POLITÍCA NACIONAL
Representantes de cidades mineradoras relatam impactos da atividade na economia e na qualidade de vida
POLITÍCA NACIONAL
Representantes de municípios com atividade mineradora relataram, em debate na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, problemas como custo de vida elevado, falta de água e sonegação de royalties.
A prefeita de Canaã dos Carajás (PA), Josemira Gadelha, reconheceu a importância da mineração para a economia, mas afirmou que o custo de vida em cidades mineradoras pode ser até 40% maior do que em outras do mesmo porte. “Aluguel é caro demais, supermercado é caro demais, serviços são caros demais”, disse.
Segundo ela, o custo de vida em cidades do interior pode ser igual ou maior que o de Belém, capital do estado. “Isso nos impõe desafios para cuidar dessa população”, afirmou.
O presidente da Associação dos Municípios Mineradores e prefeito de Itabira (MG), Marco Antônio Lage, disse que a cidade vive uma crise hídrica há mais de 20 anos. “É resultado da mineração. Na prática, de forma bastante objetiva, eu tenho água neste momento em Itabira para 60% da população. É um drama”, afirmou.
Lage defendeu a revisão do valor da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), royalty pago pelas mineradoras à União, estados e municípios.
Fraudes
Outro representante da Associação dos Municípios Mineradores, Valdir Salvador, lembrou que o Tribunal de Contas da União (TCU) apontou sonegação de R$ 20 bilhões em royalties entre 2017 e 2021.
No debate, foi mencionada operação da Polícia Federal em Minas Gerais, que desarticulou organização criminosa responsável por fraudar licenciamentos ambientais. O esquema envolvia mais de 40 empresas. A movimentação alcançaria R$ 1 bilhão e com projetos avaliados em mais de R$ 18 bilhões.
O coordenador-geral de licenciamento ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Edmilson Maturana, a fiscalização federal do licenciamento só ocorre quando há alto índice de radioatividade. Para índices menores, a mineração pode ser licenciada por órgãos estaduais.
Potencial estratégico
Segundo a Associação Nacional de Mineração, a atividade ocupa 0,1% do território nacional, mas gera 7,6 vezes mais valor por hectare do que a agropecuária.
Dados do Instituto Brasileiro de Mineração informam que o Brasil é o quinto maior produtor de minerais do mundo. O setor faturou R$ 270 bilhões em 2024, com quase 60% desse valor originado do minério de ferro. O Pará respondeu por mais de um terço desse total.
Para o diretor do Serviço Geológico do Brasil, Francisco Valdir Silveira, o Brasil tem potencial para desenvolver uma mineração sustentável. “Nossa indústria mineral pode ser verde, porque nós temos uma matriz energética que pode suprir essa necessidade de energia para a indústria do alumínio, do nióbio, do ferro, ou seja, poderemos produzir todos esses aços de forma limpa”.
Pós-mineração
O deputado Keniston Braga (MDB-PA), que pediu a audiência, afirmou que as cidades precisam se preparar para o período pós-mineração.
Ele é um dos autores do projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PL 2780/24). A proposta está em regime de urgência e aguarda votação pelo Plenário da Câmara. O texto prevê incentivos fiscais e o desenvolvimento de uma cadeia produtiva para minerais essenciais à transição energética e à economia digital, como lítio, cobre, níquel, grafite natural, manganês e terras raras.
Reportagem – Luiz Cláudio Canuto
Edição – Rachel Librelon
Fonte: Câmara dos Deputados
POLITÍCA NACIONAL
Comissão aprova incentivo ao aleitamento materno em creches
A Comissão de Educação da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que pretende assegurar condições para a continuidade da amamentação de crianças de até 3 anos matriculadas em creches.
O texto aprovado altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) para prever que as creches permitam o livre acesso de mães para amamentar e possuam equipamentos adequados para armazenar o leite ordenhado com segurança e higiene.
A medida está prevista no Projeto de Lei 5105/25, da deputada Talíria Petrone (Psol-RJ). Segundo ela, a ideia é buscar a saúde e o bem-estar infantil seguindo recomendações da Organização das Nações Unidas (ONU) e do Ministério da Saúde.
A relatora, deputada Fernanda Melchionna (Psol-RS), afirmou que a iniciativa cria instrumentos de suporte efetivo às mães e aos seus filhos durante o dia escolar.
Próximas etapas
A proposta ainda será analisada, em caráter conclusivo, pelas comissões de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Para virar lei, o texto deve ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.
Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei
Reportagem – Murilo Souza
Edição – Ana Chalub
Fonte: Câmara dos Deputados


