MATO GROSSO
TJMT é Homenageado com o “Prêmio Dimas” por cooperação em projetos de ressocialização
MATO GROSSO
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) foi agraciado com o Prêmio Dimas em sua 3ª edição, realizado na noite de quarta-feira (19). A honraria foi entregue ao desembargador Jorge Luiz Tadeu Rodrigues em reconhecimento à atuação essencial do Judiciário no Projeto “Reconstruindo Sonhos”, coordenado pelo Ministério Público do Estado (MPMT). A premiação celebra instituições e parceiros engajados na ressocialização de pessoas privadas de liberdade nas unidades prisionais.
O Projeto Reconstruindo Sonhos é parte integrante do Programa Semear (Sistema Estadual de Métodos para Execução Penal e Adaptação Social do Recuperando). O programa é conduzido pelo Núcleo de Cooperação Judiciária (NCJUD) do TJMT, sob a supervisão do desembargador Wesley Sanchez Lacerda, que também foi homenageado na cerimônia e representado pela gestora do Núcleo, Valéria Ferraz.
Ao agradecer o prêmio, o desembargador Jorge Luiz Tadeu Rodrigues sublinhou a importância do engajamento institucional. “Não há solução simples, mas nosso esforço é como a ‘gotinha d’água’ que pode inspirar outras pessoas. Embora seja difícil contornar esse problema que assusta a sociedade, com mais pessoas envolvidas, teremos uma sociedade mais tranquila e segura. É uma prova de que uma segunda chance vale a pena para todos.”
O juiz diretor do Fórum de Cáceres, José Eduardo Mariano, presente na solenidade, destacou o impacto do projeto na sua comarca, onde foi inicialmente implantado na unidade feminina. “O projeto vem para humanizar o cumprimento de pena, um período difícil e doloroso, tanto para quem comete o crime quanto para as vítimas e seus familiares. Nosso objetivo é que, ao sair, o indivíduo tenha a reconstrução não só dos seus sonhos, mas da própria vida: ambiente familiar, trabalho, o trato com outras pessoas. É uma oportunidade para que as pessoas se responsabilizem pelas suas ações e saibam que terão uma nova chance”.
A procuradora de Justiça Josane Fátima de Carvalho Guariente, coordenadora do Reconstruindo Sonhos, enfatizou o compromisso institucional. “O Tribunal de Justiça tem sido um grande parceiro não só no Projeto Reconstruindo Sonhos, como também no Programa Semear. É preciso que cada um faça a sua parte, e os que recebem o Prêmio Dimas estão ajudando a colocar em prática a reconstrução de sonhos.”
O procurador-geral de Justiça de Mato Grosso, Rodrigo Fonseca, reforçou a relevância do reconhecimento. “Para nós do Ministério Público, o Prêmio Dimas não é apenas um reconhecimento, mas um compromisso. Ele celebra aqueles que caminham conosco, representando o símbolo da transformação humana que buscamos.”
Semear em detalhes
O Programa Semear é uma iniciativa com reconhecimento internacional, notadamente por ter sido eleito um dos melhores projetos de execução penal do mundo devido à sua metodologia inovadora. Criado inicialmente pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), o programa busca promover a inclusão social de pessoas privadas de liberdade por meio de ações estruturadas.
Sua adaptação para Mato Grosso foi uma iniciativa da gestão 2023-2024 do NCJUD/TJMT. A implementação no estado é viabilizada pelo Termo de Cooperação Técnica nº 32/2024, firmado entre TJMT, MPMT, DPMT, Governo do Estado de Mato Grosso e o Instituto Ação Pela Paz.
A gestora do NCJUD, Valéria Ferraz, explicou que o Semear envolve educação, geração de renda, atendimento em saúde e apoio psicossocial. “O programa acompanha a trajetória do custodiado e do egresso, monitorando sua participação e avaliando a efetividade das assistências oferecidas. É um benefício para todos: para quem cumpre pena, que recebe uma oportunidade real de recomeçar, e para a sociedade, que ganha mais segurança e cidadãos reintegrados.”
A adaptação do programa para Mato Grosso foi uma iniciativa da gestão 2023-2024 do NCJUD, e as atividades já foram iniciadas na Penitenciária de Barra do Bugres, com planos de expansão para outras unidades do estado.
Simbolismo do Prêmio Dimas
O nome da premiação faz referência ao homem condenado por roubo que, segundo relatos bíblicos, estava ao lado de Jesus durante a crucificação. Dimas, ao demonstrar arrependimento, sentiu que poderia ter um futuro diferente, simbolizando a redenção e a crença na capacidade de mudança após uma vida de erros.
A premiação celebra a atuação do Poder Judiciário no “Projeto Reconstruindo Sonhos” e no “Programa Semear”, iniciativas cruciais para a reintegração de pessoas privadas de liberdade em Mato Grosso.
Autor: Patrícia Neves
Fotografo: Alair Ribeiro
Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT
Email: [email protected]
MATO GROSSO
Com apoio da Fapemat, pesquisadores desenvolvem fertilizante sustentável a partir de cinza vegetal em Rondonópolis
Um resíduo que antes representava um desafio ambiental pode se tornar uma importante solução para a agricultura sustentável. Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), pesquisadores da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) estão desenvolvendo fertilizantes organominerais produzidos a partir de cinzas de biomassa vegetal, material gerado principalmente pela queima de madeira em atividades agroindustriais.
A iniciativa busca dar uma nova destinação a um passivo ambiental abundante na região, transformando-o em um produto capaz de melhorar a fertilidade do solo, aumentar a eficiência da adubação e reduzir a dependência de fertilizantes minerais convencionais.
Os fertilizantes estão sendo desenvolvidos nas formas granulada e peletizada, formatos que facilitam o armazenamento, o transporte e a aplicação no campo. Além disso, os estudos apontam que os organominerais proporcionam liberação gradual dos nutrientes, favorecendo o aproveitamento pelas plantas e contribuindo para sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.
A pesquisa é coordenada pela professora doutora Edna Maria Bonfim, da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), e integra os projetos “Construção e regulagem de um granulador de disco rotativo na produção de organomineral com cinza vegetal como matéria-prima” e “Tecnologia e processos de produção de fertilizantes organominerais utilizando cinza vegetal como matéria-prima”, ambos financiados pelo Governo de Mato Grosso, por meio da Fapemat, e com parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Segundo a pesquisadora, o principal objetivo é unir inovação tecnológica, sustentabilidade e desenvolvimento regional.
“Estamos transformando um resíduo agroindustrial em um insumo agrícola de valor agregado. É uma proposta alinhada aos princípios da economia circular, que amplia o acesso a fertilizantes mais sustentáveis e pode beneficiar especialmente os agricultores familiares da região”, destaca Edna Bonfim.
Mais de uma década de pesquisas
A trajetória dessa linha de investigação começou em 2009, por meio do Grupo de Práticas em Água e Solo (GPAS), que desenvolve estudos voltados à recuperação de áreas degradadas e à melhoria da qualidade dos solos.
Ao longo dos anos, os pesquisadores identificaram que a cinza vegetal possui potencial para fornecer nutrientes essenciais às plantas, melhorar características químicas do solo e contribuir para o manejo de nematoides. Os resultados já demonstraram benefícios em diversas culturas agrícolas, incluindo feijão, milho, rúcula, melão e flores ornamentais.
Além dos ganhos agronômicos, os estudos apontam redução na necessidade de fertilizantes minerais tradicionais, diminuindo custos de produção e tornando os sistemas agrícolas mais resilientes.
Benefícios ambientais e econômicos
O aproveitamento da cinza vegetal também representa uma alternativa ambientalmente responsável para um resíduo gerado em grande escala por atividades agroindustriais. Ao ser incorporado à produção de fertilizantes, esse material deixa de representar um potencial risco de contaminação e passa a integrar uma cadeia produtiva de valor.
A tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores contribui para a redução do desperdício de recursos, fortalece a economia circular e cria oportunidades para o desenvolvimento de soluções adaptadas às condições produtivas de Mato Grosso.
Reconhecimento científico
De acordo com a coordenadora do projeto, “a relevância dos resultados alcançados já vem sendo reconhecida pela comunidade científica nacional e internacional. As pesquisas geraram publicações em periódicos de elevado impacto, ampliando a visibilidade dos estudos desenvolvidos em Mato Grosso e consolidando o estado como referência em inovação voltada ao reaproveitamento de resíduos e à produção de fertilizantes sustentáveis”.
Fonte: Governo MT – MT
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