POLITÍCA NACIONAL
Câmara celebra 200 anos de relações diplomáticas entre Brasil e Santa Sé
POLITÍCA NACIONAL
A Câmara dos Deputados realizou, nesta terça-feira (3), uma sessão solene para homenagear o bicentenário das relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé. O evento celebrou dois séculos de diálogo institucional, iniciados em 23 de janeiro de 1826, quando o papa Leão XII reconheceu a independência brasileira.
O deputado Luiz Gastão (PSD-CE), autor do requerimento e presidente da Frente Parlamentar Católica, destacou que a relação entre o Estado brasileiro e o Vaticano vai além de protocolos formais. Para o parlamentar, a parceria se reflete em ações concretas voltadas à população mais vulnerável.
“Essa relação não é apenas memória, é compromisso com a vida e com os invisíveis. Quando a diplomacia perde o amor, ela vira protocolo; quando o Estado perde o amor, ele se distancia do povo”, afirmou Luís Gastão.
Papel social
Representantes do governo e da Igreja ressaltaram a importância do Acordo Brasil-Santa Sé, assinado em 2008. O documento garante segurança jurídica para a atuação da Igreja em áreas como educação, saúde e assistência social, respeitando a laicidade do Estado.
O cardeal dom Paulo César Costa, arcebispo de Brasília, explicou que o Estado não deve ser inimigo da religião. “A verdadeira laicidade é aquela que dá condições para que as religiões exerçam suas atividades com liberdade. O Estado sozinho não responde a todas as necessidades do povo”, pontuou.
A Campanha da Fraternidade de 2026, com o tema “Fraternidade e Moradia”, também foi citada como exemplo de política pública apoiada pela Igreja. Os parlamentares reforçaram o compromisso em combater o déficit habitacional, tratando a moradia como porta de entrada para direitos como saúde e segurança.

Histórico de cooperação
O Brasil foi o primeiro país do continente americano a estabelecer laços com a Santa Sé. O núncio apostólico no Brasil, Dom Giambattista Diquattro, leu uma mensagem do papa Leão XIV, que destacou a “amizade autêntica” entre as nações.
Outros pontos destacados no debate foram:
- Assistência em emergências – o deputado Eros Biondini (PL-MG) citou a mobilização das paróquias no socorro às vítimas de chuvas recentes em Minas Gerais como exemplo de atuação imediata da Igreja.
- Educação e cultura – a contribuição histórica de ordens religiosas na fundação de escolas e hospitais desde o período colonial.
- Paz mundial – o apelo pelo fim de conflitos internacionais e a promoção da “cultura do encontro”.
Participantes
A mesa da solenidade contou com a presença do cardeal Dom Lorenzo Baldisseri, enviado especial do papa; do cardeal dom Jaime Spengler, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB); e do embaixador do Brasil na Santa Sé, Everton Vieira Vargas.
Também participaram os deputados Diego Garcia (Republicanos-PR), Reimont (PT-RJ), Bia Kicis (PL-DF), Chris Tonietto (PL-RJ) e Hugo Leal (PSD-RJ).
Da Redação – GM
Fonte: Câmara dos Deputados
POLITÍCA NACIONAL
Em debate na Câmara, especialistas apontam desafios ambientais e econômicos da transição energética
Em seminário promovido por três comissões da Câmara dos Deputados nesta terça-feira (9), especialistas apresentaram sugestões ambientais e econômicas para a gradual substituição dos combustíveis fósseis, como petróleo, carvão e gás natural, diretamente ligados ao aquecimento do planeta. De forma geral, defenderam uma transição energética com metas anuais, prazos vinculantes e fundos para garantir justiça climática.
No aspecto político, a coordenadora de projetos do Instituto ClimaInfo, Carolina Marçal, destacou que o Brasil precisa superar contradições na condução do tema.
“Ao mesmo tempo em que o Brasil tem se colocado como um líder climático global e tem de fato exercido um papel importante nesse sentido, a gente vê uma expansão da indústria fóssil e de frentes de exploração inclusive em lugares emblemáticos, como na Margem Equatorial e em outras regiões”, salientou.
Analista do WWF Brasil, Ricardo Fuji mostrou impactos da exploração de petróleo na foz do rio Amazonas, com elevado custo social e risco de emissão de 446 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera. Segundo ele, o quadro seria bem diferente se o investimento fosse direcionado à produção de eletricidade limpa e biocombustíveis.
“Com aquele mesmo investimento de R$ 32 milhões na Foz do Amazonas, daria para instalar um parque e linhas de transmissão para gerar eletricidade renovável”, exemplificou.
Derivados do petróleo
Os especialistas também discutiram o cenário geopolítico que impacta no preço internacional dos derivados de petróleo. Só nos primeiros 50 dias da atual guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, a indústria petrolífera lucrou 150 bilhões de dólares, segundo a 350.org Brasil, organização global pelo fim dos combustíveis fósseis.
Outro dado revela que 2/3 da população mundial vivem em países que importam petróleo e, obviamente, tiveram aumento no custo de vida durante essa guerra.
O diretor da organização 350.org no Brasil, João Cerqueira, lembrou que o setor é altamente subsidiado no mundo inteiro. Ele pediu aos parlamentares a aprovação do Projeto de Lei 219/25, que proíbe novos subsídios ao carvão, além da rejeição de outra proposta (PL 1371/25) que mantém esses subsídios até 2050 no Brasil.
Um dos organizadores do debate, o deputado Fernando Mineiro (PT-RN) defendeu a atual estratégia do governo federal no enfrentamento da crise. “Quero ressaltar o papel do governo brasileiro diante dessa crise em curso. Foi a ação política, e não a ação de mercado, que posicionou o Brasil em um lugar melhor do que o de outras nações. Ou seja: não é o livre mercado que vai dar o tom de como nós vamos alcançar e fazer essa travessia para uma transição justa sobre a questão energética.”

Conta de luz
Também houve debates em torno dos impactos da política energética na conta de luz. Representante da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Leandro Moreira citou esforços para redução do peso dos subsídios custeados pela tarifa energética. Um deles é o projeto da Lei de Responsabilidade Tarifária (PLP 100/26), em análise na Câmara.
Bruna Targino, do Instituto E+ Transição Energética, sugeriu foco do país em planejamento, financiamento e estratégia industrial de longo prazo, sobretudo diante das novas opções de exploração mineral e energética.
“Nós não podemos sair da dependência fóssil para uma nova dependência tecnológica e material. Por isso, agendas como a de minerais críticos estratégicos precisam ser tratadas como agendas industriais, com agregação de valor e considerando rastreabilidade, circularidade e salvaguardando padrões socioambientais robustos”, defendeu Bruna Targino.
O seminário na Câmara foi promovido pelas Comissões de Meio Ambiente, da Amazônia e de Defesa do Consumidor.
Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Ana Chalub
Fonte: Câmara dos Deputados
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