MATO GROSSO
Tribunal devolve prédio do antigo fórum de Várzea Grande para Prefeitura e firma novo acordo
MATO GROSSO
Gratidão, saudosismo e sentimento de dever cumprido determinaram a tônica da solenidade de devolução do prédio do antigo Fórum da Comarca de Várzea Grande para a Prefeitura Municipal, na manhã desta quinta-feira (11), no Paço Municipal Couto Magalhães. Na mesma ocasião, também foi firmado um termo de compromisso para construção de um estacionamento com cobertura que possibilite a instalação de painéis solares fotovoltaicos no novo fórum, localizado no Chapéu do Sol (saiba mais ao final da matéria).
Kneip destacou ainda que o local foi “um dos mais respeitados” do município e, para quem lá trabalhou, “o local mais amado”. “Agradeço ao Município de Várzea Grande, na pessoa do prefeito e da primeira-dama, dos seus vereadores, do juiz diretor, pela alegria que nos deram com o prédio mais bonito (ele era o prédio mais bonito da cidade), com um prédio tão confortável, com tanto calor humano, onde tantas pessoas puderam receber o acolhimento judicial. E eu desejo de coração que ele continue sendo esse oásis para aqueles que querem e buscam a justiça porque nós acreditamos num mundo mais justo e muito melhor”, declarou Maria Erotides.
Também movido pelo sentimento de gratidão, o juiz diretor do Fórum de Várzea Grande, Luis Otávio Pereira Marques, destacou o papel de todos que, ao longo das últimas quatro décadas, deixaram sua contribuição. “Gratidão à sociedade várzea-grandense, que contribuiu efetivamente para a construção do edifício do antigo fórum, gratidão a todos os colegas magistrados e magistradas, servidores e servidoras, colaboradores e colaboradoras que por aqui passaram, contribuindo para o regular desenvolvimento do trabalho forense, na busca da distribuição de uma justiça célere e eficaz. Gratidão em especial à eterna diretora do fórum da comarca de Várzea Grande, desembargadora Maria Erotides, que, durante o período que por aqui atuou, deixou somente marcas positivas, indo além das suas atribuições inerentes ao cargo, sempre se envolvendo de corpo e alma nas causas sociais dessa comarca”, declarou.
Quem também prestigiou emocionada a cerimônia que selou o encerramento das atividades do Poder Judiciário no prédio localizado no Paço Municipal Couto Magalhães foi a técnica judiciária Irany Oliveira Rodrigues, servidora há 37 anos, sendo 35 anos e 10 meses no antigo fórum de Várzea Grande.
Termo de cooperação – A cerimônia de devolução do prédio do antigo fórum foi marcada não só pelas lembranças do passado, mas marcou também um novo passo em direção ao futuro do atual Fórum da Comarca de Várzea Grande. Isso porque foi firmado um termo de compromisso para construção de um estacionamento com cobertura que possibilite a instalação de painéis solares fotovoltaicos na nova sede do Judiciário várzea-grandense, localizada no Chapéu do Sol. Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT
MATO GROSSO
Tese de promotora do MPMT analisa feminicídio e Estado
A promotora de Justiça do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), Lindinalva Correia Rodrigues, teve sua tese de doutorado aprovada nesta sexta-feira (12), durante defesa pública realizada no auditório da Sede das Promotorias de Justiça, em Cuiabá. O trabalho, intitulado “Eles não param de matar: o feminicídio como exercício de soberania sobre o corpo feminino em face da ineficiência do Estado contemporâneo”, foi desenvolvido no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Cultura Contemporânea (ECCO), da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).O trabalho contou com apoio institucional do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) e da Fundação Escola Superior do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (FESMP-MT), que têm incentivado a produção de conhecimento voltado ao fortalecimento das políticas públicas e das práticas institucionais.A pesquisa, orientada pelo professor doutor Mário Cezar Silva Leite, foi avaliada por banca examinadora composta pelas professoras doutoras Patrícia Silva Osorio (PPGAS/PPGECCO/UFMT), Aline Wendpap Nunes Siqueira (PPGECCO/UFMT), Amini Haddad Campos (PPGD/UFMT) e Maria Cristina Theobaldo (PPGF/UFMT), que aprovaram a tese, reconhecendo sua relevância teórica, metodológica e social.Com mais de 21 anos de trajetória jurídica e acadêmica e tendo sido a primeira no Brasil a aplicar a Lei Maria da Penha, Lindinalva Correia Rodrigues constrói, em sua investigação, uma leitura crítica sobre a persistência do feminicídio no Brasil, apontando que o fenômeno transcende a categoria de crime comum. A tese sustenta que a violência letal contra mulheres constitui um mecanismo estruturado de poder, no qual o corpo feminino é submetido a uma lógica de dominação que opera, em grande medida, com a conivência e a ineficiência estatal.Durante a defesa, a doutoranda destacou a necessidade de transformação do sistema de justiça, afirmando que “para o enfrentamento ao feminicídio é necessária uma justiça sensível ao gênero”. A afirmação sintetiza a principal contribuição do estudo: a urgência de uma atuação institucional que reconheça as especificidades das violências de gênero e seja capaz de produzir respostas preventivas e protetivas mais eficazes.A tese articula um sólido referencial teórico, fundamentado nas categorias de “necropolítica”, de Achille Mbembe; “pedagogias da crueldade”, de Rita Segato; e “vida nua”, de Giorgio Agamben. A partir desses aportes, Lindinalva propõe a noção de um “Estado de Exceção de Gênero”, em que o espaço doméstico se transforma em território de suspensão da norma jurídica.Ao revisitar casos emblemáticos da história brasileira, como os de Ângela Diniz, Daniella Perez e Eliza Samudio, a tese identifica que a ineficiência estatal não deve ser compreendida como falha episódica, mas como um dispositivo estruturante.No caso de Eliza Samudio, em particular, a pesquisadora destaca que o episódio se tornou um divisor de águas ao expor o papel do silêncio institucional como elemento que reforça a necropolítica de gênero, permitindo que a violência doméstica seja naturalizada e invisibilizada.Outro eixo central do estudo é a análise interseccional da violência, com ênfase no extermínio de mulheres negras. A pesquisa demonstra que o feminicídio no Brasil não atinge as mulheres de forma homogênea, sendo agravado pela sobreposição entre machismo estrutural e racismo institucional.O Paradoxo de Mato Grosso – conforme aponta a autora, o Estado apresenta um paradoxo contundente entre desenvolvimento econômico e proteção à vida das mulheres. Reconhecido como um dos motores do agronegócio nacional, com crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) superior a 4,5% em 2024 e valor bruto da produção agropecuária que ultrapassa R$ 200 bilhões, Mato Grosso também lidera, de forma alarmante, o ranking nacional de feminicídios per capita.Com taxa de 2,52 mortes por 100 mil mulheres, cerca de 80% acima da média brasileira, os números evidenciam uma escalada da violência letal de gênero. Tal cenário revela que o avanço econômico não tem sido acompanhado por estruturas eficazes de proteção social e de enfrentamento à violência de gênero.Conclusão da tese – Ao final, a tese se apresenta como um ato de resistência acadêmica e política, ao denunciar a continuidade da violência e propor caminhos para sua superação. Ao afirmar que “eles não param de matar”, a autora convoca o Estado e a sociedade a romper com a naturalização do feminicídio e a construir, de forma efetiva, um ambiente de proteção e dignidade para todas as mulheres.“A tese denuncia um sistema de machismo institucionalizado no próprio sistema de segurança e justiça, em que as narrativas das vítimas são frequentemente minimizadas, descreditadas ou submetidas à vitimização secundária ou à revitimização”, concluiu a promotora de Justiça.Avaliação da banca – Segundo Amini Haddad Campos, o estudo documental da tese é rico em pormenores. “A tese foi muito feliz em desmascarar esse estado de coisas”. Já Maria Cristina Theobaldo destacou a relevância da tese. “Eu acho que a sua tese é um instrumento de denúncia que precisa vir a público. De como a coisa é feita e de quem é responsável por ela. E isso é muito corajoso”.Para Patrícia Osorio, participar da banca foi um presente. “Um presente que veio às vésperas do Dia de Santo Antônio. É um santo que marca a celebração dos ciclos juninos e é um santo que celebra a união, o casamento e o amor. Então eu, como pesquisadora da cultura popular, não poderia deixar de lembrar deste momento que a gente está vivendo”.Já Aline Wendpap destacou que a pesquisa cumpre os propósitos do programa de pós-graduação. “Estamos diante de uma pesquisa consistente, comprometida e intelectualmente madura. Trata-se de uma tese que honra os propósitos dos Estudos de Cultura Contemporânea”.Ao final das considerações, a promotora de Justiça teve a tese aprovada pela banca, reiterando a qualidade do trabalho e indicando-o para publicação, com sugestão de que a tese seja indicada para o Prêmio de Teses da CAPES 2026.
Assista aqui:
Fonte: Ministério Público MT – MT
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