MATO GROSSO
Produtora rural de Vera celebra conquistas na produção com apoio do Governo do Estado
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No campo, ela planta alimentos, cultiva sonhos e colhe dignidade. Mãe de dois filhos e produtora rural no município de Vera, no norte de Mato Grosso, a 462 km de Cuiabá, Elisandra Vedovatto Hahn, representa mulheres que fazem do cultivo da terra um ato de amor, resistência e esperança. Neste Dia das Mães, sua história ganha destaque como símbolo do impacto positivo das políticas públicas voltadas à agricultura familiar.
Desde 2020, Elisandra e a família estão à frente de uma pequena propriedade onde cultivam banana e outras culturas com o apoio técnico da Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf) e da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer). Atualmente, a família cultiva 9 hectares com diferentes frutas, como banana, maracujá, mamão, abacate entre outras. Por ano, são produzidas cerca de 100 toneladas de frutas — sendo 60 toneladas de banana e 40 toneladas das demais culturas.
“Eu me considero uma mãe da terra. A gente cuida da lavoura como cuidamos dos filhos: com atenção, paciência e esperança. Meus filhos estão crescendo nesse ambiente de trabalho, aprendendo o valor do esforço e da natureza. E nossos colaboradores que estão com a gente no dia a dia, são parte dessa família também. Cada um tem seu papel na construção desse sonho,” contou Elisandra.
Com planejamento técnico, capacitações e incentivos do Governo do Estado, a propriedade deu um salto de produtividade.
“Recebemos assistência desde o começo. A equipe da Empaer nos ajudou a planejar a produção e organizar os projetos. Da Seaf, recebemos três mil mudas de banana há um ano e meio, e hoje já estamos colhendo. Recentemente, recebemos mais duas mil mudas, que vão aumentar ainda mais a nossa produtividade. Para quem está começando, esse apoio é essencial. Dá confiança, ensina o manejo correto e nos permite colocar um produto de qualidade no mercado, de forma justa e sustentável, ” explicou a produtora.
O governador Mauro Mendes destacou a importância de ações que valorizam a mulher no campo.
“As mães agricultoras são exemplo de força e dedicação. O Governo de Mato Grosso tem investido de forma consistente na agricultura familiar porque acredita que esse setor tem um papel fundamental na segurança alimentar, na geração de renda e no desenvolvimento das comunidades. E quando essas ações chegam até mulheres guerreiras como a Elisandra, temos a certeza de que estamos no caminho certo,” afirmou.
O vice-governador Otaviano Pivetta reforçou o papel da mulher na transformação do campo.“A mulher tem assumido cada vez mais um papel central na produção agrícola, e o nosso trabalho é garantir que essas mães agricultoras tenham as ferramentas e o apoio necessários para prosperar. São iniciativas como essa que ajudam a transformar vidas no campo,” ressaltou.
Para a secretária de Agricultura Familiar, Andreia Fujioka, a história de Elisandra mostra que políticas públicas eficazes geram impacto direto na vida das famílias.
“A Seaf trabalha para atender cada produtora com planejamento, entrega de insumos, capacitação e acesso ao mercado. Queremos que mais mulheres tenham as condições necessárias para realizar seus projetos com autonomia e dignidade, ” destacou.
Já o presidente da Empaer, Suelme Fernandes, lembrou que a presença técnica contínua é decisiva no campo.
“A Empaer caminha ao lado do produtor desde o início. Histórias como a da Elisandra mostram que a assistência técnica, aliada ao apoio institucional, muda realidades. Estamos aqui para orientar, capacitar e fortalecer cada passo do agricultor familiar, ” completou.
Em Mato Grosso, cerca de 70% dos alimentos consumidos pela população são produzidos pela agricultura familiar. Segundo a Empaer, ao menos 104 mil famílias atuam nesse setor no estado. Dentre elas, estima-se que 20% são lideradas por mulheres. Neste Dia das Mães, o Governo do Estado homenageia todas as mulheres que, como Elisandra, são mães da terra, cuidadoras da vida, do alimento e do futuro.
Fonte: Governo MT – MT
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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.
Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.
Já estava escrito
“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.
Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.
“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.
A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.
Legado construído com exemplo
Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.
Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.
Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.
Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.
Apoio incondicional
Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.
Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.
Adoção
Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.
Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.
Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.
Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.



