CUIABÁ
Pesquisar
Close this search box.

TECNOLOGIA

Trans e interdisciplinaridade ganham força no Sétimo Ciclo de Avaliação do IPCC

Publicados

TECNOLOGIA

Cerca de dez pesquisadores brasileiros juntaram-se a quase 700 autores, provenientes de mais de cem países, para uma reunião conjunta inédita no âmbito do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC). Os autores líderes e coordenadores de autores líderes selecionados para os três grupos de trabalho do Sétimo Ciclo de Avaliação estão reunidos em Saint-Denis, região metropolitana de Paris, até sexta-feira (5), para a primeira reunião de trabalho. Os editores revisores não participam do encontro.

Esta é a primeira vez que os três grupos estão juntos em um encontro de autores e que os trabalhos das três áreas iniciam simultaneamente. De acordo com o comunicado do IPCC, a medida visa o fortalecimento da trans e interdisciplinaridade, com o objetivo de permitir que o painel dê um salto qualitativo ambicioso na avaliação das principais questões interdisciplinares relacionadas à mudança clima.

“Esta reunião é uma oportunidade inestimável para fortalecer a interdisciplinaridade, construir pontes entre os grupos de trabalho e se envolver profundamente com as complexas questões científicas que temos pela frente. Hoje marca o momento em que nossas preparações terminam e a avaliação do trabalho científico realmente começa”, afirma o diretor do IPCC, Jim Skea, durante o discurso de abertura.

Os três grupos de trabalho do IPCC abordam questões fundamentais da mudança do clima. O grupo de trabalho 1 dedica-se às bases científicas da mudança do clima, enfatizando os aspectos da física; o grupo 2 tem foco nos impactos e adaptação à mudança do clima; e o grupo 3 aborda a mitigação de gases de efeito estufa. O Sétimo Ciclo de Avaliação do IPCC se iniciou formalmente em julho de 2023 e se encerrará em 2029, com o lançamento do Relatório Síntese. 

Os autores concentrarão os esforços nos rascunhos iniciais das três contribuições dos grupos de trabalho para o AR7 e nos temas transversais. O IPCC fornece aos formuladores de políticas do mundo resumos abrangentes que sintetizam e contextualizam o que se sabe sobre os fatores que impulsionam as mudanças climáticas, seus impactos e riscos futuros, e como a adaptação e a mitigação podem reduzir esses riscos. Por meio de suas avaliações, o IPCC identifica a força do consenso científico em diferentes áreas e indica onde são necessárias pesquisas adicionais.

Leia Também:  Programa Hackers do Bem oferece aulas on-line ao vivo para níveis avançados

Na avaliação da analista de ciência e tecnologia e ponto focal do MCTI para o IPCC, Andrea Araújo, a integração promovida dos três grupos de trabalho sinaliza a importância do fortalecimento de abordagens transdisciplinares, que representam grandes desafios. “Essa é uma chance de fortalecer abordagens realmente transdisciplinares, que integrem ciência, políticas públicas e conhecimentos de atores locais. Se o IPCC avançar nessa direção, os relatórios se tornam mais úteis para países em desenvolvimento”, avalia Araújo.

A experiência dos especialistas brasileiros nesse processo pode trazer benefícios ao País para discussões que integrem saberes e diferentes atores. “O Brasil pode tirar lições importantes para aplicar na nossa governança climática. As discussões sobre integração de saberes, uso de literatura cinza e práticas de coprodução podem alimentar futuras revisões da Política Nacional sobre Mudança do Clima, do Plano Clima e de outros instrumentos da governança”, complementa.

Combate à desinformação

A pesquisadora da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) Letícia Cotrim, que já foi autora líder durante o Sexto Ciclo de Avaliação, agora será coordenadora de autores líderes no capítulo que aborda os avanços no processo de compreensão das mudanças do sistema terrestre. “A expectativa é de bastante trabalho porque o tema do capítulo 4 é considerado uma espécie de base para os capítulos com abordagens regionais, tanto no WG1 sobre a base física da ciência, bem como para os WG2 e WG3, que vão abordar riscos, impactos e os diferentes aspectos de adaptação e mitigação”, explica Cotrim.

A coordenadora considera que o interessante de iniciar o ciclo de avaliação com o encontro conjunto é ter a oportunidade de alinhar as ideias principais nas avaliações sobre a mudança do clima e a possibilidade de informações mais claras para os tomadores de decisão no final do processo. Ela destaca ainda que o Sétimo Ciclo de Avaliação está acontecendo em meio a um contexto de “maré de desinformação” e, por isso, será fundamental a continuidade do esforço de comunicação empreendido desde o AR6. “Colocar esforços nesse sentido é fundamental, até mesmo para que as conclusões dos relatórios realmente sensibilizem e sejam incorporadas pelos tomadores de decisão e demais atores em nossa sociedade”, afirma.

Leia Também:  "Divulgação científica deve ser mais popular e próxima das realidades locais", afirma diretora do MCTI

Fortalecimento de diferentes sistemas de conhecimento

O professor de antropologia e estudos sociais da ciência e da tecnologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Renzo Taddei, que também está participando do encontro de autores na França, é autor líder no capítulo 10, que abordará serviços e informações climáticas, do grupo de trabalho 1. Entre os desafios da área, o pesquisador lembra que para além da produção de informações técnicas sobre o clima, é necessário que os diferentes setores da sociedade as percebam como “úteis e usáveis”. “Quem define se a informação meteorológica é boa ou não é quem a utiliza para resolver seus problemas cotidianos. Uma informação científica muito sofisticada e precisa pode perder completamente sua utilidade se as comunidades não encontrarem formas de conectá-la de forma efetiva nos seus processos econômicos, sociais e políticos”, explica Taddei sobre os desafios envolvidos.

Um dos caminhos em discussão no âmbito científico é a coprodução, ou seja, trabalhar junto de diferentes setores da sociedade para identificar problemas e construir ferramentas informacionais para ajudá-los. O pesquisador avalia que a participação de gerações mais novas, que estão em meio à intensificação de debates inter e transdisciplinares, além do reconhecimento da necessidade de novas abordagens, estão “são mais abertas a uma ciência mais horizontal e participativa”.

Taddei destaca que uma das inovações “notáveis” deste ciclo do IPCC envolve o reconhecimento da importância de considerar distintos sistemas de conhecimento, como a ciência cidadã e o conhecimento de povos indígenas, além da pesquisa científica padrão. “Em razão disso, pela primeira vez na história do painel, foram convidados autores líderes indígenas. O número de cientistas sociais também cresceu, inclusive no grupo de trabalho 1”, relata Taddei. “Não há dúvida que existe um fortalecimento da interdisciplinaridade, e também a adoção de estratégias transdisciplinares”, complementa.

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

TECNOLOGIA

Inclusão dos pesquisadores brasileiros na lista das cem pessoas mais influentes da revista Time reflete importância do investimento na ciência

Publicados

em

Mostrando a força brasileira, os pesquisadores Mariangela Hungria e Luciano Moreira entraram para a lista da revista Time das cem pessoas mais influentes do mundo, divulgada na quarta-feira (16). A trajetória profissional dos dois tem algo em comum: o apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).  

Mariangela é reconhecida por desenvolver uma tecnologia que seleciona micro-organismos benéficos, como bactérias e fungos, e os torna mais eficientes para produção de alimentos para a população. Na prática, eles funcionam como fertilizantes naturais. Já Luciano criou um método de combate à dengue baseado na reprodução de mosquitos Aedes aegypti infectados com a Wolbachia. Essa bactéria é capaz de impedir a multiplicação de vírus como o que causam dengue, zika e chikungunyaA estratégia já tem resultados concretos, com redução significativa de casos da doença em cidades brasileiras. 

Os dois pesquisadores tiveram em algum momento suas trajetórias impulsionadas por bolsas de estudo ou financiamentos via CNPq. Mariangela explica que a agência de fomento vinculada ao MCTI entrou muito cedo na carreira dela e foi fundamental para que ela pudesse seguir na ciência. “Investir em pesquisa é investir no futuro, mas também no presente. Não se trata apenas de colocar recursos, mas de formar pessoas, criar condições para que jovens cientistas permaneçam na ciência e transformar conhecimento em soluções para a sociedade”, comenta Mariangela 

Leia Também:  Brasil atualiza comunicação de adaptação à Convenção do Clima

Luciano concorda: “Eu tive bolsa CNPq desde a iniciação científica, lá no começo da graduação, e isso foi fundamental para minha formação. Ao longo da carreira, também tive projetos apoiados pela instituição, que marcaram a minha jornada científica”. 

Investimento em ciência 

Há mais de 30 anos, Mariangela dedica seus dias a pesquisas em fixação biológica do nitrogênio na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Soja (Embrapa) e se tornou referência na área. Os resultados mostram o potencial da ciência brasileira. “Hoje, as tecnologias que desenvolvemos já somam mais de 30 produtos e bioinsumos, com adoção em mais de 30 milhões de hectares no Brasil. A ciência dá retorno econômico, social e ambiental, e precisa ser tratada como investimento estratégico”, explica. 

 O método desenvolvido por Luciano Moreira de combate à dengue, zika e chikungunya teve o financiamento do CNPq em um dos seus momentos decisivos. “Um projeto apoiado pelo CNPq foi o primeiro gatilho para tudo começar no Brasil. Foi ali que iniciamos os estudos com o método Wolbachia, que depois ganhou escala e novos financiamentos”, afirma. Hoje, a metodologia já está sendo utilizada em 17 municípios brasileiros e deve chegar a pelo menos mais 15 cidades, sempre em parceria com o Ministério da Saúde.  

Leia Também:  "Divulgação científica deve ser mais popular e próxima das realidades locais", afirma diretora do MCTI

 Trajetória dos cientistas 

 Além de uma das cem pessoas mais influentes do mundo, Mariangela é vencedora do World Food Prize 2025 — considerado o Nobel da Alimentação e Agricultura — e do Prêmio Mulheres e Ciência 2025, CNPq. Ela é graduada em engenharia agronômica e mestre em solos e nutrição de plantas pela Universidade de São Paulo (USP), doutora em agronomia pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e pós-doutora pela Cornell University (EUA). Atualmente a pesquisadora é membro do Comitê Técnico de Biotecnologia (CT-Biotec) do MCTI. 

Luciano Moreira é engenheiro agrônomo, mestre em fitotecnia com ênfase em controle biológico de insetos pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), doutor em genética e melhoramento de plantas pela UFV e o Centre of Plant Breeding and Reproduction Research (CPRO-DLO), na Holanda, e pós-doutor na área de mosquitos e malária Case Western Reserve University (Cleveland-OH). O cientista também já atuou com pesquisador do CNPq. 

 

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

CUIABÁ

POLÍCIA

POLÍTICA MT

MATO GROSSO

MAIS LIDAS DA SEMANA