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CGEE lança estudo sobre diversidade racial na pós-graduação brasileira
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O Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) lançou, nesta terça-feira (15), o capítulo especial sobre cor ou raça do estudo Brasil: Mestres e Doutores 2024. A publicação analisa a trajetória de titulações de mestrado e doutorado de 1996 a 2021, agora com um recorte que tem como foco as desigualdades raciais que marcam o sistema de pós-graduação e o mercado de trabalho formal no Brasil. A divulgação dos dados inéditos foi realizada durante a 77ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que acontece até sexta-feira (18), na sede da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), em Recife (PE).
Os dados foram apresentados na mesa sobre “Diversidade racial da pós-graduação brasileira – avanços e desafios”. O debate foi coordenado pelo diretor-presidente do CGEE, Fernando Rizzo. A mesa contou, ainda, com a participação da coordenadora do estudo, Sofia Daher, e das professoras da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Luciana Conceição de Lima; e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Rosana Baeninger.
O estudo aponta que, embora tenha havido crescimento no número de mestres e doutores autodeclarados pretos, pardos e indígenas, a maior parte das titulações ainda é concentrada na população branca. De 1996 a 2021, 49,5% dos títulos de mestrado e 57,8% dos de doutorado foram concedidos a pessoas brancas. Pretos representam apenas 4,1% dos mestres e 3,4% dos doutores, enquanto pardos somam 16,7% e 14,9%, respectivamente. Os indígenas correspondem a apenas 0,23% das titulações de mestrado e 0,3% das de doutorado no período.
A categoria “sem declaração” apresentou uma redução significativa, passando de 47,5% em 1996 para 7,9% em 2021 entre os mestres, e de 44,5% para 9,5% entre os doutores, o que evidencia uma melhora no preenchimento da variável de cor ou raça e possibilita a realização de análises mais consistentes sobre as desigualdades raciais. A análise por grupo populacional revela disparidades acentuadas: em 2021, enquanto havia 38,9 mestres brancos por 100 mil habitantes, havia apenas 21,4 entre pretos, 16,1 entre pardos e 16 entre indígenas. A diferença é ainda mais crítica no doutorado: brancos somavam 14,5 por 100 mil habitantes, ante cerca de 5 por 100 mil para pretos, pardos e indígenas.
A publicação analisa, ainda, as desigualdades por gênero dentro das categorias raciais. Mulheres brancas apresentam participação majoritária nas titulações, mas as mulheres pretas e pardas só ultrapassaram os homens em número de títulos com mais de uma década de atraso. No doutorado, ainda há predominância masculina entre titulados pretos e indígenas.
Em termos de emprego formal, observou-se o crescimento expressivo entre titulados pretos, pardos e indígenas, especialmente no doutorado. No entanto, os brancos ainda concentram a maior parte dos vínculos empregatícios. A administração pública estadual foi a principal empregadora de mestres pretos, pardos e indígenas, enquanto a federal liderou para doutores brancos.
As disparidades salariais também persistem. Em 2021, os mestres pretos recebiam, em média, 13,6% a menos que os mestres brancos. Entre os doutores, a diferença foi de 6,4%. Indígenas apresentaram os rendimentos mais equitativos entre homens e mulheres com títulos de pós-graduação, enquanto mulheres brancas e amarelas foram as que mais enfrentaram desigualdade de gênero nos salários.
A análise regional reforça as desigualdades. Regiões como o Norte e o Nordeste, com maior proporção de população parda e preta, apresentam sub-representação desses grupos nas titulações. A participação da população branca nas titulações supera a sua proporção populacional em todas as regiões, com destaque para o Centro-Oeste, onde há uma sobrerepresentação de 23,2% no doutorado.
Representatividade
A coordenadora do estudo, Sofia Daher, destaca que tem aumentado a participação de indivíduos de cor ou raça preta, parda e indígenas. No entanto, esta participação ainda está abaixo da representatividade desses grupos na população. “Ou seja, há uma proporção consideravelmente menor na etapa de formação, mas, quando ultrapassam essa fase e chegam ao mercado de trabalho, pretos e pardos apresentam taxas de emprego muito próximas às dos brancos, ou ligeiramente superiores. No entanto, quando se analisa a remuneração, observa-se uma desvantagem significativa, com salários inferiores aos da população branca, tomada como referência por apresentar as maiores remunerações entre mestres e doutores”, afirma.
Ela ressalta, ainda, que os aumentos de participação de pretos e pardos na pós-graduação, certamente, já refletem os resultados da política de cotas na graduação e que, agora, passam a repercutir na pós. Contudo, Daher lembra que a assimetria ainda é enorme e desigual nas regiões. “Apesar dos avanços, é necessário o fortalecimento de políticas públicas que possam reduzir essas assimetrias em menor tempo e adequá-las no território para facilitar o acesso de indígenas, pretos e pardos à pós-graduação e à valorização no mercado de trabalho”, diz.
O estudo indica que, mesmo com conquistas, ainda há grandes desafios na construção de um sistema de pós-graduação mais diverso e representativo. A ampliação da coleta de dados e o uso dessas informações para a formulação de políticas públicas são apontados como estratégias essenciais para promover a equidade racial na formação de mestres e doutores no país.
Com informações do CGEE
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Tecnova mobiliza R$ 588 milhões para transformar conhecimento em negócios em todo o País
Soluções que podem melhorar serviços, gerar empregos, fortalecer cadeias produtivas e ampliar a competitividade da economia brasileira começam, muitas vezes, dentro de pequenas empresas. Para ampliar essas oportunidades, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) lançaram nesta terça-feira (16) o Tecnova 2026/2027. Considerado o maior programa de subvenção econômica voltado a micro e pequenas empresas inovadoras do País, contará com cerca de R$ 588 milhões, sendo R$ 360 milhões do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) e aproximadamente R$ 228 milhões em contrapartidas estaduais e distrital.
O programa apoiará mais de 700 empresas em todas as unidades da Federação. Os recursos serão destinados ao desenvolvimento de projetos de inovação tecnológica com base científica, além de ações de aceleração e internacionalização. A iniciativa integra a estratégia do Governo do Brasil de ampliar a capacidade nacional de transformar pesquisa em produtos, processos e serviços capazes de chegar ao mercado e à sociedade.
Durante a cerimônia, Luciana Santos destacou o papel do programa na aproximação das políticas públicas dos empreendedores que desenvolvem novas tecnologias. “O programa tem uma característica que considero muito bonita e poderosa: ele chega perto de onde a inovação nasce. Ele chega às micro e pequenas empresas brasileiras que carregam grandes ideias, mas que muitas vezes não encontram condições financeiras necessárias para assumir o risco de inovar”, afirmou a ministra.
A ministra também ressaltou a dimensão nacional da iniciativa e o esforço para ampliar o acesso aos recursos em diferentes regiões. “O Tecnova 2026/2027 nasce da convicção de que o Brasil precisa continuar ampliando sua capacidade de transformar conhecimento em desenvolvimento”, disse. Segundo ela, a distribuição dos investimentos busca fortalecer ecossistemas de inovação em todo o território brasileiro e ampliar oportunidades para empresas de diferentes perfis e realidades.
Nesta quarta edição, o Tecnova incorpora mudanças para simplificar a operação do programa nas unidades federativas. Entre as novidades estão a criação de um novo modelo de convênio para descentralização dos recursos, atualização do manual operacional, adoção de fluxo contínuo para análise de propostas, flexibilização das ações de aceleração e internacionalização e um novo modelo de acompanhamento dos projetos baseado em indicadores de desempenho.
Para o presidente da Finep, Luis Antonio Elias, o Tecnova se consolidou como uma das principais iniciativas de apoio à inovação empresarial no País. “O Tecnova aproxima conhecimento, inovação e desenvolvimento. É um programa que cria oportunidades para transformar boas ideias em soluções capazes de gerar empregos, competitividade e crescimento em todas as regiões do Brasil”, destacou.
Outro destaque da nova edição é a distribuição regional dos recursos. Cerca de 58% dos investimentos federais serão destinados às regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, com o objetivo de ampliar as oportunidades para empresas inovadoras instaladas fora dos principais centros econômicos do país e fortalecer ecossistemas regionais de ciência, tecnologia e inovação.
Para a ministra, a medida reforça o compromisso do governo com um desenvolvimento mais equilibrado. “A inovação brasileira não pode ter CEP privilegiado. Há talento, criatividade e capacidade de inovação em todas as regiões do País. O que muitas vezes falta é oportunidade, financiamento e confiança”, destacou.
Para o diretor de Desenvolvimento Científico e Tecnológico da Finep, Carlos Aragão, a nova edição representa um marco para o programa. “Pela primeira vez, o Tecnova chega a todas as unidades da Federação com um volume de recursos dessa dimensão. É um passo importante para fortalecer a inovação em todo o País.”
Projeto Ciência de Dados pelo Brasil
Durante a cerimônia, a ministra lançou o projeto Ciência de Dados pelo Brasil, iniciativa voltada ao fortalecimento da produção e do uso de dados e indicadores de ciência, tecnologia e inovação (CT&I) nos estados brasileiros. A ação integra o Pacto Nacional em Favor dos Indicadores Estaduais de CT&I e será executada pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), com financiamento do FNDCT, por meio da Finep.
Com investimento superior a R$ 13 milhões e execução prevista para 36 meses, o projeto apoiará a consolidação da Rede Nacional de Indicadores Estaduais de Ciência, Tecnologia e Inovação, promovendo metodologias comuns para a produção de dados, ampliando a comparabilidade das informações e fortalecendo a tomada de decisão baseada em evidências.
A iniciativa prevê ainda a capacitação de cientistas de dados, o fortalecimento da governança de dados e o desenvolvimento de infraestrutura tecnológica para integração de informações estratégicas. “Estamos investindo R$ 13 milhões para apoiar a implementação de uma rede de pesquisa, de dados e de indicadores nessa área, em articulação com as Fundações de Amparo à Pesquisa e as secretarias estaduais. Queremos formar cientistas de dados nos estados para que possamos ter indicadores confiáveis e metodologias pactuadas por todos”, afirmou a ministra.
O objetivo é criar um ecossistema capaz de sistematizar os avanços científicos em prol do desenvolvimento do Brasil. “O projeto é uma estratégia para fortalecer a soberania informacional do País sobre o resultado da própria ciência e isso será feito de forma colaborativa entre todos os entes federativos brasileiros, estaduais e federal”, disse o diretor do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), Tiago Braga.
Fortalecimento da ciência de dados no Brasil
Na ocasião, o MCTI também divulgou o crescimento de 30% do investimento público em ciência e tecnologia (C&T) e de 35% pesquisa e ao desenvolvimento (P&D), de 2021 a 2024. O Dispêndio Nacional em C&T e P&D — Setores Governamental e Empresarial 2014-2024, também revelou que os recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) aumentaram 216%.
A recuperação interrompe uma trajetória de retração observada de 2015 a 2021 e sinaliza a recomposição da capacidade do Estado de financiar atividades científicas, apoiar o desenvolvimento tecnológico e sustentar políticas públicas de longo prazo. Em 2024, os investimentos governamentais alcançaram R$ 88,7 bilhões em ciência e tecnologia e R$ 72,9 bilhões em pesquisa e desenvolvimento.

