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Confira os resultados da delegação mato-grossense nos Jogos da Juventude 2023

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De 15 modalidades esportivas diferentes e de variados municípios, mais de 160 atletas com idade entre 15 a 17 anos representaram Mato Grosso nos Jogos da Juventude, evento organizado pelo Comitê Olímpico do Brasil, que ocorreu de 01 a 16 de setembro, em Ribeirão Preto (SP). Ao todo foram conquistadas 12 medalhas, sendo duas de prata e 10 de bronze.

A participação mato-grossense é coordenada pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), que também realiza as etapas regionais e estaduais classificatórias para a competição nacional. De acordo com o chefe da delegação, o superintendente de Desporto Escolar da Secel, Marcelo Cruz, o nível da competição vem aumentando muito.

“Os estados entendem essa competição como a mais importante nessa faixa etária. Mato Grosso também tem esse entendimento, e vamos continuar num esforço conjunto, entre Estado, federações e técnicos, para melhorar cada vez nossa participação. Nós, enquanto gestão pública, estamos dando suporte possível para que o desempenho seja cada vez melhor”, enfatizou o superintendente.

Os Jogos da Juventude reúnem os melhores atletas do Brasil, com até 17 anos, oriundos de escolas públicas e privadas de todo o país. Ao longo dos anos, o evento esportivo simboliza o início da carreira de grandes atletas brasileiros, como o campeão de arremesso de peso, Darlan Romani, a campeã olímpica no judô, Sarah Menezes, e o mesatenista top 3 do ranking mundial, Hugo Calderano, dentre outros.

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Confira os principais resultados da delegação mato-grossense.

Já no primeiro bloco do evento esportivo, que envolveu as modalidades de atletismo, badminton, ciclismo, ginástica rítmica, taekwondo e wrestling, Mato Grosso conquistou cinco medalhas.

A equipe de atletismo assegurou três pódios. Foram duas medalhas de prata, uma do estudante indígena de Barra do Garças, Manuel Tsiwario, na prova de 3000 m, e outra do estudante de Sorriso, Augusto Kilian, na prova de lançamento de dardo. O estudante de Cuiabá, Arthur Amorim, levou a medalha de bronze na prova de arremesso de peso.

Outras duas medalhas de bronze foram alcançadas pelo atleta de wrestling, Raphael Duarte, e pela atleta de Taekwondo, Ana Caroline Mick. Ele, estudante de Cuiabá, e ela, do distrito de Entre Rios, em Nova Ubiratã.

O segundo bloco de competições abrangeu as modalidades de ginástica artística, judô, tênis de mesa e voleibol, em que foram alcançadas mais seis medalhas de bronze para Mato Grosso.

O tênis de mesa garantiu dois pódios mato-grossenses, sendo um por equipe feminina, com as atletas Julia Oliveira, de Várzea Grande, e Julia Hatakeyama, de Cuiabá; e outro individual, também com Julia Hatakeyama.

Mais quatro bronzes vieram no Judô, com os atletas Rodrigo Sampaio, de Cuiabá, Rafaelli Lara, de Campo Verde, Silas Alencar Costa e Gabrielle Vasconcelos, de Primavera do Leste.

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No terceiro e último bloco de disputas, Mato Grosso foi representado nas disputas das modalidades de natação, vôlei de praia, basquetebol e handebol. Mais um bronze veio com o handebol feminino, em partida realizada nesse sábado (16.09).

Os três grupos de competições distribuíram as modalidades em datas diferentes, totalizando mais de 4.000 atletas durante todo o período. De 1 a 5 de setembro ocorreram as disputas do primeiro bloco; de 6 a 10 de setembro, do segundo; e de 11 a 16 de setembro, o terceiro. As viagens e a participação das equipes mato-grossenses em todos os blocos foram conduzidas pela Secel-MT.

“Parabenizamos a todos os esportistas que representaram o Estado. Essa importante competição realizada pelo COB é uma oportunidade de mostrar o potencial de Mato Grosso no esporte e também de interagir e aprender com os melhores atletas do país. Estamos no caminho certo. Em nome do Governo do Estado e da Secel, reitero nossa confiança em nossos jovens talentos e contem conosco para fortalecer ainda mais o esporte mato-grossense”, celebra o secretário adjunto de Esporte e Lazer da Secel, David Moura.

Fonte: Governo MT – MT

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O Idiota e a tragédia de sermos a nossa pior história

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As primeiras páginas de O Idiota (1868), contudo, revelaram o meu engano.Esse assombro não se deu por uma suposta superioridade estética, mas pelo incômodo da pergunta que o romance nos lança. Enquanto em outras obras ele investiga a anatomia do mal ou os abismos da culpa, aqui o problema é outro: o que acontece quando a bondade radical colide frontalmente com a humanidade real, com toda a sua liberdade e o seu fatalismo?A própria escolha do título já funciona como um soco. O Idiota, na tradição eslava do iuródivii (o “louco de Deus” ou o tolo sagrado), é o veredito imediato que a sociedade reserva a quem não sabe dissimular.Logo no início da trama, quando o príncipe Lev Nikoláievitch Míchkin desce do trem em Petersburgo, voltando de um sanatório na Suíça com sua trouxinha de roupas e uma capa gasta de estrangeiro, ele é a própria nudez d’alma. Observando-o, solto nos salões de intrigas da aristocracia russa, o prognóstico é quase instintivo: vão devorá-lo vivo. E quase engolem, pois ele é recebido com risinhos, escárnio e desconfiança. Acontece que a pureza despojada, invariavelmente, incomoda. A gente costuma rir do que não entende, ou do que expõe as nossas próprias máscaras. Sem proferir discursos moralistas, a simples presença do príncipe atua como um espelho profundamente desconfortável. E ninguém gosta de se olhar num espelho que não distorce os defeitos.Ao entrar na vida daquelas pessoas, Míchkin subverte as regras do jogo. É aqui que o romance revela a sua verdadeira genialidade. Se eu tivesse de resumir a grandeza de O Idiota a um único movimento, seria este:Míchkin passa a história inteira recusando-se a reduzir as pessoas à sua pior queda. A tragédia é que quase todas elas continuam a olhar para si mesmas exatamente por esse prisma.Essa miopia existencial é a patologia que contamina todo o ecossistema do livro. Não se trata de um cativeiro exclusivo de uma personagem; é a tragédia humana de estarmos aprisionados às narrativas que forjamos sobre nós mesmos.Basta olhar para Gánia. Ele se odeia por ser medíocre, por querer vender a própria vida por setenta e cinco mil rublos em um casamento de conveniência, mas se convenceu de que não tem outra saída. O mesmo vale para Rogójin, que se vê como um bruto, consumido por uma paixão doentia e incontrolável, fadado a destruir o que ama porque o fatalismo corre no seu sangue. Até a jovem e orgulhosa Agláia vive presa a ideais românticos que não param em pé na realidade árida. Em certa medida, todos estão algemados às suas piores versões. No centro dessa engrenagem, Nastácia Filíppovna é a expressão mais aguda dessa mesma tragédia. Marcada por anos de exploração e abuso nas mãos de Tótskii, ela sucumbe à mais cruel forma de autoengano: perdeu o próprio olhar. A sua ruína não é apenas o trauma sofrido, mas o fato de que ela assumiu a degradação como identidade, passando a enxergar a si mesma exclusivamente através dos olhos de quem a sujou. Ocorre que Míchkin não aceita o roteiro fatalista de nenhum deles. Ele se recusa a converter o acidente moral na essência ontológica da pessoa.A prova definitiva dessa postura surge na cena aterradora em que Gánia, cego de raiva e humilhação, tenta agredir a própria irmã e o príncipe entra no meio para receber a bofetada. A reação de Míchkin desarma moralmente o agressor. Ele não revida. Ele não humilha. Ele apenas sofre, de forma sincera e antecipada, pela vergonha profunda que o outro sentirá de si mesmo. O príncipe redime a cena porque enxerga, sob os escombros do ato covarde, a centelha de humanidade fraturada de quem o cometeu. Há nisso uma intuição psicológica tão devastadora que fatalmente nos empurra para uma projeção inevitável: o que faríamos com um Míchkin no século XXI?A resposta mais amarga é que o crucificaríamos ainda mais rápido. O fatalismo que Dostoiévski combate — a ideia de que um erro resume a sua biografia inteira — virou a regra de ouro do nosso tempo. As redes sociais apenas industrializaram a nossa pressa em reduzir pessoas aos seus piores momentos. Se a aristocracia do século XIX ria do príncipe e o tomava por louco, nossos tribunais digitais o cancelariam sem piedade. A recusa dele em apedrejar o outro seria lida como cumplicidade; sua empatia, diagnosticada como fraqueza.É precisamente contra esse pano de fundo sombrio que a famosa máxima “a beleza salvará o mundo” ganha um peso aterrador.Trata-se de algo muito além da estética — a exuberância de Nastácia, afinal, só atua como estopim de ciúmes, rivalidades e ruínas. A verdadeira beleza do romance habita uma dimensão estritamente moral e espiritual. Ela reside na teimosia de enxergar dignidade onde o mundo só aponta destroços. Na capacidade de resgatar o que sobrou de sagrado sob os escombros da culpa. Dostoiévski, no entanto, é um pensador complexo demais para nos legar uma parábola reconfortante. O livro não acaba em uma apoteose triunfal da virtude; acaba em colapso. Porque o escritor entendeu uma lei tristíssima: nenhuma quantidade de compaixão externa anula a liberdade do outro. Míchkin descortina o horizonte das possibilidades, oferece a redenção, mas não pode habitá-la nos outros.Por isso, terminamos a leitura com um nó na garganta. O livro nos arranca da confortável posição de observadores, obriga-nos a encarar o nosso próprio reflexo e nos confronta com o tema da dignidade humana e dos invólucros a que a submetemos. Questão de amarga solução. Talvez por isso a pergunta central do romance continue tão viva: se a nossa dignidade é intrínseca e somos infinitamente maiores do que a pior história que contamos sobre nós mesmos, por que insistimos em viver — e em julgar — como se não fôssemos?
*Márcio Florestan Berestinas é promotor de Justiça no Ministério Público do Estado de Mato Grosso.

Fonte: Ministério Público MT – MT

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