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Evento debate políticas públicas aos povos originários
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A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) realizou, por iniciativa do deputado Lúdio Cabral (PT), na manhã desta sexta-feira (5), audiência pública para debater políticas públicas aos povos indígenas. O evento foi realizado no Monumento Ulysses Guimarães, na avenida Historiador Rubens de Mendonça, conhecida como avenida do CPA, em Cuiabá.
O evento de hoje, (5), engloba a programação do Abril Indígena 2024. O tema deste ano é “Direitos sem retrocessos: Demarcando espaços”. Entre as principais reivindicações está à ampliação pela demarcação de territórios e também ampliar o acesso a direitos sociais, territoriais e a diversidade cultural aos mais de 305 povos indígenas existentes no Brasil.
Em Mato Grosso, os povos indígenas ocupam três biomas mato-grossense: Floresta Amazônica, Cerrado e o Pantanal. Em todo o Estado, elas se estruturam em 45 etnias, e outras duas etnias isoladas. Cada etnia tem características peculiares socioculturais. No estado, a população é de 58 mil indígenas. O evento realizado nesta sexta-feira (5) foi prestigiado por pelo menos 300 índios.
De acordo com o proponente da audiência pública, deputado Lúdio Cabral, é preciso que o Parlamento estadual esteja preparado para debater os direitos e os principais problemas enfrentados pelos povos originários. Segundo ele, falta o estado brasileiro honrar os direitos dos povos indígenas.
“O maior patrimônio de Mato Grosso é sua diversidade étnicas. Hoje, são 43 povos indígenas (nações, línguas e culturas próprias) cada uma com características peculiares e, por isso, cada um deles portadoras de direitos que precisam ser atendidos pelo estado. Mas o primeiro passo para avançar, nesse cenário de carência e de dificuldade, é gritar”, afirmou Cabral.
De acordo com o parlamentar, a Assembleia Legislativa tem o dever de abrir o espaço para ouvir o “grito e a voz” pelos direitos dos povos indígenas. “Os avanços conquistados, desde o 1º encontro realizado em 2023, foram muito tímidos. Todos os problemas debatidos no ano passado persistem. Mas a pauta é permanente”, disse Lúdio Cabral.
Em todo o mês de abril, serão promovidas diversas agendas na sede da Funai, em Brasília. Entre os dias 22 e 26 de abril, a Funai participará da 20° edição do Acampamento Terra Livre (ATL), mobilização indígena realizada anualmente sob a organização da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).
O coordenador do Distrito Sanitário Especial Indígena de Cuiabá – vinculado ao Ministério da Saúde do Governo Federal, Aldi Gomes, disse que o órgão é o responsável por atender os cerca de 10 mil indígenas aldeados, que estão inseridos em 23 municípios jurisdicionados ao Distrito Indígena de Cuiabá. Ele disse que nos últimos seis anos houve uma redução de 59% de recursos cuidar dos indígenas. Isso representa mais de R$ 30 milhões.
“Agora, no orçamento federal de 2024, estamos nos ajustando para melhorar o atendimento aos indígenas aldeados. Tem uma série de ações assinadas e previstas para este ano e os próximos anos. Hoje, o distrito atende cerca de 240 aldeias em vários segmentos, para isso o orçamento de 2024 deve fechar em R$ 80 milhões, que devem ser destinados à saúde e a outras necessidades dos aldeados”, disse Gomes.
Mulher Indígena – A professora e coordenadora das Mulheres da Associação Wary, da etnia Sangradouro, no município de General Carneiro, Bernardine Penhare, afirmou que uma luta antiga é à reivindicação voltada à valorização dos direitos das mulheres dentro das terras indígenas. “É preciso que os homens (índios) respeitem as vozes das mulheres. A nossa luta é pela igualdade de espaço no trabalho em todos os eventos”, disse.
Segundo ela, a violência (física e psicológica) contra mulheres acontece em pelo menos nove etnias em Mato Grosso. “A violência acontece também dentro da aldeia. É preciso avançar à participação das mulheres na luta para combater a violência contra as mulheres. Essa luta tem que aumentar dentro e fora do território indígena”, disse.
A presidente da Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (FEPOIMT), Eliane Xunakalo, disse que um dos principais entraves do governo do estado com a comunidade indígena de Mato Grosso é com relação a educação.
“Em um ano houve avanços. Nesse período, muitas escolas foram reformadas, além disso o governo do estado manteve o Conselho Estadual. Mas é preciso de o governo investir na infraestrutura das escolas e ainda na realização de concurso público especifico para professores indígenas. Há muito para ser feito. São problemas que vêm sendo represados de vários governos”, explicou Xunakalo.
Uma das reivindicações abordadas, segundo Xunakalo, foi de a Assembleia Legislativa garantir recursos financeiros no orçamento do estado para a educação indígena e para a saúde. “A saúde indígena não é somente competência do governo federal, mas também do governo do estado. É preciso investir em vagas de média e alta complexidade nos hospitais regionais. Muitos de nossos parentes estão nas filas para cirurgias eletivas. Temos que cobrar nossos direitos. Se não fizermos isso, ninguém fara por nós”, afirmou Xunakalo.
O professor Reginaldo Tapirapé, da etnia Tapirapé, do município de Confresa, alertou as autoridades presentes que há um conflito agrário na região, inclusive em terras demarcadas e homologadas pela Justiça. “Algumas áreas estão sendo invadidas por garimpeiros, madeireiros e a pecuária. Aos poucos o agronegócio está tomando conta das áreas. Nós não criamos problemas à sociedade, é a sociedade que cria problemas para os povos indígenas”, afirmou.
Fonte: ALMT – MT
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Câmaras setoriais e frentes parlamentares ampliam diálogo com a sociedade
Neste segundo semestre, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) ampliou os espaços de diálogo e participação na construção de propostas para o estado. Desde o mês de junho, foram criadas duas frentes parlamentares e três câmaras setoriais temáticas (CSTs), voltadas ao acompanhamento e aprofundamento de temas como produção, saúde, atividade mineral, sustentabilidade e políticas para os povos indígenas.
As novas estruturas permitem reunir representantes de diferentes setores, entidades, especialistas e sociedade civil para analisar demandas, compartilhar conhecimento e buscar encaminhamentos. A proposta é oferecer ao Parlamento subsídios para a elaboração e o acompanhamento de políticas públicas mais conectadas às diferentes realidades de Mato Grosso.
Entre as iniciativas está a Frente Parlamentar da Avicultura no Estado de Mato Grosso, criada pelo Ato nº 052/2026/SSL/ALMT, de 10 de junho, e publicada no Diário Oficial em 12 de junho. O espaço acompanha questões relacionadas à cadeia avícola, atividade que movimenta a economia, gera empregos e contribui para o abastecimento alimentar. Confira o Ato nº 052/2026 no Diário Oficial da ALMT
Outra frente criada no período foi a Frente Parlamentar do Garimpo, instituída pelo Ato nº 071/2026/SSL/ALMT, de 12 de agosto, e publicada no Diário Oficial em 14 de agosto. A iniciativa abre espaço para tratar de questões relacionadas à atividade garimpeira, como regularização, desenvolvimento econômico e interlocução com os órgãos públicos, considerando também os aspectos ambientais e trabalhistas. Confira o Ato nº 071/2026 no Diário Oficial da ALMT
Câmaras Setoriais – No mesmo período, três câmaras setoriais temáticas foram criadas para aprofundar assuntos que demandam análise específica e participação de diferentes áreas do conhecimento. As cãmaras setoriais reúnem em sua composição pessoas que tem conhecimento dos temas e, juntas, fazem discussões e apresentam propostas ao Parlamento, ao final dos trabalhos.
A Câmara Setorial Temática sobre Canabidiol foi instituída pelo Ato nº 053/2026/SSL/ALMT, de 10 de junho. O trabalho envolve questões relacionadas ao uso medicinal do canabidiol, com atenção à regulamentação, ao acesso a medicamentos, à pesquisa e às políticas públicas voltadas à população. Confira o Ato nº 053/2026 no Diário Oficial da ALMT
Em julho, a ALMT criou a Câmara Setorial Temática Indígena, por meio do Ato nº 067/2026/SSL/ALMT. O espaço busca promover articulação e acompanhamento de políticas públicas relacionadas aos povos indígenas, considerando as particularidades das comunidades presentes no território mato-grossense. Confira o Ato nº 067/2026 no Diário Oficial da ALMT
Também em julho foi instituída a Câmara Setorial Temática do Baru, pelo Ato nº 068/2026/SSL/ALMT. A iniciativa contempla o fortalecimento da cadeia produtiva do fruto, com atenção à conservação, ao manejo sustentável, à pesquisa, à inovação, à agregação de valor e à abertura de mercados. Confira o Ato nº 068/2026 no Diário Oficial da ALMT
Aproximação – As cinco novas estruturas ampliam os instrumentos de participação e acompanhamento utilizados pela ALMT. Ao criar espaços específicos para tratar de diferentes setores e demandas, a Casa de Leis favorece a circulação de informações, a escuta de quem vivencia cada realidade e a construção coletiva de alternativas.
Os temas escolhidos também refletem a diversidade de desafios e oportunidades de Mato Grosso. Produção, saúde, atividade mineral, sustentabilidade e direitos dos povos indígenas envolvem interesses distintos e, muitas vezes, questões complexas que exigem diálogo entre poder público e sociedade.
Nesse sentido, frentes parlamentares e câmaras setoriais temáticas funcionam como ferramentas de aproximação e aprofundamento do trabalho legislativo. O resultado esperado é que informações, demandas e contribuições reunidas nesses espaços possam subsidiar decisões e propostas capazes de responder às necessidades do estado e melhorar a vida da população.
Todas as reuniões, tanto das câmaras setoriais quanto das frentes parlamentares, são abertas à sociedade e as datas das reuniões são disponibilizadas na agenda, no site da ALMT.
Fonte: ALMT – MT



