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Ciência em alerta: como o monitoramento do MCTI protege milhões de brasileiros contra desastres naturais

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Serviços essenciais não dormem. Para que alertas sobre temporais, risco de desabamentos e enxurradas, estiagem, baixa umidade do ar, temperaturas elevadas ou muito baixas sejam emitidos um monitoramento intenso é feito durante 24 horas por dia. Equipes de cientistas e técnicos monitoram, analisam, modelam e processam informações de forma ininterrupta para antecipar riscos e evitar tragédias. No auge do período chuvoso, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), monitora 1.133 municípios em todo o Brasil.  

A atuação do Cemaden faz parte de um dos sistemas de monitoramento de desastres mais avançados do mundo. O foco está na antecipação da tragédia: identificar sinais de risco antes que enxurradas, deslizamentos ou inundações atinjam a população. 

“Os nossos especialistas trabalham ininterruptamente na sala de situação”, explica o tecnologista e diretor substituto do Cemaden, Pedro Camarinha. “Para enviar alertas de risco, especialmente aqueles associados ao excesso de chuva, é preciso monitorar uma série de variáveis ambientais e entender se os fenômenos que causam impacto à população podem acontecer nas próximas horas ou dias.” 

Da chuva ao risco real 

O monitoramento começa pela chuva, principal elemento deflagrador de desastres no Brasil, mas não termina nela. Meteorologistas acompanham imagens de satélite, radares meteorológicos e dados em tempo real de pluviômetros espalhados pelo País. Na sequência, especialistas em hidrologia e geodinâmica avaliam o efeito dessa chuva sobre o território. 

“Nem toda chuva causa desastre”, ressalta Camarinha. “O impacto vai depender da geografia do local, da infraestrutura da cidade e da forma como o território é ocupado.” 

É nesse ponto que conceitos técnicos ganham tradução prática. Em vez de falar apenas em “limiares críticos de pluviometria”, os cientistas avaliam, por exemplo, qual é a quantidade de chuva necessária para encharcar o solo e gerar risco de deslizamento, ou para fazer o nível de um rio subir a ponto de causar inundação. 

Além da chuva, o Cemaden monitora a umidade do solo, o nível dos rios, informações de campo enviadas por defesas civis e até registros de ocorrências em portais oficiais. Esses dados dinâmicos se somam a informações mais estáveis, como mapeamentos de áreas de risco e indicadores socioeconômicos, que ajudam a compreender a vulnerabilidade de cada município. 

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A partir dessa análise integrada, o centro de pesquisa define os níveis de alerta e comunica às defesas civis qual deve ser o grau de mobilização em campo. 

Um sistema que protege mais de mil municípios 

Atualmente, o Cemaden monitora 1.133 municípios em todas as regiões do País, o que evidencia a capilaridade da atuação do MCTI no território nacional. Muitas vezes, quando o sistema funciona plenamente, o resultado é silencioso: o alerta é emitido, as autoridades se mobilizam e o pior cenário não se concretiza. 

“O cidadão percebe o nosso trabalho principalmente quando recebe um alerta”, explica Camarinha. “Mas há muito mais por trás disso. Atuamos no conhecimento dos riscos, no monitoramento contínuo e na comunicação. Além disso, produzimos ciência, boletins técnicos e ações educativas que ajudam os gestores públicos e a própria população a se proteger.” 

Um exemplo é o programa Cemaden Educação, que leva o conhecimento sobre riscos de desastres a escolas públicas localizadas em áreas vulneráveis. A proposta é formar crianças e jovens capazes de disseminar essas informações em suas famílias e comunidades, fortalecendo a cultura de prevenção ao longo do tempo. 

Além das chuvas: outros riscos no radar 

Embora as chuvas concentrem grande atenção nesta época do ano, o Cemaden monitora outros riscos ambientais relevantes. Enxurradas, deslizamentos de terra e inundações estão entre os principais perigos associados ao período chuvoso, mas secas e estiagens também fazem parte do acompanhamento permanente. 

“Não monitoramos apenas a chuva, mas o que ela se transforma ao tocar o solo”, afirma Camarinha. “E, ao mesmo tempo, estamos atentos às secas e estiagens, que impactam os reservatórios, a produção agrícola e o abastecimento de água. A antecipação desses cenários é fundamental para evitar crises maiores.” 

A ciência por trás dos alertas: o papel do Inpe 

Por trás da operação diária do Cemaden está uma robusta base científica. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), outra unidade de pesquisa do MCTI, é responsável por grande parte da produção e do processamento dos dados que sustentam os alertas no Brasil. 

“O Inpe atua desde a coleta de informações por satélites meteorológicos e ambientais até o processamento desses dados e o diagnóstico das condições atmosféricas”, explica o coordenador-geral de Ciências da Terra do Instituto, José Aravéquia. “É a partir desse diagnóstico que os modelos numéricos conseguem fazer o prognóstico da evolução do tempo e dos eventos climáticos.” 

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Em um país de dimensões continentais como o Brasil, o uso de satélites é estratégico. Eles permitem observar não apenas o território nacional, mas também os oceanos e regiões vizinhas, de onde se originam muitos sistemas meteorológicos que afetam o País. 

Supercomputação para antecipar extremos 

Um dos avanços mais importantes nessa área é o novo supercomputador do Inpe, parte do Projeto Risc. O aumento da capacidade computacional representa um salto na qualidade das previsões climáticas utilizadas por instituições como o Cemaden. 

“Na prática, o supercomputador tem muito mais memória e permite incorporar um volume maior de dados observacionais”, explica Aravéquia. “Isso aumenta o nível de detalhamento das previsões e melhora a capacidade de identificar eventos extremos.” 

Esse ganho é decisivo porque muitos desastres naturais estão associados a fenômenos altamente localizados. “Tempestades severas exigem altíssima resolução espacial e temporal”, afirma o pesquisador. “É isso que permite saber com maior precisão onde e quando um evento pode ocorrer, informação essencial para quem atua na prevenção e na emissão de alertas.” 

Modelos desenvolvidos e operados pelo Inpe, como os de previsão regional e os de previsão sazonal, já alimentam os sistemas usados pelo Cemaden e por outras instituições. Com maior poder computacional, esses modelos tendem a reduzir incertezas, diminuir alarmes falsos e ampliar o tempo de resposta das autoridades. 

Investir em ciência é proteger vidas 

Com a intensificação das mudanças climáticas e o aumento da frequência de eventos extremos, investir em infraestrutura científica tornou-se uma estratégia central de proteção à população. 

“Hoje enfrentamos eventos que não aparecem no histórico climático”, destaca Aravéquia. “Para lidar com esse novo cenário, é essencial manter investimentos contínuos em supercomputação, satélites e redes de monitoramento.” 

Para o Cemaden, a missão é clara. “Somos um grande vigilante das condições climáticas e ambientais do Brasil”, resume Pedro Camarinha. “Antecipamos situações que colocam a população em risco e ajudamos a orientar ações que salvaguardam vidas e reduzem impactos.” 

 

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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Inclusão dos pesquisadores brasileiros na lista das cem pessoas mais influentes da revista Time reflete importância do investimento na ciência

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Mostrando a força brasileira, os pesquisadores Mariangela Hungria e Luciano Moreira entraram para a lista da revista Time das cem pessoas mais influentes do mundo, divulgada na quarta-feira (16). A trajetória profissional dos dois tem algo em comum: o apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).  

Mariangela é reconhecida por desenvolver uma tecnologia que seleciona micro-organismos benéficos, como bactérias e fungos, e os torna mais eficientes para produção de alimentos para a população. Na prática, eles funcionam como fertilizantes naturais. Já Luciano criou um método de combate à dengue baseado na reprodução de mosquitos Aedes aegypti infectados com a Wolbachia. Essa bactéria é capaz de impedir a multiplicação de vírus como o que causam dengue, zika e chikungunyaA estratégia já tem resultados concretos, com redução significativa de casos da doença em cidades brasileiras. 

Os dois pesquisadores tiveram em algum momento suas trajetórias impulsionadas por bolsas de estudo ou financiamentos via CNPq. Mariangela explica que a agência de fomento vinculada ao MCTI entrou muito cedo na carreira dela e foi fundamental para que ela pudesse seguir na ciência. “Investir em pesquisa é investir no futuro, mas também no presente. Não se trata apenas de colocar recursos, mas de formar pessoas, criar condições para que jovens cientistas permaneçam na ciência e transformar conhecimento em soluções para a sociedade”, comenta Mariangela 

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Luciano concorda: “Eu tive bolsa CNPq desde a iniciação científica, lá no começo da graduação, e isso foi fundamental para minha formação. Ao longo da carreira, também tive projetos apoiados pela instituição, que marcaram a minha jornada científica”. 

Investimento em ciência 

Há mais de 30 anos, Mariangela dedica seus dias a pesquisas em fixação biológica do nitrogênio na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Soja (Embrapa) e se tornou referência na área. Os resultados mostram o potencial da ciência brasileira. “Hoje, as tecnologias que desenvolvemos já somam mais de 30 produtos e bioinsumos, com adoção em mais de 30 milhões de hectares no Brasil. A ciência dá retorno econômico, social e ambiental, e precisa ser tratada como investimento estratégico”, explica. 

 O método desenvolvido por Luciano Moreira de combate à dengue, zika e chikungunya teve o financiamento do CNPq em um dos seus momentos decisivos. “Um projeto apoiado pelo CNPq foi o primeiro gatilho para tudo começar no Brasil. Foi ali que iniciamos os estudos com o método Wolbachia, que depois ganhou escala e novos financiamentos”, afirma. Hoje, a metodologia já está sendo utilizada em 17 municípios brasileiros e deve chegar a pelo menos mais 15 cidades, sempre em parceria com o Ministério da Saúde.  

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 Trajetória dos cientistas 

 Além de uma das cem pessoas mais influentes do mundo, Mariangela é vencedora do World Food Prize 2025 — considerado o Nobel da Alimentação e Agricultura — e do Prêmio Mulheres e Ciência 2025, CNPq. Ela é graduada em engenharia agronômica e mestre em solos e nutrição de plantas pela Universidade de São Paulo (USP), doutora em agronomia pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e pós-doutora pela Cornell University (EUA). Atualmente a pesquisadora é membro do Comitê Técnico de Biotecnologia (CT-Biotec) do MCTI. 

Luciano Moreira é engenheiro agrônomo, mestre em fitotecnia com ênfase em controle biológico de insetos pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), doutor em genética e melhoramento de plantas pela UFV e o Centre of Plant Breeding and Reproduction Research (CPRO-DLO), na Holanda, e pós-doutor na área de mosquitos e malária Case Western Reserve University (Cleveland-OH). O cientista também já atuou com pesquisador do CNPq. 

 

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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