SAÚDE
Brasil destaca plano de ação para enfrentar mudanças climáticas durante assembleia da OMS em Genebra
SAÚDE
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha apresentou, nesta segunda-feira (18), durante a 79ª Assembleia Mundial da Saúde, em Genebra, na Suíça, o Plano de Ação de Saúde de Belém. Lançado pelo Governo do Brasil durante a COP30, em 2025, o instrumento representa um marco para a adaptação do setor de saúde aos crescentes desafios impostos pelas mudanças climáticas em todo o mundo. O plano também busca garantir a continuidade e a integração das ações de clima e saúde na transição para a COP31, que será realizada na Turquia. Trata-se do primeiro plano internacional de adaptação climática dedicado exclusivamente à saúde, à equidade, à justiça climática e à participação social.
Em seu segundo dia de agenda oficial no país, o ministro destacou que as emergências climáticas ampliam a pressão sobre os sistemas públicos de saúde, especialmente nos países mais vulneráveis. “Não conseguiremos responder sozinhos às mudanças climáticas. O Plano de Belém agora é uma realidade e já foi endossado por 33 países e apoiado por 50 organizações. No entanto, sabemos que o trabalho ainda está longe de terminar. Precisamos garantir a continuidade dos serviços diante de eventos catastróficos, protegendo e mobilizando recursos públicos para salvar vidas”, afirmou Alexandre Padilha.
O ministro também ressaltou que, no Brasil, o Plano de Ação de Belém se traduz no Plano Nacional de Adaptação para o Sistema de Saúde, o AdaptaSUS. “Desenvolvido por meio do diálogo entre governo e participação social, o plano busca tornar o Brasil e o SUS mais resilientes às mudanças climáticas. Desde 2016, o país já investiu US$ 2 bilhões para fortalecer a infraestrutura, construir hospitais em áreas vulneráveis, investir em pesquisa, aprimorar dados de vigilância, desenvolver ferramentas de inteligência climática, expandir sistemas de alerta e fortalecer a força de trabalho em saúde, garantindo a continuidade dos serviços durante eventos extremos”, destacou Padilha.
Mais acesso à Atenção Primária no SUS
O papel da Atenção Primária à Saúde (APS) foi outro tema destacado pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em evento voltado ao fortalecimento da cooperação entre Europa, América Latina e Caribe. Na ocasião, o ministro ressaltou que a APS “é muito mais do que a porta de entrada dos sistemas de saúde. Ela é uma das expressões mais concretas do contrato social entre os Estados e suas populações”.
“Quando acessível, confiável e enraizada nas comunidades, a APS ajuda a moldar o tecido social dos territórios, fortalece a coesão social e reforça o sentimento de pertencimento, dignidade e identidade coletiva dos cidadãos. A presença de serviços públicos de saúde de qualidade conecta as pessoas às instituições e permite que os cidadãos se reconheçam nas políticas públicas desenhadas para servi-los, promovendo confiança, participação cívica e um senso mais forte de responsabilidade coletiva. Dessa forma, a APS reafirma o papel legítimo do Estado como promotor do bem-estar, da equidade e do desenvolvimento inclusivo”, afirmou.
Na avaliação do ministro, o Brasil alcançou avanços significativos na atual gestão, resultado de uma forte coordenação federal e de um modelo de financiamento baseado na equidade, que direciona mais recursos para territórios vulneráveis, remotos e desassistidos.
“O financiamento federal para a Estratégia Saúde da Família e para os Agentes Comunitários de Saúde tem potencial para alcançar R$ 27 bilhões. O Programa Mais Médicos conta atualmente com cerca de 30 mil médicos distribuídos em 4,5 mil municípios brasileiros, preenchendo lacunas críticas de assistência em áreas remotas. No Brasil, temos financiamento específico e equipes dedicadas às comunidades quilombolas e ribeirinhas. Também realizamos um investimento de R$ 1,58 bilhão em equipamentos estratégicos, incluindo telessaúde e ferramentas diagnósticas, para 10 mil Unidades Básicas de Saúde em todo o país”, destacou Alexandre Padilha.
Transformação digital no SUS
Durante um painel entre China e Brasil sobre “Sistemas de Saúde Futuros para Equidade e Acesso na Era Digital”, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, apresentou os avanços históricos do SUS na incorporação de tecnologias. Diante de desafios globais, como as mudanças climáticas e o envelhecimento populacional, que exige cuidado permanente e longitudinal, o país tem utilizado a saúde digital como ferramenta estratégica para reduzir desigualdades, especialmente entre as populações mais vulneráveis.
Atualmente, o programa SUS Digital conta com adesão de 100% dos municípios brasileiros (5.570), promovendo uma modernização territorial que já conecta mais de 40 mil Unidades Básicas de Saúde (UBS). Essa infraestrutura sustenta a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), que hoje integra mais de 4,6 bilhões de registros clínicos dos sistemas público e privado.
Os reflexos dessa transformação chegam diretamente à população por meio do aplicativo Meu SUS Digital, utilizado por dezenas de milhões de brasileiros para acessar o histórico de saúde e acompanhar, em tempo real, a situação nos processos de regulação de consultas e exames.
“Nosso compromisso é garantir que as inovações introduzidas pelas novas fronteiras tecnológicas cheguem ao sistema público, orientadas pela equidade e pelo acesso universal. Para nós, inovação sem acesso não é inovação. Não deveria ser chamada assim. Inovação sem acesso é injustiça”, afirmou Alexandre Padilha.
A expansão da telessaúde e o uso de inteligência artificial também consolidam o prontuário eletrônico nacional, atualmente adotado por 85% das equipes de saúde em 82% dos municípios. Em 2025, o SUS registrou 6,4 milhões de teleconsultas, alcançando 79% do território nacional. O Ministério da Saúde projeta que, até 2027, o Brasil atingirá cobertura universal de conexão à internet em todas as unidades de atenção primária do país, mantendo as pessoas no centro dessa transformação tecnológica.
Durante o dia, o ministro também participou de reunião com chefes de delegação dos países da região das Américas e de encontros bilaterais com representantes da Indonésia, com a ministra da Saúde dos Países Baixos e com o ministro da Saúde da África do Sul. O objetivo é fortalecer parcerias e ampliar a cooperação internacional para aprimorar as políticas de saúde pública no Brasil.
Rayane Bueno
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
SAÚDE
Dia de Combate ao Fumo: Ministério da Saúde convida amapaenses a compartilhar os desafios de parar de fumar
No Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado neste sábado (29), o Ministério da Saúde convida a população do Amapá a falar sobre os desafios de parar de fumar. A ação “Conte o que o cigarro não mostra” convida fumantes, ex-fumantes, familiares e outras pessoas que convivem com o problema a compartilhar experiências sobre os efeitos do consumo de cigarro na sua rotina, na qualidade de vida e na saúde. Para participar, basta acessar a página #MinhaHistóriaSemFiltro no Portal da Saúde e preencher o formulário contando a sua história. As informações coletadas vão ajudar a definir novas imagens e mensagens que serão utilizadas nas embalagens de cigarros, além de contribuir para o aperfeiçoamento das políticas públicas de combate ao tabagismo.
As imagens estampadas nas embalagens de cigarros mostram algumas das consequências do tabagismo. Mas há impactos que nenhuma fotografia consegue retratar: as mudanças na rotina, na convivência com familiares e amigos, nas relações afetivas e no dia a dia de quem fuma e de quem convive com o tabagismo. São essas experiências, que não aparecem nas embalagens, que a ação busca conhecer por meio dos relatos da população.
Com essa ideia, a ação abre um canal direto de escuta para fumantes, ex-fumantes, familiares e qualquer cidadão que queira contribuir. Cada depoimento ajuda o poder público a enxergar o tabagismo de forma mais ampla e humana, para além dos números. Ao compartilhar sua experiência, a população contribui diretamente para as próximas ações do Ministério da Saúde na área.
Estado teve redução no número de fumantes
Levantamento do Ministério da Saúde divulgado em 2026 trouxe um alerta: após quase 20 anos de queda, o número de fumantes no Brasil voltou a crescer. Em 2024, 11,7% da população adulta fumava, segundo dados do Vigitel, inquérito nacional sobre fatores de risco para doenças crônicas. Apesar do avanço em relação ao início da série histórica – em 2006 eram 15,7% de fumantes – o percentual está acima dos 9,2% de fumantes registrados em 2023.
No Amapá, os dados de Macapá mostram uma trajetória de redução do tabagismo ao longo dos anos. Na capital amapaense, o percentual de adultos fumantes caiu de 17,5%, em 2006, para 8%, em 2023, uma redução de 9,5% pontos percentuais.
Busca por apoio no SUS aumentou quatro vezes mais no estado
Mesmo diante dessa redução, a procura por apoio para parar de fumar aumentou no Amapá, indicando a importância do acesso ao tratamento oferecido pelo SUS. Em todo o país, o também cresceu o número de pessoas que buscam por apoio e tratamento para parar de fumar nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do SUS – foram 2,1 milhões de pessoas atendidas em 2025. Esse número era 1 milhão em 2022.
No estado, foram 13.385 atendimentos realizados em 2025, contra 3.211 em 2022 — um aumento de quatro vezes mais no total de atendimentos, segundo dados registrados pelo Ministério da Saúde.
O tratamento é oferecido gratuitamente na rede pública de saúde e inclui acompanhamento individual ou em grupo, orientações para lidar com a dependência e, quando indicado pelos profissionais de saúde, medicamentos para reduzir os sintomas da abstinência, como adesivos e gomas de nicotina e bupropiona. A porta de entrada é a Unidade Básica de Saúde, onde o cidadão pode buscar informações sobre a oferta do tratamento em sua região.
O cuidado à pessoa tabagista envolve etapas de identificação e busca ativa, acolhimento, avaliação clínica e do grau de dependência, definição e implementação do plano terapêutico (individual ou em grupo) e monitoramento da evolução clínica, manejo de recaídas e reforço das estratégias de cessação.
Combate ao tabagismo no Brasil
O tabagismo é uma doença crônica causada pela dependência à nicotina e está associado a mais de 50 doenças, entre elas diferentes tipos de câncer, doenças cardiovasculares e doenças respiratórias. No Brasil, o cigarro é responsável por cerca de 90% das mortes por câncer de pulmão e está relacionado a milhares de mortes prematuras todos os anos.
O Brasil é reconhecido internacionalmente pela adoção de um conjunto abrangente de políticas públicas de controle do tabaco, alinhadas à Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco da Organização Mundial da Saúde (CQCT/OMS). Entre as medidas estão a proibição da propaganda de produtos de tabaco, a restrição do fumo em ambientes coletivos fechados e a adoção de advertências sanitárias com imagens e mensagens nas embalagens de cigarros.
Conheça a campanha: Conte o que o cigarro não mostra
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde



