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PNE foi quase totalmente descumprido, apontam debatedores

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O descumprimento da maior parte das metas do Plano Nacional de Educação (PNE) foi alvo de críticas de especialistas ouvidos nesta quinta-feira (28) em audiência pública na Comissão de Educação (CE). Os convidados ofereceram sugestões ao novo PNE (PL 2.614/2024) — atualmente em tramitação na Câmara dos Deputados — e exigiram o compromisso com a destinação de 10% do Produto Interno Bruto (10%) à educação.

A coordenadora-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Andressa Pellanda, apresentou levantamento que aponta o descumprimento de 90% das metas do PNE em vigor (Lei 13.005, de 2014). Ela avaliou que o maior obstáculo ao Plano é de natureza econômica.

— As políticas econômicas não têm tido compromisso com a garantia do direito social, incluindo o direito à educação.

A entidade apontou retrocessos no novo PNE e, reunindo demandas de representantes do setor, propôs o fortalecimento da gestão democrática, a valorização dos profissionais, e a regulação da atuação das escolas privadas, entre outros pontos.

A presidente da CE, senadora Teresa Leitão (PT-PE), concordou que o PNE precisa ser “democrático e emancipador”, e não apenas um instrumento burocrático para cumprimento de metas.

— Todo mundo está levantando a questão de metas. É o ponto focal: se estão lá, como fazer para serem devidamente atendidas e atingidas? — questionou.

A audiência pública concluiu ciclo de doze debates na CE sobre o tema. Sua realização atende a requerimentos de Teresa e do senador Sérgio Petecão (PSD-AC).

Cobranças

O presidente da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes), Hugo Silva, disse esperar que, em 2035, seja possível avaliar que 100% das metas do novo PNE foram cumpridas. Para ele, um grande entrave ao pleno cumprimento do PNE tem sido a ausência de um Sistema Nacional de Educação.

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— O Brasil precisa de um espaço institucional onde a gente consiga reunir os entes federativos, os gestores, os professores, os estudantes para monitorar essas metas, propor ajustes, garantir que o PNE não seja só um documento bonito no papel.

Por fim, a presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bianca Borges, criticou o nível de investimento no ensino superior no Brasil, que considera baixo. Ela lamentou a elevada evasão das universidades, especialmente em cursos de licenciatura, e propôs um instituto para supervisão da qualidade do ensino privado.

— Não podemos aceitar retrocessos que entreguem a regulação de qualidade ao mercado. Educação não é mercadoria.

Vinícius Soares, presidente da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), considera que as demandas do PNE para a pós-graduação têm sido “razoavelmente” cumpridas. Mas, para ele, restam desafios, como a falta de um sistema nacional para regulamentação do setor, os valores defasados das bolsas e o reconhecimento insuficiente dos direitos trabalhistas do pós-graduando.

— A própria Constituição brasileira já prediz: o Estado Brasileiro precisa prover condições especiais para aqueles que se dedicam à ciência e à tecnologia.

O reitor do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ), Rafael Barreto Almada, apontou políticas de “desconstrução” que dificultaram a implementação do PNE. Ele cobrou protagonismo aos estudantes e sublinhou que, em educação, “despesa não é gasto”.

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— A gente precisa que o Plano Nacional pense efetivamente os sistemas públicos e os modelos de financiamento. Os Institutos Federais, assim como as universidades federais, têm passado dificuldades na sua concepção por ainda permitirem uma fragilidade em sua política de financiamento.

Novo PNE

O Plano Nacional de Educação (PNE) é um documento que estabelece diretrizes, metas e estratégias para a política educacional dentro de um período de dez anos. Com base no plano, os governos estruturam seus planos específicos, decidem compras e direcionam investimentos, conforme o contexto e a realidade local.

De acordo com o Ministério da Educação, o PNE é um plano para todo o país, com responsabilidades compartilhadas entre a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios. Por ser decenal, ultrapassa diferentes gestões de governo, superando a descontinuidade das políticas públicas a cada mudança de condução político-partidária.

Aumento de salário para os professores, mais vagas em creches, melhor estrutura para escolas e canais de participação popular são alguns dos temas que estão presentes no novo PNE.

O PNE atual encerrava sua vigência em até 2024, mas foi prorrogado até o final deste ano. O novo PNE deve ir até 2034.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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Minerais críticos: relatório amplia controle público, estabelece limites para exportações e cria incentivos fiscais

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O relator da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PL 2780/24 e apensados), deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), afirmou que seu parecer buscou agregar valor à cadeia produtiva evitando que o Brasil atue apenas como exportador de minerais críticos.

“Não nos sujeitaremos a ser exportadores de commodities minerais. Queremos processá-las, beneficiá-las, transformá-las aqui e agregar valor”, afirmou. Segundo ele, a ideia é estimular o beneficiamento e a transformação mineral e restringir a exportação de commodities minerais.

Jardim apresentou nesta segunda-feira (4) os principais pontos do texto que estabelece uma estratégia para a gestão desses bens minerais. A leitura do relatório e a votação devem ficar para esta terça-feira (5) já no Plenário, pois o projeto está com urgência.

O texto traz limitações à exportação de minerais brutos sem processamento e cria um sistema de incentivos fiscais progressivos. Ou seja, quanto mais a empresa avança nas etapas de beneficiamento dentro do Brasil, maiores os benefícios que recebe.

Segundo o autor da proposta, deputado Zé Silva (União-MG), há uma “força tarefa” para tentar aprovar o texto até a quarta (6).

“Acredito que o projeto está maduro e o Brasil precisa da aprovação do texto neste momento crítico que o mundo está passando. Temos condição, com uma política dessas, de nos estabelecer como segunda potência mundial na produção desses minerais”, declarou.

Incentivos fiscais
O parecer institui o programa que prevê créditos fiscais de até 20% dos valores pagos pelos projetos contemplados, com limite anual de R$ 1 bilhão entre 2030 e 2034 — totalizando R$ 5 bilhões no período. A concessão dos créditos terá percentual variável conforme o nível de agregação de valor promovido no país.

Segundo Jardim, a negociação dos incentivos fiscais foi o ponto mais difícil no diálogo com o governo. Ele afirmou que o texto final busca incentivar não apenas a extração, mas principalmente o beneficiamento e a transformação industrial dos minerais críticos.

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Conselho
A proposta também cria o Conselho Especial de Minerais Críticos e Estratégicos (CMCE) responsável por definir a lista de minerais estratégicos (revisada a cada quatro anos), classificar projetos prioritários e avaliar operações que possam ameaçar a segurança econômica ou geopolítica do país. Fusões, aquisições, entrada de capital estrangeiro e transferência de ativos minerais passarão por análise prévia do poder público.

“A visão que há no parecer é que deveríamos empoderar o poder público de instrumentos para orientar essa política. É o estado, em vez de provedor, mais regulador”, declarou, ao explicar porque o parecer não buscou criar uma nova empresa estatal para o setor.

O texto permite que o poder público estabeleça parâmetros, condicionantes e requisitos técnicos vinculados à exportação dos minerais, especialmente quando houver baixo grau de processamento.

Jardim afirmou que o texto não cria uma taxação direta, mas abre a possibilidade de o governo estabelecer imposto sobre exportação pontualmente para alguns minerais.

“Nenhum projeto de exploração vai se estabelecer aqui sem anuência prévia do governo. Se tiver uma mudança de controle acionário ou de comando de um determinado projeto ou alteração de seu processo, isso poderá ser revisto”, afirmou.

Fundo garantidor
O projeto cria um fundo garantidor da atividade mineral, com capacidade de até R$ 5 bilhões. A União participará com limite de R$ 2 bilhões e o fundo será administrado por uma instituição financeira federal.

Também poderão integrar o fundo empresas com receita vinda de pesquisa, lavra, beneficiamento e transformação de minerais críticos ou estratégicos no país.

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Pesquisa
O relatório também obriga as empresas exploradoras a aplicar anualmente parcela da receita bruta em pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica (P&D). Nos primeiros seis anos, a obrigação é de 0,3% em P&D e 0,2% na integralização de cotas do fundo garantidor; após esse prazo, o mínimo passa a ser de 0,5% em P&D.

O texto cria ainda cadastro nacional, com registro obrigatório de projetos implementados no território nacional, unificando informações de órgãos federais, estaduais, municipais e distritais.

Terras raras x minerais críticos
Terras raras são um grupo de 17 elementos químicos que estão dispersos na natureza, o que dificulta a extração, sendo essenciais para turbinas eólicas, carros elétricos e sistemas de defesa, por exemplo (Veja infográfico abaixo).

Já os minerais críticos são aqueles essenciais para setores como energia limpa, eletrificação e defesa, com alta demanda global e riscos de fornecimento concentrados em poucos países — como lítio, cobalto e nióbio.

As terras raras podem ser consideradas minerais críticos dependendo do contexto, mas nem todo mineral crítico é uma terra rara.

Crítica
Entidades da sociedade civil presentes à apresentação dos principais pontos do texto criticaram a ausência do relatório final e o que classificaram como análise rápida do tema.

Jardim respondeu que o texto está em discussão há dois anos, teve urgência aprovada há 9 meses e já estaria pronto para votação no Plenário. Segundo o relator, a proposta traz ainda preocupação adequada com as comunidades locais e o licenciamento ambiental.

Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Geórgia Moraes

Fonte: Câmara dos Deputados

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