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Corpo de Bombeiros doa 2 toneladas de alimentos a instituições filantrópicas de Cuiabá

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O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) doou duas toneladas de alimentos não perecíveis a instituições filantrópicas de Cuiabá. A entrega dos donativos ocorreu nesta segunda-feira (23. 12) e teve como objetivo prestar apoio a famílias em situação de vulnerabilidade social, especialmente neste período de festas.

Os alimentos doados foram arrecadados durante eventos promovidos pelo CBMMT neste mês, em celebração aos 60 anos de sua fundação, comemorados em agosto. Entre as iniciativas, destacaram-se o “Concerto Musical em Homenagem à História do CBMMT – 60 Anos de Heroísmo” e o Baile de Gala Dom Pedro II, que mobilizaram a comunidade e contribuíram para a causa solidária.

De acordo com o comandante-geral do CBMMT, coronel BM Flávio Glêdson Vieira, a doação demonstra o compromisso da corporação com a responsabilidade social e o bem-estar da sociedade. Ele destacou ainda que a iniciativa reforça valores como união, colaboração e espírito solidário.

“Nosso papel constitucional é ajudar as pessoas e salvar vidas, e sei que essas instituições, por meio de seus projetos, também desempenham um papel fundamental nesse sentido. Fico muito feliz em poder somar a este trabalho, pois sabemos que não fazemos nada sozinhos. Estes mantimentos, que irão beneficiar toda a comunidade, foram fruto de muitas doações de pessoas que, assim como nós, querem ajudar a salvar vidas e proporcionar algum conforto para aqueles que estão em situação de vulnerabilidade”, afirmou o comandante.

O coronel BM Josiel Borges da Silva, presidente da comissão organizadora do Baile de Gala Dom Pedro II, ressaltou que a iniciativa é uma extensão do altruísmo dos bombeiros militares e uma maneira de retribuir à sociedade por todo o apoio que a corporação recebe.

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“Estamos aqui para agradecer a cada bombeiro militar que participou, a cada empresário que nos apoiou, e às empresas que têm nos ajudado. Só Deus para retribuir. A única coisa que peço é que lembrem do Corpo de Bombeiros, pois fomos criados com o propósito de salvar vidas, abençoar pessoas e fazemos isso com muito carinho. Faremos o possível para salvar vidas alheias, mesmo que seja com esses pequenos gestos”, disse.

Para Ademir Borges, gerente nacional de vendas da empresa Teltronic, apoiadora do baile de gala, as doações são um importante ato de solidariedade, com um grande impacto para quem as recebe. “É uma grande honra participar deste evento, pois isso faz parte da nossa instituição: fazer algo em prol da sociedade, do próximo. Este trabalho bonito, apoiado pelo Corpo de Bombeiros Militar, nos enche de orgulho. Para nós, é um prazer fazer parte disso, pois sabemos que fazer um pouco por alguém faz uma grande diferença para quem recebe”, afirmou.

Doações

As doações foram destinadas à Associação Beneficente Águia Ajudando Vidas, localizada no bairro Silvanópolis, e à Ação Solidária Adventista, no bairro Araés. Ambas as organizações desempenham um papel essencial no atendimento a pessoas em situação de vulnerabilidade, oferecendo suporte às famílias que enfrentam dificuldades financeiras e sociais.

A entrega das cestas básicas foi um momento de celebração, marcado por muita alegria e música. O Corpo Musical da corporação realizou apresentações especiais, incluindo clássicos natalinos e canções infantis, cuidadosamente escolhidas para encantar as dezenas de crianças presentes na Associação Beneficente Águia Ajudando Vidas.

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Para Antônia Xavier de Oliveira Campos, presidente da associação, a doação fará uma grande diferença para as famílias atendidas pelo projeto, que oferece aulas de reforço escolar, karatê e catequese para cerca de 80 crianças. Atualmente, a associação funciona exclusivamente por meio de doações.

“Que Deus continue abençoando a todos vocês. São cinco anos que estamos aqui realizando esse trabalho e agradecemos a cada mão abençoada que trouxe hoje esses alimentos para nós hoje. É sempre uma alegria contarmos com o apoio de instituições como a do Corpo de Bombeiros”, afirmou a presidente.

Voluntária da associação, Ana Soares também expressou sua gratidão pela iniciativa. “Estamos muito felizes. É um dia muito especial. Os bombeiros militares estão de parabéns por nos ajudarem e por proporcionarem essa manhã de alegria para nossas crianças e pais aqui presentes”, garantiu.

Também beneficiado com as doações o projeto Ação Solidária Adventista atende, mensalmente, cerca de 50 famílias, oferecendo itens essenciais como roupas, alimentos, medicamentos e outros suprimentos indispensáveis.

Para a diretora do projeto, Lúcia Martins, as doações vão proporcionar apoio às famílias, promovendo dignidade e esperança para aqueles que enfrentam dificuldades. “Quero agradecer a Deus por essa grande benção, por esse momento feliz. Essas doações vieram bem neste ano em que estávamos com poucas doações. Deus mandou os bombeiros militares na hora certa. Vai fazer o Natal de muita gente mais feliz”, encerrou.

Fonte: Governo MT – MT

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Vicaricídio passa a ter punição específica e muda resposta da Justiça à violência contra mulheres

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O ordenamento jurídico brasileiro passou a reconhecer o vicaricídio como crime autônomo em abril deste ano. A Lei nº 15.384/2026 incluiu no Código Penal o homicídio praticado contra filhos, familiares ou pessoas com quem a mulher mantém vínculo afetivo ou de cuidado quando o objetivo do agressor é atingi-la psicologicamente. A conduta passou a integrar o rol dos crimes hediondos e fortaleceu os instrumentos de enfrentamento à violência de gênero.

A pena prevista é de 20 a 40 anos de reclusão, podendo ser aumentada de um terço até a metade quando o crime é cometido na presença da mulher que se pretende atingir, contra criança, adolescente, pessoa idosa ou com deficiência, ou ainda em descumprimento de medida protetiva de urgência.

Além de criar um tipo penal, a lei alterou o Artigo 7º da Lei Maria da Penha ao incluir a violência vicária como forma de violência doméstica e familiar. Com isso, a ameaça ou a violência praticada contra filhos, familiares, enteados ou pessoas da rede de apoio da vítima passa a ser considerada na avaliação do risco para concessão de medidas protetivas de urgência.

Caso em MT evidencia a importância da nova legislação

Embora o crime de vicaricídio tenha sido tipificado apenas este ano, situações com essas características acontecem rotineiramente, como no caso do homem de 21 anos que matou o filho de dois anos asfixiado. O crime ocorreu em Sorriso (244 km de Cuiabá), em janeiro deste ano.

Conforme a denúncia do Ministério Público do Estado de Mato Grosso, o crime foi premeditado e motivado pelo inconformismo do investigado com o término da relação e com o fato de a mulher ter iniciado um novo relacionamento. O caso tramita na Justiça e ainda aguarda julgamento.

Embora não possa ser julgado com base na Lei nº 15.384/2026, por ter ocorrido antes de sua vigência, o caso exemplifica uma das formas mais extremas da violência vicária e ilustra o contexto que levou à criação do crime de vicaricídio.

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Reconhecimento do crime

Para a juíza Tatyana Lopes de Araújo Borges, da 2ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Cuiabá, a principal inovação é o reconhecimento da finalidade do crime. “Agora temos no ordenamento jurídico o reconhecimento de que matar um descendente, um ascendente, um enteado ou qualquer pessoa do convívio da mulher para atingi-la emocionalmente possui uma finalidade específica. Não é apenas um homicídio comum ou qualificado. Temos uma tipificação própria, com pena de 20 a 40 anos, assim como ocorre com o feminicídio”.

De acordo com a magistrada, a tipificação específica confere maior visibilidade a essa forma extrema de violência, facilita a produção de estatísticas e contribui para o aperfeiçoamento das políticas públicas de prevenção. “Quando um crime é tipificado, conseguimos produzir dados, compreender melhor o comportamento do agressor e desenvolver estratégias preventivas mais eficientes”.

Violência que utiliza pessoas próximas como instrumento

O vicaricídio está inserido no contexto da violência vicária, caracterizada pela utilização de filhos, familiares ou pessoas próximas como instrumento para controlar, intimidar ou provocar sofrimento emocional à mulher.

Para a juíza, o reconhecimento da violência vicária na Lei Maria da Penha facilita a identificação de situações de alto risco pelos profissionais que atuam na rede de proteção. “Quando o agressor passa a ameaçar ou agredir filhos, familiares ou pessoas da rede de apoio para intimidar ou exercer controle sobre a mulher, conseguimos identificar com mais facilidade que ela está em situação de risco”.

Na prática, a alteração amplia a atuação da Polícia Civil, do Ministério Público, do Poder Judiciário e das equipes multidisciplinares, que passam a considerar essas condutas na avaliação do risco.

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Antes da mudança legislativa, a concessão de medidas protetivas era mais difícil quando a violência não atingia diretamente a mulher. “Agora, se o agressor atinge um filho ou outra pessoa próxima para causar medo, sofrimento psicológico ou exercer controle sobre a mulher, essa circunstância pode fundamentar a concessão de medidas protetivas.”

Proteção e prevenção

No Poder Judiciário de Mato Grosso, o enfrentamento à violência doméstica envolve atuação integrada entre magistrados, servidores, equipes multidisciplinares e instituições da rede de proteção.

Além da análise dos processos e da concessão de medidas protetivas de urgência, as Varas Especializadas identificam situações de risco, encaminham vítimas aos serviços especializados e adotam providências para interromper a escalada da violência.

Com a criação do crime de vicaricídio e o reconhecimento da violência vicária na Lei Maria da Penha, o sistema de Justiça passa a contar com instrumentos mais precisos para identificar esse padrão de violência e agir preventivamente.

Para a juíza Tatyana Lopes de Araújo Borges, a principal mudança prática é a ampliação da fundamentação jurídica para concessão de medidas protetivas. “A lei amplia nossa possibilidade de atuação porque permite conceder medidas protetivas quando houver risco não apenas para a mulher, mas também para filhos, familiares ou pessoas próximas utilizados pelo agressor como forma de intimidação”.

A magistrada ressalta que a nova tipificação também fortalece a formulação de políticas públicas. “Quando conseguimos identificar um crime específico, podemos mensurar melhor sua incidência, compreender o perfil do agressor e desenvolver estratégias para evitar que essa violência aconteça”.

Autor: Marcia Marafon

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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