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Polícia poderá ter acesso a localização de agressor com tornozeleira, decide CSP

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A Comissão de Segurança Pública (CSP) aprovou nesta terça-feira (2) projeto de lei que permite que dados de localização de agressores monitorados por tornozeleira eletrônica sejam compartilhados com a polícia, nos casos de crime de violência doméstica.

A medida busca facilitar a adoção de políticas de prevenção e garantir o atendimento imediato das vítimas. De autoria do senador Jayme Campos (União-MT), o PL 930/2023 teve parecer favorável da senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e segue para análise da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). 

A proposta modifica a Lei Maria da Penha (Lei 11.340, de 2006) para incluir a possibilidade de compartilhamento, pelos órgãos responsáveis pelo monitoramento eletrônico, de dados de localização dos agressores que tenham medidas protetivas de afastamento ou restrição de condutas fiscalizadas por tornozeleiras eletrônicas. Atualmente esse compartilhamento depende de autorização judicial, conforme resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) — o que, segundo o autor, prejudica ações rápidas e eficazes das forças de segurança.

A relatora apresentou emenda para ajustar o texto à legislação atual, retirando a menção à observância da legislação de proteção de dados pessoais, uma vez que a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) não se aplica a tratamentos de dados para fins de segurança pública.

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Em seu relatório, Damares argumenta que o direito à privacidade do agressor não pode se sobrepor ao direito à vida da vítima e diz que a medida proposta permitirá a criação de políticas públicas mais eficientes por meio do mapeamento geográfico de reincidências de violência doméstica. A relatora também aponta que a cláusula de reserva de jurisdição imposta pela resolução do CNJ só pode ser estabelecida por lei, exigência que o PL 930/2023 busca suprir.

— O risco do agressor à exposição de sua vida privada é um custo mais baixo do que o risco criminal que a norma impõe à sociedade: a ameaça vivida pelas vítimas das agressões — afirmou a senadora na reunião.

Proteção

O senador Jayme Campos elogiou o voto da relatora e reforçou a necessidade de ajustes na legislação para fortalecer o arcabouço de proteção às mulheres e a penalização do criminoso. 

— Nós temos que tomar alguma providência, endurecer as leis, porque esses crimes estão se tornando rotineiros, hábito aqui no Brasil. Trata-se de um avanço legal que é absolutamente necessário. Um passo decisivo na proteção de mulheres ameaçadas, violentadas, tantas vezes mortas por quem deveria respeitá-las. 

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Para o senador Sergio Moro (União-PR), a medida se soma a outros projetos já aprovados pelo Senado, como a lei que estabelece novos critérios para prisão preventiva e audiência de custódia, na tentativa de combater a sensação de impunidade no país. Ele citou um crime de feminicídio recente em que a revolta social levou o juiz a reverter uma decisão que colocava o criminoso em liberdade, com monitoramento.

— Nós aprovamos recentemente, no Senado e na Câmara, um projeto que, ao meu ver, é muito importante, pois restringe soltura em audiência de custódia. Teve um caso em Pernambuco no começo do mês em que a vítima, Julia Eduarda, estava grávida e foi assassinada com golpes de martelo. O indivíduo foi levado em audiência de custódia e o juiz o colocou em tornozeleira eletrônica. Gerou revolta no interior de Pernambuco, e o juiz acabou revertendo a decisão — relatou.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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Comissão aprova criação de Semana Nacional de Educação Cidadã

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A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que cria a Semana Nacional de Educação Cidadã, a ser realizada, anualmente, na segunda semana de agosto. 

A relatora na comissão, deputada Laura Carneiro (PSD-RJ), apresentou parecer favorável ao Projeto de Lei 4799/24, do Senado. Ela acolheu uma emenda da deputada Chris Tonietto (PL-RJ) para substituir a expressão “equidade de gênero” por “equidade entre homens e mulheres”. 

A proposta tramitou em caráter conclusivo e poderá seguir para sanção presidencial, a menos que haja recurso para votação pelo Plenário da Câmara.

De acordo com o texto aprovado, a Semana Nacional de Educação Cidadã deverá integrar o calendário nacional e ter como objetivo fomentar, promover e reconhecer o papel da educação cidadã na formação de uma sociedade consciente e participativa.

Diretrizes
A proposta estabelece como diretrizes para a semana, “sempre obedecendo ao suprapartidarismo e ao desenvolvimento da consciência crítica como princípio pedagógico”:

  • incentivo à educação cidadã e ao exercício da cidadania;
  • apoio ao letramento político como educação para a democracia; 
  • promoção do conhecimento sobre a educação cidadã e a capacitação dos educadores nos temas correlatos; e
  • integração e compartilhamento de recursos entre diferentes instituições públicas, privadas e da sociedade civil responsáveis pelo letramento político e pela educação cidadã em todo o território nacional.
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Entre as atividades previstas estão:

  • palestras, oficinas, debates, seminários e outros eventos abertos ao público para fortalecer e disseminar a educação cidadã em todo o território nacional; 
  • capacitação de educadores, lideranças comunitárias, gestores públicos e outros agentes sociais, assim como conscientização da população em geral acerca do exercício da cidadania; 
  • estímulo a campanhas sobre pesquisa, produção e gestão do conhecimento em educação cidadã, bem como incentivo à participação qualificada em conselhos, conferências e audiências públicas; 
  • concursos de redação, produções audiovisuais ou outras formas de expressão artística e cultural que abordem temas relacionados à cidadania, à democracia e à participação política; 
  • incentivo à compreensão da ética na política, da equidade entre homens e mulheres, de raça e etnia, da diversidade e da inclusão, do desenvolvimento sustentável e dos impactos desses temas para o sistema político e a sociedade em geral; e
  • fomento à criação de grupos de estudos, clubes de debate, grêmios estudantis, coletivos ou associações comunitárias que discutam temas relevantes para a sociedade, estimulando a reflexão crítica e o diálogo.

Reportagem – Paula Bittar
Edição – Roberto Seabra

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Fonte: Câmara dos Deputados

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