MATO GROSSO
Visitantes do Parque Mãe Bonifácia participam de oficinas da Semana do Meio Ambiente
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Durante toda a manhã, os visitantes puderam conhecer um pouco mais sobre compostagem de lixo e separação de resíduos sólidos. As crianças, jovens e adultos presentes também se divertiram com a montagem de animais silvestres da fauna mato-grossense utilizando técnicas de dobradura e colagem, e com a participação no jogo de tabuleiro Fique Legal com o Meio Ambiente.
“O Parque Mãe Bonifácia é uma unidade de conservação extremamente importante e de uso restrito, mas uma das principais ações que podem desenvolver aqui são essas atividades de educação ambiental. As oficinais voltadas ao cidadão mostram a importância do meio ambiente não como uma coisa à parte, mas um lugar que eu também sou responsável e posso cuidar, e que a minha atitude tem uma interferência direta nisso”, pontua a superintendente de Educação Ambiental e atendimento ao cidadão da Sema, Vânia Montalvão.
Reciclagem e Compostagem
O vaso compostor Lixo Zero é uma forma simples de compostagem e ensina a população que é possível separar o resto de comida dentro de casa e fazer esse resíduo virar um adubo de alta qualidade, confrome explica o diretor da Teoria Verde, Jean Peliciari.
“Ensinamos a população que podemos separar as três funções: recicláveis, orgânicos e rejeitos. Para os orgânicos, em específico, temos uma destinação que é a compostagem. Se ele for colocado em saco de lixo e recolhido pela coleta municipal, irá para um aterro e irá gerar chorume, que é um líquido contaminante e gás metano, que influencia no aquecimento global. Então a gente precisa rever sobre nossos hábitos e a gestão dos resíduos de uma cidade. É uma oportunidade estar mostrando isso para a população”, diz.
Lair, de 55 anos, participou da corrida Circuito das Estações – uma das atrações deste domingo -, e aproveitou a oportunidade para conhecer um pouco mais sobre a oficina de compostagem. “É importante porque desperdiçamos muito lixo. Eu já separo o lixo e agora vou fazer a compostagem”, disse.
A oficina de recicláveis foi coordenada por Cidinha Nascimento, da Associação de Catadores de Material Reciclável e Reutilizável Mato Grosso Sustentável (Asmats). Segundo ela, na ação os visitantes aprenderam como separar seu lixo e resíduo gerado em casa ou no trabalho. “Estamos conscientizando a população sobre como fazer a destinação ambientalmente adequada a seus resíduos. Separá-los é sustentabilidade”.![]()
Diversão para toda a família
O jogo “Fique Legal com o Meio Ambiente” teve o objetivo de demonstrar a jovens e adultos participantes quais são as atitudes para o cumprimento da legislação ambiental relacionada aos temas: vegetação nativa, queimadas, pesca e resíduos sólidos. As atividades foram desenvolvidas para incentivar a adoção de hábitos saudáveis.
Já a montagem de animais silvestres utilizando técnicas de dobradura e colagem inseriu 5 animais da fauna mato-grossense: arara, jaguatirica, tucano, jacaré e capivara.
Arquiria, 31 anos, soube do evento pelo Instagram e levou o sobrinho Davi, de 8 anos, para participar. “Acho importante a educação ambiental, estar inserido na natureza e aprender a cuidar. Adorei fazer a arara, foi muito legal”, conta o menino.
Semana do Meio Ambiente
A Semana do Meio Ambiente iniciou com corrida Circuito das Estações – Etapa Inverno neste domingo. Os atletas percorrem um percurso de 5 ou 10 quilômetros na avenida Miguel Sutil, com saída e chegada no Parque Mãe Bonifácia. Além das oficinas, também foi entregue o Selo Verde para as empresas que alcançaram a qualificação para a certificação com ações de controle e redução dos impactos ambientais negativos ocasionados pelo empreendimento.
Já na segunda (05.06) será realizado plantio de mudas de árvores nativas para recuperação de nascente. Para cada atleta inscrito na Corrida pelo Meio Ambiente, uma muda será plantada em uma área degradada de pouco mais de meio hectare ao redor de uma das nascentes que deságuam no córrego quarta-feira, curso d’água que abastece a lagoa do Parque das Águas.
Fonte: Governo MT – MT
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Nova lei amplia prazo para denúncia de crimes de violência doméstica e fortalece direitos das vítima
“Eu fui fazendo uma etapa, depois a outra. Não consegui fazer tudo de uma vez. Se o prazo é curto, às vezes ele acaba passando e depois a mulher entende tudo o que aconteceu, mas já não consegue mais agir. Esse prazo é importante para que ela tenha coragem e consciência do que está vivendo”. O relato da dona de casa C.S.A.C., assistida pelo Centro Especializado de Atendimento às Vítimas de Crimes e Atos Infracionais (CEAV), resume a realidade enfrentada por muitas mulheres vítimas de violência doméstica. Entre o medo, a dependência financeira, os vínculos afetivos e o impacto emocional causado pelas agressões, nem sempre denunciar é uma decisão imediata.
Pensando nessa realidade, uma nova legislação ampliou de seis para 12 meses o prazo para o exercício do direito de queixa ou de representação nos casos de crimes praticados no contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher. A mudança fortalece os mecanismos de proteção previstos na Lei Maria da Penha e busca garantir que mais vítimas tenham condições de acessar a Justiça no momento em que estiverem preparadas para denunciar.
Para a juíza Tatyana Lopes de Araújo Borges, da 2ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de Cuiabá, a ampliação do prazo contempla uma necessidade observada diariamente nos atendimentos às vítimas. “Primeiramente, muitas vítimas demoram para compreender que estão numa situação de violência. Muitas demoram para entender que estão dentro de um ciclo de violência e, depois disso, ainda precisam de tempo para romper esse ciclo. Esse aumento de prazo para 12 meses facilita porque, muitas vezes, a mulher só consegue refletir melhor sobre a situação quando já não está tão pressionada emocionalmente dentro daquele relacionamento”, explica.
Tempo para compreender e buscar ajuda
A magistrada destaca que a alteração vale para crimes que dependem da manifestação da vítima, como perseguição (stalking) e crimes contra a honra, entre eles calúnia, difamação e injúria. Já delitos como lesão corporal, estupro e feminicídio não dependem da representação da vítima para que o Estado dê continuidade ao processo.
Segundo Tatyana, o prazo maior pode contribuir diretamente para ampliar o acesso das mulheres à Justiça. “Aumentando esse prazo, ela tem mais condições de refletir e apresentar a representação entre seis meses e um ano. Muitas vezes, a vítima precisa de apoio psicológico e de uma rede de acolhimento para compreender o que está acontecendo antes de conseguir formalizar a denúncia”, afirma.
A própria experiência de C.S.A.C. demonstra como esse tempo pode ser decisivo. Ela levou meses para compreender a gravidade da violência que vivia e acredita que o prazo anterior poderia impedir muitas mulheres de exercerem seus direitos. “Acho que foi muito importante esse aumento (de prazo). Tem muitas coisas que influenciam para que a mulher não procure ajuda de imediato. Precisa de tempo para entender o que está acontecendo, para aceitar o que aconteceu e para ter coragem. O medo atrapalha demais”, relata.
A cozinheira M.I.L.E., também acompanhada pelo CEAV, considera a mudança um avanço necessário. “O tempo não pode ser um obstáculo. Até você perceber que está num problema sério e que precisa resolver aquilo, leva tempo. Quando eu vi que o prazo passou para 12 meses, achei muito importante. Em 12 meses você consegue pensar, repensar e buscar ajuda. Acho que vai melhorar bastante”, avalia.
Rede de proteção faz a diferença
Além da ampliação do prazo, especialistas reforçam a importância do acolhimento psicológico e do apoio familiar para que as vítimas consigam romper o ciclo da violência.
A juíza Tatyana orienta que mulheres em situação de violência procurem familiares, amigos ou qualquer integrante da rede de proteção disponível. “É importante buscar ajuda. Muitas vezes, a vítima está tão pressionada emocionalmente que não consegue enxergar todas as possibilidades. Aqui em Cuiabá existe uma rede de enfrentamento à violência preparada para acolher, orientar e encaminhar essas mulheres aos serviços necessários”, destaca.
A mensagem, segundo ela, é clara: nenhuma mulher precisa enfrentar a violência sozinha. Com mais tempo para denunciar e uma rede de apoio estruturada, as chances de romper o ciclo da violência, buscar proteção e garantir o acesso à Justiça tornam-se ainda maiores.
Autor: Roberta Penha
Fotografo: Josi Dias e Rodrigo Moura
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]


