TECNOLOGIA
MCTI promove Seminário Pró-Amazônia para orientar empresas e pesquisadores sobre instrumentos de fomento à inovação
TECNOLOGIA
Nesta terça-feira (14) e quarta-feira (15), o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio da Subsecretaria de Ciência e Tecnologia para a Amazônia (SCTA) e da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação do Amapá (Setec-AP), promove o Seminário Pró-Amazônia e Instrumentos de Incentivo à Inovação, no auditório do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), em Macapá (AP), que também apoia o evento.
No primeiro dia, haverá a apresentação do programa Pró-Amazônia e o detalhamento de editais de incentivo a empresas e institutos de ciência e tecnologia (ICTs). Já no segundo dia, estão na programação discussões sobre o Marco Legal de Ciência e Tecnologia (C&T), com painéis sobre a Lei da Informática e Lei do Bem.
Durante o seminário será feito um panorama geral das abordagens das secretarias envolvidas. Os representantes vão difundir e qualificar o uso dos instrumentos federais de fomento à pesquisa e inovação, norteando possíveis candidatos na inscrição de chamadas para pesquisadores e empresas.
De acordo com o subsecretário de Ciência e Tecnologia para a Amazônia, Dorival da Costa dos Santos, o objetivo é facilitar a inscrição de candidatos em chamadas para ICTs. “Além disso, o evento dá oportunidade para que empresas melhorem seus projetos, conseguindo aprovação junto à Finep [Financiadora de Estudos e Projeto”.
O Pró-Amazônia integra a estratégia nacional de fortalecimento da ciência e inovação, enquanto o Marco Legal — instituído pela Lei nº 13.243/2016 — estabelece o arcabouço jurídico que regula a cooperação entre universidades, empresas e governo em todo o País. O Pró-Amazônia é um programa estratégico do MCTI voltado à aplicação prática dessas diretrizes na Amazônia Legal. Financiado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento de Ciência e Tecnologia (FNDCT), o programa busca reduzir desigualdades regionais, fortalecer a infraestrutura científica e impulsionar a bioeconomia e a inovação sustentável na região.
“O seminário vai esclarecer pontos importantes da Lei de Informática e da Lei do Bem. Fizemos o primeiro no Amazonas, agora aqui no Amapá e na semana que vem iremos ao Acre. E depois da COP30, estaremos em Cuiabá”, informou Santos.
Buscando construir uma rede de conhecimentos entre interessados por instrumentos da SCTA, o Seminário Pró-Amazônia valoriza a ciência e a inovação como eixos estratégicos para o fortalecimento institucional e o desenvolvimento regional sustentável.
Serviço
Local: Auditório do Senai – Macapá/AP
Datas: 14 e 15 de outubro
Contato: [email protected]
Mais informações: mcti.gov.br
TECNOLOGIA
Cerâmica ancestral renasce pelas mãos de mulheres da Amazônia
Uma história viva. É assim que a coordenadora do Grupo de Agricultores Orgânicos da Missão, Bernardete Araújo, descreve a japuna, um tipo de forno de origem indígena. Hoje, essa e tantas outras peças há tempos esquecidas voltam a ganhar vida pelas mãos de mulheres agricultoras e ceramistas da comunidade que fica em Tefé (AM), graças ao projeto Cadeias Operatórias das Japuna no Médio Solimões.
“A japuna, para mim, significa a história viva, um museu vivo. Eu via, desde pequena, minha mãe produzindo e usando essa peça para torrar farinha, café, cacau, milho e castanha. Estamos resgatando o conhecimento tradicional das nossas mães, avós e bisavós”, conta a coordenadora. Outro ponto positivo de voltar a adotar a técnica ancestral é a possibilidade de gerar renda com a venda de vasos, fogareiros, fruteiras e panelas.
A iniciativa reuniu as mulheres da associação Clube de Mães para atuar em todas as etapas do processo, chamada pelos arqueólogos de cadeia operatória das japuna. Esse processo vai desde a coleta do barro na própria comunidade, passando pela modelagem e pela queima natural do material, até a finalização das peças, práticas aprendidas com suas antepassadas.
O projeto conta com três eixos de pesquisa: o primeiro com base em escavações na região; o segundo, de caráter etno-histórico, fundamentado em relatos de livros históricos e na memória das mulheres; e o terceiro, etnográfico, baseado na observação das técnicas das ceramistas da comunidade. A iniciativa é uma parceria entre o grupo e o Instituto Mamirauá, organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Segundo a arqueóloga do Mamirauá e uma liderança da iniciativa, Geórgea Holanda, há anos a produção das japuna estava adormecida, com risco de ser extinta. “Mas elas estavam presentes na mente das ceramistas. Então, por meio do projeto, foi possível colocar em prática esse conhecimento. Que foi repassado de geração para geração pelas suas antepassadas”, conta.
“Voltar a fazer as japuna é como o resgate do conhecimento tradicional dos nossos pais. A gente tem que manter viva essa tradição, esse conhecimento e a continuidade dessa história da nossa ancestralidade”, diz Bernardete.
De acordo com Geórgea, a relação entre o instituto e a comunidade acontece de forma participativa, sempre respeitando as decisões das pessoas da comunidade. “Esse trabalho só foi possível porque elas aceitaram e passaram esse rico conhecimento para nós”, finaliza a arqueóloga.
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