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TJMT Inclusivo: altas habilidades podem desaparecer se não forem estimuladas

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Mariah Teixeira tem 16 anos e “devora” 10 livros por mês. Suas 200 páginas diárias não são apenas um hobby, são a forma como ela, diagnosticada com altas habilidades e autismo, encontra equilíbrio. “Se a Maria (uma amiga) se acalma desenhando, eu me acalmo lendo”, explica a jovem, que descobriu sua condição aos 8 anos, quando já estava três anos adiantada no Kumon.

A história de Mariah ilustra perfeitamente o tema central da palestra que encerrou a tarde da sexta-feira (6) no evento TJMT Inclusivo: a dupla excepcionalidade, quando altas habilidades e transtornos do neurodesenvolvimento, especialmente o autismo, coexistem na mesma pessoa.

O neuropsicólogo Dr. Rauni Jandé Roama-Alves, professor da UFMT, trouxe à tona um tema ainda marginalizado nas formações acadêmicas, mas que afeta até 85% das crianças com altas habilidades. “Na dupla excepcionalidade, cada desafio convive com um talento raro. É justamente nessa combinação única que nasce um potencial extraordinário”, destacou o palestrante ao abrir sua apresentação.

Os números apresentados chamam atenção: um estudo de 2024 com 44 crianças com altas habilidades revelou que 85% delas preenchiam critérios para transtorno do neurodesenvolvimento. “Criança com alta inteligência perceptível deve ser triada para transtornos do neurodesenvolvimento”, alertou Dr. Rauni. “O transtorno não tratado acelera a perda das altas habilidades.”

Desmistificando conceitos

O neuropsicólogo foi enfático ao derrubar mitos. “Altas habilidades não são apenas QI elevado. Podem se manifestar em diversas áreas: raciocínio lógico, criatividade, inteligência emocional, desenvolvimento social, habilidades motoras, áreas musicais e artísticas”, explicou.

Outro mito derrubado é a idade para diagnóstico. “Pode e deve diagnosticar na pré-escola, aos quatro anos, por exemplo. Quanto mais cedo, melhor, pela neuroplasticidade”, afirmou o especialista. Crianças pequenas já podem apresentar hiperlexia (leitura precoce), inclusive em outras línguas.

Um dos alertas mais críticos da palestra foi sobre a perda das habilidades. “Se não estimuladas, as altas habilidades desaparecem ao longo do desenvolvimento”, advertiu Dr. Rauni, citando estudos longitudinais que comprovam o fenômeno. “Déficits executivos, como dificuldades de planejamento, organização e autorregulação, prejudicam o desenvolvimento da inteligência. Desregulação emocional resulta em perda de pontos de QI”, disse.

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O palestrante explicou que as altas habilidades funcionam como “reserva cognitiva” que mascara sintomas do autismo. No caso da dupla excepcionalidade, os sinais são mais sutis. “Dificuldades em nível metacognitivo, prejuízos executivos evidentes, menos estereotipias motoras visíveis, mais inflexibilidade de pensamento marcante”, detalhou.

O perfil social também surpreende. “Não necessariamente a criança fica isolada. Pode interagir demais, falar excessivamente, não perceber nuances sociais, perguntar tudo para todos”, descreveu Dr. Rauni. E derrubou outro mito: “Autista não tem empatia? Falso. Pode ter empatia super desenvolvida ou dificuldade na percepção e modulação.”

Estratégias de inclusão

O neuropsicólogo apresentou três estratégias escolares, destacando o enriquecimento curricular como a mais recomendada. “A criança permanece na série regular, mas trabalha conteúdos de anos posteriores apenas na área forte. Por exemplo: 3º ano regular com matemática do 4º ou 5º ano”, explicou.

A aceleração, quando a criança pula séries, foi apontada como “a estratégia mais complicada e perigosa”. “A criança geralmente tem habilidade em uma a três áreas, não em todas. A série avançada exige competência em todas as áreas. Há risco de prejuízos sociais”, justificou.

Dr. Rauni enfatizou que o atendimento não é responsabilidade apenas da escola. “É multidisciplinar: educação, fonoaudiologia, psicologia, medicina e outros profissionais envolvidos no caso”, listou. O Plano de Atendimento Individualizado deve ser revisto no mínimo semestralmente, “porque o foco de interesse da criança com altas habilidades muda. Com transtorno do neurodesenvolvimento, muda ainda mais rápido”.

O palestrante lembrou que a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) da educação garante inclusão obrigatória para altas habilidades, no mesmo nível das deficiências e autismo. “O Atendimento Educacional Especializado deve atender altas habilidades. É obrigatoriedade legal há muito tempo”, reforçou.

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Em Cuiabá, os Núcleos de Atendimento às Altas Habilidades (NAS) oferecem atividades extracurriculares no contraturno para estimulação de habilidades específicas em áreas como matemática, robótica, ciências, linguagem e artes.

Em close, o palestrante segura o microfone enquanto discursa diante de tela branca com texto projetado. Ele usa terno cinza e camisa azul, iluminado por luz de palco que destaca sua expressão concentrada e o ambiente técnico do evento.A mensagem final do Dr. Rauni ecoou pelo auditório: “Estimular continuamente as altas habilidades, cuidar das dificuldades associadas aos transtornos, valorizar sempre os potenciais, identificar precocemente. Não podemos perder essas crianças no sistema. É preciso cuidar das altas habilidades com a mesma importância que se cuida dos transtornos”.

A 6ª edição do “TJMT Inclusivo: Capacitação e Conscientização em Autismo – etapa Cuiabá” foi promovida pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, organizada pela Comissão de Acessibilidade e Inclusão do Poder Judiciário estadual, Escola Superior da Magistratura (Esmagis-MT) e Escola dos Servidores, com apoio da Prefeitura de Cuiabá e da Igreja Lagoinha Cuiabá. O evento reuniu magistrados, servidores, profissionais da saúde e educação, familiares de pessoas autistas, estudantes e sociedade em geral.

Confira todas as fotos do evento no Flickr do TJMT

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Autor: Roberta Penha

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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MP eleitoral garante perda de mandato de vereador condenado por racismo

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O Ministério Público Eleitoral (MPE), por meio da Promotoria da 8ª Zona Eleitoral, garantiu a extinção do mandato do vereador Michel Lucas Rocha Souza, de Alto Taquari, após o trânsito em julgado de condenação por injúria eleitoral qualificada e racismo. Condenado a um ano, dois meses e 25 dias de reclusão, em regime aberto, e ao pagamento de 12 dias-multa, o parlamentar teve a decisão tornada definitiva em 14 de maio de 2026, depois que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não conheceu o recurso especial interposto pela defesa.Após ser comunicada oficialmente sobre o trânsito em julgado da condenação, a Câmara Municipal de Alto Taquari instaurou procedimento administrativo interno e concedeu prazo para manifestação do vereador. O Ministério Público Eleitoral, contudo, sustentou que a suspensão dos direitos políticos decorrente de condenação criminal definitiva produz efeitos automáticos, conforme previsto no artigo 15, inciso III, da Constituição Federal.Diante da situação, o promotor de Justiça Eleitoral Elton Oliveira Amaral manifestou-se nos autos e requereu ao Juízo da 8ª Zona Eleitoral a adoção das medidas necessárias para o cumprimento imediato da determinação legal. O MPE argumentou que a extinção do mandato ocorreu automaticamente com o trânsito em julgado da condenação, cabendo à Presidência da Câmara apenas formalizar esse reconhecimento.Na manifestação, o Ministério Público Eleitoral também destacou que a regra constitucional que exige deliberação da respectiva Casa Legislativa para perda de mandato aplica-se exclusivamente aos membros do Congresso Nacional, não alcançando vereadores. Além disso, alertou para a possibilidade de configuração do crime de desobediência eleitoral em caso de descumprimento da determinação judicial.Com base nos fundamentos apresentados pelo Ministério Público Eleitoral e na decisão da Justiça Eleitoral, o presidente da Câmara Municipal de Alto Taquari declarou a extinção do mandato de Michel Lucas Rocha Souza em 19 de junho de 2026. O ato foi publicado no Diário Oficial nº 29.257, de 22 de junho de 2026, e determinou a convocação imediata do suplente para assumir a vaga.

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Foto: Câmara Municipal de Alto Taquari.

Fonte: Ministério Público MT – MT

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