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BTG Pactual é alvo de denúncia de Eike Batista sobre suposta fraude em processo da MMX

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O empresário Eike Batista apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma petição formal denunciando supostas fraudes e manipulações no processo falimentar da MMX, acusando o BTG Pactual de utilizar um “fundo de fachada” para adquirir irregularmente ativos valiosos da massa falida. O documento, protocolado na sexta-feira (28), contém graves acusações contra o banco e o Fundo Itaipava FIM.

Na petição, Eike Batista “repudia formalmente a validade do chamado Memorando Preliminar de Entendimentos (‘MOU’), supostamente firmado entre Eike Fuhrken Batista, o Fundo Itaipava FIM, o Banco BTG Pactual S.A., o Sr. Joaquim Martino Ferreira e o Sr. Paulo Carvalho Gouvêa”. O empresário alega que sua assinatura digital foi utilizada sem sua autorização no documento datado de 16 de janeiro de 2025, caracterizando o que ele classifica como fraude documental e falsidade ideológica.

Um elemento novo revelado na petição é a origem do Fundo Itaipava FIM, classificado por Eike como um “fundo de fachada”. Segundo o documento, o fundo teve origem em uma doação feita pelo próprio empresário ao seu ex-diretor jurídico Paulo Gouvêa, como gratificação pela venda da mina Minas-Rio, ainda na época em que o grupo EBX estava em operação.

Eike alega que o fundo foi posteriormente usado de forma indevida por Gouvêa para favorecer o BTG Pactual, seu “parceiro oculto” na operação. De acordo com a petição, o banco utilizou esse fundo como instrumento dissimulado para encobrir sua real participação na compra da debênture Anglo American, um dos ativos mais valiosos da massa falida, que havia sido anteriormente vencida pela gestora Argenta em um processo competitivo homologado judicialmente.

“O referido MOU, além de juridicamente ineficaz – por ausência de consentimento válido e expresso do Colaborador – viola frontalmente os princípios contratuais e os artigos 662 e 665 do Código Civil”, afirma o documento. Segundo a petição, o memorando “configura, de forma escancarada, uma tentativa de legitimar ato de disposição patrimonial altamente lesivo, praticado por mandatário sem poderes (o ex-Diretor Jurídico Thiago Tedeschi), e em claro conflito de interesses com o próprio Colaborador”.

Concentração abusiva de créditos

Um dos pontos centrais da denúncia refere-se à suposta concentração abusiva de créditos pelo BTG Pactual. De acordo com a petição, o banco “passou a adquirir, de forma sistemática e agressiva, praticamente a totalidade dos créditos quirografários da MMX em circulação no mercado”.

Esta conduta, segundo o documento, “não tem qualquer justificativa econômica lícita do ponto de vista da recuperação de créditos – ainda mais quando o mesmo agente financeiro já participa ativamente da modelagem de acordos bilaterais sobre os próprios ativos que agora tenta controlar como credor majoritário”.

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A petição acusa o BTG de concentrar créditos da massa falida “com o objetivo de influenciar decisões judiciais e administrativas”, afirmando que “há evidências claras de tentativa de captura processual, violando os princípios da igualdade entre credores e da transparência na falência”.

A petição destaca que o processo de insolvência das Massas Falidas da MMX tramita há mais de 11 anos “sem solução para o pagamento de quaisquer valores”, apesar da existência de ativos suficientes para quitar os débitos.

“O montante atualizado dos ativos líquidos, referidos nos Autos de Arrecadação e na Lista de Processos Judiciais, inclusive, computando o valor de alienação da debênture, excede R$2 bilhões – em valores financeiros líquidos”, afirma o documento, acrescentando que a este valor devem ser somadas “as quantias que ainda virão, em razão das alienações de outros ativos imóveis e bens móveis, participações societárias em diversas sociedades e fundos de investimentos, direitos creditórios, embarcações, aeronaves, etc.”

A petição também menciona que a Associação Brasileira dos Investidores (ABRADIN) ingressou nos autos e denunciou supostos conluios entre o BTG Pactual e o Fundo Itaipava “com o intuito de frustrar o processo competitivo de adjudicação dos ativos da MMX, em especial a debênture mencionada”.

Segundo o documento, a ABRADIN “descreve o comportamento articulado entre os dois agentes como tentativa deliberada de fraudar o lance vencedor da Argenta, alterar artificialmente as condições de preferência impostas por decisão desta Corte e capturar, por vias colaterais, o ativo que serve de base ao Acordo de Colaboração do ora Requerente”.

Medidas solicitadas ao STF

Diante do cenário apresentado, Eike Batista solicita ao STF diversas medidas cautelares, incluindo:

  1. Manutenção do bloqueio integral de todos os valores depositados pelo Fundo Itaipava FIM, impedindo “sua movimentação, substituição, compensação ou levantamento, inclusive mediante carta de crédito”
  2. Suspensão de todos os efeitos jurídicos do MOU de 16 de janeiro de 2025, “inclusive as cessões de crédito, garantias, adiantamentos e quaisquer atos negociais ou processuais dele derivados”
  3. Suspensão dos efeitos de todas as cessões de crédito realizadas pelo BTG Pactual no âmbito da falência da MMX
  4. Centralização, sob controle do STF, de todos os valores arrestados, penhorados, bloqueados ou judicialmente depositados em nome do Colaborador ou vinculados à MMX
  5. Reconsideração da decisão de 17 de janeiro de 2025, com o reconhecimento da “inexistência jurídica de qualquer direito de preferência do Fundo Itaipava FIM sobre a debênture Anglo American”
  6. Declaração de nulidade absoluta do MOU “por vício insanável de consentimento, ausência de poderes do subscritor, simulação negocial e violação ao Acordo de Colaboração homologado por esta Corte”
  7. Arresto imediato dos valores já depositados judicialmente pelo Fundo Itaipava, e conversão desses recursos, ao final do processo, em pagamento da multa prevista no acordo de colaboração premiada firmado entre Eike e a Procuradoria-Geral da República
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Pedido de mediação institucional

Um dos pontos mais relevantes da petição é o pedido para que o caso seja encaminhado ao Núcleo de Soluções Consensuais de Conflitos (NUSOL) do STF para mediação institucional. O empresário argumenta que o caso é similar a precedentes como a PET 13.157 (caso Mariana) e a ACO 3555, nos quais o STF reconheceu sua competência para mediar conflitos complexos.

“Diante do quadro aqui narrado, em que há (i) conflito multijurisdicional; (ii) embates entre entes públicos e privados, inclusive com envolvimento da União e do Ministério Público; (iii) risco de violação à segurança jurídica, à função social da empresa e à eficácia do Acordo de Colaboração; e (iv) necessidade de preservar o juízo constitucional da PET 8.754, revela-se imperativa a instauração de procedimento de mediação sistêmica perante o STF”, argumenta a petição.

A nova petição amplia os desdobramentos da colaboração premiada de Eike Batista, homologada pelo STF, e reforça a tensão jurídica entre o empresário e o banco BTG Pactual. O controlador do banco, André Esteves, é citado diversas vezes na delação do empresário.

O caso agora aguarda apreciação do ministro Dias Toffoli, que poderá determinar novas medidas cautelares ou abrir investigações adicionais com base nos documentos apresentados.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

Fonte: O Fator

Fonte: Portal do Agronegócio

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Ureia despenca mais de 40% e fertilizantes voltam ao nível pré-crise com avanço de acordo entre EUA e Irã

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Os preços internacionais da ureia registraram forte recuo nas últimas semanas e já retornaram aos níveis observados antes do agravamento das tensões no Oriente Médio. Segundo análise da StoneX, as cotações destinadas ao mercado brasileiro acumulam queda superior a 40% após oito semanas consecutivas de desvalorização, refletindo o avanço das negociações diplomáticas entre Estados Unidos e Irã e a expectativa de reabertura do estratégico Estreito de Ormuz.

O movimento é acompanhado de perto pelo setor de fertilizantes, uma vez que a região concentra uma das principais rotas marítimas do mundo para o transporte de petróleo, amônia, enxofre e fertilizantes nitrogenados. A perspectiva de retomada da navegação vem reduzindo os temores relacionados à oferta global e aos gargalos logísticos que pressionaram os preços nos últimos meses.

Mercado reage à expectativa de normalização logística

De acordo com a StoneX, a possibilidade de restabelecimento do fluxo marítimo no Golfo Pérsico tem provocado uma mudança significativa no comportamento dos mercados de energia e fertilizantes.

As restrições impostas à navegação durante o período de instabilidade elevaram custos e dificultaram o transporte de insumos estratégicos. Agora, com o avanço das negociações entre Washington e Teerã, os agentes de mercado passaram a precificar um cenário de maior disponibilidade de produtos e menor risco logístico.

Segundo Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, o acordo preliminar representa um importante fator de pressão baixista para o setor.

“O entendimento entre Estados Unidos e Irã tem impacto direto sobre a logística global e a oferta de fertilizantes. O Estreito de Ormuz é uma rota fundamental para o escoamento de fertilizantes, petróleo, amônia e enxofre, o que torna qualquer sinalização de normalização extremamente relevante para os mercados”, avalia.

Ureia retorna aos patamares anteriores ao conflito

O efeito mais visível foi observado no mercado da ureia. As cotações CFR Brasil recuaram para níveis inferiores aos registrados antes do início da crise geopolítica, revertendo completamente os ganhos observados durante o período de maior incerteza.

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A queda acumulada superior a 40% representa uma das correções mais expressivas dos últimos meses e sinaliza uma redução dos prêmios de risco que vinham sendo incorporados aos preços internacionais.

Além da expectativa de reabertura das rotas marítimas, o mercado também passou a considerar uma possível ampliação da oferta global de fertilizantes caso as negociações avancem para uma flexibilização das sanções impostas ao Irã.

Acordo ainda depende de novas etapas

Apesar da reação positiva dos mercados, o acordo entre Estados Unidos e Irã ainda não está concluído. Informações divulgadas pela Reuters indicam que o entendimento atual prevê a extensão do cessar-fogo por mais 60 dias e a reabertura do Estreito de Ormuz, mas questões centrais continuam em negociação.

Entre os temas que permanecem em discussão está o futuro do programa nuclear iraniano, considerado um dos principais pontos de divergência entre os dois países.

Especialistas do setor marítimo alertam que a normalização completa das operações não deve ocorrer imediatamente. Mesmo após a eventual reabertura da rota, a retomada da confiança dos operadores logísticos e o reposicionamento das embarcações podem levar semanas.

Fertilizantes ainda dependem da evolução do cenário geopolítico

A StoneX destaca que o mercado segue monitorando fatores que podem limitar a recuperação plena da logística na região.

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Existem preocupações relacionadas à segurança da navegação, incluindo relatos sobre possíveis áreas minadas e incertezas quanto às condições definitivas para a circulação de embarcações. Além disso, navios que permaneceram retidos durante o período de restrições poderão enfrentar atrasos até que o fluxo marítimo seja totalmente restabelecido.

Dessa forma, embora a tendência atual seja de alívio para os preços, a oferta global de fertilizantes continua condicionada à evolução das negociações diplomáticas e à estabilidade da região.

Cenário favorece importadores brasileiros

A queda das cotações ocorre em um momento estratégico para o agronegócio brasileiro. Tradicionalmente, as compras externas de fertilizantes nitrogenados ganham força ao longo do segundo semestre, período de preparação para importantes culturas da safra de verão.

Com preços mais baixos e perspectiva de melhora na logística internacional, os importadores brasileiros encontram um ambiente mais favorável para negociar volumes e recompor estoques.

Além dos fertilizantes, o anúncio do acordo preliminar também impactou o mercado energético. Os preços do petróleo recuaram para os menores níveis dos últimos três meses, refletindo as expectativas de retomada do fluxo normal de cargas em uma das regiões mais importantes para o comércio global.

Para o agronegócio brasileiro, a combinação entre fertilizantes mais baratos e redução das incertezas logísticas pode representar um importante fator de alívio nos custos de produção nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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