POLITÍCA NACIONAL
Ministro defende asilo diplomático a ex-primeira dama do Peru por “razões humanitárias”
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Em audiência pública realizada nesta quarta-feira (28) na Câmara dos Deputados, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, defendeu a concessão de asilo político pelo governo brasileiro à ex-primeira-dama do Peru Nadine Heredia, em abril passado.
Heredia e seu marido, o ex-presidente Ollanta Humala, foram condenados a 15 anos de prisão pela Justiça peruana, acusados de recebimento ilícito de verba da empreiteira brasileira Odebrecht para campanhas eleitorais.
Vieira, que foi convocado pela Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional para discutir este e outros temas, explicou que o asilo foi concedido em “bases humanitárias”. A ex-primeira-dama estava em processo de recuperação de uma cirurgia na coluna vertebral. Além disso, tem um filho menor que ficaria desassistido, uma vez que o marido estava preso.
“Em menos de duas horas, o governo peruano, ao ser notificado que a senhora Nadine Heredia tinha ingressado na Embaixada do Brasil e que pedia o asilo, concedeu o salvo-conduto”, disse Vieira. “O próprio governo peruano prontamente concedeu esse salvo-conduto sem qualquer questionamento”.

Críticas à decisão
A decisão do governo brasileiro gerou forte reação da oposição, que convocou o ministro para a audiência pública. O presidente da comissão, deputado Filipe Barros (PL-PR), argumentou que o governo desrespeitou a Convenção de Caracas, que regula o asilo diplomático entre os países das Américas.
Barros afirmou que o artigo 3º da convenção impede a concessão de asilo a pessoas que, no momento da solicitação, estejam formalmente acusadas ou sendo julgadas por um crime. “Ela estava sendo processada em via de ser condenada por corrupção, que é um crime comum”, afirmou o deputado.
O deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) foi ainda mais incisivo, acusando o Brasil de dar abrigo a “uma criminosa”. Ele ainda criticou o ministro por não ter comparecido à reunião anteriormente marcada para o dia 6.
Em resposta, o ministro esclareceu que a sentença condenando a ex-primeira-dama por corrupção só foi proferida três semanas após sua chegada ao Brasil.
Perseguição
Já o deputado Carlos Zarattini (PT-SP) defendeu a conduta do governo, afirmando que o Brasil agiu em conformidade com a lei ao receber e conceder o pedido de asilo. Zarattini sugeriu a existência de perseguição política no processo contra Heredia e seu marido.
“Estamos tratando aqui de uma situação de um país com o qual o Brasil mantém relações internacionais, recebemos o pedido de asilo, concedemos o asilo e cumprimos as leis”, disse.
Conflito em Gaza
Durante a audiência, o ministro também respondeu a questionamentos sobre o conflito na Palestina. Ele recordou que, em 2023, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou os ataques terroristas do Hamas contra civis israelenses, evento que desencadeou a escalada do atual conflito.
No entanto, Vieira criticou as ações de Israel em Gaza desde então. “Já passou o tempo em que se pode dizer que tudo é autodefesa. Não, é uma vingança”, afirmou o chanceler. Ele também mencionou que a Corte Internacional de Justiça admitiu a “plausibilidade da alegação de genocídio em Gaza”.
As declarações do ministro foram contestadas pelo deputado Evair Vieira de Melo (PP-ES), um dos solicitantes da audiência. Para ele, o governo Lula transformou a diplomacia brasileira em um projeto ideológico. “O senhor tornou-se cúmplice, pelas suas ações, de regimes que perseguem, aprisionam e censuram seus próprios povos”, acusou o deputado.
Em defesa do ministro, a deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) propôs que o Brasil rompa relações diplomáticas com Israel devido aos “massacres em Gaza”. “Não é exagero quando o presidente Lula compara o massacre que hoje acontece na Palestina com o Holocausto, porque é preciso dar o nome correto para as coisas, até para que o mundo entenda o que está acontecendo”, argumentou a deputada.
Reportagem – Janary Júnior
Edição – Geórgia Moraes
Fonte: Câmara dos Deputados
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Em 2027, Senado terá 40 senadores novos e 14 reeleitos
A eleição deste domingo (4) definiu os ocupantes de 54 das 81 cadeiras do Senado para os próximos oito anos. Quarenta vagas serão renovadas, o equivalente a 74% das cadeiras em disputa. As demais serão ocupadas por senadores que conseguiram se reeleger.
Dos 32 atuais senadores que tentaram a reeleição, 14 conseguiram um novo mandato, o que corresponde a 43,7%.
Antes mesmo da apuração, já se sabia que haveria mudança significativa na composição da Casa a partir de 2027. Isso porque, entre os ocupantes das 54 cadeiras em disputa, 13 não eram candidatos e outros 9 disputaram cargos diferentes ou participaram das eleições como suplentes. Com o resultado das urnas, a renovação foi ampliada pela derrota de 18 dos 32 senadores que tentavam permanecer no cargo.

Foram reeleitos, em ordem alfabética: Alessandro Vieira (MDB-SE), Carlos Portinho (PL-RJ), Cid Gomes (PSB-CE), Eduardo Braga (MDB-AM), Eduardo Gomes (PL-TO), Humberto Costa (PT-PE), Jaques Wagner (PT-BA), Lucas Barreto (PSD-AP), Marcelo Castro (MDB-PI), Marcio Bittar (PL-AC), Plínio Valério (PSDB-AM), Rogério Carvalho (PT-SE), Styvenson Valentim (Podemos-RN) e Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB).
Números
A disputa de 2026 repete um dado de 2018: nos dois pleitos, 32 titulares tentaram continuar no Senado. Em 2018, porém, apenas 8 foram reeleitos, e a renovação alcançou 46 das 54 cadeiras, ou 85,19%. Em 2026, o índice de reeleição foi maior, e a taxa de renovação, menor.
As outras 27 cadeiras do Senado não estavam em disputa neste ano porque foram preenchidas na eleição de 2022 e têm mandato até janeiro de 2031. Ainda assim, algumas terão mudança a partir do próximo ano.
Cleitinho (Republicanos-MG) e Sergio Moro (PL-PR) foram eleitos governadores, enquanto Alan Rick (Republicanos-AC), Omar Aziz (PSD-AM) e Professora Dorinha Seabra (União-TO) avançaram para o segundo turno nos respectivos estados. O Senado é renovado alternadamente a cada quatro anos: em uma eleição são escolhidos dois terços da Casa e, na seguinte, um terço.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado



