MATO GROSSO
TRE-MT destaca sua prioridade com a inclusão
MATO GROSSO
O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) reforça que a acessibilidade é prioridade permanente em suas ações. Nesta terça-feira (30), o Tribunal aderiu à campanha nacional de acessibilidade lançada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que tem como objetivo ampliar a participação de eleitoras e eleitores com deficiência ou mobilidade reduzida e garantir locais de votação mais acessíveis já nas eleições de 2026.
Em Mato Grosso, os números demonstram o avanço dessa conscientização. O estado conta com aproximadamente 280 mil pessoas com deficiência, segundo o Censo de 2022, e em 2024, 16.931 eleitores declararam alguma deficiência, dos quais 68,2% compareceram às urnas. Hoje, menos de um ano depois, esse número chegou a 20.116, representando um crescimento de 18,8%.
A presidente do TRE-MT, desembargadora Serly Marcondes Alves, reforça que a acessibilidade é uma prioridade de sua gestão e que o Tribunal tem buscado avanços contínuos nessa área.
“A inclusão é uma prioridade que levamos a sério em Mato Grosso. O crescimento do número de eleitores que informaram sua condição ao TRE-MT mostra que estamos avançando, mas também reforça a importância dessa campanha nacional para aumentar a conscientização. Queremos que cada pessoa com deficiência se sinta acolhida e segura para exercer seu direito de votar”, afirmou a presidente.
A Justiça Eleitoral mato-grossense tem procurado inovar em diferentes frentes, dentro e fora do processo eleitoral. “Esse esforço é constante. Um exemplo é a parceria com o Senac-MT, que resultou em um curso de informática exclusivo para pessoas com deficiência, preparando jovens e adultos para o mercado de trabalho. A Justiça Eleitoral não se limita à organização das eleições: também olha para o futuro, promovendo cidadania e inclusão social”, completou a desembargadora.
Ações da campanha
Com o slogan “Votar é meu direito. Garantir meu acesso ao voto é dever da Justiça Eleitoral”, a campanha nacional do TSE convida pessoas com deficiência a informarem sua condição nos cartórios eleitorais ou no site da Justiça Eleitoral. Com esses dados, será possível planejar a distribuição de eleitores em seções adaptadas e garantir uma experiência mais acessível nas eleições de 2026.
A Justiça Eleitoral já disponibiliza recursos como urnas eletrônicas com teclas em braille, marca em relevo, recursos de voz e vídeos em Libras; capacitação de mesários para atendimento adequado; possibilidade de transferência para seções adaptadas; e coordenadores de acessibilidade nos locais de votação.
Daniel Dino
Assessoria TRE-MT
Fonte: TRE – MT
MATO GROSSO
Poder Judiciário participa de debate sobre população em situação de rua
A necessidade de união entre os poderes públicos, instituições e sociedade civil para enfrentar o crescimento da população em situação de rua em Cuiabá foi um dos principais pontos defendidos pelo Poder Judiciário durante audiência pública realizada na manhã desta quarta-feira (03), na Câmara Municipal de Cuiabá.
Representando o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), o juiz Marcos Faleiros da Silva, titular da 4ª Vara Criminal da Capital e integrante do programa PopRuaJud, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), destacou que o problema exige soluções construídas de forma coletiva e permanente.
“Foi a primeira vez que fui procurado por uma gestão municipal para discutir essa problemática e também a primeira vez que fui convidado para debater esse tema na Câmara de Vereadores. O problema está aí há muitos anos e precisa ser enfrentado por todos os atores envolvidos. O Estado não pode abandonar uma pessoa porque ela é dependente química, desempregada ou enfrenta problemas familiares. Precisamos construir caminhos para que essas pessoas possam reconstruir suas vidas”, afirmou o magistrado.
Durante sua participação, Marcos Faleiros apresentou o trabalho desenvolvido pela Política Nacional Judicial de Atenção às Pessoas em Situação de Rua (PopRuaJud), iniciativa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que visa facilitar o acesso à justiça e garantir os direitos básicos dessa população de forma simplificada, priorizada e sem burocracia. O programa funciona através de ações conjuntas, os chamados mutirões de cidadania, que reúnem diversos órgãos do sistema de justiça e assistência social em um único local.
Segundo o magistrado, uma das preocupações do grupo é aprimorar os critérios de levantamento e monitoramento dessa população para subsidiar a formulação de políticas públicas mais eficazes.
A audiência pública foi proposta pelo vereador Dilemário Alencar e reuniu representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além da Defensoria Pública, OAB, entidades assistenciais, comerciantes, movimentos sociais e integrantes da sociedade civil organizada.
Moradia como prioridade
Representando o Movimento Nacional da População em Situação de Rua, Rúbia Cristina de Jesus trouxe à audiência a perspectiva de quem viveu durante 23 anos nas ruas. Para ela, a principal solução para o problema passa pelo acesso à moradia.
“Não existe solução para a população em situação de rua sem habitação. Com moradia, a pessoa tem dignidade, consegue cuidar da saúde, buscar emprego e reconstruir sua vida. Ninguém está em situação de rua porque quer. Precisamos ser ouvidos e participar da construção das políticas públicas destinadas a nós”, afirmou. Ela defendeu ainda a criação de programas habitacionais específicos para essa população, como aluguel social e moradias assistidas.
Outro participante da audiência foi o coordenador do Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento da Política Nacional para População em Situação de Rua (CIAMP-Rua) em Mato Grosso, Rodrigo da Silva Martins. Ele defendeu que o debate avance para além da oferta de serviços e passe a avaliar os resultados efetivamente alcançados.
“Precisamos nos autoavaliar. Quantas pessoas saíram da rua? Quantas conseguiram emprego? Quantas receberam moradia? Quais políticas realmente estão funcionando? Precisamos focar nos resultados e ouvir a própria população em situação de rua, porque são essas pessoas que podem dizer o que funciona e o que precisa melhorar”, destacou.
Rodrigo também ressaltou a importância da integração entre assistência social, saúde, segurança pública, habitação e demais setores envolvidos no atendimento dessa população.
Próximos passos
Durante a audiência pública, foram apresentados dados do Cadastro Único que apontam cerca de 1.800 pessoas em situação de rua cadastradas em Cuiabá. Os participantes destacaram que a situação é resultado de múltiplos fatores, entre eles dependência química, transtornos mentais, desemprego, rompimento de vínculos familiares, insegurança alimentar e déficit habitacional.
Ao final da audiência, os participantes defenderam a ampliação das políticas de habitação, saúde mental, tratamento da dependência química e reinserção social, além do fortalecimento da articulação entre os órgãos públicos. As propostas apresentadas serão consolidadas em um documento que será encaminhado às autoridades competentes.
Fotos: Donatto Aquino
Autor: Ana Assumpção
Fotografo:
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
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