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Brasileiros bolsistas do IPCC relatam impactos na pesquisa e na carreira

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As inscrições para a 8a edição do programa de bolsas para alunos de doutorado e pós-doutorado do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC) estão abertas até 13 de abril. São incentivadas propostas de pesquisa com foco em mudanças climáticas e questões relacionadas, assim como outros tópicos: solos vivos, biodiversidade, viticultura regenerativa, agrofloresta, gestão de água, sistemas de conhecimento indígena e ciclo de carbono terrestre.

“Incentivamos os alunos de doutorado e de pós-doutorado em áreas relacionadas à mudança do clima a se inscreverem no programa de bolsas de estudo do IPCC. É uma excelente oportunidade para o candidato aprofundar seus conhecimentos na temática de riscos da mudança do clima, impactos e opções de mitigação e adaptação”, afirma o coordenador de Mudanças Ambientais Globais do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Antonio Marcos Mendonça.

As candidaturas deverão ser apresentadas pelos interessados exclusivamente e diretamente por meio do portal do órgão científico da ONU para o programa de bolsas (https://apps.ipcc.ch/scholarship/). As submissões que não contemplarem todos os documentos solicitados não serão consideradas.

De acordo com comunicado do IPCC, os candidatos devem ser cidadãos de países em desenvolvimento. Estudantes de países menos desenvolvidos e pequenos estados insulares em desenvolvimento que não estudam em seu país de origem serão priorizados.  O comunicado indica ainda que cada bolsa tem valor máximo de 15 mil Euros por ano (cerca de R$ 92 mil) e pode ter duração de até dois anos, com vigência entre 2025 e 2027. O material não informa a quantidade de bolsas disponíveis.

Para enviar a candidatura, é necessário efetuar cadastro no portal do programa de bolsas, preencher o formulário, anexar documentos de identificação, uma proposta de pesquisa (5 a 15 páginas), previsão de orçamento, comprovante de ao menos um ano em estudos de doutorado ou início dos trabalhos de pesquisa em pós-doutorado. Também são solicitadas cartas de recomendação da instituição anfitriã e de apoio do ponto focal do IPCC, organização observadora acreditada ou membro do IPCC Bureau. No Brasil, o ponto focal do IPCC é o Ministério das Relações Exteriores (MRE).

O programa de bolsas do IPCC foi estabelecido em 2007, a partir dos recursos recebidos com o Prêmio Nobel da Paz, e conta com apoio de recursos de fundações parceiras.

Participação de brasileiros

As três últimas edições do programa de bolsas contaram com participação de pesquisadores brasileiros. O engenheiro de materiais Ricardo Amaral foi selecionado na sétima edição e segue cursando doutorado no Departamento de Energia e Engenharia Mineral da Universidade do Estado da Pensilvânia, nos Estados Unidos. O agrônomo Rogério de Souza Nóia Júnior foi agraciado com bolsa em 2021, tendo concluído o doutorado com distinção acadêmica (summa  cum laude) na Universidade Técnica de Munique, na Alemanha. O engenheiro florestal Igor Oliveira Ribeiro foi pioneiro entre os brasileiros selecionados para participar do programa de bolsas do IPCC, tendo recebido apoio na 5ª edição, em 2019, para realizar pesquisa de pós-doutorado.

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“Trouxemos evidências muito fortes sobre impactos das queimadas”

O projeto de Igor Ribeiro, financiado pela Fundação Cuomo, abordou como as alterações de uso do solo provocadas pelas queimadas poderiam impactar a química da atmosfera. “Trabalhamos com algo que estava muito em evidência, que eram as queimadas na Amazônia”, explica Ribeiro sobre o trabalho desenvolvido na Universidade Estado do Amazonas (UEA). Ele também analisou, por meio de aplicação de modelagem e análises químicas, como a poluição do ar afeta a saúde. “Quando a gente fala de queimadas na Amazônia, as pessoas logo pensam em perda de floresta e em animais morrendo. Poucas pessoas lembram do grande efeito que é a poluição do ar. Trouxemos evidências muito fortes sobre os impactos disso na poluição do ar”, detalha. Segundo Ribeiro, o Sistema Único de Saúde (SUS) tem impactos significativos em investimentos durante o período de queimadas na Amazônia.

O maior impacto do trabalho científico na sociedade foi, a partir dos resultados da pesquisa, a criação do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva). A plataforma monitora a qualidade do ar na região e é utilizada pela Defesa Civil do Amazonas como um dos sistemas de informações para emitir alertas. “Foi fundamental para popularizar aquela problemática que estávamos estudando”, afirma. O trabalho também apoiou a instalação de sensores de baixo custo.

Ribeiro incentiva jovens pesquisadores brasileiros a se candidatarem ao programa de bolsas do IPCC.  “A agenda climática é muito ampla e é influenciada por vários fatores. Participar do programa do IPCC scholarship é uma oportunidade para ter contato com as agendas, entender como funciona o IPCC”, relata. Ele defende que o Brasil tem papel central na agenda climática e muito potencial para desenvolver tecnologias, por isso a importância de participação de cientistas. “Para mim, o papel do cientista brasileiro é estar envolvido nisso. Acho que essa é uma obrigação e não só, talvez, uma escolha, fazermos os esforços para trazermos ganhos científicos na fronteira do conhecimento para podermos evoluir. O IPPC scholarship é um dos caminhos e muito interessante”, avalia.

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Soluções locais e globais para desafios climáticos

O projeto do engenheiro de materiais Ricardo Amaral, também financiado pela Fundação Cuomo, envolve o desenvolvimento de novas baterias com maior densidade energética e menor impacto ambiental, visando aumentar a segurança energética e favorecer a adoção de energias renováveis em larga escala. Segundo Amaral, a realização deste desenvolvimento envolve diversos desafios, principalmente várias etapas e agentes que o pesquisador deve conseguir acessar. “Ser bolsista do IPCC me conectou com importantes tomadores de decisão globais e me oferece um suporte que é muito difícil de se encontrar apenas no ambiente acadêmico, abrindo novas perspectivas para o avanço da minha pesquisa e carreira na área de energia”, avalia.

Para Amaral, a bolsa abriu uma oportunidade única de ampliar o impacto da pesquisa em transição energética ao proporcionar acesso a redes de conhecimento e recursos “que seriam difíceis de obter de outra forma”. Além disso, ele destaca a visibilidade internacional do seu trabalho. “Tenho experimentado um ambiente de colaboração internacional que ampliou significativamente minha visão sobre os desafios climáticos e o papel individual e coletivo que possuímos”, explica.

Aos interessados em apresentar candidaturas, Amaral destaca que o programa de bolsas “é amplo e busca tanto soluções locais quanto globais que impactam positivamente o clima”. Por isso, ele recomenda que entender o contexto do pesquisador e a sua avaliação do problema é tão importante quanto os métodos propostos. “Recomendo aos candidatos que demonstrem claramente como seu projeto se alinha às prioridades do IPCC e como aborda desafios climáticos específicos”, explica. Ele enfatiza que as candidaturas devem demonstrar de forma prática como o programa de bolsa irá viabilizar e alavancar o projeto proposto. “Em resumo, um bom projeto deve ser capaz de demonstrar impacto, qualificação técnica e um plano de trabalho bem estruturado e com objetivos claros, que vão além da universidade”, detalha.

Amaral destaca ainda que o Brasil tem a grande oportunidade de desenvolver a sua economia de modo sustentável e atuar como referência para o restante do mundo. “Esse processo passa pela formação de uma nova geração de brasileiros que valorizem a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico, e colaborem para a construção de um futuro sustentável. É nosso papel desenvolver o nosso país e compartilhar o que temos de melhor com o restante do mundo”, finaliza.

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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Paralelo 60: série de TV mostra a atuação da ciência brasileira na Antártica e no Ártico

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Como é fazer ciência nos lugares mais frios e remotos do planeta? A série documental Paralelo 60: a Ciência Brasileira nos Extremos do Planeta, que estreou na terça-feira (9), convida a sociedade a acompanhar pesquisadores brasileiros em expedições à Antártica e ao Ártico, revelando grandes descobertas, desafios e a importância dessas pesquisas para compreender as mudanças que afetam o mundo inteiro. O documentário está no ar na Rede Minas e também estará disponível na Minas Play.  

Com 13 episódios de 26 minutos, a produção mostra os bastidores das pesquisas feitas por cientistas brasileiros nos polos e destaca como o conhecimento produzido nessas regiões contribui para ampliar a compreensão sobre mudança climática, biodiversidade, oceano, geologia, microbiologia e biotecnologia. A série também apresenta o cotidiano das expedições científicas, os desafios logísticos das missões e as histórias de pesquisadores que dedicam suas carreiras ao estudo dos ambientes extremos.  

O documentário mostra a atuação integrada do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), da Marinha do Brasil, do Ministério das Relações Exteriores (MRE), do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), além de universidades e centros de pesquisa de diferentes regiões do País. Essa articulação é fundamental para garantir a continuidade das pesquisas e fortalecer a participação do Brasil em iniciativas internacionais voltadas à compreensão e preservação dos ecossistemas polares.  

A série também registra um marco para a ciência nacional: a primeira expedição científica oficial brasileira ao Ártico, ocorrida em 2023, no arquipélago de Svalbard, na Noruega. A iniciativa ampliou a atuação brasileira nas pesquisas polares e reforçou a inserção do País em redes internacionais de cooperação científica para a compreensão das transformações ambientais globais.  

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Para a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, a presença brasileira no Ártico amplia a capacidade científica do País e fortalece sua inserção internacional. “A expedição ao Ártico tem valor científico, ambiental e geopolítico. O conhecimento nos dá liberdade para compreender os fenômenos que nos cercam e tomar decisões mais conscientes”, afirmou.  

Diretor do Departamento de Programas Temáticos do MCTI, Leandro Pedron destaca que a expansão das pesquisas brasileiras para ambos os polos é resultado da experiência acumulada ao longo de décadas de atuação na Antártica. “Queremos que a pesquisa brasileira possa ajudar a compreender as mudanças que vêm ocorrendo nos polos, como o Ártico e a Antártica se conectam, e como isso pode afetar o Brasil.”, ressaltou.  

O público pode acompanhar pesquisas conduzidas por cientistas de instituições de todo o País em áreas como microbiologia, botânica, oceanografia, geologia, saúde única e mudanças climáticas. Entre os destaques está o projeto MycoAntar, liderado pelo pesquisador Luiz Henrique Rosa, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que investiga fungos e microrganismos polares com potencial de aplicação em setores como saúde, agricultura e indústria.  

Com imagens inéditas da Antártica e do Ártico, a produção aproxima o público do universo da ciência polar e mostra como as descobertas nos extremos do planeta ajudam a compreender fenômenos que influenciam diretamente a vida no Brasil e no restante do mundo.  

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A produção é da Qu4rto Studio, com recursos do edital Olhar Independente, fruto de parceria entre a Rede Minas de Televisão e a Agência Nacional do Cinema (Ancine).  

Ciência garante presença internacional  

A pesquisa científica é um dos pilares da participação brasileira na Antártica. O País integra o grupo dos 29 membros consultivos do Sistema do Tratado da Antártica, acordo internacional que regula as atividades no continente e estabelece que as decisões sobre seu futuro sejam tomadas por consenso entre os países-membros.  

Essa condição assegura ao Brasil voz e participação nas decisões sobre um continente estratégico para o futuro do planeta. Além de abrigar a maior reserva de água doce da Terra, a Antártica reúne recursos biológicos e naturais ainda pouco conhecidos, com potencial para gerar novos conhecimentos e aplicações em diferentes áreas da ciência.  

Para o pesquisador responsável pelo projeto MycoAntar, Luiz Henrique Rosa, a produção também representa um registro importante da trajetória brasileira nas pesquisas polares. “Em mais de 20 anos de atuação na Antártica, este é um dos registros mais completos já produzidos sobre as pesquisas brasileiras na Antártica e no Ártico. É uma oportunidade de aproximar o público da ciência produzida nessas regiões e mostrar a importância de mantermos uma presença ativa nos polos”, destacou. 

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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