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Brasil apresenta ao Brics projeto do primeiro hospital do SUS que utilizará a inteligência artificial no atendimento à população
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O Governo do Brasil assinou, nesta quarta-feira (7), contrato com o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), do Brics, para a construção do primeiro hospital inteligente do Sistema Único de Saúde (SUS). A futura unidade funcionará no complexo do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e vai fortalecer a integração entre pesquisa científica, formação profissional e assistência em saúde. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) integra o grupo de trabalho de implementação do projeto.
Denominado Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente (ITMI-Brasil), o empreendimento nasce como um polo nacional de inovação em saúde. O hospital adotará soluções avançadas, como inteligência artificial aplicada ao diagnóstico e à gestão clínica; telessaúde; sistemas hospitalares automatizados; ambulâncias conectadas por redes 5G; e plataformas digitais de análise preditiva, com foco em ampliar a qualidade, a agilidade e a humanização do atendimento no SUS.
Além do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e da ministra do MCTI, Luciana Santos, participaram da cerimônia de assinatura do contrato, no Palácio do Planalto, a presidente do NBD, Dilma Rousseff; e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Com valor estimado em US$ 320 milhões, o financiamento já recebeu aval da Comissão de Financiamentos Externos (Cofiex) e agora passa por avaliação técnica do NDB. Para a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, o projeto representa um novo patamar de integração entre ciência e políticas públicas. “O ITMI expressa a escolha do Brasil por um modelo de desenvolvimento voltado para cuidar das pessoas com o uso da ciência. O MCTI participa ativamente dessa construção porque entende que a inovação precisa estar a serviço de um sistema de saúde público, universal e tecnologicamente soberano”, afirmou.
A estrutura hospitalar ocupará uma área aproximada de 150 mil metros quadrados e seguirá parâmetros internacionais de sustentabilidade, segurança assistencial e inovação tecnológica. O desenho do projeto prioriza ambientes modernos e funcionais, com atenção especial às áreas de urgência, terapia intensiva e neurologia.
Aportes do MCTI no Complexo Econômico-Industrial da Saúde
Desde o início da atual gestão, o MCTI destinou aproximadamente R$ 4,4 bilhões ao Complexo Econômico-Industrial da Saúde (Ceis), por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), com execução da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). O Ceis é uma política de governo que visa fortalecer a produção industrial e promover o SUS.
Os recursos investidos pela pasta também contemplam a criação de uma rede de unidades de terapia intensiva (UTIs) inteligentes, com implementação inicial em 11 unidades do SUS distribuídas pelo território nacional. A iniciativa amplia o uso da telessaúde e de soluções digitais, promovendo um modelo de cuidado mais integrado, eficiente e baseado em evidências científicas.
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Paralelo 60: série de TV mostra a atuação da ciência brasileira na Antártica e no Ártico
Como é fazer ciência nos lugares mais frios e remotos do planeta? A série documental Paralelo 60: a Ciência Brasileira nos Extremos do Planeta, que estreou na terça-feira (9), convida a sociedade a acompanhar pesquisadores brasileiros em expedições à Antártica e ao Ártico, revelando grandes descobertas, desafios e a importância dessas pesquisas para compreender as mudanças que afetam o mundo inteiro. O documentário está no ar na Rede Minas e também estará disponível na Minas Play.
Com 13 episódios de 26 minutos, a produção mostra os bastidores das pesquisas feitas por cientistas brasileiros nos polos e destaca como o conhecimento produzido nessas regiões contribui para ampliar a compreensão sobre mudança climática, biodiversidade, oceano, geologia, microbiologia e biotecnologia. A série também apresenta o cotidiano das expedições científicas, os desafios logísticos das missões e as histórias de pesquisadores que dedicam suas carreiras ao estudo dos ambientes extremos.
O documentário mostra a atuação integrada do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), da Marinha do Brasil, do Ministério das Relações Exteriores (MRE), do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), além de universidades e centros de pesquisa de diferentes regiões do País. Essa articulação é fundamental para garantir a continuidade das pesquisas e fortalecer a participação do Brasil em iniciativas internacionais voltadas à compreensão e preservação dos ecossistemas polares.
A série também registra um marco para a ciência nacional: a primeira expedição científica oficial brasileira ao Ártico, ocorrida em 2023, no arquipélago de Svalbard, na Noruega. A iniciativa ampliou a atuação brasileira nas pesquisas polares e reforçou a inserção do País em redes internacionais de cooperação científica para a compreensão das transformações ambientais globais.
Para a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, a presença brasileira no Ártico amplia a capacidade científica do País e fortalece sua inserção internacional. “A expedição ao Ártico tem valor científico, ambiental e geopolítico. O conhecimento nos dá liberdade para compreender os fenômenos que nos cercam e tomar decisões mais conscientes”, afirmou.
Diretor do Departamento de Programas Temáticos do MCTI, Leandro Pedron destaca que a expansão das pesquisas brasileiras para ambos os polos é resultado da experiência acumulada ao longo de décadas de atuação na Antártica. “Queremos que a pesquisa brasileira possa ajudar a compreender as mudanças que vêm ocorrendo nos polos, como o Ártico e a Antártica se conectam, e como isso pode afetar o Brasil.”, ressaltou.
O público pode acompanhar pesquisas conduzidas por cientistas de instituições de todo o País em áreas como microbiologia, botânica, oceanografia, geologia, saúde única e mudanças climáticas. Entre os destaques está o projeto MycoAntar, liderado pelo pesquisador Luiz Henrique Rosa, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que investiga fungos e microrganismos polares com potencial de aplicação em setores como saúde, agricultura e indústria.
Com imagens inéditas da Antártica e do Ártico, a produção aproxima o público do universo da ciência polar e mostra como as descobertas nos extremos do planeta ajudam a compreender fenômenos que influenciam diretamente a vida no Brasil e no restante do mundo.
A produção é da Qu4rto Studio, com recursos do edital Olhar Independente, fruto de parceria entre a Rede Minas de Televisão e a Agência Nacional do Cinema (Ancine).
Ciência garante presença internacional
A pesquisa científica é um dos pilares da participação brasileira na Antártica. O País integra o grupo dos 29 membros consultivos do Sistema do Tratado da Antártica, acordo internacional que regula as atividades no continente e estabelece que as decisões sobre seu futuro sejam tomadas por consenso entre os países-membros.
Essa condição assegura ao Brasil voz e participação nas decisões sobre um continente estratégico para o futuro do planeta. Além de abrigar a maior reserva de água doce da Terra, a Antártica reúne recursos biológicos e naturais ainda pouco conhecidos, com potencial para gerar novos conhecimentos e aplicações em diferentes áreas da ciência.
Para o pesquisador responsável pelo projeto MycoAntar, Luiz Henrique Rosa, a produção também representa um registro importante da trajetória brasileira nas pesquisas polares. “Em mais de 20 anos de atuação na Antártica, este é um dos registros mais completos já produzidos sobre as pesquisas brasileiras na Antártica e no Ártico. É uma oportunidade de aproximar o público da ciência produzida nessas regiões e mostrar a importância de mantermos uma presença ativa nos polos”, destacou.

