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Deputadas e sindicatos de trabalhadoras domésticas cobram medidas contra o trabalho escravo

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Deputadas e representantes de sindicatos de trabalhadoras domésticas cobraram, nesta quarta-feira (20), políticas públicas de combate à escravidão contemporânea de empregadas domésticas. Durante evento na Câmara, promovido pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, elas defenderam a aprovação do Projeto de Lei 3351/24, que estabelece diretrizes para atender e ressocializar vítimas de trabalho forçado.

O encontro reuniu deputadas e cerca de 200 trabalhadoras domésticas e fez parte do 13º Congresso Nacional das Trabalhadoras Domésticas do Brasil, realizado de 19 a 24 de agosto, com foco na defesa dos direitos da categoria e no combate ao trabalho escravo.

Atualmente, o cadastro de empregadores que submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão, conhecido como Lista Suja, registra 718 empregadores, conforme dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Na última atualização, foram incluídos 155 empregadores, dos quais 18 por violação aos direitos humanos relacionada ao trabalho escravo.

A coordenadora da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad), Cleide Pinto, chamou a atenção para o argumento usado por muitos empregadores de que as vítimas eram consideradas “membros da família” e, portanto, não havia razões para suspeitar da violência sofrida. Ela defendeu maior proteção às vítimas para evitar que, mesmo após serem resgatadas, continuem sendo constrangidas pelos agressores.

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“Às vezes, as trabalhadoras são resgatadas e o sindicato não sabe. Muitas vezes, essas trabalhadoras precisam de alguém que fale por elas”, disse. Cleide destacou ainda que, em vários casos, essas mulheres são mantidas em cárcere privado por anos, sem alimentação adequada, acesso à educação ou a tratamento médico.

Caso Sônia Maria de Jesus
Durante o evento, as debatedoras lembraram o caso de Sônia Maria de Jesus, mulher negra e surda submetida por mais de 40 anos a condições análogas à escravidão. Após o resgate, uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) permitiu que os acusados entrassem em contato com ela. A decisão também possibilitou que Sônia regressasse à casa dos investigados, o que de fato ocorreu.

O caso é considerado emblemático porque, segundo as parlamentares, a vítima não recebeu o devido amparo do poder público, como atendimento psicológico e medidas de ressocialização. Em vez disso, foi conduzida ao convívio com seus agressores, o que abriu espaço para que eles a constrangessem a voltar ao núcleo familiar.

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Para a deputada Erika Hilton (Psol-SP), sobrinha e neta de trabalhadoras domésticas, o aumento de relatos como o de Sônia mostra que a estrutura do escravismo se renova e ainda opera na sociedade atual.

“Os relatos que nós ouvimos de trabalhadoras domésticas neste país não dizem respeito apenas a uma violência contra uma trabalhadora, mas à ruptura da dignidade humana, do pacto de civilidade. É um desprezo às humanidades que nós não podemos aceitar”, ressaltou.

Lei das Domésticas
A deputada Benedita da Silva (PT-RJ), que também trabalhou como empregada doméstica, comemorou os dez anos da Lei das Domésticas, da qual foi relatora na Câmara. Ela destacou, no entanto, que o Estado ainda precisa avançar para quebrar a lógica do racismo e da precarização do trabalho doméstico, exercido em grande parte por mulheres negras.

“Nós somos violentadas a cada dia, violentadas quando não podemos comer o biscoito, violentadas quando temos o toque de recolher. Não temos o direito de ir para casa ver nossos filhos, que são criados por outras mulheres”, afirmou.

Reportagem – Emanuelle Brasil
Edição – Roberto Seabra

Fonte: Câmara dos Deputados

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Famílias cobram da Anvisa liberação de medicamento para distrofia muscular de Duchenne

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Pais de crianças com distrofia muscular de Duchenne (DMD) cobraram da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nesta terça-feira (16), em audiência pública na Câmara dos Deputados, a liberação do medicamento Elevidys para o tratamento da doença. A venda e o uso do remédio estão suspensos temporariamente no Brasil desde julho de 2025.

A DMD é uma doença genética degenerativa rara que causa o enfraquecimento progressivo dos músculos. Os sinais costumam aparecer entre os 2 e 4 anos de idade. Na adolescência, os pacientes geralmente precisam usar cadeira de rodas. Em estágios mais avançados, a doença pode comprometer os músculos cardíacos e a respiração.

O pai do primeiro paciente a receber o Elevidys no país, Humberto Scherer, criticou a decisão da agência. Durante a reunião, ele exibiu um vídeo do filho Guilherme, de 7 anos, correndo e subindo escadas.

“A trajetória da nossa vida é um ponto de interrogação. Para as crianças com Duchenne, é um ponto final. Esse medicamento dá a chance de essa criança ter esse ponto de interrogação e ter uma vida”, disse.

O apelo foi reforçado pelo médico Erick Cavalcanti, pai de outro paciente que mantém a força muscular após dois anos da aplicação. Ele pediu o fim da suspensão, que dura 11 meses.

“Não houve registro de reações graves em crianças de 4 a 7 anos, idade aprovada pela Anvisa em 2024”, afirmou Cavalcanti. Segundo ele, os problemas apontados no mundo ocorreram em adolescentes ou em testes para outras doenças.

O debate na Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência foi proposto pelo deputado Max Lemos (União-RJ).

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“Hoje está provado que o Elevidys traz esperança”, disse Lemos. O deputado adiantou ainda que pretende apresentar um projeto de lei para destinar recursos das bets para custear o medicamento no Sistema Único de Saúde (SUS).

Vinicius Loures / Câmara dos Deputados
Audiência Pública - Atraso na análise do medicamento Elevidys pela Anvisa
Familiares de pacientes protestaram durante o debate

Mortes de pacientes
Segundo a Anvisa, a suspensão preventiva do medicamento ocorreu após o registro de três mortes de pacientes nos Estados Unidos, provocadas por falência do fígado. A agência aguarda informações complementares da Roche Farma Brasil sobre eficácia e estudos de acompanhamento de longo prazo.

Gerente de Sangue, Tecidos, Órgãos e Produtos de Terapias Avançadas da Anvisa, João Batista da Silva Júnior explicou que o medicamento recebeu um registro excepcional e condicional em dezembro de 2024. A autorização exige a entrega de relatórios anuais de monitoramento, mas a farmacêutica, por uma mudança de protocolo, deixou de enviar dados sobre a eficácia.

“Não estamos falando de dipirona. Estamos falando de um produto complexo, de riscos, de populações que precisam ser respeitadas do ponto de vista de dar a esperança adequada”, declarou.

Silva Júnior ressaltou que dados de 2026 indicam que os pacientes começam a piorar a partir do terceiro ano de tratamento. A agência também identificou que metade dos seis eventos adversos no Brasil ocorreu por uso fora das especificações da bula (off-label).

“A Anvisa fez, então, uma suspensão cautelar para tentar entender o que estava acontecendo”, justificou o gerente.

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Como alternativa, a Anvisa analisa o medicamento Givinostat, com resultado previsto para o bimestre de julho e agosto de 2026.

O deputado Vitor Lippi (PSD-SP), que é médico, defendeu rapidez na liberação do medicamento e argumentou que riscos de lesão hepática são comuns a outros remédios.

“Essa questão de ter efeito hepático é bastante frequente entre os medicamentos, o que não significa que eles são proibidos ou haja um impedimento de uso”, avaliou. Para o parlamentar, a demora reduz as chances de os pacientes terem uma vida saudável.

A advogada Daniela Forti questionou o representante da agência se a perda de tempo para o paciente seria pior do que a falta de dados técnicos. Silva Júnior respondeu que é preciso descobrir se a piora após o segundo ano é causada pela falha do remédio ou pela evolução natural da doença.

Ela sugeriu então a devolução do acesso provisório ao produto, argumentado que a própria agência já reconheceu a segurança do produto.

“A gente poderia se utilizar justamente disso: dar continuidade ao registro com excepcionalidades, para averiguação”, propôs.

Diretora do Departamento de Gestão e Incorporação de Tecnologias em Saúde do Ministério da Saúde, Luciene Bonan fechou o debate sinalizando que a pasta considera aceitável analisar a inclusão do Elevidys no SUS. Contudo, o governo federal aguarda a decisão final da Anvisa sobre o registro da fórmula.

Reportagem – Murilo Souza
Edição – Geórgia Moraes

Fonte: Câmara dos Deputados

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