TECNOLOGIA
CNPEM reúne 38 mil pessoas em evento que aproxima a ciência da sociedade
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O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) realizou, nos dias 30 e 31 de maio, em Campinas (SP), a 7ª edição do Ciência Aberta, evento com objetivo de promover a divulgação científica. Ao longo dos dois dias, foram recebidas mais 38 mil pessoas. O centro, uma organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), é a casa do acelerador de partículas Sirius.
“Eventos como o ‘Ciência Aberta’ fazem com que as pessoas cada vez mais entendam que a ciência não é algo inatingível e que está distante de suas vidas. E isso dá uma visão, principalmente para a juventude, da importância do conhecimento”, disse a ministra do MCTI, Luciana Santos, que visitou o evento na sexta-feira, 30 de maio.
Entre as mais de 100 atividades propostas pelo CNPEM, a principal foi a visita à estrutura do Sirius. “A população, ao vir aqui e ver um equipamento como o Sirius, as pesquisas feitas pelo CNPEM, demonstra que o Brasil tem capacidade de avançar e competir com qualquer país. Isso muda a vida das crianças e faz com que elas acreditem no país e nelas mesmas”, disse o diretor-geral do centro, José Roque.
A sexta-feira (30), dia reservado para instituições de ensino, teve a visita de mais de 16 mil professores e estudantes de 234 escolas e faculdades de 7 estados. Já no segundo dia, aberto para todo o público, foram mais de 22 mil pessoas.
“As pessoas que estiveram aqui tiveram a oportunidade de ter um contato muitíssimo especial com o que é a ciência e o que ela pode fazer pelos brasileiros. Mais do que só mostrar que investir em ciência é um retorno direto para o país, o evento também traz a popularização da ciência, especialmente para as crianças”, relatou o secretário de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social, Inácio Arruda.
Popularização da ciência
O Ciência Aberta é uma das várias iniciativas do MCTI e de suas unidades vinculadas que visam à popularização da ciência no Brasil. A professora Larissa Tirolla, da escola estadual Professor Aggeo Pereira do Amaral, em Sorocaba (SP), foi uma das que levou seus alunos do ensino médio para visitar o Sirius.
“Esse é um evento muito especial, porque, na escola, os alunos não têm a dimensão do que é isso, mesmo a gente mostrando. E aqui eles conseguem ter essa noção e ver a ciência de perto”, conta a professora, que participou anteriormente da Imersão Científica do Futuras Cientistas, iniciativa de valorização das cientistas e pesquisadoras brasileiras promovida pelo Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene), unidade de pesquisa vinculada ao MCTI no Recife (PE).
Em complemento à ideia da colega, o professor de física de uma escola particular de Assis (SP), Élcio Ortega, afirmou que o evento ainda é importante para trazer o patriotismo científico para os alunos. “A ideia de trazer os alunos aqui é a criação dos cérebros, é atrair cérebros, é desenvolver nesse aluno o gosto pelo estudo, pela pesquisa, a busca pelo saber”, disse.
SNCT
O principal evento de popularização da ciência realizado pelo MCTI é a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT). Instituída em 2004 por decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a SNCT é realizada anualmente pela pasta em parceria com unidades de pesquisa, agências de fomento e entidades vinculadas, comunidade científica, universidades, instituições de ensino de pesquisa, escolas, museus e jardins botânicos, secretarias estaduais e municipais, empresas de base tecnológica e entidades da sociedade civil.
Neste ano, a SNCT terá como tema cultura oceânica. “Com esse tema, nosso objetivo é dar destaque às águas. Não só os oceanos, mas também os rios e lagos. A ONU declarou esta década como a década da água e nós queremos tornar a SNCT o principal evento dessa campanha”, afirma o secretário Inácio Arruda.
Caravana da Ciência
Além das atividades propostas pelo CNPEM, o evento ainda contou com uma exposição em comemoração aos 40 anos do MCTI. Ao longo do ano, a ministra Luciana Santos e representantes do ministério visitarão diversos estados e apresentarão as entregas do ministério e os principais projetos das unidades vinculadas. A primeira parada da caravana foi Salvador (BA), em maio, e a segunda foi no CNPEM, em Campinas.
Veja mais imagens do evento Ciência Aberta no Flickr do MCTI.
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Paralelo 60: série de TV mostra a atuação da ciência brasileira na Antártica e no Ártico
Como é fazer ciência nos lugares mais frios e remotos do planeta? A série documental Paralelo 60: a Ciência Brasileira nos Extremos do Planeta, que estreou na terça-feira (9), convida a sociedade a acompanhar pesquisadores brasileiros em expedições à Antártica e ao Ártico, revelando grandes descobertas, desafios e a importância dessas pesquisas para compreender as mudanças que afetam o mundo inteiro. O documentário está no ar na Rede Minas e também estará disponível na Minas Play.
Com 13 episódios de 26 minutos, a produção mostra os bastidores das pesquisas feitas por cientistas brasileiros nos polos e destaca como o conhecimento produzido nessas regiões contribui para ampliar a compreensão sobre mudança climática, biodiversidade, oceano, geologia, microbiologia e biotecnologia. A série também apresenta o cotidiano das expedições científicas, os desafios logísticos das missões e as histórias de pesquisadores que dedicam suas carreiras ao estudo dos ambientes extremos.
O documentário mostra a atuação integrada do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), da Marinha do Brasil, do Ministério das Relações Exteriores (MRE), do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), além de universidades e centros de pesquisa de diferentes regiões do País. Essa articulação é fundamental para garantir a continuidade das pesquisas e fortalecer a participação do Brasil em iniciativas internacionais voltadas à compreensão e preservação dos ecossistemas polares.
A série também registra um marco para a ciência nacional: a primeira expedição científica oficial brasileira ao Ártico, ocorrida em 2023, no arquipélago de Svalbard, na Noruega. A iniciativa ampliou a atuação brasileira nas pesquisas polares e reforçou a inserção do País em redes internacionais de cooperação científica para a compreensão das transformações ambientais globais.
Para a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, a presença brasileira no Ártico amplia a capacidade científica do País e fortalece sua inserção internacional. “A expedição ao Ártico tem valor científico, ambiental e geopolítico. O conhecimento nos dá liberdade para compreender os fenômenos que nos cercam e tomar decisões mais conscientes”, afirmou.
Diretor do Departamento de Programas Temáticos do MCTI, Leandro Pedron destaca que a expansão das pesquisas brasileiras para ambos os polos é resultado da experiência acumulada ao longo de décadas de atuação na Antártica. “Queremos que a pesquisa brasileira possa ajudar a compreender as mudanças que vêm ocorrendo nos polos, como o Ártico e a Antártica se conectam, e como isso pode afetar o Brasil.”, ressaltou.
O público pode acompanhar pesquisas conduzidas por cientistas de instituições de todo o País em áreas como microbiologia, botânica, oceanografia, geologia, saúde única e mudanças climáticas. Entre os destaques está o projeto MycoAntar, liderado pelo pesquisador Luiz Henrique Rosa, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que investiga fungos e microrganismos polares com potencial de aplicação em setores como saúde, agricultura e indústria.
Com imagens inéditas da Antártica e do Ártico, a produção aproxima o público do universo da ciência polar e mostra como as descobertas nos extremos do planeta ajudam a compreender fenômenos que influenciam diretamente a vida no Brasil e no restante do mundo.
A produção é da Qu4rto Studio, com recursos do edital Olhar Independente, fruto de parceria entre a Rede Minas de Televisão e a Agência Nacional do Cinema (Ancine).
Ciência garante presença internacional
A pesquisa científica é um dos pilares da participação brasileira na Antártica. O País integra o grupo dos 29 membros consultivos do Sistema do Tratado da Antártica, acordo internacional que regula as atividades no continente e estabelece que as decisões sobre seu futuro sejam tomadas por consenso entre os países-membros.
Essa condição assegura ao Brasil voz e participação nas decisões sobre um continente estratégico para o futuro do planeta. Além de abrigar a maior reserva de água doce da Terra, a Antártica reúne recursos biológicos e naturais ainda pouco conhecidos, com potencial para gerar novos conhecimentos e aplicações em diferentes áreas da ciência.
Para o pesquisador responsável pelo projeto MycoAntar, Luiz Henrique Rosa, a produção também representa um registro importante da trajetória brasileira nas pesquisas polares. “Em mais de 20 anos de atuação na Antártica, este é um dos registros mais completos já produzidos sobre as pesquisas brasileiras na Antártica e no Ártico. É uma oportunidade de aproximar o público da ciência produzida nessas regiões e mostrar a importância de mantermos uma presença ativa nos polos”, destacou.

