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Sesp realiza curso de multiplicador de Polícia Comunitária para servidores de MT e mais cinco estados

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A Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) deu início, nesta segunda-feira (14.10), à segunda edição do Curso Nacional de Polícia Comunitária Aplicada – Nível Multiplicador –, em Cuiabá. A cerimônia de abertura ocorreu no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MT), no Centro Político Administrativo.

Promovido pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), o curso tem como objetivo formar instrutores para atuar na multiplicação da filosofia de polícia comunitária.

A formação, que tem 80 horas-aula divididas em atividades teóricas e práticas, irá proporcionar aos servidores o desenvolvimento de habilidades voltadas à identificação, análise, execução e avaliação de atividades policiais dentro da filosofia e estratégia de polícia comunitária, com especial atenção a grupos e territórios em situação de vulnerabilidade.

Ao todo, 40 alunos, incluindo policiais militares, civis e guardas municipais dos estados de Mato Grosso, Roraima, Acre, Tocantins, Goiás e Mato Grosso do Sul, participam da qualificação realizada nas instalações da Escola Superior de Formação e Aperfeiçoamento de Praças da Polícia Militar do Mato Grosso, no período de 14 a 25 de outubro.

O secretário de Estado de Segurança Pública, coronel PM César Roveri, ressaltou a importância das parcerias com os conselhos de segurança e a integração entre as forças de segurança dos estados.

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Segundo ele, essas colaborações têm sido essenciais para o avanço de projetos que fortalecem a segurança em Mato Grosso, como a construção de uma base integrada no Distrito de Guariba, em Colniza, fruto de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) ambiental com apoio da Federação dos Conselhos Comunitários de Segurança Pública (Feconseg) e do Conselho de Segurança de Colniza.

“A unidade de 400 metros quadrados pode abrigar até 60 pessoas e atende a região amazônica, com foco no combate a crimes ambientais, queimadas e entre outros. Esse é apenas um exemplo do que estamos realizando em Mato Grosso por meio das parcerias com os conselhos. A integração é extremamente importante e isso se reflete no curso e no trabalho que vocês desenvolvem, tanto aqui, quanto nos estados que nos visitam para participar desta formação”, destacou.

Ele também frisou a importância da doutrina de Polícia Comunitária, que visa um policiamento próximo à população, permitindo maior compreensão das necessidades e desafios de cada bairro, região ou cidade. “Aproveitem ao máximo os ensinamentos deste curso, que reforça a importância dessa aproximação com a sociedade”, completou.

A diretora do Sistema Único de Segurança Pública, Isabel Figueiredo, representante da Senasp, destacou a importância do policiamento comunitário como prioridade na segurança pública. Para a gestora, é essencial ir além do combate aos sintomas da criminalidade, abordando também as causas. “Trabalhar nas causas significa atuar na prevenção e promover uma relação de cidadania entre polícia e sociedade. O policiamento comunitário é uma ação fundamental que não pode sair da nossa agenda”, afirmou.

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O presidente da Federação dos Conselhos Comunitários de Segurança Pública (Feconseg), Danilo Moraes, destacou a parceria com a Sesp nas ações voltadas à segurança.

“O secretário nos deu liberdade e apoio para trabalhar, junto com as forças de Segurança Pública. Somos parceiros e atuamos de mãos dadas. A segurança pública é dever do Estado, mas também responsabilidade de todos, e a segurança é isso que temos feito em Mato Grosso. Resgatamos os ensinamentos da Senasp de anos atrás e trouxemos isso de volta à prática”, afirmou.

No curso, os alunos terão acesso aos seguintes conteúdos programáticos: fundamentos de polícia comunitária aplicada, comunicação e relacionamento comunitário, mobilização social e estruturação de redes, prevenção, mediação e resolução importação de conflitos, direitos humanos e diversidade étnica e sociocultural, inteligência e análise de dados no policiamento comunitário, técnicas policiais operacionais, planejamento de ações educativas, prática de polícia comunitária aplicada e estratégias de planejamento de policiais comunitários.

Fonte: Governo MT – MT

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Tese de promotora do MPMT analisa feminicídio e Estado

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A promotora de Justiça do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), Lindinalva Correia Rodrigues, teve sua tese de doutorado aprovada nesta sexta-feira (12), durante defesa pública realizada no auditório da Sede das Promotorias de Justiça, em Cuiabá. O trabalho, intitulado “Eles não param de matar: o feminicídio como exercício de soberania sobre o corpo feminino em face da ineficiência do Estado contemporâneo”, foi desenvolvido no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Cultura Contemporânea (ECCO), da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).O trabalho contou com apoio institucional do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) e da Fundação Escola Superior do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (FESMP-MT), que têm incentivado a produção de conhecimento voltado ao fortalecimento das políticas públicas e das práticas institucionais.A pesquisa, orientada pelo professor doutor Mário Cezar Silva Leite, foi avaliada por banca examinadora composta pelas professoras doutoras Patrícia Silva Osorio (PPGAS/PPGECCO/UFMT), Aline Wendpap Nunes Siqueira (PPGECCO/UFMT), Amini Haddad Campos (PPGD/UFMT) e Maria Cristina Theobaldo (PPGF/UFMT), que aprovaram a tese, reconhecendo sua relevância teórica, metodológica e social.Com mais de 21 anos de trajetória jurídica e acadêmica e tendo sido a primeira no Brasil a aplicar a Lei Maria da Penha, Lindinalva Correia Rodrigues constrói, em sua investigação, uma leitura crítica sobre a persistência do feminicídio no Brasil, apontando que o fenômeno transcende a categoria de crime comum. A tese sustenta que a violência letal contra mulheres constitui um mecanismo estruturado de poder, no qual o corpo feminino é submetido a uma lógica de dominação que opera, em grande medida, com a conivência e a ineficiência estatal.Durante a defesa, a doutoranda destacou a necessidade de transformação do sistema de justiça, afirmando que “para o enfrentamento ao feminicídio é necessária uma justiça sensível ao gênero”. A afirmação sintetiza a principal contribuição do estudo: a urgência de uma atuação institucional que reconheça as especificidades das violências de gênero e seja capaz de produzir respostas preventivas e protetivas mais eficazes.A tese articula um sólido referencial teórico, fundamentado nas categorias de “necropolítica”, de Achille Mbembe; “pedagogias da crueldade”, de Rita Segato; e “vida nua”, de Giorgio Agamben. A partir desses aportes, Lindinalva propõe a noção de um “Estado de Exceção de Gênero”, em que o espaço doméstico se transforma em território de suspensão da norma jurídica.Ao revisitar casos emblemáticos da história brasileira, como os de Ângela Diniz, Daniella Perez e Eliza Samudio, a tese identifica que a ineficiência estatal não deve ser compreendida como falha episódica, mas como um dispositivo estruturante.No caso de Eliza Samudio, em particular, a pesquisadora destaca que o episódio se tornou um divisor de águas ao expor o papel do silêncio institucional como elemento que reforça a necropolítica de gênero, permitindo que a violência doméstica seja naturalizada e invisibilizada.Outro eixo central do estudo é a análise interseccional da violência, com ênfase no extermínio de mulheres negras. A pesquisa demonstra que o feminicídio no Brasil não atinge as mulheres de forma homogênea, sendo agravado pela sobreposição entre machismo estrutural e racismo institucional.O Paradoxo de Mato Grosso – conforme aponta a autora, o Estado apresenta um paradoxo contundente entre desenvolvimento econômico e proteção à vida das mulheres. Reconhecido como um dos motores do agronegócio nacional, com crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) superior a 4,5% em 2024 e valor bruto da produção agropecuária que ultrapassa R$ 200 bilhões, Mato Grosso também lidera, de forma alarmante, o ranking nacional de feminicídios per capita.Com taxa de 2,52 mortes por 100 mil mulheres, cerca de 80% acima da média brasileira, os números evidenciam uma escalada da violência letal de gênero. Tal cenário revela que o avanço econômico não tem sido acompanhado por estruturas eficazes de proteção social e de enfrentamento à violência de gênero.Conclusão da tese – Ao final, a tese se apresenta como um ato de resistência acadêmica e política, ao denunciar a continuidade da violência e propor caminhos para sua superação. Ao afirmar que “eles não param de matar”, a autora convoca o Estado e a sociedade a romper com a naturalização do feminicídio e a construir, de forma efetiva, um ambiente de proteção e dignidade para todas as mulheres.“A tese denuncia um sistema de machismo institucionalizado no próprio sistema de segurança e justiça, em que as narrativas das vítimas são frequentemente minimizadas, descreditadas ou submetidas à vitimização secundária ou à revitimização”, concluiu a promotora de Justiça.Avaliação da banca – Segundo Amini Haddad Campos, o estudo documental da tese é rico em pormenores. “A tese foi muito feliz em desmascarar esse estado de coisas”. Já Maria Cristina Theobaldo destacou a relevância da tese. “Eu acho que a sua tese é um instrumento de denúncia que precisa vir a público. De como a coisa é feita e de quem é responsável por ela. E isso é muito corajoso”.Para Patrícia Osorio, participar da banca foi um presente. “Um presente que veio às vésperas do Dia de Santo Antônio. É um santo que marca a celebração dos ciclos juninos e é um santo que celebra a união, o casamento e o amor. Então eu, como pesquisadora da cultura popular, não poderia deixar de lembrar deste momento que a gente está vivendo”.Já Aline Wendpap destacou que a pesquisa cumpre os propósitos do programa de pós-graduação. “Estamos diante de uma pesquisa consistente, comprometida e intelectualmente madura. Trata-se de uma tese que honra os propósitos dos Estudos de Cultura Contemporânea”.Ao final das considerações, a promotora de Justiça teve a tese aprovada pela banca, reiterando a qualidade do trabalho e indicando-o para publicação, com sugestão de que a tese seja indicada para o Prêmio de Teses da CAPES 2026.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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