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Projeto cria quarentena de dez anos para evitar conflito de interesses na direção da Anac

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O Projeto de Lei 4737/24 estabelece um período de quarentena de dez anos para que profissionais que atuaram em cargos de direção, gerência, administração e controle de empresas do setor de aviação civil possam ser nomeados para cargos de diretoria na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A Câmara dos Deputados analisa a proposta.

A vedação, segundo o texto, também se aplica a profissionais que mantiveram vínculo contratual, consultivo ou profissional com entidades, organismos ou empresas reguladas pelas agências, incluindo controladas, coligadas ou subsidiárias.

A proibição se estende ainda a sócios ou acionistas com poder de voto, entidades de representação de interesses do setor e advogados ou consultores jurídicos que tenham defendido interesses em assuntos ligados à Anac.

Autor do projeto, o deputado Duarte Jr. (PSB-MA) ressalta que a aviação civil brasileira é um dos segmentos mais dinâmicos da infraestrutura nacional, conectando mais de 100 aeroportos em território nacional e movimentando, em 2022, cerca de 98 milhões de passageiros.

“A vedação à nomeação de pessoas que, nos últimos dez anos, tenham exercido cargos de liderança ou mantido vínculos contratuais, consultivos ou profissionais com entidades reguladas pela Anac tem por objetivo reduzir os riscos de decisões enviesadas que possam favorecer interesses privados em detrimento do público”, ressalta Duarte Jr.

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Pelo texto, nomeações ou designações realizadas em desacordo com a nova regra serão nulas.

Após deixar o cargo, a pessoa também não poderá trabalhar, igualmente por dez anos, em empresas que são reguladas pela Anac ou fiscalizadas por ela. Essa regra vale para qualquer tipo de serviço, consultoria ou outro trabalho profissional.

Próximas etapas
A proposta será analisada, em caráter conclusivo, pelas comissões de Viação e Transportes; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Para virar lei, o texto precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.

Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei

Reportagem – Murilo Souza
Edição – Ana Chalub

Fonte: Câmara dos Deputados

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Para debatedores, integração é essencial para defender crianças de abuso sexual

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Para ampliar a identificação de casos de abuso sexual contra crianças e fortalecer a rede de proteção às vítimas, é fundamental uma maior integração entre escolas, serviços de assistência social, órgãos de segurança e instituições religiosas. Essa foi a análise de parlamentares, representantes do governo federal, da Polícia Federal e de entidades da sociedade civil na primeira audiência pública de um ciclo de debates na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado, nesta segunda-feira (18).

O objetivo da audiência, que coincidiu com o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, era avaliar o Plano Nacional de Enfrentamento da Violência contra Crianças e Adolescentes, instituído em 2022.

A audiência foi solicitada pela senadora Damares Alves (Republicamos-DF). Ela criticou o caráter “reativo” da atuação do Estado diante da violência sexual infantil. Citou dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2024, que apontam taxa de 128 vítimas por 100 mil habitantes.

— O modelo brasileiro ainda é predominantemente reativo. Entra em ação depois que a violência já aconteceu. Cada número representa uma criança que teve sua vida marcada pela violência. Não podemos aceitar que o Estado continue chegando depois da tragédia — disse a senadora.

Financiamento

Damares também manifestou apoio à PEC 7/2026, que prevê financiamento permanente para as políticas de assistência social, e disse que pretende ser a relatora da proposta no Senado.

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A questão do subfinanciamento do setor foi levantada por Ikaro Cosme, representante do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social.

— A gente enfrenta limitações do ponto de vista financeiro. Temos uma expectativa muito boa com a aprovação da PEC, na perspectiva de avançar na cobertura de serviços de proteção social para todo o Brasil — defendeu Cosme.

O coordenador-geral de Combate a Crimes Cibernéticos da Polícia Federal, Valdemar Latance Neto, afirmou que a corporação já realizou 1.165 operações em 2025 relacionadas a crimes contra crianças e adolescentes na internet. Ele alertou para o perfil dos abusadores: segundo ele, 99% dos investigados são homens, geralmente próximos das vítimas. 87% das vítimas são meninas, e a maioria tem menos de 13 anos. O delegado também alertou para os riscos do uso indiscriminado de celulares por crianças e adolescentes e para a atuação de criminosos por meio da internet.

— Não é um monstro, é qualquer pessoa. É o pai, o padrasto, o tio, o avô, o irmão, o vizinho. Hoje a rua é o quarto — disse.

Leniel Borel, vereador no Rio de Janeiro e presidente da Associação Henry Borel, destacou a importância da escola na identificação de casos de violência doméstica contra crianças e adolescentes. Henry, filho de Leniel, morreu em 2021, aos 4 anos de idade, no apartamento em que morava com a mãe e o padrasto. O caso que levou à criação da Lei Henry Borel, de combate à violência doméstica.

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Segundo Leniel, muitas vítimas conseguem denunciar a violência apenas no ambiente escolar, já que o abuso na maioria das vezes ocorre no próprio lar da vítima.

— Se quem deveria proteger não está protegendo — pai, mãe e familiares — é na escola que essa criança vai denunciar. O papel da escola é extremamente importante — afirmou.

Papel das igrejas

O presidente do Instituto Federal Kids, Clayton Bezerra, apresentou dados de uma pesquisa sobre violência contra crianças e adolescentes em igrejas católicas e protestantes e defendeu maior participação das instituições religiosas nas políticas de proteção à infância. Segundo ele, as igrejas conseguem alcançar comunidades onde o poder público enfrenta dificuldades de atuação.

— Se a gente quer capilaridade, a gente pode usar as igrejas. Tem lugar que a polícia não entra, mas a igreja entra — afirmou.

A diretora da Coalizão Brasileira pelo Fim da Violência contra Crianças e Adolescentes, Marcia Kalvon, avaliou que o atendimento ainda ocorre de forma compartimentalizada entre saúde, educação, assistência social e proteção social, o que dificulta a identificação de casos de violência. 

— O que falta é uma articulação entre todos. Propor isso dentro de um sistema mais integrado é extremamente fundamental — afirmou.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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