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Pesquisadores e ribeirinhos se unem para monitorar clima na Amazônia em projeto do Mamirauá

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Pesquisadores do Instituto Mamirauá e moradores da Comunidade Bom Jesus da Ponta da Castanha, na Floresta Nacional de Tefé, município de Alvarães (AM), instalaram uma estação meteorológica na região em que está o Lago Tefé. A unidade colherá informações sobre temperatura e umidade do ar, direção e velocidade do vento, radiação solar e quantidade de chuva. Outros quatro equipamentos serão instalados próximos aos lagos Coari, Janauacá, Monte Alegre e Serpa.

A iniciativa faz parte do projeto Lagos Sentinelas da Amazônia e tem como objetivo ampliar a rede de monitoramento do clima da Amazônia Central e aumentar a resiliência das comunidades com informações para a adaptação às mudanças climáticas.

Lagos Sentinelas
Rede de monitoramento climático e ambiental

Segundo o pesquisador do Grupo de Geociências e Dinâmicas Ambientais na Amazônia do instituto Daniel Michelon, a medição das variáveis meteorológicas é essencial para a compreensão das mudanças do clima na região amazônica, especialmente em áreas protegidas, como a Flona de Tefé. “Essas variáveis controlam diversos processos ambientais, incluindo o nível dos lagos, a ocorrência de secas e cheias e o funcionamento dos ecossistemas”, explica o especialista. Segundo ele, esses dados são fundamentais para compreender as interações entre atmosfera, floresta e corpos d’água, além de alimentar e validar modelos climáticos e ecológicos e de previsão do tempo.

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Projeto Lagos Sentinelas da Amazônia

Desenvolvido desde 2024, o projeto Lagos Sentinelas da Amazônia: Centro Transdisciplinar para Compreensão das Dinâmicas Socioambientais e das Águas Amazônicas sob Mudanças Climáticas é uma resposta aos cenários cada vez mais frequentes de eventos climáticos extremos na região, como secas históricas. “Em 2023 e 2024, vimos os lagos secando quase que completamente e superaquecendo, chegando a mais de 40ºC. Isso levou a consequências ambientais, como a mortandade de peixes e botos, e sociais, como o isolamento de comunidades ribeirinhas”, explica o coordenador da iniciativa e pesquisador do instituto, Ayan Fleischmann.

A solução encontrada pelos pesquisadores foi monitorar a longo prazo e buscar entender o que está acontecendo com os lagos amazônicos para, assim, conseguir prever os eventos extremos futuros, de maneira a subsidiar políticas públicas para reduzir a vulnerabilidade de quem vive e depende do ecossistema aquático amazônico.

“Para obter essas informações não adianta simplesmente um pesquisador ir lá e coletar o dado, isso tem que ser feito com quem está no território. Foi aí que surgiu a ideia de monitoramento participativo, de engajamento comunitário para entender o que está acontecendo com esses lagos e com as populações humanas que vivem no entorno desses lagos”, afirma Fleischmann.

Na região do Lago Tefé, foram os moradores da comunidade que decidiram o local da instalação da estação meteorológica e discutiram os benefícios. Para morador da região Juscelino Oliveira da Costa, a parceria é motivo de muito orgulho. “Conseguir esta estação é motivo de muito orgulho. A gente não tem como saber o quanto está quente ou frio. Então, tendo um aparelho que mede isso, a gente vai passar a saber, quantos graus está, o que secou, o que choveu”, explica.

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Segundo o presidente da comunidade, Silas Rodrigues, será muito importante para os moradores acompanhar o que está acontecendo com o clima. “Envolvendo as escolas, quem sabe não pode surgir o interesse de saber o que é uma estação e o que ela faz? Podem surgir pessoas que se interessam pela área de meteorologia e se formam nessa área. Vamos ficar próximos, acompanhando”, destaca o presidente.

A iniciativa é financiada pela chamada CNPq/MCTI/FNDCT nº 19/2024 – Pró-Amazônia, voltada à criação de Centros Avançados em Áreas Estratégicas para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia. O projeto também conta com apoio da Fundação Gordon e Betty Moore, WCS, Fapeam, Sedecti e Governo do Amazonas, além da participação de 15 instituições nacionais e internacionais.

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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Paralelo 60: série de TV mostra a atuação da ciência brasileira na Antártica e no Ártico

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Como é fazer ciência nos lugares mais frios e remotos do planeta? A série documental Paralelo 60: a Ciência Brasileira nos Extremos do Planeta, que estreou na terça-feira (9), convida a sociedade a acompanhar pesquisadores brasileiros em expedições à Antártica e ao Ártico, revelando grandes descobertas, desafios e a importância dessas pesquisas para compreender as mudanças que afetam o mundo inteiro. O documentário está no ar na Rede Minas e também estará disponível na Minas Play.  

Com 13 episódios de 26 minutos, a produção mostra os bastidores das pesquisas feitas por cientistas brasileiros nos polos e destaca como o conhecimento produzido nessas regiões contribui para ampliar a compreensão sobre mudança climática, biodiversidade, oceano, geologia, microbiologia e biotecnologia. A série também apresenta o cotidiano das expedições científicas, os desafios logísticos das missões e as histórias de pesquisadores que dedicam suas carreiras ao estudo dos ambientes extremos.  

O documentário mostra a atuação integrada do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), da Marinha do Brasil, do Ministério das Relações Exteriores (MRE), do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), além de universidades e centros de pesquisa de diferentes regiões do País. Essa articulação é fundamental para garantir a continuidade das pesquisas e fortalecer a participação do Brasil em iniciativas internacionais voltadas à compreensão e preservação dos ecossistemas polares.  

A série também registra um marco para a ciência nacional: a primeira expedição científica oficial brasileira ao Ártico, ocorrida em 2023, no arquipélago de Svalbard, na Noruega. A iniciativa ampliou a atuação brasileira nas pesquisas polares e reforçou a inserção do País em redes internacionais de cooperação científica para a compreensão das transformações ambientais globais.  

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Para a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, a presença brasileira no Ártico amplia a capacidade científica do País e fortalece sua inserção internacional. “A expedição ao Ártico tem valor científico, ambiental e geopolítico. O conhecimento nos dá liberdade para compreender os fenômenos que nos cercam e tomar decisões mais conscientes”, afirmou.  

Diretor do Departamento de Programas Temáticos do MCTI, Leandro Pedron destaca que a expansão das pesquisas brasileiras para ambos os polos é resultado da experiência acumulada ao longo de décadas de atuação na Antártica. “Queremos que a pesquisa brasileira possa ajudar a compreender as mudanças que vêm ocorrendo nos polos, como o Ártico e a Antártica se conectam, e como isso pode afetar o Brasil.”, ressaltou.  

O público pode acompanhar pesquisas conduzidas por cientistas de instituições de todo o País em áreas como microbiologia, botânica, oceanografia, geologia, saúde única e mudanças climáticas. Entre os destaques está o projeto MycoAntar, liderado pelo pesquisador Luiz Henrique Rosa, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que investiga fungos e microrganismos polares com potencial de aplicação em setores como saúde, agricultura e indústria.  

Com imagens inéditas da Antártica e do Ártico, a produção aproxima o público do universo da ciência polar e mostra como as descobertas nos extremos do planeta ajudam a compreender fenômenos que influenciam diretamente a vida no Brasil e no restante do mundo.  

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A produção é da Qu4rto Studio, com recursos do edital Olhar Independente, fruto de parceria entre a Rede Minas de Televisão e a Agência Nacional do Cinema (Ancine).  

Ciência garante presença internacional  

A pesquisa científica é um dos pilares da participação brasileira na Antártica. O País integra o grupo dos 29 membros consultivos do Sistema do Tratado da Antártica, acordo internacional que regula as atividades no continente e estabelece que as decisões sobre seu futuro sejam tomadas por consenso entre os países-membros.  

Essa condição assegura ao Brasil voz e participação nas decisões sobre um continente estratégico para o futuro do planeta. Além de abrigar a maior reserva de água doce da Terra, a Antártica reúne recursos biológicos e naturais ainda pouco conhecidos, com potencial para gerar novos conhecimentos e aplicações em diferentes áreas da ciência.  

Para o pesquisador responsável pelo projeto MycoAntar, Luiz Henrique Rosa, a produção também representa um registro importante da trajetória brasileira nas pesquisas polares. “Em mais de 20 anos de atuação na Antártica, este é um dos registros mais completos já produzidos sobre as pesquisas brasileiras na Antártica e no Ártico. É uma oportunidade de aproximar o público da ciência produzida nessas regiões e mostrar a importância de mantermos uma presença ativa nos polos”, destacou. 

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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