MATO GROSSO
TJMT finaliza formação em Justiça Restaurativa para atendimento de processos judiciais
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O Módulo 7 do Curso de Formação de Instrutores de Justiça Restaurativa e Facilitadores de Círculos de Construção de Paz Mais Complexos foi concluído nesta sexta-feira (12 de setembro), na Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT). A etapa presencial marcou um momento importante para magistrados e servidores que atuam na área, consolidando práticas que fortalecem a cultura de paz dentro e, principalmente fora do Judiciário.
A presidente do Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (NugJur), desembargadora Clarice Claudino da Silva, destacou o significado da formação para o avanço da Justiça Restaurativa no estado.
“Estamos contentes e esperançosos com a multiplicação que será possível a partir dessa formação continuada”, ressaltou a magistrada.
A servidora e instrutora do NugJur, Claudete Pinheiro, também comemorou os resultados alcançados. “É um marco na história do estado em termos de Justiça Restaurativa, um avanço muito grande na formação. A partir de hoje, todos os alunos que estão aqui estarão aptos a capacitar pessoas, além de atender casos menos complexos. Estão preparados para instruir novos facilitadores”, celebrou a servidora.
Formação que transforma práticas
A etapa presencial, realizada entre os dias 8 e 12 de setembro, contou com a condução da pedagoga e especialista em Neurociência e Comportamento Katiane Boschetti da Silveira. A formadora explicou que, além de atuar na resolução de conflitos, os participantes agora poderão preparar outros profissionais.
“A formação visa reforçar os conhecimentos do facilitador, mas também aprimorar as habilidades deles como instrutores. O objetivo é prepará-los para atuar em situações de conflito, reintegração, luto e em apoio a tomadas de decisão”, explicou Katiane.
Ela acrescentou que o curso permitiu analisar os conflitos sob novas perspectivas. “Estudamos com atenção a teoria do conflito, que representa uma oportunidade de transformação. Discutimos como identificar essas situações no cotidiano e, sobretudo, como desenvolver habilidades didáticas”, destacou a pedagoga.
A professora Janaina de Oliveira, da Comarca de Colíder, que atua com práticas restaurativas nas escolas, avaliou a formação como um avanço importante. “Aqui vemos a possibilidade de resolver conflitos por meio do diálogo, evitando a judicialização. Nas escolas, por exemplo, os conflitos sempre existem e podemos aplicar as práticas restaurativas de forma interna”, compartilhou a educadora.
Estrutura e continuidade da formação
O curso, promovido pelo NugJur-TJMT em parceria com a Esmagis-MT, oferece carga horária total de 100 horas, divididas em:
-20 horas virtuais iniciais;
-40 horas presenciais (concluídas neste módulo);
-16 horas virtuais para supervisão de grupos;
-Estágio supervisionado, que será realizado presencialmente até dezembro.
O primeiro módulo, ofertado ao longo de agosto e início de setembro, foi realizado por videoconferência. As próximas etapas preveem novos encontros virtuais e atividades práticas para consolidar o aprendizado.
Círculos de Construção de Paz
Os Círculos de Construção de Paz, foco desta formação, são processos estruturados para organizar a comunicação em grupo, fortalecer relacionamentos, tomar decisões e resolver conflitos de maneira colaborativa.
Com duração média de duas horas, eles envolvem de 10 a 20 pessoas e criam um espaço seguro para compartilhar experiências, desafios e emoções. Essa prática contribui para melhorar o clima organizacional, reduzir o estresse e promover empatia e escuta ativa, mesmo na ausência aparente de conflitos.
Para mais informações sobre os Círculos de Paz e o trabalho do NugJur entre em contato pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones (65) 3617-3617 e (65) 9 9222-9757 (WhatsApp).
Acesse também: portalnugjur.tjmt.jus.br
Autor: Vitória Maria
Fotografo: Alair Ribeiro
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
MATO GROSSO
Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.
Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.
Já estava escrito
“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.
Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.
“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.
A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.
Legado construído com exemplo
Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.
Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.
Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.
Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.
Apoio incondicional
Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.
Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.
Adoção
Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.
Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.
Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.
Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.



