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Setor ferroviário quer ampliar investimentos na área com recursos de fundo para o clima

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Em audiência pública na Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados na terça-feira (26), debatedores apontaram entraves para usar o Fundo Nacional sobre Mudança do Clima em projetos ferroviários. O fundo financia ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas.

O secretário nacional de Mudança do Clima, Aloisio Lopes Pereira de Melo, disse que o comitê gestor do fundo recebe anualmente pedidos para ampliar o uso dos recursos, inclusive pelo setor ferroviário. Mas ponderou que é preciso avaliar os impactos de forma ampla, porque a abertura de novas áreas também pode gerar efeitos indiretos, como a expansão urbana e a atração de atividades econômicas com reflexos ambientais.

Por outro lado, o secretário nacional de Transporte Ferroviário do Ministério dos Transportes, Leonardo Cezar Ribeiro, afirmou que as ferrovias trazem benefícios ao meio ambiente. “Nós temos estudos do Banco Mundial que mostram que transportar toda essa carga da região central para os portos por rodovias promove desmatamento e danos ao meio ambiente muito superiores aos da infraestrutura ferroviária.”

Entre as estratégias do governo, Ribeiro citou parcerias com a iniciativa privada, como investimentos em novos trechos a partir da renovação de concessões. Ele mencionou obras retomadas na Transnordestina, na Ferrovia de Integração Centro-Oeste e na Ferrovia de Integração Oeste-Leste.

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Financiamento
O diretor-presidente da Associação Nacional de Transporte Ferroviário, Davi Barreto, lembrou que o setor movimenta 20% da carga nacional, incluindo 95% do minério exportado. Segundo ele, desde a desestatização do setor nos anos 1990, os investimentos somam R$ 200 bilhões, sendo os públicos apenas 2% do total.

Barreto disse que a alta taxa de juros dificulta novos projetos e defendeu a busca de alternativas de financiamento. “Um quilômetro de ferrovia custa entre R$ 20 milhões e R$ 30 milhões; uma locomotiva custa R$ 20 milhões; e um vagão custa R$ 1 milhão. Fazer uma ferrovia nova exige investimentos de dezenas de bilhões de reais, com retorno só em cinco ou dez anos. Com uma taxa Selic anual de 15%, esse investimento é inviável. Temos que buscar novas formas de financiamento.”

O representante do BNDES, Tiago Ferreira, informou que os financiamentos ferroviários são os de maior prazo do banco, chegando a 34 anos para amortização. Ele acrescentou que o Fundo Clima passou a financiar projetos ferroviários em 2024, inicialmente restritos a ferrovias elétricas. No plano de 2025, a abrangência foi ampliada para o transporte híbrido e a biocombustíveis.

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Redução de emissões
O deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO), que presidiu a audiência, disse que aumentar em 1% a participação das ferrovias na matriz de transporte reduz a emissão de 2 milhões de toneladas de CO₂. Segundo ele, isso equivale ao replantio de uma área de floresta do tamanho da região metropolitana de São Paulo.

Ayres ressaltou ainda que os trens emitem até sete vezes menos que os caminhões. “Daí a necessidade de alcançarmos com o Fundo Clima os investimentos para esse importante setor da economia brasileira, que merece toda a nossa consideração.”

Dados da Associação Nacional de Transporte Ferroviário mostram que, desde 1997, a produção ferroviária cresceu 158% e o transporte de grãos passou de 4% para 25%. O custo do frete caiu mais de 20%, tornando o Brasil o terceiro país com menor tarifa ferroviária do mundo, atrás apenas da Rússia e da China. A associação informou ainda que os acidentes caíram 90% no período e que, a cada 1% de migração do transporte rodoviário para o ferroviário, 20 vidas são poupadas nas estradas.

Reportagem – Luiz Cláudio Canuto
Edição – Geórgia Moraes

Fonte: Câmara dos Deputados

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Fim da 6×1: Senado pode concluir 1º turno da votação em mais duas sessões

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A votação em primeiro turno da proposta de emenda à Constituição que põe fim à jornada de trabalho 6×1 pode ser concluída na quarta-feira (15). A PEC 221/2019 está em discussão no Plenário do Senado, após ser aprovada pela Câmara dos Deputados por ampla maioria. 

A PEC, que reduz a jornada de trabalho para 40 horas semanais sem corte de salários, foi debatida pelos senadores nesta semana por três sessões seguidas. Restam agora mais duas sessões de discussão para que a proposta seja votada em primeiro turno, o que pode acontecer já na quarta-feira, quando se dará a quinta e última sessão de discussão em primeiro turno. No dia anterior, terça-feira (13), deve ocorrer a quarta sessão de discussão.

Depois do primeiro turno, de acordo com o regimento do Senado, a proposta ainda terá que ser debatida em outras três sessões de discussão, para ser votada em segundo turno. Seguindo o rito tradicional, a votação da PEC do fim da 6×1 ainda poderia ser concluída em outubro.

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A proposta já recebeu 36 emendas, todas rejeitadas pelo relator, o senador Omar Aziz (PSD-AM). Senadores ainda podem apresentar outras emendas em Plenário, entretanto.

Calendário especial

Na quarta-feira (7), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, disse que a votação poderia ocorrer antes disso, caso senadores apresentem requerimento de calendário especial para a PEC.

De acordo com Davi, não há requerimento com essa finalidade apresentado à Mesa. Ele garantiu que, caso seja apresentado, o requerimento será incluído na pauta para deliberação, como ocorre com proposições semelhantes.

— Se o requerimento aparecer, eu vou colocar para deliberação, e o Plenário é soberano, a vontade da maioria vai prevalecer — disse Davi à imprensa.

Para ser aprovada, uma proposta de emenda à Constituição precisa passar por cinco sessões de discussão antes da votação em primeiro turno, e por mais três sessões de discussão para votação em segundo turno, tudo no Plenário. 

A primeira sessão de discussão da proposta foi na terça-feira (6) e a segunda, na quarta-feira (7). A terceira sessão de discussão da PEC aconteceu na quinta-feira (8).

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Durante a semana, a líder do governo no Senado, senadora Teresa Leitão (PT-PE), disse que está coletando assinaturas para um requerimento de calendário especial, para acelerar a tramitação da proposta. Com isso, haveria a possibilidade de a PEC do fim da 6×1 ter sua votação concluída na penúltima semana de outubro.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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