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MCTI lidera reunião do BRICS em Ciência, Tecnologia e Inovação
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O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) coordenou a 15ª Reunião de Altos Funcionários de Ciência, Tecnologia e Inovação do BRICS (SOM). O encontro foi realizado nos dias 23 e 24 de junho, na sede do Serpro, em Brasília, com a participação de delegações de 10 países. Carlos Eduardo Matsumoto, chefe da Assessoria Especial de Assuntos Internacionais do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (ASSIN/MCTI), presidiu o encontro, que integra o calendário de atividades da presidência brasileira do BRICS para a área de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) em 2025, sob coordenação do MCTI.
Ao longo do ano, o ministério já organizou diversas reuniões do Comitê Gestor do BRICS para CT&I, cinco reuniões de Grupos de Trabalho (GTs) ou áreas temáticas como previsibilidade na política de CT&I, biotecnologia e biomedicina, prevenção e monitoramento de desastres naturais, computação de alto desempenho e inteligência artificial, ciência e tecnologia dos oceanos e polar, parceria em ciência, tecnologia inovação e empreendedorismo. Além disso, foram realizadas reuniões em outros países que integram o calendário do BRICS para CT&I. No total, serão 13 reuniões de grupos de trabalho em 2025, com o objetivo de consolidar uma agenda estratégica comum entre os países do bloco.
“Tivemos dois dias bem intensos, com discussões produtivas e a declaração ministerial que foi negociada é a parte mais relevante”, explicou o chefe da Assessoria Internacional. Segundo Matsumoto, a cooperação em CT&I entre os países do BRICS é bastante extensa, possibilitando a parceria em diversas áreas de pesquisa. “Estamos na 6ª edição da chamada de pesquisa em conjunto com os países e hoje acordamos a 7ª chamada regular de projetos”, disse.
Durante a reunião, foram discutidas duas novas iniciativas, uma chamada para a área de inovação e outra para grandes projetos, que está sendo chamada de “flagship projects”.
Fórum do Jovens Cientistas e 8ª edição do Prêmio Jovens Inovadores
A reunião também reafirmou a importância do Fórum de Jovens Cientistas e do Prêmio Jovem Cientista do BRICS, como espaços de intercâmbio, desenvolvimento e formação de novas lideranças em ciência e inovação.
Organizado pelo MCTI, os eventos e as reuniões de outros Grupos de Trabalho serão sediados pelo Brasil no segundo semestre deste ano. “A 10ª edição do Fórum de Jovens Cientistas e o Prêmio de Jovens Inovadores dos BRICS são pilares da nossa cooperação. São iniciativas que garantem uma colaboração entre os países do BRICS”, afirmou Matsumoto.
Historicamente, o Brasil tem uma cooperação muito forte com os Estados Unidos e a Europa mas, de acordo com Matsumoto, é fundamental fomentar parcerias com os países do Sul Global. “Para fortalecer a cooperação com o país do Sul, precisamos oferecer algum tipo de incentivo. O Fórum Jovem Cientistas traz essa possibilidade dos pesquisadores dos primeiros anos de carreira conseguirem identificar um país dos BRICS, como Índia, Rússia e China, como parceiros naturais. Isso temos conseguidos construir de forma consistente”, pontuou.
No Fórum Jovens Cientistas, aproximadamente 150 participantes estarão reunidos em Brasília e discutirão os três temas propostos: inteligência artificial, diplomacia científica e a COP 30.
Expansão do BRICS
A reunião contou com a participação ativa de países como o Irã, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos e Indonésia, que reforçam a expansão e diversificação do bloco e o seu alcance e relevância global. De acordo com Matsumoto, a ampliação do bloco é um novo desafio. “Ter novos integrantes no BRICS permite compartilhar conhecimentos e cooperar com mais instituições que têm uma visão alinhada ao Sul Global. No entanto, também traz desafios. Elaborar uma chamada conjunta com cinco países é muito mais simples do que com 10”, disse.
“Estamos aprendendo como melhorar, como atingir mais pesquisadores, como atingir mais empresas, como atingir mais instituições da área de inovação sem perder o senso prático que temos de conseguir resultados muito concretos para os países BRICS”, completou Matsumoto.
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Paralelo 60: série de TV mostra a atuação da ciência brasileira na Antártica e no Ártico
Como é fazer ciência nos lugares mais frios e remotos do planeta? A série documental Paralelo 60: a Ciência Brasileira nos Extremos do Planeta, que estreou na terça-feira (9), convida a sociedade a acompanhar pesquisadores brasileiros em expedições à Antártica e ao Ártico, revelando grandes descobertas, desafios e a importância dessas pesquisas para compreender as mudanças que afetam o mundo inteiro. O documentário está no ar na Rede Minas e também estará disponível na Minas Play.
Com 13 episódios de 26 minutos, a produção mostra os bastidores das pesquisas feitas por cientistas brasileiros nos polos e destaca como o conhecimento produzido nessas regiões contribui para ampliar a compreensão sobre mudança climática, biodiversidade, oceano, geologia, microbiologia e biotecnologia. A série também apresenta o cotidiano das expedições científicas, os desafios logísticos das missões e as histórias de pesquisadores que dedicam suas carreiras ao estudo dos ambientes extremos.
O documentário mostra a atuação integrada do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), da Marinha do Brasil, do Ministério das Relações Exteriores (MRE), do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), além de universidades e centros de pesquisa de diferentes regiões do País. Essa articulação é fundamental para garantir a continuidade das pesquisas e fortalecer a participação do Brasil em iniciativas internacionais voltadas à compreensão e preservação dos ecossistemas polares.
A série também registra um marco para a ciência nacional: a primeira expedição científica oficial brasileira ao Ártico, ocorrida em 2023, no arquipélago de Svalbard, na Noruega. A iniciativa ampliou a atuação brasileira nas pesquisas polares e reforçou a inserção do País em redes internacionais de cooperação científica para a compreensão das transformações ambientais globais.
Para a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, a presença brasileira no Ártico amplia a capacidade científica do País e fortalece sua inserção internacional. “A expedição ao Ártico tem valor científico, ambiental e geopolítico. O conhecimento nos dá liberdade para compreender os fenômenos que nos cercam e tomar decisões mais conscientes”, afirmou.
Diretor do Departamento de Programas Temáticos do MCTI, Leandro Pedron destaca que a expansão das pesquisas brasileiras para ambos os polos é resultado da experiência acumulada ao longo de décadas de atuação na Antártica. “Queremos que a pesquisa brasileira possa ajudar a compreender as mudanças que vêm ocorrendo nos polos, como o Ártico e a Antártica se conectam, e como isso pode afetar o Brasil.”, ressaltou.
O público pode acompanhar pesquisas conduzidas por cientistas de instituições de todo o País em áreas como microbiologia, botânica, oceanografia, geologia, saúde única e mudanças climáticas. Entre os destaques está o projeto MycoAntar, liderado pelo pesquisador Luiz Henrique Rosa, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que investiga fungos e microrganismos polares com potencial de aplicação em setores como saúde, agricultura e indústria.
Com imagens inéditas da Antártica e do Ártico, a produção aproxima o público do universo da ciência polar e mostra como as descobertas nos extremos do planeta ajudam a compreender fenômenos que influenciam diretamente a vida no Brasil e no restante do mundo.
A produção é da Qu4rto Studio, com recursos do edital Olhar Independente, fruto de parceria entre a Rede Minas de Televisão e a Agência Nacional do Cinema (Ancine).
Ciência garante presença internacional
A pesquisa científica é um dos pilares da participação brasileira na Antártica. O País integra o grupo dos 29 membros consultivos do Sistema do Tratado da Antártica, acordo internacional que regula as atividades no continente e estabelece que as decisões sobre seu futuro sejam tomadas por consenso entre os países-membros.
Essa condição assegura ao Brasil voz e participação nas decisões sobre um continente estratégico para o futuro do planeta. Além de abrigar a maior reserva de água doce da Terra, a Antártica reúne recursos biológicos e naturais ainda pouco conhecidos, com potencial para gerar novos conhecimentos e aplicações em diferentes áreas da ciência.
Para o pesquisador responsável pelo projeto MycoAntar, Luiz Henrique Rosa, a produção também representa um registro importante da trajetória brasileira nas pesquisas polares. “Em mais de 20 anos de atuação na Antártica, este é um dos registros mais completos já produzidos sobre as pesquisas brasileiras na Antártica e no Ártico. É uma oportunidade de aproximar o público da ciência produzida nessas regiões e mostrar a importância de mantermos uma presença ativa nos polos”, destacou.

