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Brasil Avança em Rastreabilidade Bovina para Ampliar Exportações
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O Ministério da Agricultura (Mapa) se prepara para implementar um sistema nacional de rastreabilidade individual bovina. Este projeto, voltado para o controle sanitário do rebanho, promete marcar um novo capítulo na história da pecuária brasileira. Com um olhar atento ao futuro, o Mapa estabeleceu a meta de alcançar entre 30% e 50% dos animais rastreados até 2026, momento em que o país prevê a retirada total da vacinação contra a febre aftosa.
Esta estratégia não apenas coloca o Brasil em conformidade com as exigências de grandes importadores, como China e Rússia, mas também se alinha às práticas internacionais de garantia da qualidade e segurança alimentar. A medida visa, sobretudo, antecipar-se a imposições sanitárias internacionais e solidificar a posição do Brasil como um fornecedor confiável de carne bovina no mercado global.
O secretário de Defesa Agropecuária do Mapa, Carlos Goulart, destacou a importância de se antecipar a possíveis restrições, assim como ocorreu com legislações socioambientais, como a lei anti-desmatamento da União Europeia. Segundo ele, o objetivo é evitar impactos negativos nas exportações de carne, preparando o setor para responder a demandas por maior transparência e qualidade no controle sanitário dos rebanhos.
O Brasil, com mais de 234,4 milhões de cabeças de gado em 2022, segundo o IBGE, já possui uma base sólida para a implementação desse projeto ambicioso. A proposta inclui a rastreabilidade individual dos bovinos, desde sua primeira movimentação até o abate, sem necessidade de registro imediato ao nascer. Essa abordagem flexível e adaptada às realidades do setor pecuário visa facilitar a implementação gradual do sistema em todo o território nacional.
A discussão sobre a obrigatoriedade do sistema ainda está em aberto, refletindo as divergências existentes entre os stakeholders do setor sobre os custos, prazos, e a gestão das informações no processo, como as Guias de Trânsito Animal (GTA). A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) defende uma adesão voluntária e uma transição gradual, preocupando-se especialmente com os pequenos produtores e os custos associados à implementação.
O país já conta com experiências em rastreabilidade, como o Sistema de Identificação e Certificação de Bovinos e Bubalinos (Sisbov), criado para atender às exigências da União Europeia. A nova proposta, no entanto, visa abranger um espectro mais amplo, não se limitando a demandas específicas de mercados e permitindo um controle sanitário mais efetivo.
O fortalecimento da rastreabilidade é visto como uma oportunidade para abrir novos mercados, como Japão e Coreia do Sul, que atualmente estão fechados para a carne brasileira devido a critérios sanitários rigorosos. Além disso, a medida é considerada um diferencial competitivo importante frente a outros grandes exportadores de carne, como Uruguai, Austrália e Estados Unidos.
À medida que o Brasil se encaminha para ser reconhecido como livre de febre aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal em 2026, a implementação do sistema nacional de rastreabilidade individual bovina emerge não apenas como uma estratégia de prevenção sanitária, mas como uma alavanca para o futuro da pecuária nacional, reforçando o compromisso do país com a qualidade, a transparência e a sustentabilidade no cenário agrícola global.
Fonte: Pensar Agro
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Exportação recorde não impede queda do frango vivo no mercado interno
O Brasil caminha para estabelecer um novo recorde nas exportações de carne de frango em 2026, mas o avanço das vendas externas ainda não foi suficiente para absorver o aumento da oferta. Com mais animais prontos para o abate, os preços do frango vivo recuaram em algumas das principais regiões produtoras, enquanto as cotações dos cortes permaneceram praticamente estáveis no atacado.
A pressão ocorre em uma cadeia que produziu 15,3 milhões de toneladas de carne de frango em 2025 e faturou cerca de R$ 50 bilhões somente com exportações, considerando a receita de R$ 9,8 bilhões convertida pelo câmbio de R$ 5,10. O Brasil ocupa a terceira posição entre os maiores produtores mundiais e lidera o comércio internacional da proteína.
No ano passado, o país exportou o volume recorde de 5,324 milhões de toneladas. Para 2026, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) projeta embarques de até 5,5 milhões de toneladas, além de uma produção próxima de 15,6 milhões de toneladas. A disponibilidade no mercado interno pode alcançar 10,1 milhões de toneladas.
O avanço da oferta já aparece nos abates. No primeiro trimestre deste ano, o peso das carcaças chegou a 3,73 milhões de toneladas, crescimento de 6,9% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Paraná respondeu por 35% da produção, seguido por Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.
A ampliação dos abates ajuda a explicar por que os preços não acompanham o desempenho das exportações. A demanda internacional segue aquecida, mas o mercado doméstico precisa absorver cerca de dois terços de toda a carne produzida no país. O consumo estimado para 2026 é de 47,3 quilos por habitante, um dos maiores do mundo, mas ainda insuficiente para provocar uma reação mais forte diante da oferta atual.
Levantamento mostra que o frango vivo foi negociado a R$ 5,20 por quilo em São Paulo. No oeste do Paraná, a referência ficou em R$ 4,60. Goiás e Mato Grosso do Sul registraram queda de R$ 4,65 para R$ 4,55, enquanto Minas Gerais e Distrito Federal passaram de R$ 4,70 para R$ 4,60 por quilo.
No Sul, as referências ficaram em R$ 4,75 no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Os preços mais elevados continuam concentrados no Nordeste e no Norte, variando de R$ 6,80 no Ceará a R$ 7,20 no Pará. As diferenças refletem custos logísticos, disponibilidade regional de aves e características próprias de cada mercado.
No atacado paulista, o peito congelado permaneceu em R$ 8,50 por quilo, a coxa em R$ 6,90 e a asa em R$ 11. Os cortes resfriados foram negociados por R$ 8,60, R$ 7 e R$ 11,10, respectivamente. A estabilidade, porém, não representa recuperação, porque as indústrias encontram dificuldade para elevar os preços diante da quantidade de carne disponível.
O principal instrumento para ajustar o mercado é o controle dos alojamentos. O termo corresponde ao número de pintinhos de um dia colocados nas granjas para engorda. Como as aves chegam ao peso de abate em aproximadamente 40 a 45 dias, um alojamento elevado hoje se transforma em maior oferta de carne poucas semanas depois.
A redução dos lotes permite diminuir gradualmente a quantidade de animais disponíveis e recuperar o equilíbrio entre produção, consumo e exportações. O ajuste precisa ser planejado porque uma redução excessiva também pode provocar falta de produto e aumento repentino dos preços no futuro.
A pressão não alcança todos os avicultores da mesma maneira. No sistema de integração, predominante nas principais regiões produtoras, a indústria normalmente fornece pintinhos, ração, medicamentos e assistência técnica. O produtor entra com as instalações, mão de obra, energia e manejo, recebendo conforme o desempenho do lote e as condições estabelecidas em contrato.
Por isso, a cotação do frango vivo não corresponde diretamente ao valor recebido por todos os integrados. Ainda assim, o excesso de oferta reduz a rentabilidade geral da cadeia e pode afetar o ritmo dos alojamentos, a remuneração dos contratos e a capacidade das empresas de repassar custos. O impacto é mais direto sobre produtores independentes, que compram os insumos e comercializam os animais por conta própria.
A disponibilidade de milho e farelo de soja ajuda a conter parte da pressão. Os dois produtos formam a base da ração e representam a maior parcela do custo de produção. Com oferta elevada de grãos, a alimentação das aves está menos onerosa do que em períodos de escassez, evitando uma deterioração maior das margens.
No comércio exterior, os embarques continuam funcionando como principal sustentação do setor. Nos primeiros 13 dias úteis de julho, o Brasil exportou 299,2 mil toneladas de carne de aves e miudezas, com receita equivalente a R$ 2,73 bilhões. A média diária cresceu 41% em relação a julho de 2025, embora o preço médio tenha recuado 1,3%.
O cenário indica que a avicultura brasileira permanece competitiva e deve ampliar sua presença internacional. No curto prazo, porém, o recorde das exportações terá de ser acompanhado por um controle mais preciso dos alojamentos. Sem esse ajuste, a expansão da produção continuará chegando ao mercado antes que a demanda consiga absorvê-la, mantendo os preços do frango vivo sob pressão.
Fonte: Pensar Agro


