente seus hábitos, circunstâncias comprovadas por documentos, anotações e materiais apreendidos durante as investigações.Durante os debates, o promotor de Justiça Vinícius Gahyva sustentou que o conjunto probatório revelou um histórico de controle, perseguição e não aceitação do término do relacionamento por parte do acusado. Para o Ministério Público, o feminicídio ocorreu em contexto de violência doméstica e de gênero e foi precedido por uma crescente escalada de monitoramento da rotina da vítima.“Trata-se da personalidade de alguém possessivo, que possui ciúme exacerbado, que enxerga a mulher não como aquela pessoa com quem gostaria de constituir um casal, mas como um objeto. E, evidentemente, como ocorre com toda posse, quando ela é retirada de quem a considera sua propriedade, a reação é violenta, através da repreensão. Foi o que ele fez quando matou duas pessoas”, afirmou o promotor de Justiça Vinícius Gahyva.Conforme sustentado em plenário pelo promotor de Justiça, as investigações demonstraram que o acusado acompanhava a rotina da vítima, mantinha registros de seus deslocamentos e realizava vigilância constante de locais frequentados por ela, circunstâncias que reforçam as qualificadoras apontadas na denúncia.O promotor de Justiça também destacou que foram identificados 914 registros de chamadas entre o acusado e a vítima entre o fim de dezembro de 2022 e a data do crime, além de elementos que evidenciariam vigilância e controle sobre a vida de Thays Machado.Conforme apresentado pelo Ministério Público, todos os disparos que atingiram Thays ocorreram pelas costas, reforçando a tese de que as vítimas não tiveram qualquer possibilidade de defesa.Após a decisão do Conselho de Sentença, a juíza Mônica Catarina Perri Siqueira fixou a pena de 36 anos de reclusão para Carlos Alberto Gomes Bezerra. O réu permanecerá preso para cumprimento da condenação, nos termos definidos na sentença.
Fonte: Ministério Público MT – MT


